Apartamento 312.

12 Capítulo 12 - Mentir para si mesma


- É sério, eu realmente estou tentando acreditar que Quinn fez tudo isso, mas não consigo! — Kurt ria junto com as amigas e seu namorado, enquanto bebericava sua taça de vinho.

- Pois acredite, ela realmente fez. — a morena tocou o ombro dela, afirmando.

- Rachel, nós não poderíamos estar mais felizes pela sua conquista... Você merece muito isso! Sei que vai se destacar entre todos por lá. — Blaine se manifestou.

- É claro que ela vai... Afinal, você é uma heroína, não é mesmo, Rach? — Quinn cutucou-a.

- Sim, eu salvo as pessoas... Acho que tenho um crédito por isso. — piscou para os amigos, provocando a gargalhada de todos.

- Mas sabe o que me impressiona mais? — Blaine disse — Vocês duas parecem melhores amigas agora! Pensei que se matariam com um dia de convivência.

- Não é bem assim... — disse a morena — Não sei se somos amigas ou se seremos futuramente, estamos apenas tentando... O importante é que agora, nesse momento, eu estou adorando morar com Quinn. — confessou.

- Bem, é ótimo conversar com vocês... Mas temos um frango e uma torta de legumes para servir! E não sei vocês, mas eu estou com muita fome. — Quinn levantou da mesa, indo em direção a cozinha.

A mesa estava farta de comida, Rachel se sentia mais em casa do que em Ohio e Kurt não parava de beber. Blaine e Quinn eram os piadistas da mesa. Todos comeram até ficarem satisfeitos, Fabray era uma cozinheira de mão cheia e bastava aos outros três apenas admitir. Após o jantar, Blaine resolveu que suspenderia a bebida de Hummel — que já cantarolava alto as músicas que tocavam no aparelho de som de Rachel Berry — para que não houvessem consequências ou brigas mais tarde. Continuaram a conversar.

- Hey, Warbler! — Quinn chamou o moreno — O edifício ganhou um novo mordor, dono de um carro antigo... Ele sempre estaciona seu carro aqui na frente, vamos até a sacada ver?

- Mas é claro! — animou-se.

Os amigos tinham as mesmas paixões: filmes, coisas antigas e música pop. A única diferença, era que Quinn sempre foi uma versão mais infantil dele. Ao chegarem na sacada, o garoto procurava pelo carro sem achá-lo.

- Quinn... Não estou vendo nada! — apoiou-se na mureta, curioso para ver o carro.

- E não verá... Pois eu não te trouxe aqui pra isso! Quero conversar com você a sós. — voltou ao seu quarto, sentando-se na cama.

- Então diga! — deitou em sua cama, colocando os pés pra cima.

- É algo estranho, preciso de um pouco de coragem para dizer... Mas tenho que me certificar de que você não irá contar nada a ninguém! — aproximou-se dele.

- Tudo bem, serei um túmulo fechado. Pode dizer...

- Isso é novo e eu ainda não consigo controlar, por isso preciso da sua ajuda.

- Fabray, será que pode parar de me enrolar e contar de uma vez? — pediu, sendo direto.

- Ok, me desculpe... Apenas... — pôs uma mão sob sua testa, tentando conter o nervosismo — Estou me sentindo atraída pela Berry, é isso! — bufei, mandando embora todo o peso que ocupava minha cabeça.

Blaine levantou em um salto, sem conseguir acreditar no que a loira havia dito.

- Você fala sério? — perguntou, estático.

Ela assentiu com a cabeça, provocando uma explosão de gargalhadas da parte do moreno, que dava para ser ouvida em todo o apartamento. Era seu modo pessoal de reagir àquele sentimento estranho vindo de sua amiga.

- Pare de rir! Pensei que fosse meu amigo... — lhe estapeava sobre os braços.

- Por favor, nem Brittany e Santana que são suas melhores amigas esperariam isso de você!

- Eu não sei como isso foi acontecer. Mas de repente, parei de vê-la como uma vegan irritante a qual eu tinha vontade de matar... Eu a conheci melhor, Blaine, e essa garota é encantadora! Não sei que raio de feitiço ela jogou em mim, mas agora não consigo tirar os olhos dela, não consigo sequer chegar perto dela sem me sentir atraída! Eu sei que isso é carnal, mas tenho que controlar porque é algo totalmente novo.

- Quinn... Sabe que ela não é o seu tipo de garota, não é mesmo? Rachel não é uma peituda que você leva pra jantar, carrega pra casa, transa e no dia seguinte dispensa com a desculpa de que não quer nada sério.

