Apenas Meu.

23 2ª pt: Reviravolta.


Notas iniciais
Minha nossa... Desculpem, tipo, MUITO!!!!!! Ainda tem alguém lendo? Bom, tenho uma novidade tão boa pra contar, mas não posso!!!!! As altas decisões da minha vida foram tomadas nesse intervalo, por isso demorei para postar, sem contar que a escola e o serviço não me deram sossego! Espero - mesmo - que curtam e que odeiem esse capítulo. Ele foi o capítulo mais inspirador par mim! E o mais difícil de escrever. Bom, enquanto revisava, notei que o início do capítulo tá um tanto quanto... errado, estranho e tudo o mais, mas senti que dps da cena com o personagem *BAM* a escrita ficou mais suave. Isso se deve ao fato de outra escrita... Calada, Jéssica!!!!
Trilhinha pruces:
To Build a Home - The Cinematic
Secret - Republic (música do filme fofo: Aprendiz de Feiticeiro)
Bom, preparem-se!!!
PRE-PARA, kkkkkkkkkkkkkkk, chega.

Depois de esperar bastante tempo na fila, ao ponto de meus pés incharem dentro dos sapatos vermelhos, conseguimos entrar e Kate arranjou uma mesa para nós. Sim, esta garota era sortuda. Nos sentamos enquanto Cary pegava uns drinks. Eu poderia estar conversando, ou dando risadas junto com Kate, mas minha consciência resolveu me trair novamente. Meus olhos perambulavam pela pista de dança, não atrás de Christian como meu coração esperava, mas atrás de Nathan. Averiguando em cada par de olhos, em cada tufo de cabelo e em cada tom de pele. Nem Corinne eu avistei, para ver se ficava mais fácil de encontra-lo. Eu tinha de vê-lo lá, como prova dos meus instintos e para me manter afastada dele. Mas eu também tinha de aproveitar minha última noite antes de viajar sabe Deus por quanto tempo.

Foi quando a trilha sonora se alterou, e com uma pequena fugida de olhar para a cabine do DJ eu vi Corinne quase nua em um vestido prata, com tanta área decotada e tanta parte transparente que ficava difícil de distinguir aquelas pecinhas de um vestido, mas até que era... bonito. Christian enlaçava sua cintura, e meu coração sofreu uma queda do precipício da esperança. Da esperança de vê-lo sozinho, ou de até vê-los juntos, mas na pura esperança de que aquele sorriso bobo não estivesse estampado nas lindas feições dele.

Eu sabia que era besteira reconhecer a alteração em uma trilha sonora de uma balada, mas tinha certeza que todos notaram. A comprovação veio pelos pescoços virados e sobrancelhas erguidas. Aquelas músicas sensuais e cheias de batidas – um tanto irritantes – não eram de DJ’s que se prezem, e o DJ daquele pub era extremamente ótimo. Aquelas músicas que gritavam: “Me coma, estou pronta agora!” era a cara de Corinne, praticamente estampavam ao final de cada estrofe: “Disse Corinne”.

A situação já não estava muito boa quando duas meninas se empoleiraram em seu ombro e puxaram-na para o centro da pista de dança. Kate estava bufando ao meu lado, sugando todo o ar em torno de mim. Elas requebravam e jogavam as cabeças para trás, enquanto todos – sem exceção – abriam caminho para vê-las de perto.

- Ai, minha nossa! Isso é inacreditável. Que coincidência. – A alta voz de Kate me acordou do meu transe.

Me virei para fita-la e segui seu olhar. Procurei algo de tão incrível e meus olhos se esbugalharam. Minhas memórias se reacenderam, trazendo a tona meus momentos com um dos meninos mais irritantes que poderia existir.

- Sim, ele tá um gostosão. – Desta vez, Kate sussurrou em meu ouvido.

Ela não seria louca de dizer em voz alta, caso contrário, Elliot pediria satisfações de todas as formas, ciumento que só ele.

