Apenas Meu.
3 Surpresa. 1ª pt.
Notas iniciais
Bom, não sei se alguém leu o capítulo que postei antes deste, mas não quero que vocês se percam, ok? Espero que curtam! Acho que já posto o próximo amanhã, por ser a segunda parte.
O som de gemidos passavam pela parede. Dei uma cotovelada nas costelas de Cary, também tentando dormir ao meu lado.
— Está ouvindo esse som cem por cento irritante? – Sussurrei em pergunta me virando na cama para fita-lo. — Esse cara não cansa. – Cary murmurou com os olhos vermelhos pelo sono. — Cary. – Chamei de novo, ele ergueu a cabeça com os fios castanhos escuros desgrenhados. – Vou dormir no sofá, não tem jeito. – Sussurrei dando de ombros. — É mesmo, você nunca conseguiu dormir com sons. – Respondeu. – Vai sim, docinho. Lembra? Kate disse que ele não faz essas coisas lá. Movimentei a cabeça concordando, enquanto pegava meu lençol e meu travesseiro. Abri a porta silenciosamente e a fechei com o mesmo cuidado. Ao chegar à sala, arrumei o sofá como uma cama e me deitei, dando tapinhas no travesseiro para ajeitar as penas de ganso presentes. Meus músculos já estavam relaxados pelo silêncio. E meus olhos já estavam pesando, mas tudo foi interrompido pelo som de uma porta abrindo, permaneci com os olhos fechados, e o mais quieta possível. — Ela dormiu aqui? – Esbravejou Leila, a garota que Christian trouxe para casa. — Não Leila, é uma miragem. – Christian respondeu. Podia ouvir os saltos dela contra o assoalho; e as solas dos pés de Christian a seguindo. — Miragem é com coisa boa, essa garota não é uma coisa boa. – Ela respondeu, minhas costas esquentaram com suas ofensas. — Cale a boca, está me atormentando com essa história desde a pizzaria. – Christian respondeu entredentes. — Tudo bem, baby. Vou anotar meu número... — Não precisa. – Ele dispensou. Tive de apertar os lábios e segurar o riso, mas permaneci imóvel. — Mas, baby... — Não me chame assim. – Ele respondeu e o som da porta sendo aberta reverberou pelo cômodo. – Tchau, Leila. E a porta se fechou. Seus pés soaram novamente, mas agora eles estavam baixos, abafados por algo. Semicerrei os olhos e vi sua silhueta diante de mim, resgatando o controle remoto e vindo em direção ao sofá. Fechei os olhos rapidamente. A TV foi ligada e ele abaixou o som. Senti seus dedos se emaranharem em meus cabelos e erguerem minha cabeça o suficiente para ele se sentar e colocar minha bochecha contra sua perna. Para fingir que estava dormindo me remexi levemente, como em protesto dos movimentos bruscos. Não estragaria aquele momento que havia ocorrido. E meus olhos já estavam pesando novamente. Seus dedos firmes começaram a acariciar meus fios e caí em um sono pesado e repousado com suas carícias. Eu nunca havia me sentindo com tanta paz e tão calma em um sono. Não houve pesadelos, como sempre havia. Acordei com o movimento de algo em baixo de mim. Me movi e conseguia ver a luz em um tom vermelho com as pálpebras fechadas. Abri os olhos e me deparei com um torso nu e uma respiração branda. Puxei minha memória e me lembrei de que fingi que dormia para não incomodar ninguém. Christian ainda dormia profundamente com um braço jogado sobre os olhos, a cabeça jogada para trás. Me mexi com calma, tentando me desvencilhar de seu outro braço que me mantinha próxima ao seu corpo. Tirei sua mão da minha cintura e a soltei no sofá, me erguendo de um modo bastante cuidadoso, ou tentando. Por fim me sentei e deixei o lençol sobre as pernas de Christian. Iria terminar meu repouso no quarto com Cary. — Não tem ninguém em casa. – A voz rouca de Christian me disse e me virei para fita-lo. O braço continuava imóvel sobre os olhos, seus músculos quietos. — Obrigada pela forma carinhosa, Chris. – Respondi também com a voz rouca devido ao sono. — Volte a dormir. – Pediu com voz doce. — Estou fazendo exatamente isso. Lá no quarto