Notas iniciais
Oi oi gente! Tudo bem com vocês? Hoje comigo não... Perdi dinheiro e isso não é legal... Bem... Personagem novo hehe Enjoy

Duas semanas depois...

Acabei pegando outro turno noturno, não por que pagava mais, mas sim por que era mais tranquilo.

Mas essa noite me surpreendeu, teve um caso mais especial... Essa nova mamãe havia perdido seu primeiro bebê em um acidente de carro e dez anos depois ela conseguiu ter outro bebê. Foi uma cena linda de se ver... O carinho dela, o brilho em seu olhar, o amor incondicional.

Em profissões como a minha é errado se envolver e se emocionar com os pacientes, vai contra nossa ética, mas somos seres humanos e desta vez não contive minhas lágrimas de felicidade.

Não há sentimento mais lindo e purificador que o amor, independente da sua forma, de quem seja ou quantos são. É um sentimento que muda, encantada, preenche cada vazio que nós não sabíamos que existia em nossos corações. Amar alguém e ser amado de volta é a coisa mais linda que existe.

Afinal, o que vale uma vida se você não tem amor?

Aquela mãe chorou tanto e eu não fiquei atrás. Foi difícil tirar o bebê de seus braços para leva-lo para fazer os exames, mas por fim eu consegui.

Quando saí do trabalho estava revigorada, são umas das vantagens que trabalhar em um ambiente onde uma nova vida surge, faz você agradecer pela sua e perceber o quanto o mundo é magnífico, em cada detalhe, em cada infinito.

Como habitual depois de sair de um turno noturno fui comer no Hob’s.

Depois de algumas sessões de terapia estava me sentindo muito melhor, procurava não ficar pensando naquele dia horrível.

Para acabar de vez com meu medo fui sozinha ao banco onde tudo aconteceu, foi difícil... Mas sai dali com menos peso em meu coração.

Às vezes eu pensava que era bobagem, que não havia necessidade de sentir medo pelo aconteceu já eu estava viva! Mas o medo é algo irracional, não há como controlar... Não controlava o choro, os tremores, simplesmente queria parar, mas não conseguia.

Assim que entrei no Hob’s procurei por Cathy, mas não a encontrei. Sentei em uma mesa de canto e fiquei olhando o menu. A Cafeteria estava um pouco cheia, o que era normal para esse horário da manhã.

–Oi! Desculpe por não ter vindo antes, está um pouco tumultuado aqui – Disse Cathy aparecendo do nada.

–Menina! Tu vieste da onde? – Eu perguntei e ela riu – Sem problema amiga.

–Tudo bem e aí? Já decidiu o que quer?

–Além do moreno que está sentando no balcão? – Perguntei e ela riu – Brincadeira, mas vou querer a torta de cereja com chocolate e um café – Disse.

–Toda quinta você pede a mesma coisa... – Diz Cathy anotando o pedido.

–Por isso amo as quintas, você sabe que adoro cerejas.

–É verdade... Vou indo, qualquer coisa me chame – Disse e saiu.

Peguei meu exemplar surrado de O Morro dos Ventos Uivantes para ler pela 983083 vez. Estava na parte em que o Heathcliff encontra a outra Cathy já doente, a beira da morte pela qual ela se deixou vencer. Aquela criaturinha egoísta e manipuladora dos infernos.

“- Gostaria de poder abraçar-te até morremos os dois! – Prosseguiu ela amargamente – Não importa o que sofresses. Não me preocupo com os teus sentimentos! Por que não hás de sofrer, se eu sofro tanto! Serás que vais esquecer-se de mim? E ficarás muito contente quando eu estiver debaixo da terra?”.

Pausa para xingar mais ela...

Cathy trouxe meu café da manhã e eu prossegui com minha leitura comendo, mas... Sabe quando você tem aquela sensação de estar sendo observada? Como se outra pessoa te chamasse mentalmente?

Olhei para frente e nada, mas quando voltei a olhar para o bar lá estava... Ele estava olhando para mim, assim que encontramos nossos olhares eu desviei sem graça, ele notou que eu o notei!

Controlei o impulso de rir e voltei a aprestar atenção a minha leitura e para não engasgar com a comida.

