Apartamento 311

3 Homens de preto


Notas iniciais
Gente!! Muito feliz com a repercussão da fanfic aqui no Nyah! Adorei todos os comentários e dicas que recebi, só tenho que dizer que vocês são um máximo, estão me animando a postar cada vez mais rápido. Espero que gostem, pois muitas coisas vão acontecer nesse vida misteriosa entre o vizinho do 311 e a do 312!! BOHAHAHAH!! P.S: gente, o bar existe tá... segue uma imagem para vocês ambientarem de melhor forma. http://guestofaguest.com/wp-content/uploads/2012/04/The_Pikey.jpg http://hostesshandbook.com/wp-content/uploads/2012/04/Picture-13.png

As ruas da cidade estavam movimentadas, carros vinham e iam formando ondas de engarrafamento, mas nada que pudesse impedir a passagem de Roronoa Zoro. Ele pilotava sua Harley Davidson com maestria, o que deixou Nami mais atônica do que já estava. Estar na carona daquela moto causava uma sensação que ela não conseguia descrever, era um misto de liberdade com um friozinho na barriga, muito libertador.

A bochecha da ruiva estava encostada de leve nas costas dele, mesmo com o vento forte da alta velocidade, sentia com facilidade o cheiro de roupa limpa e perfume amadeirado que emanava de Zoro. Jesus, era impossível não se sentir interessada por seu estranho vizinho com pitadas de mistério e rebeldia.

Zoro começou a reduzir a velocidade e entrou numa rua lateral, afastando-se da avenida principal, estavam chegando ao bar. Nami desejava que aquela viagem demorasse mais algumas horas, afinal, não era tão ruim assim ser carona numa moto daquelas. Com um homem daqueles. Ela pensou que estava louca por pensar aquelas coisas de um estranho. E era loucura mesmo.

— É aquele bar? – Nami afastou uma das mãos do corpo dele e apontou para o local, onde havia um letreiro simples em tons de amarelo e café escrito The Pikey. – Quem são aquelas pessoas?

A respiração de Zoro tornou-se mais pesada ao observar duas Mercedes de cor preta e vidros fumê, ao lado delas haviam dois homens que mais aparentavam ser os seguranças do outro homem que estava lá. – Nami, apenas desça e entre para o bar. – a voz dele soou pesarosa, enquanto manobrava a moto à alguns metros de distância do local.

— Algum problema? – ela olhou para ele sem entender o que estava acontecendo. – Você não vai entrar comigo? Quem são eles? – ela desprendeu o engate do capacete e retirou da cabeça, deixando os longos cabelos ruivos livres. Nami queria dizer algo, mas não sabia necessariamente o que falar, talvez fosse melhor fazer o que ele havia dito. Sem muitos protestos.

— Apenas dessa e entre no bar, não me faça repetir de novo. – ele quase cuspiu aquelas palavras em Nami, retirando o capacete das mãos dela. Ela desceu da moto muda, magoada com a agressividade verbal de Roronoa. Afinal, quem ele achava que era para falar assim? Só porque havia lhe ajudado, não significava que ele possuía toda essa liberdade, certo? – Você é um idiota bipolar! – ela caminhou furiosa em direção do bar, ignorando até mesmo os três homens que estavam perto da porta de entrada. Um deles nem disfarçou o quanto estava secando as curvas da garota, atiçado pela calça jeans que ela vestia.

— Não acredito, Roronoa... – o rapaz que aparentava ser o protegido pelos seguranças falou com voz irônica, brincando a situação. – Você nos abandonou por causa daquela garota? – ele passou a mão pelo cavanhaque, os olhos negros pareciam ganhar mais vida ao ver que Zoro estava se sentindo incomodado com a situação. Muito incomodado.

Roronoa apenas desceu da moto e deixou o capacete preso no guidão e foi na direção dos três rapazes. Ele engolia em seco ao se aproximar do líder, que além da estranha barba, tinha os braços tatuados.

— Law, acha mesmo que pode vir até meu trabalho? – ele parou diante do homem, frente a frente, ignorando o fato dos seguranças estarem prontos para qualquer tipo de ataque que Zoro pudesse fazer ali.

