Apartamento 804

7 Eu não quebro promessas.


Notas iniciais
Vocês são incríveis! kk To me esforçando bastante pra manter a fic, tá foda ultimamente... Mas eu prometi pra alguém que não ia parar de escrever e os comentários de vocês também motivam demais. Ahm... Ninguém falou nada sobre criar ou não o tumblr pra fic. Topam? Ou nem? Enfim, boa leitura ♥

Acordo com o barulho da cama rangendo. Abro meus olhos e vejo Vick levantando-se devagar. Estendo minha mão e seguro a dela antes que a garota saia. Vick me encara supresa, então confusa, depois frustrada.

—Eu estavatentando não te acordar.

—Tudo bem…. Bom dia.

—Bom dia. — Ela solta minha mão e sai do quarto. Estranho a reação, mas tento não pensar nisso.

Levanto-me e vou até o banheiro lavar o rosto. Levo um susto ao olhar para o espelho e encarar a garota com olhos inchados, vermelhos e cheios de rímel borrado. Esfrego meu rosto até lavar a maquiagem, então amarro os cabelos emaranhados em um coque e vou até a cozinha. Vick está olhando para o celular e abrindo uma caixinha de água de côco. Observo enquanto ela fura a caixinha com o canudo, toma um gole e faz uma careta. Dou uma risada e só então ela olha para mim.

—O que foi?

—Nada. — Digo, sentando-me à sua frente. — Só achei a careta engraçada.

—Água de côco de caixinha é uma merda quando você se acostuma com a direto do côco. Principalmente dessa marca. Parece água com açúcar.

Vick se levanta e joga o resto na pia, então arremessa a caixinha no lixo. Vai até o quarto, tranca a porta e volta uns quinze minutos depois, com os coturnos nas mãos. Nesse meio tempo, fico pensando na atitude protetora da noite passada e em sua reação agora. Quando volta, senta-se no sofá e calça os coturnos com bico de aço.

—Está tudo bem? — Pergunto.

—Sim. — Ela responde, sem olhar para mim. Continua amarrando os cadarços.

—Mesmo?

— Eu já disse que sim. — Vick levanta e ajeita a blusa.

—Vick… Tem certeza que não se importa com… Aquilo com o Theo…

—Você mesma disse, não temos compromisso. Não tem pra que.

—Vick…

—Eu já disse que estou bem, não enche. — Ela pega as chaves, o celular e a bolsa. — Você fica com as chaves reserva. Quando sair, deixa de baixo do tapete.

Com isso, sai do apartamento, me deixando plantada na cozinha, sem nenhuma ideia do que aconteceu. Penso se fico por ali ou se vou para outro lugar. O apartamento de Theo não é uma opção. Decido conversar com Vick quando ela voltar.

Vou até o quarto e pego meu telefone que fora desligado na noite anterior. Ligo e observo enquanto as notificações vão pulando na tela. 14 ligações perdidas. 126 mensagens. Imagino Theo surtando em seu apartamentozinho e sinto uma pontada de culpa. Eu brinquei com ele, mesmo que sem querer. Disco o número e coloco o celular contra a orelha. Chama apenas uma vez antes que eu seja atendida.

—Alo? Christie? — O tom de voz é ansioso e tem um desespero contido.

—Oi, sou eu…

—Graças a Deus! Desculpe por ontem, sério, foi… Maluco, eu sei. Tudo bem se não quiser mais ficar aqui, eu não te culpo. Posso até te ajudar a ver outro lugar! Só me perdoa, por favor. Foi maluquice, desculpe…

—Ei, calma. Não vou ficar te culpando. Sim, foi assustador e sim, eu estou com marcas nos ombros, mas não vou ficar te culpando.

—Então vai voltar?

—Não. Vou pegar minhas coisas assim que der.

—Ah…- Posso ouvir a decepção em sua voz. Respiro fundo.

—Vou desligar. Só queria que soubesse que estou bem e não quero que você fique maluco.

—Ok… Christie?

—Diga.

—Eu te amo.

Congelo com o celular na orelha. Depois de alguns longos segundos em silêncio, Theo desliga. Largo o telefone na cômoda e desligo parte da minha cabeça para conseguir me concentrar na pesquisa para os trabalhos da faculdade. Depois de horas trabalhando nisso, deito na cama. Rolo, ficando de barriga para baixo, e sinto aquele cheiro doce e suave. Fecho os olhos e permito minha mente viajar entre lembranças, perdendo a noção do tempo.