- Estou ciente, e nunca faria esse tipo de coisa com ela... Rachel é boa demais para ser magoada. — sorriu, pensativa.

- Também tem a questão da sexualidade dela... Até onde sabemos, Barbra é inteira e totalmente heterossexual.

- Blaine, convenhamos... Ela estuda em NYADA, mora com uma bissexual, seus melhores amigos são gays e inclusive seus pais. Não quero ser uma garota iludida, mas as chances dela ser gay não são pequenas! — brincou, provocando a risada dele.

- Tudo bem, tudo bem, talvez sua teoria esteja correta... Mas de qualquer forma, aidna tem o fato de que ela acabou de se separar de Finn e ainda deve estar ligada a ele... E vocês moram juntas. Qualquer deslize pode interromper a relação que estão construindo, e estão tendo muito trabalho pra isso.

- Tem razão, acho que não da pra ganhar todas... — abaixou a cabeça e cruzou os braços, ainda insatisfeita.

- Espero que eu não esteja sendo um estraga-prazeres, Quinn... Mas acontece que não quero complicações pra você ou pra Berry agora. Estão se dando bem e isso é um milagre, mas sinto que a amizade de vocês é como um castelo de cartas, que a qualquer sopro pode desmoronar...

- Você só esta sendo um ótimo amigo, Warbler! — o abraçou, puxando seu pescoço para si — Ela é só mais uma garota, uma entre várias outras pelas quais vou me sentir atraída.

- Eu lhes desejo toda a sorte do mundo, digo isso de coração... Sei que ambas têm personalidade forte e sei que dificilmente uma irá ceder quando houver alguma briga ou discordância.

- E por isso... Estaremos sempre pisando em ovos uma com a outra. — deu continuidade ao que ele dizia.

- De qualquer forma, acima de todas as diferenças vocês tem suas identidades de losers em comum, e isso nenhum desentendimento pode tirar!

Enquanto o casal de amigos refletia sobre o relacionamento da loira com Rachel, ainda na cozinha, Berry e Hummel jogavam conversa fora.

- [...] E então ela fez cupcakes para Lotta e disse à ela que havia sido eu que fiz... — contava, freneticamente, sobre o plano de Quinn.

- Rachel, Rachel! — chamou a atenção da amiga — É a terceira vez que você conta essa história em duas horas, por favor, pare! — disse rispidamente, por estar cheio de sua repetição. Ele idolatrava sua melhor amiga, mas vez ou outra, tinha vontade de lhe dar uma surra.

- Me desculpe, Kurt, por favor... Prometo que não irei mais tocar nesse assunto! Mas é que... Ela foi tão fofa, cuidadosa e especial, ela têm cuidado de mim tão bem...

- Quinn é uma boa amiga, eu sei disso...

- Acredita que ela me fez gostar de Harry Potter? — gargalhou — Estou começando a achar que morar com ela é muito melhor do que com Finn... — disse sem pensar.

- Como?! Rachel, você esta se ouvindo? — aproximou-se dela.

A ideia de que Rachel preferia morar com sua inimiga do colegial do que com seu namorado de lá era no mínimo estranha. Tinha de haver algo naquilo! Kurt a conhecia mais do que ninguém, e estava farejando algo novo, algo desconhecido no relacionamento das duas.

- Bem... Quis dizer que ela é menos complicada, talvez pelo fato de ser uma garota! — disfarçou.

- Não, você quis dizer que prefere viver com ela do que com Finn. — manteve sua seriedade.

- Deve ser porque Quinn ainda não planejou uma outra vida sem me contar e depois fugiu sem dar explicações... — sorriu irônicamente.

- Sim, e mesmo que fizesse isso... Quinn não é sua noiva, ela não lhe deve satisfações!

- Controle seu ciúmes, Kurt. — o alertou — Sempre vou ser sua melhor amiga, Fabray é só uma pessoa que entrou agora e esta me fazendo bem.

- Não estou com ciúmes, Barbra, você sabe que eu não estou. Estou preocupado, porque eu sei que tem algo acontecendo e é preciso que você tome cuidado! Pois se arriscar demais sua amizade com a Fabray, ela pode ficar mais debilitada do que era antes.

- O que esta querendo dizer com isso? Esta insinuando que eu estou gostando dela? — se levantou da cadeira para intimidá-lo.

Como uma flecha, ele se levantou também, encostando sua testa na dela e tirando todas as suas defesas.

- Estou insinuando que você pode mentir para si mesma, mas não para o seu melhor amigo!