Minutos depois eu dei uma espiada para ver se ele estava ali novamente, mas ele já havia ido embora. Por um lado fiquei decepcionada por ele ter ido, mas por outro lado, se ele realmente estivesse interessado ele teria vindo falar comigo, certo? Certo.

***

Quando cheguei em casa liguei para minha mãe e contei para ela do cara da cafeteria.

–Ah, filha! – Disse decepcionada – Por que você não falou com ele? Ou ficou olhando para ele? Assim ele teria falado com você!

–Ah! Mãe! Você sabe que não tenho coragem... – Murmurei.

–Olivia você tem vinte quatro anos, está mais do que na hora de deixar de ser tímida!

–É mais fácil falar do que fazer... – Resmunguei baixinho e ela não escutou – Mas de qualquer forma, não foi nada mãe, não estou procurando um homem no momento, quando estiver com trinta fico neurótica com isso, tudo bem? – Disse e ri.

–Só você... – Disse Marie Luiza — Seu pai está saindo para trabalhar e está te mandando um beijo – Disse.

–Mande um para ele também – Digo.

–Certo... Filha, também tenho que ir, meu aluno daqui a pouco está aqui e tenho que preparar as partituras.

–Tudo bem, mãe. Boa aula – Digo carinhosa.

–Obrigada querida, tchau – Diz e nós desligamos.

Minha mãe, Marie Luiza, é professora particular de piano. Meu pai, Steven, é professor de geografia do ensino fundamental. Uma família simples, nada de extraordinário.

Minha mãe sempre foi minha amiga, é a pessoa mais educada que conheço, herdei isso dela. Já meu pai não é do tipo... Falante, mas é uma pessoa gentil e carinhosa. Acho que por eles terem os temperamentos parecidos faz com que eles se deem bem até hoje.

Mas minha mãe está certa, sou bastante tímida, sempre fui. Nunca tive certo desespero por procurar companhia, sempre gostei de ficar sozinha no meu canto. Essa sou eu. Por ter esse temperamento calmo sempre tive muitos amigos, nunca fingir ser diferente e se eles são meus amigos é por que gostam do meu temperamento. As pessoas em sua maioria são agitadas, elas sempre procuram algo diferente delas.

Meus namorados sempre gostaram isso em mim, pelo menos foi o que me disseram!

Meu primeiro namorado foi com quinze anos, algo super normal para a idade. Tinha acabado de entrar no ensino médio e conheci-o, lindo, alto, engraçado e atleta, tudo que não sou, acho que foi isso que me encantou nele. Sempre somos atraídos pelo que não possuímos. Ele estava em uma fase rebelde por causa dos pais, mas eu sempre o acalmava e procurava ajuda-lo, afinal, era apaixonada por ele. Quatro meses depois que fizemos um ano de namoro (no qual perdemos nossas virgindades) ele sofreu um acidente de carro, ele havia bebido. Os bombeiros disseram que ele chegou vivo no hospital, chamando por mim... Mas ele não resistiu.

Isso acabou comigo na época, fiquei arrasada. Não só pela forma que ele morreu ou por tudo que passamos, mas por saber que ele estava chamando por mim antes de morrer e eu não estava lá. Passei o restante do ensino médio ouvindo “Coitada da Liv, perdeu o namorado”, fiquei mais conhecida por isso do que pelas minhas notas altas e por ter pulado um ano escolar.

Depois do terror do ensino médio veio à faculdade e essa foi uma época de muito aprendizado, em todos os sentidos. Eu me relacionei com meu professor de citologia, uma matéria no qual eu odeio até hoje. Nós ficamos juntos durante quatro anos! Ele era uma pessoa... Peculiar. Nunca conheci um homem como ele e duvido que vá conhecer outro. Ele era um homem curioso e gostava de ter novas experiências. Ele me ensinou tudo que sei na cama hoje em dia, me mostrou os outros lados do prazer, estilo Cinquenta Tons e Peça-me o que Quiser. Posso dizer que já experimentei de tudo um pouco.

Eu era curiosa e ele adorava me ensinar, constantemente eu era sua aluna, e é claro, vestia-me como tal, ele adorava...

