Apenas Meu.

2 Ótima primeira noite.


Notas iniciais
Oi, galera! Fico feliz que estejam comentando e ansiosas pra ler, ok? Obrigada por estarem aqui e logo mais, postarei minha nova estória sobrenatural, OIC. Tudo bem? Vamos pro capítulo!

Estacionei com minha moto novamente naquele dia, mas agora ela estava em um estacionamento reservado do edifício em que Elliot morava. Esperei Cary e Kate descerem do porsche que estavam dividindo e pendurei o capacete no antebraço, enquanto seguíamos em direção ao elevador. O ar ficou tenso no interior do mesmo até o instante em que as portas se abriram novamente, liberando nossa saída. Parei subitamente ao notar um hall com uma única porta, com uma decoração branca e neutra. Katherine não hesitou e tocou a campainha aguardando que alguém abrisse. Cary parecia pouco a vontade com a situação, mas já estava um pouco conformado com um hall pessoal.

Elliot abriu a porta com um sorriso pendendo em seus lábios e Kate jogou seu corpo contra o do mesmo que abraçou sua cintura erguendo seus pés do chão. Eu tinha de concordar que desde quando nos mudamos para Nova York e ambos se conheceram, fizeram muito bem um ao outro.

Eles pararam com os beijos desconfortáveis e Elliot nos fitou com os olhos claros como seu cabelo, e pele bronzeada, seus músculos estavam escondidos por uma camiseta branca.

— Oi, pessoal! – Ele cumprimentou deixando a porta mais aberta para que entrássemos. Assim que o fizemos, Kate já estava sentada no sofá com as pernas esticadas mexendo freneticamente no botão do controle remoto.

A sala era enorme e dava para fazer uma festa de arrombar ali. Dava para ver outra sala por outra porta. Havia um corredor adiante e um atrás de mim. E uma cozinha a nossa esquerda com o mesmo tipo de balcão que havíamos escolhido, era tudo formal demais, mas desorganizado, talvez pela estadia de dois rapazes. Olhei em volta perplexa com todo aquele espaço e com a decoração cara.

— Sintam-se a vontade. – Ele disse.

— Ah! – Kate pareceu se lembrar de algo e virou-se com olhos meigos na direção de Elliot. – Você poderia ir buscar nossas malas no carro de Cary lá embaixo? – Ela perguntou mexendo na gola de sua blusa.

— Dê-me as chaves, chantagista. – Ele brincou dando um beijo leve em sua boca.

Após Cary entregar as chaves e Elliot sair, Kate veio em nossa direção e pegou em minha mão me puxando em direção ao corredor que eu estava fitando sem parar. – Vamos, vou mostrar o quarto que vocês irão ficar.

— Ah, a gente pode dormir no sofá. – Eu propus em uma tentativa de não incomodar os donos da casa.

— Ah, você não quer dormir no sofá mesmo! Aquele garoto deve trazer todas para esse sofá. – Cary dizia enquanto nos seguia.

— Tudo bem, Cary. Já saquei sua repulsa por este cara, estou quase te acompanhando. – Brinquei enquanto era puxada por Kate.

Ela passou por três portas e abriu outra revelando um quarto com cama, duas poltronas, closet e TV LCD.

— Aqui é o quarto de hóspedes.

— Você. – Eu comecei apontando para minha melhor amiga. – Não sabe mesmo informar seus amigos mais próximos. O cara é rico?

— Acho que é bem óbvio. – Uma voz que eu não conhecia murmurou atrás de nós.

Só eu me virei em um pulo. Naquele momento, ao ver aqueles olhos verdes, eu soube que era o rapaz que Cary tinha raiva e nojo.

— Olá, visitante. – Ele disse erguendo uma sobrancelha negra em contraste com sua pele branquinha. Seu cabelo era bem cortado e baixo da cor negra, como os meus fios.

Seus ombros eram largos e, mesmo com a polo azul-escuro, dava para notar seus músculos esguios extensos.

