Apenas Meu.
9 A mala.
Notas iniciais
Oiiiiiiiiiiiiiiiiiii gente! Hoje o dia vai ser de conquistas e amanhã de muita correria. Enfim, hoje posto "Sombras Divinas" reescrita, ok? Agora ela se chama Instrumento Tempestuoso e posto hoje a primeira parte do prólogo, pra ganhar tempo com a escrita.Esse capítulo tem um pouquinho de aceitação, raiva e um draminha básico. Obrigada pelos comentários, favoritos e pelos leitores e obrigada pela recomendação de Jessyang! Beeeijos
Bem que Dr. Flynn disse que uma dose de Cary me faria bem. Ele passou os últimos dias mais comigo do que em seu apartamento. Conversamos sobre os últimos acontecimentos. Sobre como Christian agira comigo e sobre as opiniões de Flynn. Cary apoiou o Dr., dizendo que o mesmo estava correto com suas palavras e com as atitudes que eu tinha de tomar, ele também me disse que eu deveria ir com calma, mas que havia dado um passo e tanto para longe do passado.
Mas, acho que o meu maior incentivo foi as emoções que vi retratadas em seu rosto a cada palavra que saia de minha boca. Cary não disse nada. Apenas deixou que eu terminasse, e só deu sua total opinião quando o fiz. Sei que ele viu as lágrimas presas em meus olhos, pois eu também vi as dele. Dr. Flynn também dera a dica de parar com o café, o que diminuiu a adrenalina percorrendo minhas veias e também a insônia. Os calmantes me ajudaram a tirar o estresse do corpo e mente, e me ajudaram com o sono, me levando rapidamente a um local só meu. Elliot voltou a ser o mesmo, ou fora tudo impressão minha. Ele brincava comigo e me provocava como sempre fizera. A relação dele com Kate estava oscilando, mas sentia um clima romântico no ar. Corinne continuava pela casa, andando para lá e para cá, quase nua. E Christian continuara com sua nova personalidade. Um ‘oi’ aqui e um ‘tchau’ ali. Estava magoada e com um resquício de raiva por existir mais do que o Christian que eu sempre gostei que existisse, mas, em atenção ao pedido de Flynn, Kate e principalmente do meu coração, estava dando uma chance para ele, puxando assuntos em momentos seguros, ao menos para tentar retomar com a amizade que havíamos construído. Eu e Kate estávamos sozinhas em casa, acordamos assim e senti a tensão ao redor do ar, estávamos tomando o café em silêncio, presa em nossos pensamentos. — Christian me decepcionou. – Murmurei suspirando enquanto Kate comia seu pão integral com um copo de suco de soja. Ela levantou os olhos em minha direção, incentivando-me a continuar. — Eu esperava mais dele. – Não pude evitar o tom embargado de minha voz e deixei as emoções dominarem tudo. – De início eu não gostava dele, com toda aquela fama, depois ele mudou a imagem dele para muito melhor. – Suspirei lembrando nossas manhãs de sábado – como essa – vendo seriados. – Aí ele piora com a chegada dessa garota. Nada contra ela, fico feliz que a mesma faça bem para ele. Mas, de alguma forma, isso abalou muito o que tínhamos até hoje. — Ele mudou você. – Ela sorriu torto. – Para melhor e acredite, Ava, você mudou ele. Muitas garotas tentaram amizades, como a de você com ele, mas nenhuma suportou. Ele viu diferença em você, por isso gostou de você de cara. Vocês fazem um casal muito lindo. Enruguei as sobrancelhas, indignada. – Não somos um casal, Katherine. Somos amigos e sempre seremos. Quero tudo do bom e do melhor para ele. A porta de entrada bateu interrompendo nossas falas. Christian passou pisando duro e bateu a porta de seu quarto. — Mas darei uma chance para retomarmos do ponto em que paramos. – Suspirei decidida. — É isso aí, baby! Comemos em silêncio, enquanto Kate falava sobre seu vestido, que eu estava do lado quando ela encomendou e em como estava feliz por poder – ao menos tentar – levar Elliot. A porta do quarto de Christian abriu-se novamente e ele passou de banho tomado, seu cheiro inundando o ar. Uma calça Levi’s pendendo em sua cintura e uma camisa xadrez fechada. — Aonde vai tão cedo? – Indaguei com um sorriso, ele permaneceu quieto mexendo em sua carteira. – Vai sair? — É. – Respondeu apenas sem olhar em minha direção. Seu tom de voz seco sem demonstrar a emoção que ainda existia – mesmo que pouca por mim –, e bateu a porta de saída do ambiente com força dando ênfase as suas palavras ocultas: “Não te interessa.” Virei meu rosto em direção a Kate que dava a última golada de seu suco. — Você nunca me contou sobre Corinne. – Informei, pensando alto. — Verdade, baby. Quer ouvir a história? – Ela indagou, nitidamente animada em contar. Fiz um sinal de cabeça para que continuasse. – As famílias deles são amigas há um bom tempo e eles se conhecem desde crianças. Sempre rolava aqueles assuntos de que eles se casariam quando mais velhos. O tempo passou e, com uma idade razoável, eles começaram um namoro de infância. Durou durante um bom tempo, então, ambos unidos, decidiram noivar. – Ela prensou os lábios, como se pesasse as palavras. – Mas aconteceu uma visita aos avós maternos de Christian e ela fez algo que decepcionou ele, tudo foi por água a baixo e ninguém mais viu Corinne até aquele dia no pub. — Uau. – Pensei na história de ambos, e que agora eu entendia o motivo por Christian ter ficado visivelmente abalado pela chegada arrebatadora de Corinne. – Estranho. – Murmurei. — O que é estranho? — Eles combinarem de se noivar. E não ele a pedir em casamento, parece meio forçado você não acha? – Enruguei as sobrancelhas.