Eu não podia discordar de Kate. Gideon Cross estava arrasando todos os homens da noite, ele vinha tagarelando com seu irmão, Cary – sim, meu melhor amigo – ao seu lado. Seus dentes continuavam brancos como sulfite. Seus olhos verdes esmeraldas como os meus, arrebatadores e questionadores. Os cabelos negros deixavam com que alguns fios escorressem por sua testa, enquanto o resto fazia um leve topete. Ombros largos, quadril fino, pintas mostrando-se aqui e ali. O homem que todas as mulheres estavam lutando para admirar sem dar muita bandeira. Ele estava lindo de morrer com aquela camiseta polo branca e os jeans escuros. Sim, suas feições ainda mostravam a aparência de um cara extremamente irritante, mas agora ele não estava apenas bonito, mas também maduro, um ar intelectual rodopiava ao longo de seu corpo.

Eu me sentia em um clip musical. Mas a cena era ao contrário. Quem estava entrando em uma câmera lenta era o homem e não a mulher. Ele estava deslumbrante. Andava confiante e despreocupado com o resto, com os olhares de várias mulheres lindas naquele lugar caro de Manhattan. Seus olhos vagaram pela mesa, e mesmo ainda conversando com Cary ao seu lado, ele lançou uma piscadela em minha direção. Fazia, mais ou menos, sete anos que não nos víamos. Eu estava momentaneamente diferente e ainda sim ele me reconhecia? O.K, isso era lisonjeiro.

Ele chegou próximo à mesa e Cary apresentou o mesmo a Elliot, eles se cumprimentaram com um aperto de mãos.

- Olá, Kate. Está linda esta noite. – Ele a elogiou, depositando um beijo respeitoso em sua bochecha, mas bem distante da boca.

Seus olhos se voltaram para os meus e eles me derreteram internamente. Quanto poder ele tinha sobre mim?

- Olá, Ava. Está... maravilhosa. – Elogiou com uma erguida de sobrancelha. Abaixou-se mais que o normal e seu beijo foi depositado em minha bochecha, mas muito próximo ao canto de minha boca. Me arrepiei institivamente.

Infelizmente, o único lugar livre que sobrou foi o ao meu lado e foi exatamente aquele espaço que Gideon ocupou, soltando seu braço musculoso sobre os meus ombros. Eu não podia reclamar por completo daquilo. Fazia um bom tempo que não via um homem naquele lindo estado olhando para minhas pernas com tanta atenção. Kate deu uma piscadela, como quem diz: “deu sorte, hein?”

- E então, como você sobreviveu tanto tempo sem mim? – Ele indagou, aproximando sua boca do meu ouvido. Seu hálito quente batendo em pontos estratégicos do meu pescoço.

Bufei, irritada em como ele poderia continuar mesquinho como sempre.

- Melhor que antes. Até que você estragou minha noite de hoje. – Respondi a altura, em uma tentativa – bem ruim – de que ele desistisse de mim e partisse para cima de uma daquelas garotas que esperavam ansiosas, limpando os cantos das bocas ou arrumando os cabelos.

- Você parecia um pouco pálida. – Ele comentou, aproximando-me com o toque insistente de seus longos dedos. – Mas agora está bem corada.

- Você continua o mesmo idiota de sempre. – Respondi, virando-me para fita-lo olho-no-olho.

Aquilo fora um erro. Encarar seu olhar assim tão de perto me trouxe memórias arrebatadoras. Como quando ele me acolheu em seus braços quando lhe contei tudo aos soluços. Ele me entendeu e me abraçou, prometendo que faria tudo dar certo. Gideon tinha dois anos de idade a mais que eu. E mesmo sendo novo na época conseguiu convencer meu pai a vigiar Nathan ao longo dos anos. Nós tínhamos um passado glorioso juntos. Brigas, birras e momentos que todos os casais adorariam ter.

Abaixei os olhos e fitei seu pescoço, ele pedia para ser tocado. Eu precisava sair dali...

