Notas iniciais
Eu sei... Eu sei... Deveria ter postado o capítulo ontem... O que aconteceu meninas... Eu recebi meu pc ontem e fiquei jogando The Sims até de madrugada, alucinada! Estou com cinco expansões e estou enlouquecendo. Mas acá estoy... Enjoy

Estava ansiosa.

Não devia estar ansiosa...

Por sorte eu poderia encontrar com John Adam no dia “marcado”, Rose havia pedido para trocar de turno comigo. Agora era esperar para saber se ele estaria lá ou não.

Quando chegou o dia liguei para Cathy para saber se ela estaria trabalhando.

–Desculpe amiga, mas estou de folga hoje – Respondeu triste – Mas, por favor, não deixe de me contar os detalhes! – Pediu.

Na cara e coragem me arrumei para me encontrar com ele.

Nunca tinha ido me encontrar com um cara que conhecesse tão pouco, muito menos que tivesse praticamente desafiado ele a aparecer, talvez ele não aparecesse por isso, mas que se dane! Se ele não aparecesse iria comemorar na Broadway, hoje haverá um espetáculo em plena rua!

Fui ao mesmo horário que apareci no Café anteontem. Sentei-me em uma mesa no canto, já que onde havia me sentado da última vez estava ocupada.

Hoje é quinta, então é dia de torta de cereja com chocolate, minha favorita. Sou uma formiguinha, e um pouco fanática por cereja... O incenso da minha casa é de cereja, meu gloss é de cereja, o colar de ouro branco que sempre uso tem um pingente de cereja... Simplesmente adoro.

Depois de devorar dois pedaços de torta, peguei meu exemplo surrado de O Morro dos Ventos Uivante para terminar de ler.

E li...

E li...

Depois de terminar o livro veio aquela depressão após-livro. Era inevitável. Esse é meu livro favorito e um dos mais bem escritos que já li.

Quando olhei no celular já havia se passado meia hora... Com certeza ele não iria vir mais.

OK... Eu estava um pouco decepcionada, mas o que se podia fazer?

Levantei-me para ir embora e quando estava chegando à porta, John Adam também estava perto da porta.

–Você chegou quando? – Ele perguntou curioso, com uma ponta de raiva na voz.

–Eu já estava aqui! Esperei-te por meia hora! – Disse... Irrita.

–Estou há uma hora aqui! – Ele responde e nós paramos.

Nós ficamos esperando um pelo outro... Oh, Good...

Demos uma risada sem graça e saímos do Café, andando sem rumo pela calçada.

–Juro que não te vi! – Eu disse.

–Também não! Você deve ter entrado em uma das vezes que atendi o celular, eu fiquei olhando a entrada e não vi você... – Ele disse sem jeito.

–Deve ter sido... E aí? Tudo bem? – Perguntei descontraída.

–Melhor agora...

Olhei para ele no mesmo instante rindo, isso é tão velho! Ele riu também.

–Mas falando sério, está tudo bem sim, e você? – Ele disse.

–Também, já descansei do meu turno então estou tranquila – Tagarelo – Você parece cansado... – Comento.

–Tenho problemas para dormir – John suspira.

–Quando eu era mais nova também tinha – Comento lembrando as minhas olheiras, eu parecia uma coruja!

–Quantos anos você tem, Liv?

–Vinte e quatro, e você?

–Vinte e seis – Responde – Pensei que você fosse mais nova, uns... Vinte anos, sei lá.

Eu ri, sempre dizem isso – Obrigada, mas digo o mesmo para você.

Ele ri – É por causa do cabelo, quando corto dizem que tenho trinta! – Comenta e rir novamente.

Nós seguimos a rua que levava até o Central Park e ficamos conversando sobre nossos trabalhos. Contamos onde trabalhávamos, onde tínhamos trabalhado antes, depois conversamos sobre os lugares que já visitamos.

Quando chegamos ao Central Park seguimos pela principal, nesse horário quase não há ciclistas.

–Qual foi à coisa mais legal que você já fez Liv?

–Mais legal?! Hum... Sabe aquela ponte circular que inauguram há alguns meses atrás no Grand Canyon? Onde o chão da ponte é de vidro?! Então... Foi à coisa mais legal que já fiz, tenho medo de altura e aquela aflição de pisar no meio do vidro... Mas quando eu consegui chegar ao meio da ponte à sensação de ter o mundo aos meus pés foi incrível... Estava tão perto de cair, mas sabia que nada iria acontecer, que estava segura, fez tudo valer a pena.

–Nunca fui ao Grand Canyon – Diz John – Vi no noticiário que muitas pessoas passaram mal com a altura e que nos primeiros dias os vidros estavam estalando – Ele disse rindo

–É verdade! – Concordei rindo – Mas depois de alguns dias esses relatos pararam e foi quando eu fui – Completei rindo e ele me acompanhou – E você qual lugar que você sempre quis ir?

–No Brasil, voar de asa-delta – Diz firme.