Fiz um meneio com a cabeça correspondendo ao seu cumprimento.

— Oi, Cary. – Ele disse e desviou os olhos na direção do mesmo com uma mão estendida em sua direção. Cary, hesitantemente, deu um aperto em sua mão.

— Oi, Christian. – Ele respondeu.

— Oi, Kate. – Ele cumprimentou e se abaixou para dar um beijo no rosto da mesma.

Ele se virou e meus olhos abaixaram para seu traseiro. Esta parte do corpo sempre chamou minha atenção e sem vergonha alguma eu fitei aquele musculo bem duro, pois mesmo com o jeans dava para notar.

— Quer um babador? – Kate sussurrou em meu ouvido.

Ri e dei um tapa em seu ombro. – Quieta.

— Ah, você não vai querer ele e eu não vou deixar ele te usar como faz com todas. – Cary ergueu uma sobrancelha e entrou no quarto sentando-se confortavelmente na cama.

— Você sabe que faço a mesma coisa com muitos, Cary. – Declarei a mais pura verdade. Há muito tempo faço isso. Não estou em um relacionamento sério e nunca quis estar. Nunca encontrei alguém que realmente valesse a pena e nem ficaria esperando de braços cruzados e com um “x” entre as pernas e na boca. Gostava dos rapazes e não me privava de uma diversão.

— Relaxe vocês dois. Que saco! – Kate esbravejou e abriu a porta do closet se perdendo naquele corredor com diversas portas.

— Kate? – Elliot chamou com três malas em mãos e claro, a maior era a vermelha, a mala de Katherine.

— Oi, amor! Pode trazer as malas. – Kate gritou do closet.

Elliot soltou a mala vermelha no chão e saiu andando com as malas restantes até o closet.

Fui até o closet com o intuito de arrumar as coisas. – Não vamos passar muito tempo aqui, Liot.

— Imagina, Ava. O tempo que precisar. – Ele disse e tocou meu ombro.

— Vai ser um prazer te hospedar, visitante. – A língua de Christian acariciou as palavras atrás de mim. Me virei e fitei seus olhos.

— Muita bondade de sua parte. – Soltei um sorriso amarelo.

Ele ergueu uma sobrancelha com um braço apoiado no batente da porta do closet.

— Estou com fome. – Cary informou quebrando o elo que havíamos formado.

— Ah, eu e a visitante podemos ir comprar algo para comermos. – Christian disse estendendo uma mão em minha direção.

— Eu tenho nome, Christian. – Disse cruzando os braços sobre os peitos e recusando sua mão estendida.

— Ainda estou com fome. – Cary disse novamente.

— Também estou, Ava. – Kae reclamou atrás de mim.

— Peçam algo por telefone. – Elliot deu de ombros.

Christian levantou os olhos de mim e fitou Elliot com uma sobrancelha erguida, conversando por uma troca de olhar, como todos os amigos fazem.

— Vocês podem ir buscar algo pra comer. – Elliot reformulou a proposta.

— Vá com Cary. – Eu sugeri e dei de ombros.

— Não, visitante, quero ir com você. – Christian disse e me pegou pelo pulso me puxando pelo closet e o quarto até chegar ao corredor.

— O que? Me solta! – Exclamei puxando meu braço com força.

— Ah não, visitante. Vamos comprar comida juntos. – Christian informou sem aliviar a pressão em meu pulso.

Finquei meus pés no chão e Christian voltou o corpo em minha direção, quase fazendo com que caíssemos juntos, um em cima do outro.

— Tudo bem, eu solto seu braço. – Ele disse e cumpriu com as palavras. Mesmo feliz achei estranho que ele – se mostrando tão teimoso – fizesse o que tinha pedido, abri e fechei os dedos aliviando a tensão da dor.

