Apartamento 312.

13 Capítulo 13 - Nós temos essa noite (Parte 1)


Havia se passado uma semana e Rachel estava melhor. Tinha perdido peso por conta da doença e em consequência disso estava vulnerável a tudo em sua volta. Voltou a frequentar as aulas em NYADA, mas continuou a ter cuidado com tudo o que fazia, sendo mais higiênica do que de costume e hidratando-se bem. Fabray ainda lhe ajudava, mantendo os objetos da cozinha sempre limpos e mudando os hábitos alimentares.

Berry teve dois ensaios com o Vocal Gold e ainda não se sentia parte do grupo. Lotta e os veteranos do grupo haviam adorado a presença dela ali, mas os calouros não entendiam como uma garota vinda de uma cidade pequena ganhara tanto destaque em pouco tempo. De qualquer maneira, ela gostava dali, via no clube uma ótima oportunidade para sua carreira na Broadway e dava tudo de si.

A relação entre elas só vinha melhorando, vez ou outra chegavam a brincar dizendo que haviam batido um recorde de mais tempo sem brigar. As colegas tomaram o hábito de ir para casa durante o horário de almoço e comerem juntas, assim teriam a chance de ficarem juntas por mais tempo.

Andavam descobrindo muitas coisas em comum, e concluíram que não eram tão diferentes quanto pensavam. Chegaram a admitir que o tempo que passaram se odiando foi um desperdício em suas vidas, e precisavam recuperar o tempo perdido cativando a amizade que criaram.

Quinn estava cada vez mais atraída por Rachel, e mesmo sabendo que isso era errado, não conseguia afastar o que sentia. Não vinha despertando interesse em nenhuma outra garota, o que deixava as estudantes de Julliard com os nervos à flor da pele. A loira sempre foi uma conquistadora nata, e colecionava corações como troféis adquiridos em uma competição. Mas... Rachel era diferente. Definitivamente, ela não era como as garotas de Julliard. Tinha muito mais a oferecer, o brilho de seus olhos não podia ser comparado com o de nenhuma outra garota, e eles eram como dois imãs, sendo Quinn um mero pedaço de metal.

Era uma tarde fria de sábado, Quinn fazia sua parte nas tarefas domésticas, agindo mecânicamente. Enquanto isso, trocava alguma palavras com Rachel, que encontrava-se sentada ao sofá, atualizando sua vida social na internet, já que não tinha muito tempo para isso no dia a dia.

A morena estava em seu facebook, procurando saber como seus parentes de Lima estavam. Quando, por acaso, avistou o perfil de Finn Hudson e alguma fotos com uma garota loira. Achou curioso, e sem muitas intenções, clicou em seu perfil para ver como ele estava. Não havia mais qualquer foto deles, e postagens com piadas internas de Stanford dominava sua página. Digno de sua chatice, pensou ela. Mas não foi isso que lhe chamou atenção... Foi outra coisa.

Lá estava, "em um relacionamento sério com Avery Brianna". Releu algumas vezes, tentando ter certeza do que via, e certificou-se de que aquilo e real. Passou-se uma semana e meia que ele estava lá, como poderia já te arrumado uma namorada? Ela era de Stanford? Eles vinham mantendo um relacionamento antes de que ele fosse pra lá? Sem percerber, Rachel estava trêmula, era como se tudo voltasse a época em que ele só tinha olhos para Quinn e ela sofria sozinha.

Permitiu que algumas lágrimas escapassem e rolassem pelo seu rosto. Ela estava realmente se desprendendo dele, mas não se conformava com a ideia de que foi substituída tão fácil assim. O namoro deles teve a duração de quatro anos, como ele superaria isso em uma semana? Era inacreditável para ela. Sentia-se como um saco plástico ao vento, sem importância alguma.

Fabray varria atentamente a sala, quando reparou a tristeza de sua amiga, parou e lhe encarou por alguns segundos.

- Rachel... Aconteceu algo? — largou a vassoura e abaixou-se, para ficar ao seu lado.

Como não conseguia falar, mostrou seu monitor para a loira. Ela demorou alguns segundos pra perceber o que havia de errado na página de Finn Hudson, mas logo que percebeu, não pôde acreditar.

- Espera... Isso não esta certo... Ele não deveria... — pôs a mão sobre a testa, tentando entender tudo aquilo.

- Ele também não deveria ter ido embora, e foi. — soluçou

Quinn achou o nome da garota familiar. Parecia conhecê-la de algum lugar, mas não sabia ao certo de onde. Tirou o notebook do colo da morena e foi até o facebook dela, procurando por pistas. Não foi difícil descobrir quem a garota era...