— Sempre achei esquisito. Eu quero que o cara me surpreenda nesta grande virada da vida e não quero combinar tudo, como se fosse uma saída de final de semana. – Kate se indignou. Balancei a cabeça concordando. — Onde acha que ele foi a essa hora? – Perguntei olhando de relance para a porta. — Provavelmente brigou ou terminou, nem sei se começou, com Corinne e saiu para afogar as mágoas. – Kate deu de ombros levando a louça suja para a pia. — Mas é supercedo! — Ninguém nunca entendeu o Christian, baby.Já eram 22h e Christian não havia voltado desde que saíra de manhã. A preocupação já estava começando a se abater sobre mim. Como alguém saia esta hora sem avisar as pessoas com quem morava? O sofá da sala parecia bem confortável e tomei o comprimido para dormir. Senti que o efeito era instantâneo, pois, depois de alguns instantes, meus olhos pesaram, mesmo ouvindo Kate e Elliot no quarto do outro corredor. Me acomodei no acolchoado do sofá e caí em um sono profundo, sem pesadelos. Acordei com um som de passos pela sala. Me levantei de súbito, inicialmente assustada e momentos depois preocupada com a hora, pois ouvi a risada de Christian. Olhei para o relógio que ficava ao lado da TV que marcavam duas horas da madrugada. Me virei em direção à risada de Christian, imaginando encontra-lo junto com Corinne, mas meu queixo caiu com a cena que meus olhos encontraram. Sim, havia Christian, mas não Corinne, e sim uma loira peituda e uma morena bunduda. Ele me olhou de soslaio e pousou o dedo indicador sobre os lábios. – Shh. Idiota. Nojento. Porco. Prepotente. Todos estes xingamentos e muitos outros passaram por minha mente. Os gemidos começaram tão logo a porta se bateu. Não peguei no sono, não esperando tudo terminar, pois se fosse isso, teria ficado esperando até o dia amanhecer, mas pensando... Pensando que ainda podia dar algum – qualquer – tipo de chance para ele. Tudo bem, nós não éramos nada além de amigos, mas como eu poderia dar uma chance de retomada de amizade com ele, quando me tratava de forma tão diferente? Como Kate dissera, um mudou o outro. Não para ruim, de uma maneira péssima, mas para bom e sentia esta mudança. Christian me mostrou outra essência sua – a minha preferida – quando nos tornamos amigos. Me mostrou seu lado extrovertido me obrigando a ir à pizzaria, a festa na piscina ou a piscina. Me fez ruborizar quando me viu beijando um garoto qualquer e mexeu com meu desejo interno com apenas um beijo no pescoço, de tal forma que minhas pernas continuavam bambas depois de tanto tempo. Aquilo era ciúmes? Nem eu sabia. Depois de tanto tempo sem nenhum tipo de amor platônico, eu deixei de identificar quaisquer outros sentimentos relacionados. Só sei que quero meu Christian de volta. Espalhando fotos minhas por seu quarto ou me acordando de um pesadelo. Ou o que me vê internamente e não está nem aí pelas roupas que uso e pela forma que ajo. De uma coisa eu tinha certeza: se eu continuasse aqui, nunca me libertaria de tantas angústias. Eu precisava ir, para qualquer lugar que fosse, mas precisava dar um tempo para mim e para Christian, para nós. Disquei o número de Cary quando o relógio marcou seis horas da manhã. Ele atendeu no sétimo ou sexto toque. – Alô. — Me ajuda. – Pedi. — O que houve, Ava? – Despertou. — Preciso sair daqui, mas nem Kate pode saber ainda. Posso ficar aí com você? — Chego aí em quinze minutos. Esteja pronta. – Sua voz rouca ordenou e desligou em seguida. Me levantei em um pulo e corri para meu quarto provisório. Eu pegaria o essencial e depois pegaria as outras coisas, pois era muito para se juntar em quinze minutos. Peguei meus sapatos mais usados, roupas íntimas, produtos higiênicos e as roupas antigas, deixando as sacolas dentro dos armários do closet. Fechei tudo em minha mala vermelha já atrasada. Abri a porta do quarto e corri para a sala, parei subitamente com a visão de