Repentinamente Christian sumiu diante dos meus olhos e logo depois vi suas costas. Ele segurava minhas pernas e ergui o rosto fazendo com que o coque de meus cabelos escorregasse e formasse uma cortina em volta do meu rosto.

— Cary! – Gritei. – Manda ele me colocar no chão.

— Nem tente, Cary. – Christian interrompeu os movimentos de Cary apenas com as palavras.

Soquei suas costas com as mãos.

— Que mão delicada. – Brincou. Ele parou e se virou para olhar para as três pessoas risonhas atrás de nós. – O que vão querer?

— Uma pizza. – Kae escolheu por todos.

— Tudo bem, nós vamos andando. – Ele disse e se virou novamente seguindo o trajeto até a porta.

— Você quis dizer que você vai andando! Quero andar também, oras.

— Você não queria andar há pouco tempo, visitante. – Ele disse enquanto passava pela porta e fechava ela com a outra mão. Como ele conseguia me carregar de tal forma? Com apenas um – forte por sinal – braço?

— Já disse que tenho nome, porra! – Esbravejei e chutei o ar.

Notei quando ele se esquivou de minha perna e trocou o peso sobre as suas.

— Seu nome é porra? Que deselegante por parte de seus pais. – Ele brincou.

— O que? – Indaguei parando meus movimentos. – Não. Não disse que esse é meu nome.

Já estávamos no elevador com o ar congelando minha barriga a mostra.

— Ah, então tudo bem, visitante. – Ele concordou saindo pelo elevador e entrando na garagem.

— Vai me chamar assim pra sempre? – Indaguei sentindo meu corpo relaxar em seus braços. O que era estranho, só me sentia à vontade nos braços de meu pai ou de Cary.

— Propondo uma eternidade comigo? – Ele perguntou e pude ouvir um sorriso em sua voz.

Só então me dei conta do duplo sentido daquilo que dissera. Enruguei a testa e fechei os olhos.

— Ah não, merda. – Reclamei. – Vamos de carro?

— Quer carro ou moto? – Ele perguntou cético andando bem devagar pela escuridão.

— Tem os dois? – Perguntei incrédula.

— Mas é claro.

— Quero a minha moto. – Frisei as palavras.

— Uau, me convidando para um passeio? – Ele perguntou desviando o foco da conversa.

— Você é muito irônico. – Exclamei frustrada.

— As meninas costumam me chamar de gostoso, nunca ouvi ninguém me chamar assim.

— É claro! Você só deve comer elas e bye, bye. – Exclamei dando de ombros.

— A gente costuma conversar. – Ele deu de ombros e em um floreio elegante me colocou levemente em pé no chão. Ajeitei os cabelos apressadamente e abaixei a ponta da jaqueta de couro, até cobrir a barra do jeans. Um bip soou e ele puxou dois capacetes de uma caixa de ferro acima de nossas cabeças, estendendo um para mim.

— O que, por exemplo? – Perguntei retornando ao assunto e esperando que o mesmo retirasse a moto da garagem. E que bela moto, negra e quase parecida com a minha, talvez um modelo mais antigo.

— Onde moro e que vamos vir de carro e logo depois de todos os murmúrios e gemidos eu as dispenso. – Ele deu de ombros dando partida na moto.

— Não vou sentar aí. Quantas vadias já devem ter ido aí. – Disse enrugando os lábios para o assento.

— A única pessoa que sentou neste banco foi Elliot, e ele não é parecido com uma vadia.

— Nunca trouxe nenhuma garota em motos para cá? – Perguntei olhando diretamente para seus olhos com um ar divertido. – Está brincando, não é?

— Claro que não, esta daqui é o amor de minha vida, só levo pessoas importantes aqui.

— Tipo, quem você quer comer, por exemplo. – Dei um sorriso amarelo cruzando os braços.

— Daqui a pouco Kate te liga reclamando. – Disse e cruzou os braços, impaciente.

— Vou com a minha moto. – Disse dando passos para trás.