— Esperamos sua ligação, e não houve retorno... – Law chegou mais perto, quase sussurrando nos ouvidos de Roronoa. – Precisamos de você com urgência, mas parece ignorar o nosso contrato.

— Um contrato de morte? – Zoro lançou um olhar afiado para o moreno, recuando alguns passos para se livrar da pressão de Law. – Ela morreu, não possuo mais nenhuma ligação com vocês. – de lascivo, o olhar de Zoro tornou-se vago, o que deixou o homem mais impaciente do que já estava. Pelo visto ser bonzinho com Roronoa não iria valer a pena, teria que ser da forma mais difícil, o que era uma grande lástima.

— Você está me traindo, traindo a todos nós. – Law deu as costas para Zoro, seguindo na direção do carro. – Você está jogando todas as chances no lixo. – ele olhou sobre o ombro, um olhar de decepção que Zoro nunca imaginou que veria em Law. – Eles virão atrás de você, cedo ou tarde. Vão tirar o pouco que sobrou da sua vida. – o rapaz entrou no carro, enquanto um dos seguranças sentava no banco do motorista e o outro para a outra Mercedes que estava estacionada do outro lado.

Curiosa, Nami observava tudo pelos vidros do bar, não escutou nada do que eles falaram, mas aquele homem de intrigantes olhos negros cheirava a perigo. Que tipo de relacionamento teriam com Roronoa? Será que eles eram vendedores de drogas ou cafetões. Ok... eles poderiam ser qualquer coisa, alguma coisa estava muito errada ali, talvez devesse ir embora e...

— Mocinha, o que você deseja? – Nami sentiu um toque sobre o ombro, o que a fez endireitar a coluna e virar rapidamente na direção do cutuque.

— Só...só estava observando a vista do bar... – a ruiva não sabia o que estava falando, mas tudo bem, o que importava? Ela só queria um emprego, não iria ficar se preocupando com seu estranho vizinho. – Na verdade, eu queria uma das vagas de garçonete, um conhecido me indicou, o rapaz que está lá fora, Roronoa Zoro.

O senhor de meia idade ergueu as sobrancelhas ao escutar o nome de Zoro, como se fosse alguma palavra mágica ou algo do tipo, deixando Nami mais perplexa do que já estava. – Só me seguir... – o senhor olhou para a ruiva com uma expressão serena. – Qual o seu nome?

— Nami... Nami Woods. – ela se limitou a apenas dizer o próprio nome, enquanto seguia o senhor de cabelos brancos e de longa barba pelo bar. Ele entrou atrás de um balcão e pegou de lá algumas roupas, uma saia preta e uma blusa social cor de café, escrito em branco The Pikey ao lado do peito em letras pequenas e ornamentais. – O meu nome é Jeff, e esse será o seu mais novo uniforme. – ele apontou para uma enorme porta de carvalho no fundo do bar, onde dava acesso aos banheiros para funcionários. – Podemos começar hoje, caso sobreviva... – Jeff deu uma pequena risada, cativando ainda mais a ruiva. – Estará apta para trabalhar por um longo período na Pikey.

— Assim, tão fácil? – Nami pegou a roupa de cima do balcão e ficou parada diante de Jeff, esperando que ele falasse mais alguma coisa, sei lá. Tudo estava muito fácil. – Só isso mesmo?

O homem apoiou o braço no balcão e riu, puxando dois copos de whisky para o centro. – Você foi uma indicação do meu melhor bartender, não é mesmo? – Jeff colocou uma dose de Jack Daniel’s em cada copo. – Vamos comemorar sua chegada a The Pikey.

— Eu não beb... – o som da porta se abrindo fez Nami cortar a frase no meio, fitando Roronoa que entrava coberto de mau humor. Ele passou por ela como se não estivesse ali, sentou-se na banqueta e pegou um dos copos que Jeff havia servido para Nami.