com Cary. – Informei e me levantei. — Eu quis dizer dormir comigo. — O que? – Indaguei devido ao duplo sentido de seu pedido. — Não leve para o outro lado. – Ele pediu e tirou o braço dos olhos fitando os meus com uma intensidade absurda. Seu rosto estava levemente inchado, os fios das sobrancelhas desgrenhados, mas nada que acabasse com a beleza de seu rosto fortemente lapidado. — Preciso me arrumar. – Disse desviando os olhos para baixo e só então notando sua boxer branca e a calça jeans, que ele estava na noite passada, dobrada sobre o braço do sofá. — Você? – Ele brincou segurando um sorriso de deboche. — Obrigada novamente. Acho que sua conquista da noite passada já esfregou isso o suficiente na minha cara. – Dei um sorriso amarelo. – A Kate está em casa? — Ela foi buscar algo no centro. – Ele respondeu espreguiçando-se e me dando uma visão perfeita dos músculos de seu abdômen e peitoral se flexionando com o movimento. Desviei os olhos rapidamente, sentindo o sangue correr para o meu rosto. — Ela foi buscar o vestido, provavelmente. – Disse pensando alto, enquanto seguia pelo corredor. Tão logo me levantei, Christian estava atrás de mim, perseguindo-me. – Cary também? — Já disse que não tem ninguém. – Ele repetiu.
— Tudo bem. – Disse e toquei a maçaneta da porta do banheiro. — Belo pijama, por sinal. – Ele disse fitando meu samba-canção e a camiseta branca mais larga que encontrei, era tudo muito confortável. Olhei para baixo e fitei minhas próprias roupas amassadas e ele lá, todo gostoso apenas de boxer. — O seu também é ótimo. – Eu disse fitando sua cueca e dando uma piscadela. Fechei a porta atrás de mim e ouvi um suspiro frustrado, enquanto um sorriso de vitória se estampava em meu rosto. Tomei um banho repousado e notei que não havia trazido toalha nem nada parecido. Bufei exasperada pela atitude de irresponsabilidade. Então, peguei a toalha de rosto que serviria para cobrir as partes mais importantes a serem escondidas. Me enrolei o máximo possível e abri a porta. Christian estava fechando a porta do quarto com outra calça jeans e se virou para me fitar. Ótimo, pensei. — Retiro o que disse. – Ele falou enquanto olhava para meu corpo úmido e enrolado por uma toalha branca e muito, muito pequena. Enquanto eu tentava afastar o rubor de meu rosto. — Como assim? – Consegui murmurar sobre seu olhar. — Você fica melhor sem pijama. – Ele deu uma piscadela. — Ah, não me trate como sua próxima conquista. – Respondi passando pelo mesmo e fechando a porta do quarto que dividia com Cary atrás de mim. — Não te trato como conquista. – Sua voz estava abafada pela porta fechada. — Não mesmo? É o que está parecendo. – Esbravejei. Estava tentando me esquivar do que ele emitia para meu corpo, mas já estava estressada e mesmo fazendo o que faço com muitos garotos, não queria ser tratada da mesma forma por um rapaz que se sentia acima de todos. Com um movimento silencioso ele se foi, sem negar ou afirmar minha frase vociferada com raiva. Coloquei uma roupa simples e sequei o cabelo. Tentei deixar as pontas enroladas, mas me frustrei por novamente não conseguir. Meus cabelos nunca se enrolavam. Eram lisos e negros indo até a cintura e uma franja cobria uma das laterais de meu rosto. Contrastando com o branco de minha pele. Meus olhos verdes me fitavam com fervor e meus lábios grossos estavam em um sorriso para baixo, frustrado. Eu sabia que não me tratava da forma como devia. Mas, também sei que sempre fugia de tentar parecer uma menina, uma mulher. Mesmo tendo curvas vantajosas e para ajudar sendo baixa – o que ficaria ótimo com sapatos de salto. Não gostava de mostrar meu corpo, sei que haveria um dia em que me vestiria de um modo tão feminino que as pessoas não me reconheceriam, mas até então não sinto necessidade para tal. Abri a porta e sai para encarar o dia. Passei por