- Docinho? Vamos buscar uma bebida para você. – Cary me retirou do transe, puxando-me pela mão.

- Obrigada. – Murmurei durante o trajeto até o bar.

- Dava para notar por suas feições. Isso foi forte demais pra você. – Sim, Cary com certeza me conhecia melhor que ninguém.

- Ava. O que você está fazendo aqui? – Ah, não. A voz de Corinne tinha mesmo que surgir em meus tímpanos?

Me virei para fita-la. Suas mãos na cintura, impondo uma atitude de pessoa nervosa.

- A porra do local é público. – Respondi, virando-me novamente para Cary e tomando um gole da bebida que ele me estendeu. Ah, droga. Desceu rasgando, mais que o normal. Tentei não unir as sobrancelhas e fazer toda aquela careta que fazíamos com bebidas fortes. Encarei Corinne diante de mim e aguardei que ela saísse do meu caminho, afinal, como eu bem havia dito, o local era público e ela não havia fechado o pub para seu aniversário.

- Olha só isso. Kate está te chamando. – Cary abanou a mão em direção a Kate que me chamava com um dedo. Talvez pela música animada que começou a tocar repentinamente.

Caminhei em direção a Kate, pouco me importando com a reação de Corinne que ficou sozinha e para trás. Abaixei-me momentaneamente, para poder escutar o que Kate queria me dizer. Ela aproximou sua boca da minha orelha.

- Eu quero dançar, baby. – Lamuriou-se.

Me ergui nos calcanhares e abanei uma mão, como se eu estivesse dispensando a ideia. E como se fosse fácil dispensar Kate de tal forma. Ela iria insistir a noite toda e eu acabaria aceitando antes que a mesma terminasse. Encostei-me a mesa, ainda bebericando a bebida do copo alto entre meus dedos. A energia da música subia por minha pele e meus quadris remexiam-se mesmo sem meu comando.

Meus olhos vasculharam o centro da pista de dança e só aquietaram-se quando encontraram Corinne e Christian dançando ao som de uma música para lá de sensual. Na verdade a palavra sensual poderia ser facilmente substituída por sexual. Minhas sobrancelhas enrugaram-se com os próximos movimentos de ambos unidos e de repente me lembrei que Christian e eu nunca havíamos dançado aquele tipo de música.

Emborquei o copo na boca, esperando mais um pouco de líquido carregado de álcool. Meus ombros despencaram quando notei o copo vazio e deixei-o sobre a mesa atrás de mim. Cruzei os braços e voltei meus olhos para a cena novamente.

- Tenho o pressentimento de que aquele é seu namorado. – Me virei ao ouvir a voz de Gideon e o mesmo se encostou a mesa ao meu lado, roçando seu braço ao meu. – Toma, trouxe isto para você. – Ele me estendeu um copo alto com limão afogado no conteúdo.

- Obrigada. – Consegui balbuciar. – E sim, aquele era meu namorado e aquela vadia é a ex-noiva dele. – Desabafei despencando os ombros e só notei que o álcool já estava surtindo um grande efeito no meu corpo depois do comentário que embolou minha língua.

Kate deveria vir me socorrer, me levar para outro canto, me arrastar para o centro da pista de dança, sei lá, qualquer coisa. Ela sabia que eu era um tremendo desastre quando estava minimamente alterada com a bebida e com isso eu poderia perder a chance de ter uma primeira conversa de verdade com Gideon. Pois eu tinha de admitir que sentia falta dele em algum momento.

Uma música um tanto quanto marcante começou a tocar na balada. Não me aguentei e cai na gargalhada, dando outra golada na maravilhosa bebida. Gideon pareceu curioso ao meu lado, fitando-me de soslaio. Christian parou de dançar no mesmo instante, olhando ao redor e mesmo em grande distância eu conseguia saber que ele estava extremamente desconfortável com as lembranças que a música de Jessie J lhe trazia.

- Posso saber o motivo do riso? – Gideon indagou sobre meu ombro.