—Pensei que você fosse embora hoje.

Dou um pulo, assustada com a voz. Estou zonza, boca dormente, olhos pesados, queixo babado. Fico irritada comigo mesma ao notar que dormi até o sol de pôr e não sei nem que horas são. Vick me encara com um olhar impaciente, porém retraído. O cheiro doce foi soterrado pelo cheiro enjoado de hospital. Ela joga as roupas no cesto de roupas sujas e volta a olhar para mim.

—Ahm… — Esfrego os olhos. — Eu não sabia para onde ir. Será que eu posso ficar aqui?

—Tá, tanto faz. — Então me dá as costas e sai do quarto.

—Ei, ei, ei! — Tento correr atrás dela, mas quase tropeço em um lençol que deixei cair. Vick para no meio do caminho e espera que eu fale. — Assim, tanto faz? É a sua casa, não quero incomodar.

—E esperava que eu dissesse o que? “Ai, fica, por favor, por favor!” — Ela diz, fazendo uma voz ridicularizada. — Não. Quer ficar, fica. Não quer, vaza. Não tem complicação.

—Certeza que não tá puta?

—Para de encher com essa pergunta! — Vick balança os braços e vai para a sala. Vou atrás dela.

—Você estava bem até eu falar do Theo! Tem certeza que está tudo bem?

—Claro, Christine! Tudo ótimo! Adoro saber que você me deu um fora dizendo que não queria essa de sexo sem compromisso, mas deu pro cara e ficou puta quando ele cobrou compromisso! — Ela suspira. — E ainda teve coragem de dizer que não era só desculpinha…

—Não era! Eu só tinha outros motivos…

—Claro, é uma princesinha hétero que quer algo diferente às vezes.

—Não fala merda.

—Me diz o que foi, então!

—Eu preciso ser a pricesinha hétero!

Ela me encara cética por um tempo, então dá uma risada alta.

Tá bom! E mesmo assim corre pra cá!

—Eu não sabia para onde ir!

—E eu tenho cara de abrigo?!

—Você é a única em quem eu confio!

—É, mas eu não confio em você!

—Só ‘tô pedindo para ser minha amiga!

—Tá pedindo para eu ser trouxa! — Ela se joga no sofá, a cabeça apoiada na mão, um sorriso cético e irônico no rosto. — Você é inacreditável… E eu caí! Caí que você não era só mais uma curiosa!

—Não sou…

—Então boa sorte. É só mais uma que não sabe o que quer da vida.

Lembro em todas aquelas cenas do ensino médio. Em meus pais gritando. Nas bronca de Claire. Então lembro da sensação de estar com Vick naquele banheiro do bar. Algo cresce em meu peito, borbulhando e tornando-se ainda maior. Então explode.

—Vai se foder, na real! Eu precisava sim dar um jeito de me manter longe de problemas e isso é exatamente o que você é. Mais um problema! Se acha que eu sou uma princesinha hétero, que brinca com as pessoas e não sabe o que quer, vai em frente! Foda-se! Eu sei o que eu quero! Sei muito bem! E não é você quem vai falar bosta sobre isso! — Respiro fundo, sentindo meu sangue pulsar. — Eu sei o que eu quero… Só não sei o que é melhor para mim.

—Então o que é que você quer?! -Vick abre os braços, gesticulando a pergunta feita. Fecho os olhos, tentando ao máximo me controlar, me mantendo no lugar. — Responde, porra!

—Você! Eu quero você! — Grito. — E eu cansei de ser a princesinha. Mas, aparentemente, a coisa não é tão simples.

Dou-lhe as costas, vou até o quarto e começo a juntas minhas coisas. Paro ao escutar passos lentos na porta. Tenho total consciência da presença de Vick atrás de mim. Ela se aproxima lentamente, então para. Eu viro para encará-la e seu olhar está fixo no chão.

—É sério? — Ela pergunta. Balanço a cabeça, positivamente.

—Minha cabeça ‘tá uma bagunça por sua causa. Eu… Te odeio por isso.

—Eu te odeio mais, acredite. — Vick responde. Abro um sorriso fraco, mas com sua malícia.

—Prova.