Christian pela sala e entrei na cozinha a procura de algo para comer. Peguei pão, pasta-de-amendoim e chocolate em pó. Preparei meu sanduíche e me tranquei no quarto novamente. Abri meus e-mails pelo tlabet, enquanto mordiscava o pão com gosto. Meu celular vibrou mostrando a foto de Kate fazendo biquinho para a tela, sorri com a lembrança divertida de quando tiramos a foto em um parque com o dia ensolarado. — Alô. – Disse com a boca cheia. — Eca! Está comendo aquele pão nojento, não é? – Ela adivinhou. – Ok! Meu vestido lindo de morrer acabou de chegar à loja! – Cantarolou, dava para sentir sua animação emanar pelo celular. Ela pegaria um vestido de alguma loja central para mostra-lo no tapete vermelho de hoje à noite. Ao qual foi convidada por minha mãe. Seria a minha primeira vez em um evento de gala e não havia preparado nada demais. — Que legal, Kate. E o terno de Cary? Chegou também? – Indaguei interagindo com a conversa vendo e-mails sem importância passar pela pequena tela de sete polegadas. — Chegou, e também é bem divino. Ainda não acredito que você vai vestida daquele jeito. – Ela reclamou. — Tenta entender a garota, menina! – Exclamou a voz de Cary abafada. Eu ri. – Terá de ir comigo, está com vergonha? — Jamais! Mas, sei que um dia você vai arrasar com todo mundo. Escutei todo seu discurso de seu vestido branco que ficaria lindo com o par de sapatos louboutin brilhosos para noite. — Uau. – Correspondia à conversa lendo meus e-mails com manchetes de minha primeira vez em um red carpet. — Ai que horror. – Exclamei enrugando as sobrancelhas, enquanto lia comentários nada amigáveis ao meu respeito. — Não gostou? – Ela se assustou com meu comentário e mesmo sem estar ao seu lado, sabia que estava enrugando os lábios e arqueando as sobrancelhas. — Não. Estão esperando horrores de mim no tapete vermelho por ser minha primeira vez. – Respondi enquanto lia a manchete com foto de dez vestidos perfeitos para a filha da melhor atriz de todos os tempos aparecer. — Eu li essa manchete. – Ela respondeu apreensiva. — E como não me contou, Kate? – Esbravejei vendo os valores dos vestidos. — Estou chegando ao estacionamento. – Ela informou e encerrou a chamada. Continuei a ler a manchete que mostrava fotos de vários vestidos com modelos diferentes e estilistas também. A porta se abriu e o furacão Katherine entrou no cômodo com uma caixa em mãos. — Adicionaram algo? – Ela indagou. — Que nada. Mas já foi suficiente para me incomodar. Cary veio logo depois com o celular entre o ombro e o ouvido com três caixas em mãos. Kate o ajudou instantes depois enquanto me ouvia ler toda a manchete. — Você vai decepcionar eles. – Murmurou. – Mas você e o Cary vão me ajudar com tudo para hoje à noite. Kate começou a ditar regras e opiniões básicas. Pegou as caixas falando disparadamente sobre as roupas e penteados possíveis. Sapatos que combinariam com seu vestido branco, enchendo nossos tímpanos. Assentimos e a seguimos pelo apartamento até o quarto decorado de Elliot. Com uma parede de vidro como janela e uma cama gigante que daria para cinco pessoas dormir. Havia mais coisas de Katherine à vista que de Elliot. — Cadê seu namorado? – Cary perguntou, direto como sempre fora. — Por aí, foi resolver algo com Christian, acho. — Mas ele estava aqui. – Eu disse tirando seus sapatos da caixa e olhando a luz do sol que entrava pelo vidro refletir-se nas pedras pequenas dos mesmos. — Ah, falando nele, vocês estavam fofos hoje cedo. – Kate disse curvando os ombros. — Parecia que você estava no meio de um boquete. – Cary murmurou arrumando as maquiagens que utilizaria em Kate. — Que nojo. – Exclamei jogando uma almofada no mesmo que segurou com uma mira divina.
Notas finais
Foi bem simples, mas espero que curtam! Me contem tudo! Até amanhã! *-*
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