Christian de cueca dispensando as duas garotas silenciosamente. Ele fechou a porta e se virou, nossos corpos quase se chocaram. Não chore, não chore, não chore! Seus olhos me fitaram e desceram para o que tinha em minhas mãos: a mala. Ele engoliu em seco antes de eu fechar os olhos. — Aonde vai? – Christian indagou com voz rouca. Não fui capaz de responder. Ele chegou mais perto e agarrou meus ombros, pontos vermelhos se acenderam atrás dos meus olhos. Seus braços firmes começaram a me chacoalhar com violência, fazendo com que meu coque frouxo desabrochasse. — Responda, Ava! – Gritou em meu rosto. – Fale comigo. — Vou embora. – Sussurrei fraca. — Para onde? Hein? Para onde pensa que vai? — Não grite de tal maneira com ela! Solte-a. – Cary irrompeu pela sala, libertando os dedos de Christian de meus ombros. Um alívio me percorreu. Cary sabia que Nathan gritava de tal forma comigo. Christian nos olhou com os olhos arregalados. — Porque está fazendo isso? – Ele perguntou passando as mãos pelo cabelo, demonstrando revolta. — Preciso de um tempo. – Respondi com Cary segurando minha mão. — Um tempo de mim, Ava? — Você nem sequer tem olhado na minha cara, Christian. Não venha exigir nada agora. – Pedi enquanto caminhava com Cary para a porta. Seus dedos firmes me segurando. — Você não pode fazer isso. – Ele caminhou com passos vacilantes em minha direção. — Não só posso, como estou fazendo. – Bati a porta com força, deixando-o sem reação como fizera comigo durante os últimos dias, só então desabei de todas as formas nos braços de Cary. Seus dedos passeando destrambelhados dentre meus fios e eu molhando sua camiseta. Cary era tudo para mim e sempre seria.— Cadê você? – Kate gritou pelo bocal do telefone. — Olá, tudo bem sim e com você, Kate? – Ironizei organizando o almoço com Cary. — Sim, estou bem. Cadê você? – Indagou impaciente. — Estou no apê de Cary. – Respondi prensando os olhos, aguardando sua irritação. — O quê? – Gritou. — Está com algum problema? Tem limpado os ouvidos? Estou no apartamento de Cary, que é incrível por sinal e estamos preparando o almoço. – Respondi batendo meu quadril no de Cary. — É isso aí, gata. – Apoiou. — Christian está arrasado, Ava. – Ela sussurrou. — Também estou arrasada. Transtornada para ser exata. Tínhamos uma amizade e acabou. Ele era incrível e depois voltou a ser o canalha, como todos, de sempre. – Me indignei com sua forma protetora. — Você esqueceu todas as suas roupas. – Desviou o assunto. — Eu pego outro dia. Nosso apartamento está quase pronto. Assim Cary deixará de pagar o aluguel desse luxo de cobertura. – Disse olhando ao redor. — Cobertura? Nem reparei quando fui buscar ele. A conversa não durou muito, pois tive de desligar quando o forno fez um bip avisando que nosso frango estava pronto. Cary e eu comemos em silêncio no balcão da cozinha luxuosa de seu apê. Ambos não queríamos tocar no assunto de hoje cedo, pois, se o fizéssemos, o mesmo me lembraria do meu passado, do qual eu fujo a todo custo. Mas, estávamos inquietos e eu devia uma – muito grande – a Cary. Sorri me preparando para iniciar uma conversa, quando meu telefone começou a tocar. A foto de Christian e eu dormindo no sofá, enquanto tentávamos assistir um filme, surgiu. Meu coração saltou e deixei chamar até parar. — É melhor você desligar. Ele tem jeito de insistente. – Cary disse e como que para fazer jus a suas palavras o celular tocou novamente. Desliguei o aparelho e suspirei pesadamente. — Obrigada, Cary. Por tudo isso. – Peguei em sua mão sobre a mesa. — Pensei que amigos fossem exatamente para isso.
Notas finais
Chatiadissima com o texto que não centraliza. Nome de cap meio óbvio né? Cap aí pra quem pediu. O que acharam de toda a reação de Christian? Depois entenderemos. Haverá um cap POV de Chris, só estou procurando o momento adequado. s2
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