— Você pode trabalhar bêbado? – foi a única coisa que ela conseguiu dizer, pois ainda estava muito irritada com as atitudes dele (sem falar que ele estava pegando a sua bebida). Jeff apenas sorriu e deu as costas para o casal, logo o bar iria abrir e tinha muitas coisas para organizar. Era melhor deixar eles a sós e tal, conhecia muito bem Zoro, ainda mais quando ele estava irritado com alguma coisa. Jeff conhecia o esverdeado desde jovem, ao longo do tempo assumiu uma figura paterna, sendo que, já estava acostumado com altas aventuras do seu "filho postiço". E sabia também que Nami era uma garota bem interessante, com certeza, ela traria muita dor de cabeça para Zoro. Jeff estava adorando!

— Digo, isso não pode! – ela apontou para a bebida.

Roronoa nem se moveu, apenas ficou segurando o drinque entre os dedos, perdido no reflexo da bebida dentro do copo. – Nami. – os olhos verdes se voltaram na direção da ruiva, amortecendo-a dos pés à cabeça. – Trabalho num bar, você acha mesmo que eu não bebo nada o tempo todo? – ele sorriu de forma debochada, virando o copo de Jack Daniel’s de uma só vez na boca.

— Se você diz... – ela deu de ombros, virando-se de costas para ele, seguindo na direção do banheiro, levando as roupas nos braços. Por mais idiota que ele fosse, Zoro tinha algo que incomodava ela profundamente. Ele era muito rabugento e ...interessante, pelo amor de Deus! Roronoa Zoro era apenas o seu vizinho de cabelos verdes, bipolar, grosseiro e cheio de mistérios, ela não poderia se interessar por ele de jeito nenhum. Depois daquela cena de seriado, com homens de preto e carros de vidro fumê, era impossível não suspeitar que ele fosse um traficante, sei lá.

Nami entrou no banheiro, o local era simples, com lajotas brancas e pretas. Havia duas portas que dividiam em banheiro feminino e masculino, no centro havia um grande armário de ferro onde cada funcionário aparentava ter o seu espaço pessoal.

“Consegui o emprego! Preciso me acalmar e não pensar em bobagens!” – o inconsciente de Nami tentava acalmá-la, enquanto trocava de roupa no centro do banheiro. Ela se despiu e jogou a roupa que usava para dentro de um dos armários vagos e vestiu o uniforme que ficou perfeito em seu corpo. A ruiva caminhou até um espelho que alcançava do chão ao teto, apesar de estar calçando All Star branco, ficou satisfeita com o novo look de trabalho. “Ficou perfeito! Apenas preciso vir de scarpin para ficar melhor ainda.”.

Atrás dela a porta se abriu, Zoro entrou como uma rajada de vento no banheiro e foi na direção dos armários, como se ela não estivesse ali, novamente. Nami sentiu o rosto esquentar de raiva, mas esquentou muito mais quando ela observou pelo espelho que ele estava tirando a blusa com ela ali dentro, vestindo em seguida uma polo cor de café com os mesmos detalhes do seu uniforme.

— Não está vendo que eu estou aqui? – ela parou de encará-lo e virou na direção dele. – Doido!

— É só uma camisa. – ele deu de ombros, passando as mãos pelo cabelo, os arrepiando para o alto, jogando-os para trás. ­– Se tiver vergonha, pode se trocar onde fica os sanitários.

— Quem era aquelas pessoas? – ela fingiu ignorar as falas dele e se aproximou, parando ao lado dos armários. – Não pareciam muito amigáveis com você.

Zoro fechou o armário com mais força do que o habitual, estava se irritando com a invasão de Nami na sua vida pessoal. Ele só queria ajudar, mas ela estava se tornando um estorvo e dos grandes. – Amigos de antiga data. – foi o que ele se limitou a responder.

— Amigos? – ela ergueu uma das sobrancelhas e cruzou os braços, apoiando um dos ombros na lateral do armário. – Zoro, você não é nenhum vizinho psicopata ou assassino? Acredite, não tenho dinheiro e nenhum familiar rico que possa me salvar.

Como um estrondo, ele riu tão alto que ecoou pelo banheiro. – Você é muito criativa! – ele passou por ela e foi na direção da saída do banheiro. – Não sou, mas é bom você ficar o distante de mim. – ele seguiu até o bar e deixou Nami presa em pensamentos. Quem o seu vizinho era afinal?