- Rach, ela já estudou no Mckinley. — disse, sem papas na lingua.

- Como?! — a morena deu um pulo no sofá, tirando cabelo do rosto.

- Essa garota fez parte das Cheerios por um tempo, mas saiu devido a mal comportamento, o comprimento das roupas que ela usava não eram legais e Sue não foi muito receptiva com isso... Mas ela era invisível. Nunca foi popular, nunca conheceu muita gente e quase não participou das atividades extracurriculares oferecidas pela escola.

- Então... Finn a conhecia desde o Mckinley, meu Deus, ele vinha planejando ir para Stanford a muito mais tempo do que pensávamos. Quinn, esse garoto é m monstro! — gritou, andando de um lado para o outro.

Fabray deixou o notebook no chão, levantou-se e segurou o ombro da judia, tentando conter sua ansiedad.

- Ei, pare com isso! Limpe essas lágrimas, você sabe que não precisa dele.

- Isso não é justo, Fabray... Não foi justo comigo, não foi justo com todos s anos que eu me dediquei a ele.

- Sim, e dê graças a Deus que você se livrou isso! Não encare essa perda como um problema, Rach... Você é incrível, o fato dele ter ido embora pode ser algo bom!

- Como um término de noivado pde ser bom? — perguntou.

- Não sei... Pergunte à Adele e Taylor Swift! — sorriu, provocando uma pequena gargalhada da morena.

- Tudo bem, talvez você tenha razão... — limpou algumas lágrimas que caíam — Eu tenho que vencer isso, não posso dar o gostinho da vitória a ele. — admitiu.

- Ótimo, disse o que eu queria ouvir! — animou-se, orgulhosa dela — Que tal se saírmos hoje? — sugeriu.

- Sera ótimo... Não planejei nada para fazer hoje a noite e ainda não tive a chance de ter uma noitada com você! — radiou o olhar, mudando rapidamente a expressão.

- Está marcado! — bateu palminhas, como a velha líder de torcida que foi.

Durante todo o dia, a loira mal conseguia aturar a si mesma e controlar a felicidade que tinha dentro de si por ter ganhado a oportunidade de sair com Rachel Berry. Era sua chance de mostrá-la que poderia ser mais do que uma amiga, que poderia ser uma pretendente. Já Rachel, tinha muito o que pensar, mas preferiu não pensar em nada, pois a confusão que pairava na sua cabeça era complicada demais para ser desfeita. Ao cair da noite, as duas estavam prontas para saírem.

Foram no carro de Quinn. Ela era muito mais cautelosa que a morena no trânsito, respeitando todas as suas leis, mesmo as que não fossem necessárias. Vez ou outra, ela era responsável.

- Ei, que lugar é esse? — Berry perguntou, enquanto Fabray estacionava o carro na calçada.

- Um bar... Suponho que você nunca tenha ido em um, por isso lhe trouxe aqui. Esse é o meu paraíso! Costumo vir aqui quando tenho muito o que pensar e quero ficar sozinha.

- Pois bem, hoje eu tenho muito o que pensar...

- Se preferir ficar sozinha... Eu respeitarei! — sorriu, receptiva.

- Não... Prefiro ficar sem pensar do que recusar sua compania. — puxou o braço de Quinn, entrelaçando o dela com o seu e lhe causando arrepios com seu toque.

O bar chamava-se "Old Town" por remeter ao vintage. Havia jazz, chão de ladrilho e velhos lampiões e lustres espalhados pelo loca. Assim que entrou, compreendeu a teoria de Quinn dizendo que aquele era um lugar para pensar na vida.

- Uau... Aqui é simplesmente maravilhoso! — disse Rachel — Acho que esse lugar é encantado...

- Você ainda não viu nada, Berry. A noite esta só começando.

- Ótimo, espero que ela seja longa...

Começaram bebendo devagar. A conversa corria naturalmente, sem precisarem forçar assunto, pois isso elas tinham de sobra. As duas chamavam muita atenção dos rapazes que ali estavam. Aquele não era um bar onde garotinhas universitárias costumavam ir, pois essas estavam nos grandes teatros, ou danceterias badaladas... Mas elas não eram apenas garotinhas universitárias, encontravam-se em um universo onde o limite ia além do céu.

- Fabray, que tal se jogássemos sinuca? — apontou para uma mesa vazia que ficava no canto do salão.

- Eu adoraria... Mas você sabe jogar?

- Não. — pausa — Porém, sou a melhor em tudo o que faço e vou detonar você. — levantou da cadeira, indo em direção a mesa e dando sinais de embriaguez. Ao chegar lá, puxou seu taco e deu outro para a loira.