- Na verdade não pode. Mas estou com vontade de contar. – Minha voz saiu um pouco enrolada. – Eu e aquele cara tivemos uma briga feia porque dancei essa música com Cary na frente de todo mundo. Ele ficou extremamente fulo e me arrastou pra longe da festa dele. – Dei de ombros, ainda fitando Christian. Como alguém podia ser tão lindo daquele jeito?

- Essa música não traz boas lembranças a ele. Olhe só, sobrancelhas enrugadas. Vejo que provocou muita raiva, Srtª Steele. – Ah, e como, pensei. – Também a tradução é bem intrigante.

- Isso te incomoda? – Indaguei, olhando-o de canto de olho.

- Na verdade. – Ele iniciou, tombando o pescoço na minha direção. – Isso me excita. – Sussurrou próximo ao meu ouvido. – Adoraria vê-la dançando.

- Ah, não mesmo. – Disse encabulada, empurrando seu ombro para longe e bebericando um pouco mais da bebida, pois estava tentando evitar seu olhar naquele momento, minhas bochechas deveriam estar extremamente vermelhas.

A música chegou ao fim, mas a voz de Jessie J continuou no ar, com uma música com a mesma pegada de “Sexy Silk”.

- De repente alguém ficou fanática por Jessie J. – Kate surgiu ao meu lado, fitando a cena de Corinne se remexendo a frente. – Tenho um desafio. – Kate disse, não sei se era imaginação, mas para mim sua voz parecia embolar ao fim de cada palavra.

- E qual seria? – Gideon indagou, aproximando-se de mim para se aproximar dela. Que ótima tática.

- Convide-a para dançar. Ela não para de olhar para cá, está irritante e olhe, Christian está longe. – Kate disse, abanando seus cachos desgovernados a diante, nos apresentando a cena.

- Eu topo, é claro, se Ava dançar uma música comigo depois. – Ele propôs. Abri os lábios, indignada.

- Sim, ela topa. – Kate abanou a cabeçaem positivo. – Vamos.

- Não. Eu não concordei com nada, oras. Mas que droga. – Eu balbuciei, deixando meu copo vazio para trás, enquanto era puxada pelos dois.

Passamos aos trancos e barrancos pelos corpos que só sabiam dançar. Gideon apoiou sua mão no centro das minhas costas, auxiliando meus passos, aquilo enviou um calor errado pelo meu corpo e a mão insistente de Kate me puxava cada vez mais adiante. Encontramos um único banco em um canto da pista e a vista ficava ótima para olhar Gideon em ação.

- Sentem-se meninas, e apreciem o show. – Gideon deu uma piscadela arrumando a gola de sua camisa, indo em direção a Corinne.

- Ah, estou ansiosa por isso. – Kate disse batendo uma única palma e sentando-se no banco atrás de mim. – Saia da minha frente. – Ela empurrou minha cintura para o lado.

E então toda a cena começou. Gideon chegou, provocando olhares de todos que acompanhavam Corinne. A mesma ficou sem jeito, passando as mãos pela saia a cada segundo e olhando-o com as bochechas rosadas. Aquilo era bastante estranho, pelo modo como a conheci, sempre cheia de si, achando-se superior a tudo e todos. A todas as atitudes que todas as pessoas pudessem tomar. Aquilo me divertiu inicialmente e sorri quando ela aceitou dançar com Gideon e por incrível que pareça a música certa começou a tocar naquele instante, a voz de Jessie J ficou para trás e foi substituída pela voz de Britney e seja lá qual fosse o nome, Gideon se saía bem enquanto dançava com o traseiro de uma mulher colado em certas partes suas.

Cruzei os braços, olhando as mãos grandes de Gideon passearem pelas partes certas de Corinne. Dava para notar o pedido de sexo rondando o ar. Ela começou a se sair mais que ousada naquele instante, subindo a saia curta de seu vestido e rebolando ainda mais, eu vi Christian ao longe, assistindo a cena de maneira a quem está pouco se importando. Kate estava se divertindo atrás de mim, é claro, aquilo tudo era armação para ver a reação de Corinne depois e eu adoraria provocar aquilo assim que a música acabasse. E ela já estava chegando ao fim e eu não esperaria Gideon vir até mim, eu mesma iria até lá, tirá-lo dos braços da nojenta.