Sua mão foi mais rápida e agarrou meu pulso novamente. – Você é irritante, quando fica me pegando assim. – Estendi o pulso.

Ele ergueu uma sobrancelha e com a ponta da língua umedeceu os lábios. Ah, ele levou por dois lados.

— Vou confiar em suas palavras. – Desviei a conversa.

— Assim que se fala, visitante. – Disse e mais uma vez acelerou a moto enquanto eu me sentava e cruzava os braços.

Ele acelerou e freou bruscamente, o que fez com que meu peito fosse de encontro a suas costas e eu fosse obrigada a abraça-lo, enquanto minhas coxas cercavam as suas.

— Agora está melhor. – Murmurou e senti seu peito vibrar com as palavras.

A viagem passou rápida, pois o mesmo corria muito na estrada. O que se comparava comigo, mas não estava como motorista, então me sentia em risco.

A moto parou abruptamente fazendo com que nossos corpos se colassem mais. Christian desceu da moto e tirou o capacete. – Já volto, tá?

Segurei seu capacete e permaneci sentada.

Depois de alguns minutos ele voltou com três sacolas. Franzi as sobrancelhas tentando entender a situação que estava vendo com meus próprios olhos. Uma garota morena e de pele bronzeada vinha rebolando atrás dele. – Visitante, você pode levar?

— Ah, não mesmo. Foi você quem propôs para virmos buscar a comida e praticamente me obrigou. – Teimei com ele, enquanto olhava a garota mascar o chiclete com a boca aberta. Nojento demais.

— Faça isso por mim. – Ele disse tocando uma mão na outra, em forma de reza.

— Você não fez o que eu pedi pelo caminho, não vou fazer um favor para você, Chris. – Teimei mais um pouco, usando um apelido desta vez, vi suas sobrancelhas se enrugarem e um sorriso de canto surgir em seus lábios. Será que nunca ninguém o chamou por um apelido?

— Ah, faça favor! Anda logo, está preocupado porque vai ter de comer sozinho? – A garota atrás dele perguntou como se estivesse falando com um homem. Já estava acostumada com aquilo, então deixei que acreditasse. Christian ergueu uma sobrancelha sem entender as falas da garota.

— Com licença, a conversa ainda não chegou ao seu patamar. – Disse e me virei para Christian. – Ah, então você não leva nenhuma na moto, não é mesmo?

— Não, nós vamos andando. – Ele disse pegando a mão da garota atrás de si.

— E vai deixar sua moto aqui? – Perguntei e retirei o capacete, desfazendo o coque frouxo e deixando minhas madeixas caírem lisas sobre meus ombros. Os olhos da garota se esbugalharam sem entender. Pendurei os dois capacetes e tomei as sacolas das mãos de Christian.

– Leve a moto. – Pediu atrás de mim.

— Não mesmo. Eu disse que queria vir com a minha. – Disse sem parar de andar e dando de ombros, com um sorrisinho interno me preenchendo.

— Deixe, amor. Ligue para seus seguranças. – A voz ronronante da garota pediu e eles estavam andando atrás de mim, pois podia escutar as batidas dos saltos da garota contra a calçada comercial de Manhattan. – E ela só está preocupada porque foi trocada. Também, andando de tal forma.

Parei abruptamente com os passos o que fez com que a garota trombasse em minhas costas e desse passos vacilantes para trás, em uma tentativa de se fixar nos mesmos. Me preparei para responder algo a altura. Eu sempre conseguia humilhar as pessoas com as palavras, um de meus defeitos, mas que eu enxergava como qualidade.

Engoli em seco e me virei, sabendo que não valeria a pena.

Segui até o apartamento ouvindo murmúrios e beijos estalados atrás de mim.

Uma ótima primeira noite em Manhattan.

Notas finais
O que acharam? Lembrem-se! O personagem Christian Maddox, não totalmente Christian e nem totalmente Maddox, ok? Até o próximo e me digam as partes que gostaram e deem dicas! *-*