Apanhou um cubo de giz e esfregou a ponta em seu taco, desejando que tivesse sorte no jogo. O jogo começou! Quinn tentava levar a pequena competição a sério, fazendo boas jogadas e mirando as bolas nos lugares certos. Já a morena, não sabia sequer como segurar o taco e não dava trabalho nenhum para a loira vencê-la. Ela simplesmente não entendia o jogo e não estava importando-se com isso. Era sua vez de fazer as coisas sem pensar direito.

- Rachel, vou buscar alguns aperitivos pra mim, estou faminta! Precisa de alguma coisa? — perguntou, largando o taco sobre a mesa.

- Mais um copo de tequila! — pediu com empolgação.

- Normalmente eu diria não, mas hoje é o seu dia, você merece. — disse, virando as costas.

Enquanto Quinn ia em direção ao balcão do bar, a morena ficou sozinha, encarando a mesa e tentando montar estratégias em sua cabeça que nunca funcionariam.

- A garota está acompanhada? — ela ouviu uma voz grave vinda de trás. Assim que olhou, viu um rapaz alto, musculoso, dono de um lindo par de olhos azuis.

- Estou acompanhada de meu copo e não preciso de mais compania, obrigada! — deu uma resposta rápida, sem querer contato, então tentou se afastar.

- Ei, ei, ei, onde pensa que vai? Não sou um garoto que desiste fácil! — puxou-a pelo pulso, aproximando seu corpo do dela.

- Não há do que desistir, porque eu já decidi que não quero nada com você... Pode me soltar? — pediu educadamente, mantendo a classe.

O garoto fez sinal para um amigo que estava distante, e em poucos segundos fazia parte do círculo.

- Quem é essa, Victor?

- É só uma universitária vagabunda que insiste em bancar a difícil! — puxava seus braços para mais perto, enquanto ela o empurrava.

- Hum, temos uma rebelde aqui... — gargalhou, acariciando o rosto da morena, que tentava desviá-lo de suas mãos.

- Não sei de onde você veio e o que pretende conseguir aqui... Mas as garotas que frequentam o Old Town nunca negam fogo, e você não será uma exceção. — sussurrou em seu ouvido, fazendo seu estômago embrulhar.

- Por favor... Não sejam ridículos, há tantas garotas aqui... Me deixem em paz! — segurou a paciência ao máximo que podia.

- As outras garotas não servem, queremos você, baixinha... — a puxou com mais força, vencendo-a e alcançando seu pescoço. Depositou ali um beijo, o que provocou sua ira.

- Não quero arrumar problemas pra ninguém, mas vocês tem que me soltar agora! — gritou, perdendo a paciência.

Quinn esperava seu prato de petiscos, já com o copo de tequila da morena nas mãos. Ouviu seu grito de súplica, e ao ver os garotos em volta dela como verdadeiros leões em busca de uma presa, correu até lá sem pensar muito.

- Será que podem largar minha namorada? — usou seu tom de voz para ganhar autoridade, usando o termo "namorada" para conseguir a atenção deles... Pelo menos essa era sua primeira intenção.

- Então você é sapatão? — o garoto que a segurava riu, caçoando-a.

- Ei, cuidado com os termos que usa para se dirigir a mim! — justificou Berry.

- Acho que já sou grandinho pra usar os termos que eu bem entender. — piscou.

- Também já é grandinho pra entender que a minha garota não esta se sentindo a vontade com você aqui. — Fabray lhe deu um tapa no ombro.

- Outra nervosinha? — continuou — Ótimo! Mais uma pra nossa festa.

- Eu juro que não queria fazer isso, procurei ser civilizada, mas já que você me obriga... — a loira jogou todo o conteúdo de seu copo nos olhos dele, provocando um grito de dor. O garoto ajoelhou-se no chão, abaixando a cabeça e esfregando as mãos sobre os olhos, seu amigo correu para ajudar.

- Vem, Rachel! — puxou-a pela mão, ambas pegaram suas bolsas e foram pra fora do bar. Só pararam de correr assim que entraram no carro. Demorou um tempo para pararem de gargalhar.

- Fabray, você é louca? E se o garoto ficar cego? — perguntou Rachel.

- Se ele ficar cego levará isso com lição para não mexer com garotas comprometidas. — brincou, rindo.

- Acho que nossa noite acabou aqui... É uma pena. — abaixou a cabeça, demonstrando tristeza.

- Você quer que a sua noite acabe aqui? — virou-se para o lado, buscando seus olhos.

- Não... — ela levantou a cabeça.

- Então ela não acabará! Na verdade, esta começando... Há muitas coisas para se fazer em Nova York! — deu partida no carro.