A música se interrompeu e não esperei para ver qual seria a próxima a tocar. Ouvi Kate gritando algo como: “É isso aí, garota!”, mas eu já estava distante demais para responder. Cheguei sorrindo e Corinne se ergueu, mantendo-se ereta, formando uma barreira entre Gideon e eu.

Uma música da Rihanna soou pelas caixas de som e Gideon soltou a cintura de Corinne.

- Com licença. Minha companhia chegou. – Ele disse, tomando minha cintura em suas grandes mãos.

Eu me acomodei nelas e Cary chegou logo depois, acompanhado de uma ruiva de dar inveja e Kate chegou com Elliot. Dançamos juntos, como casais fazem em músicas animadas assim. Eu de costas para ele, enquanto o mesmo espalhava suas mãos quentes pela minha cintura nua e desciam para os meus quadris e coxas. O calor se apoderou do meu corpo, transformando-o em um puro suor. Joguei minha cabeça sobre seu ombro, enquanto seus dedos tiravam os fios do meu pescoço molhado de suor com delicadeza, seus lábios desceram por minha orelha. Eu não tinha como protestar e nem queria. Aquilo era exatamente o que eu queria, um alguém diferente.

E Gideon era aquele alguém diferente. Tratando-me de maneira diferente e tudo o mais, tratando-me de forma boa. Seus dentes prensaram meu lóbulo, enquanto o arrepio subia por minha pele e descia por partes estratégicas. Eu sentia os olhos de Christian em mim e sabia que estava completamente irritado, mesmo sem olhar em seus olhos para ter certeza. Mas não tinha como negar que tudo aquilo era muito estimulante. Ter um homem daqueles, agarrado as minhas costas e pressionando meu corpo nos momentos e lugares certos.

Meu impulso foi me virar em sua direção e beijar a base de seu pescoço. Afinal, Christian não fazia aquilo comigo? Ai droga, a bebida estava subindo rápido demais, assim como o calor. Estava na hora de beijar lábios diferentes. De sentir a umidade de outra língua.

Beijei o queixo de Gideon e passei a ponta da língua por ali, instigando-o. Se Christian não quisesse assistir aquela cena, era só se virar. Ou beijar Corinne, quem sabe. Seus lábios desceram até os meus e ah, como eles eram doces e gentis. Ele abriu meus lábios com sua língua, pedindo passagem, cedi com pressa. Ansiando por um toque mais íntimo. Recebi o mesmo logo em seguida, sentindo sua língua se alongar sobre a minha em um frenesi viciante. Seus dedos tiraram os cabelos de um dos meus ombros e a palma da sua mão se colocou em minha nuca, aprofundando o beijo. Toquei meus dedos em sua bochecha. Me entregando aquilo de corpo e alma, bem que todo o ódio compartilhado servia para alguma coisa.

Gideon terminou o beijo com alguns beijos rápidos e passou seu rosto por meu. – Não sabe quanto tempo ansiei por isso. – Ele disse, descendo com beijos discretos por meu pescoço, acariciei sua nuca.

A consciência me tomou aos poucos. A tontura me arrebatou e sai cambaleando em direção ao banheiro feminino. Graças ao bom Senhor não havia fila para entrar e me tranquei em uma das baias, pensando em como pareci uma vadia lá fora. Enfiei os dedos nos cabelos e me desesperei com a imagem que criei de mim. Essa roupa. Aquela atitude. Coitado de Gideon, apenas sendo usado por mim. Ele podia ser o que for, mas nenhum homem merecia aquele tipo de coisa. Droga.

A porta principal do banheiro se abriu e me retesei, ficando em silêncio. Alguém se aproximou da minha porta, e bateu insistentemente na mesma. – Não sei se notou, mas está ocupado!