Ela dá uma risada e se aproxima. Sento-me na cama e a puxo para meu colo, abraçando sua cintura. Vick afasta meu cabelo e enche meu pescoço de mordidinhas. No intervalo entre cada mordida, ela sussurra no pé do meu ouvido.

—Eu te odeio muito… Espero que você se foda… Você e aquele cara… Mas não juntos… De você, eu que cuido.

Sorrio discretamente, satisfeita com o comentário. Em pouco tempo nossas roupas deixam de ser um obstáculo entre nossos corpos, pois elas são rapidamente jogadas ao chão. Nesse momento, tenho poucas certezas, mas uma delas é que os vizinhos estão extremamente irritados. Nossos lábios passeiam pela pele uma da outra, mas nunca se tocam. Ao final, ofegante e suada, pergunto enquanto beijo o pescoço de Vick.

—Porque não deixa eu te beijar? — Minha voz está rouca de desejo. Escuto sua risada convencida enquanto seus dedos massageiam meu couro cabeludo e acariciam minhas costas nuas.

—Eu prometi que não iríamos nos beijar, lembra? Eu não quebro promessas. — Ela diz. Dou risada com a ironia da situação, então beijo seu maxilar.

—Qual é… Eu beijei lugares muito mais… Proibidos. Porque não sua boca?

—Eu fiz uma promessa, Christine…

—Tudo bem… -Vou descendo os beijos pelo busto, até os seios. — Não me resta outra escolha…

—Meu Deus, você não cansa? — Vick dá uma risadinha e continua brincando com meus cabelos enquanto minha boca continua descendo por sua barriga.

—De você, não. — Beijo sua virilha. Ela ri de novo e inclina a cabeça para trás com os olhos fechados.



Observo a luz refletida no teto ir mudando enquanto o sol nasce. Acaricio a cintura de Vick, preguiçosamente, enquanto ela dorme. Sua respiração é calma e ritmada, quente contra meu pescoço. Sorrio ao ver que ela adormeceu com a mão no meu seio. Para ser honesta, não me importo. É confortável. Beijo sua testa e fico ali até o sono chegar.



O telefone toca, me acordando com um susto. Vick também dá um pulo, assustada. Abro os olhos e vejo a tela do meu celular brilhando. Resmungo e enfio o rosto no travesseiro. Escuto a risada de Vick.

—Não vai atender?

—Atende para mim? — Digo, sem tirar o rosto do travesseiro. Vick estende o braço e, com alguma dificuldade, atende o celular.

— Alo? — Ela se apoia no cotovelo e acaricia meu ombro com a mão livre. — Ah, oi Theo! — Congelo, então encaro-a assustada. Ela sinaliza que está tudo bem. — Não, não é a Christie. É a Vick. — Escondo o rosto com as mãos. — Não, é que ela teve uma noite difícil... Atendi porque não queria acordá-la. — Dou uma risadinha, então Vick bota a mão na minha boca para abafá-la. — Sim, está no quarto… Tive que dormir no sofá, sabe como é. Enfim, me fala o que foi e eu passo o recado. — Fico observando enquanto Theo fala. — Ah, tudo bem, eu aviso que você ligou.

Vick desliga o telefone, coloca na cômoda e eu explodo em risadas.

—Sua cara de pau! Ele vai concluir que rolou algo entre a gente!

—E daí? Rolou mesmo. — Ela sorri e morde minha orelha. Sinto um arrepio discreto.

—O que ele queria?

—Não me falou. Só se for contigo. Mas não quero pensar nele agora. — Vick pega minha mão e brinca com meus dedos.- Você vai morar aqui, ok?

Suspiro e encaro-a com uma sobrancelha erguida.

—Não acha arriscado? Quero dizer, depois disso aqui… E não temos nenhum relacionamento sério…

—A gente não pode pensar nisso depois?

—Ok… Mas com uma condição. Quero seu beijo.

Vick sorri e me beija devagar, suavemente. Minhas mãos em sua nuca, as delas na curva da minha cintura. O beijo, apesar de continuar lento, se intensifica aos poucos. Quando nossos lábios se separam, já estamos ofegantes novamente.

—Vick, eu já faltei o trabalho ontem. Se eu faltar hoje estou ferrada. — Ela ri e sai de cima de mim, permitindo que eu me levante e vá tomar um banho. Com minha calça jeans e uma blusa que Vick me emprestou, vou até o trabalho ainda pensando na noite anterior.

Notas finais
Obrigada por ler! :3