Depois dele veio meu terceiro namorado. Nós ficamos dois meses juntos e eu terminei com ele. Ele queria ficar com outras mulheres e eu via que isso estava o incomodando, ele era mais jovem que eu e não queria ficar preso em um relacionamento, então antes que ele me traísse eu terminei. Eu disse que ele não deveria se prender a mim, que isso não estava fazendo bem a nós, fui muito sincera! Ele ficou tão chocado comigo, por não ter sido neurótica e por eu ter notado isso. Nós terminamos super bem e até hoje nos falamos!

E esses minhas leitoras foram meus amores.

***

Na quarta feira estava de folga. Depois de trabalhar dois dias seguidos eu nem estava acreditando.

De tarde resolvi sair um pouco de casa, bater perna por algum lugar ou ver algo, mas antes ia passar na Cathy para comer algo e devolver a revista da Vogue dela antes que ela me ameaçasse.

Como estávamos na primavera o clima estava incrível e lindo. Em qualquer parte de Manhattan que você passasse havia flores, dando cor naquela floresta cinza e abarrotada de gente.

Peguei meu carro e dirigi até o Central Park, enfrentei um engarrafamento infernal e quase bateram no meu carro quando eu estava tentando estacionar.

Bem vindo à Nova York! Onde as pessoas te atropelam e não tem paciência para nada!

Entrei na cafeteria e me sentei na mesa do canto esperando Cathy terminar de atender um cliente.

–Não acredito nisso! – Disse Cathy rindo – Olha quem está de short hoje! Que pernão branco amiga! – Disse animada se sentando na cadeira a minha frente.

–Isso foi um elogio ou uma ironia?

–Elogio! Acredite! Você ficaria estranha bronzeada, você faz mais o estilo bonequinha – Diz Cathy e eu entreguei sua revista – Ah! Meu bebê! A vaca da Liv te tratou bem, querido? – Ela disse abraçando a revista.

O chefe dela passou por nós e balançou a cabeça assustado. Eu comecei a rir e ela também! Doida! Nem sabia o motivo!

Cathy se levantou e foi ajudar em algo na cozinha, dizendo que depois voltaria para anotar meu pedido. Alguns minutos depois entraram uma turba de turistas, todos risonhos e animados. Eles lotaram o Café, falando e tirando foto sem parar.

Em qualquer lugar de Nova York você encontra um turista, é normal, mas nunca deixamos de rir deles, eles tiram foto de tudo!

Olha! Um mendigo americano, vamos tirar foto!

Olha! Um restaurante americano, vamos tirar foto!

Olha! Uma formiga americana, vamos tirar foto!

Pelos deuses...

Mas como em qualquer cidade do planeta eles são enganados pelos taxistas, cobram o dobro para eles! E quando veem que você não fala inglês então! Coitados.

–Posso me sentar aqui?

Eu dei um pulo da cadeira e olhei para cima.

–Você me deu um susto! – Eu disse com a mão no peito.

–Desculpe... – Ele disse e deu um sorriso torto – Posso? – Perguntou apontando para a cadeira.

–Claro – Respondi e dei uma conferida no cara.

Ele era... Inacreditável! Michelangelo se mataria para esculpi-lo. Seu cabelo é preto, luminoso e macio, descendo até seu pescoço, emoldurando seu rosto anguloso, com as maças do rosto altas. Quando olho para seus olhos é outra história, não a tanta beleza naqueles olhos negros, havia um brilho diabólico ali. O nariz aquilino lhe dava uma aparência austera. Seus lábios não são finos, mas divinamente bem desenhados. Vestido de preto de cima a baixo e as botas tão... Vogue! Botas de motoqueiros, pretas e lustrosas, possivelmente da revista Hells Angels.

Olhei em volta e todas as mesas estavam preenchidas, exceto de um senhor robusto que estava se empanturrando de panquecas. Enquanto imaginava as artérias dele entupidas o cara na minha frente pigarreou.

–Sim? – Perguntei erguendo a sobrancelha. Ele fez um gesto com a mão para que eu tirasse o fone, mas eu rir – Posso te ouvir – Respondi.

–Tudo bem – Disse rindo – Alguém já passou aqui para anotar o pedido?

–Daqui a pouco Cathy vai aparecer aqui – Respondi. Quando ela me visse com esse gato viria correndo.

–Qual é seu nome? – Perguntou.