- Sim, princesa. Eu notei. – A voz de Christian estava sedosa ao responder ao meu impulso raivoso.

Ai, minha nossa. Ele estava ali. Atrás de mim. Como eu poderia agir depois do que ocorreu lá fora? Talvez eu nunca mais conseguisse olhar na cara dele.

- Vamos. Abra. – Ele pediu, batendo na porta novamente. Balancei a cabeça de um lado para o outro, como se ele – de alguma forma – pudesse me enxergar.

- Não quero que me veja nesse estado. – Implorei, abraçando a mim mesma, imaginando seus braços musculosos em torno da minha cintura.

Eu não podia tê-lo, não era mesmo? Não era isso que Corinne havia pedido para mim? Tudo em troca de que ela não contasse meus segredos mais profundos, resguardados na escuridão do passado.

- Mas, quero te abraçar agora e sei que quer também. – Sua voz soou doce, abafada pela fina madeira que nos separava. Aquilo acabou com as minhas forças. Amanhã eu estaria longe de tudo que me lembrasse de Christian. Eu queria tanto ter algo para me lembrar, mas ao mesmo tempo eu o queria o mais distante possível. Não aguentaria vê-lo sofrendo de alguma ou qualquer forma.

- Chris... – Comecei a pedir.

- Por favor. Um abraço. – Ele reforçou o pedido, mas sabíamos que o simples e amigável toque nos levaria a algo mais. A um prazer intenso que compartilhávamos quase sempre.

Abri a porta antes que desistisse, não pensei duas vezes antes de apoiar meu rosto em seu peito. Senti seus músculos, seu cheiro e seu calor e me despedacei. Desmoronei-me de todas as formas possíveis. Porque eu estava assim tão sensível? Aquilo não era justo comigo. Não era justo conosco. Eu estava ali para ficar com Kate e não para me lembrar de que no dia seguinte estaríamos separados por um tempo indeterminado. Mesmo assim meu choro alto subiu por minha garganta. Passei meu rosto molhado por seu pescoço, enquanto o beijava sem parar. Aproximando-o mais de mim, sentindo um frio repentino.

- Nunca se esqueça de uma coisa, Chris. – Pedi entre soluços, pressionando a língua no céu na boca, enquanto engolia o choro. – Nunca esqueça que eu te amo desde a primeira vez em que o vi. Nunca se esqueça do que vivemos juntos. Sempre se lembre do bem que você me fez. Lembre-se de todos os momentos compartilhados, principalmente os ruins. Faria isso por mim? Faria, Chris?

- Eu sempre lembro e sempre vou lembrar. Nunca vou esquecer você e também nunca estaremos tão distantes para que isso ocorra. – Ele suspirou, abanando alguns fios de meus cabelos, enquanto os afagava de maneira cálida. – Eu sempre vou estar aqui para ser lembrado. Eu sempre vou estar com você, princesa. Não vou sair da sua vida com muita facilidade.

Ah, meu Deus. Como era bom ouvir aquilo. Como era bom tê-lo ali, inteiramente para mim. As preocupações ainda pesavam em meus ombros, mas ainda sim era muito bom tê-lo por perto. Ter seu coração batendo tão juntinho do meu. Eu não queria perde-lo. De nenhuma forma. Eu sabia que sua promessa era verdadeira. E sempre me lembraria dela. Sempre me lembraria do tom que sua voz teve ao vociferar as palavras que mudaram certa parte do destino de minhas decisões. Sempre me lembraria do cheiro e sempre carregaria nossa estória comigo. Não importava o que fosse acontecer. Eu sempre seria dele e ele sempre seria apenas meu.

Notas finais
Caraca, tá enorme!!! E ficou com os parágrafos. Gostaram da nova edição? E notaram a capa nova? Gostaram do personagem novo? E perceberam alguma diferença na escrita? E, enfim, me desculpem MUITO pela demora! Beijos e até o próximo!!!