Após algumas horas The Pikey estava lotado, a maioria dos estudantes da universidade e de prédios comerciais próximos estavam lá apreciando a bela cerveja artesanal do local. Nami estava num campo minado, onde pessoas a chamavam de um lado para o outro, sem falar das cantadas descaradas que recebia de alguns fregueses. Apenas de todos os problemas e cansaço, estava ficando muito animada com as gorjetas.

— Que saco! Eles são sempre assim? – ela apoiou os cotovelos no balcão e ficou esperando Zoro fazer alguns drinques do pedido que estava atendendo. – A vontade que eu tenho é de dar uns tapas nesses caras! Que nojo!

— Se te consola, também escuto algumas coisas estranhas das clientes. – ele pegou um mixer e largou alguns líquidos coloridos dentro, coisas que Nami não sabiam o que eram e nem fazia muita questão.

— O que, por exemplo? – a ruiva se debruçou um pouco mais na bancada, estava cansada e ainda faltava algumas horas para ir embora. Pelo menos tinha Zoro para se distrair, apesar que ele queria distancia dela, sem nenhuma explicação ou motivo, mas ainda bem que Nami era...Nami, não deixaria ele livre tão facilmente, ela queria respostas (e que ele montasse seus móveis). – Conta, não me deixa curiosa!

Zoro despejou o liquido do mixer em três copos e os decorou com algumas frutas, ele deixou os drinques na bandeja de Nami e se aproximou, a ponto dela sentir seu perfume novamente. – Algumas mulheres mais velhas tentaram pagar por mim...– ele falou num sussurro, sentindo-se um pouco constrangido, era ridículo responder aquelas coisas para a sua vizinha enxerida.

— Então você não é cafetão? – a pergunta de Nami saiu quase inocente, o que deixou Zoro muito irritado. Ela pegou a bandeja e saiu rapidamente, antes que ele resolvesse tocar um copo de bebida nos olhos dela.

— Por que você está pensando isso de mim? – ele falou alto e forte, fazendo Nami correr ainda mais rápido. Ela não perguntou por mau, apenas estava pensando no encontro dele com os três homens e tal, mais as cenas do banheiro e aquele perfume... “Bom, agora podemos descartar a possibilidade dele ser um garoto de programa... Mas se ele for traficante, ou da máfia?”

Nami não consegui se concentrar no serviço, toda vez que observava Zoro com aquela carranca sobre o que ela tinha dito, era impossível não rir. Com certeza, a mente dela estava aflorada. Coitado.

— Nami! – Jeff estava na porta de entrada no bar, onde colocou a plaquinha “fechado”, proibindo a entrada de novos clientes. – Estamos fechados, apenas vamos ficar mais uns 15 minutos com os fregueses que ainda estão aqui, enquanto isso, você poderia colocar alguns lixos para fora?

Não era bem o que ela queria fazer, mas ok. ­– É claro Jeff. – a ruiva passou pelo bar, obviamente recebendo olhares fulminantes de Zoro enquanto ele guardava alguns copos nas prateleiras.

— O que você vai fazer? – ele se virou para ela e apoiou um dos braços no balcão, tentando ficar mais próximo.

— Vou colocar alguns lixos para fora, Jeff pediu ajuda. – Nami continuou o seu caminho até a cozinha, deixando Zoro para trás. Ela só poderia estar brincando com ele! Não era possível que sua sensível e delicada vizinha estivesse se transformando num monstro, que ainda acreditava que ele era um gigolô.

— Essa mulher... – Roronoa falou entre dentes, apenas observando a movimentação dela com os enormes sacos de lixo em direção a porta dos fundos. Nami saiu arrastando os sacos e quando abriu a porta e deu o primeiro passo em direção da rua, uma enorme mão tapou sua boca, puxando-a para o lado de fora.

Nami apenas sentiu os sacos de plásticos deslizarem pelos dedos e as costas baterem contra a parede de cimento.

Notas finais
E ai, algum palpite galera? O que vocês acham que pode acontecer na trama? Aos poucos quero colocar alguns personagens na história!! Zoro barman é muito delicinha, não acham?