–Olivia – Respondi apoiando as costas na cadeira e cruzei minhas pernas.

O silêncio se instalou e ele continuou a me analisar descaradamente.

–Não vai perguntar o meu? – Perguntou contrariado, com um sorriso de lado.

–Qual é seu nome? – Perguntei brincalhona com um sorriso.

–John Adam – Respondeu com sua voz rouca.

–Então, John Adam... Por que escolheu se sentar comigo ao invés daquele simpático senhor?

Ele olhou para o senhor e sorriu para mim, se apoiando na mesa.

–Você pareceu ser uma companhia mais interessante – Diz.

–E está sendo? – Perguntei, mas ele apenas riu.

Cathy veio anotar nossos pedidos e virou a cabeça para mim (não tão disfarçadamente) com os olhos arregalados, eu revirei os olhos e ela riu. John Adam fez seu pedido igual ao meu, sem tirar os olhos de mim, como se estivesse me desafiando e eu sustentei seu olhar.

–Certo... – Respondeu Cathy terminando de anotar o pedido – Quer algo mais, Liv?

–Não, não obrigada – Respondi gentil e ela saiu.

–Então... Liv, o que você faz da vida? – Perguntou John repetindo o tom de Cathy.

–No que você trabalha John Adam?

–Sou mecânico – Respondeu e eu fiquei surpresa, não imaginava ele de macacão e sujo de graxa... Maldição! Agora vou imaginar...

–Enfermeira obstetra – Respondi e foi à vez dele ficar surpreso.

–Você tem cara de advogada ou algo assim – Ele diz.

–Você também não parece com um mecânico – Retruco.

–É verdade – Ele concorda e rir, mas como se houvesse outro motivo – Como é trabalhar como enfermeira obstetra? – Ele pergunta visivelmente curioso.

–É... Bom, de verdade! É gratificante saber que você ajudou a trazer uma nova vida para esse mundo, que você fez parte de um momento feliz...

–E você ama seu trabalho – Concluí gentil.

–Sim – Afirmo.

Sempre acabou falando demais quando se trata do meu trabalho.

–Meu trabalho não é tão emocionante, é muito pratico e sujo – Diz dando os ombros.

–Sujo? E o meu trabalho tem o que?

–Ah! O seu é pior! – Diz e dá uma boa gargalhada.

–Você foi a primeira pessoa que se esqueceu desse detalhe – Comento rindo.

–Você falou tão bem, que eu me esqueci dessa parte – Diz John Adam rindo rindo – Sempre morou aqui em Nova York?

–Não, vim morar aqui este ano, sou da Geórgia... E você é daqui, certo?

–Sim, do Bronx – Diz e o sorriso dele some.

–Hum... – Murmuro, realmente queria saber por que ele mudou tão de repente.

Cathy chegou com nossos pedidos e nos inclinamos para comer, nos aproximando.

–Você sempre fala olhando nos olhos da pessoa? – Perguntou John Adam quando coloquei um pedaço de torta da boca.

Eu engoli o pedaço da torta e respondi: — Desculpe, nem percebi que fazia isso – Disse surpresa, nunca tinham me falado isso.

–Não precisa se desculpar... Isso é bom. Gosto disso em você – Diz e minhas bochechas esquentam.

O sorriso de lado dele volta, o que faz minhas bochechas ficarem mais vermelhas.

Ele perguntou qual música eu estava ouvindo e respondi que era Avenged Sevenfold.

–Você escuta rock? – Perguntou surpreso – Nunca iria dizer isso de você.

–Nunca pense o obvio das pessoas, John Adam.

Ele arqueou a sobrancelha e sorriu satisfeito.

–Exatamente, Olivia – Disse.

Dei um fio do fone para ele e ficamos escutando música enquanto comiamos. Assim que terminamos chamei Cathy para pagar minha conta e me levantei.

–Já vai embora? – Perguntou John e também se levantou.

–Marquei de me encontrar com meus amigos – Digo.

–Hum... Nos vemos amanhã aqui?

–Hum... Depois de amanhã – Respondo com um sorriso encantador – Até, John Adam – Suspiro e vou embora.

Notas finais
O que acharam? Sexta eu volto amoras Bjubas ^^ Bree