–Deve ser incrível mesmo... Com aquela paisagem exuberante, de um lado praia do outro uma floresta, também dá para ver vários prédios, tudo em uma região... – Comento pensativa.

–Exatamente, tudo que mais fascina as pessoas junto – Diz John.

Como o sol estava se pondo nos juntamos às pessoas na grama, na parte central do parque há uma espécie de clareira onde as pessoas fazem piqueniques e se reúnem.

Eu tirei o salto e andei pela grama deliciosamente macia, suspirando pela liberdade. John pegou minha mão e deu seu famoso sorriso de lado, sorri de volta e continuamos a andar pela grama.

Quando achamos um lugar legal nos sentamos na grama, começando a ver o por do sol.

–Hoje parece que vai ser bem bonito – Comento olhando para o céu que misturava as cores, azul, rosa e laranja, magnifico!

–Vai sim – Ele diz e me puxa para me deitar do lado dele.

Ficamos lado a lado e John ficou mexendo no meu cabelo, estava me dando um soninho!

–Você fica bem com o cabelo solto – Comenta sem olhar para mim.

Olhei para ele por um minuto e voltei para o céu que se tornava violeta. Meu cabelo é tão simples! Preto, na altura no ombro, picotado e tenho uma franja! Nada demais.

–Habito de usar ele preso, por causa do trabalho – Explico dando os ombros.

Quando o violeta e o laranja do céu se misturaram nós nos sentamos e começamos a bater palmas para o por do sol como as outras pessoas. Todos os dias de sol acontecessem isso aqui. É tão relaxante essa relação com natureza, aprecia-la torna tudo mais lindo.

John se deitou na grama novamente e me puxou para cima dele, nós rimos e eu o beijei. Sem querer nós batemos os lábios de um jeito não agradável e nós acabamos rindo, e ele pegou meu cabelo capturando minha boca.

Não foi um beijo leve... Ele me pegou com força, com vontade, pressionando meu corpo no dele. Fui ao delírio, a maioria dos homens começam tão... Leve! Eu gosto de um pouco de força, de perder o fôlego... O que podia fazer?

Nos primeiros segundos eu o deixei aproveitar, mas depois tomei o controle do beijo como sempre faço. Circulei a língua dele e a suguei, o fazendo tomar um pouco de fôlego. Continuei fazendo isso e puxei seu cabelo, matando minha curiosidade. O cabelo dele era mais macio que o meu, o que me fez puxar com mais força, pela raiz.

Ele se afastou em busca de ar e começou a morder meus lábios, me fazendo sorrir.

–Você não tem nada de passiva, não é? – Perguntou John com um sorriso travesso.

–Não mesmo – Digo e me deitou ao seu lado novamente.

Ele iria me puxar novamente, mas seu celular tocou. Ele piscou para mim e se sentou para atender, foi uma ligação... Estranha. Ele apenas respondia: “Hum...”, “Sim”, “Não”, “O.K”, apenas monossílabas.

John ficou visualmente irritado, sentei-me e fiquei olhando para ele. John soltou o ar e me puxou para outro beijo rápido, surpreendendo-me.

–Vou ter que ir embora... – Murmurou... Pensativo? – Parece que o carro que havíamos entregado ficou ruim novamente e o dono está lá causando confusão – Disse aborrecido – Desculpe por isso, Liv.

–Não! Tudo bem! É o seu trabalho, não precisa me pedir desculpas – Repeti as mesmas palavras que ele havia me dito – Pode ir tranquilo – Eu disse e pisquei para ele.

–Tudo bem... Quando podemos nos encontrar novamente?

–Ah! – Eu disse surpresa e ele riu.

Por que tenho que ser tão expressiva! Mais que merda!

–Já sei onde podemos ir... – Diz e dá seu sorriso de lado – Mas será surpresa – Ele diz.

–Poxa! Agora vou ficar curiosa! Você é mau! – Disse resignada.

–Você não faz ideia do quanto... – Murmura John com os olhos brilhando maliciosamente.

Pegamos o número um do outro e ele me levou até onde meu carro estava estacionado. Dei um belo beijo de despedida nele e ele foi embora balançado a cabeça sorrindo.

“Sempre deixe algo para o cara lembrar-se de você quando vai embora” Dizia meu segundo namorado, meu professor.

Acho que fiz um bom trabalho.

***

Meu turno matutino de sexta foi... Catastrófico. Tive quatro pacientes! Quatro mães gritando a manhã toda! Quatro bebês para supervisionar! Eu corria pelos corredores! E para completar um dos pais foi tirar a primeira foto do bebê e deixou o celular cair em cima do bebê!

Na hora eu fiquei completamente em choque, paralisada. Depois fui ver se havia machucado o bebê, mas depois que saí do quarto tive uma crise de riso!

E ele tirou a foto mesmo assim!

Alguns devem pensar que meu trabalho é rotineiro, mas não é. Cada parto é diferente, cada família é diferente, cada mãe se comporta de uma maneira e assim vou sempre me surpreender, nunca terei uma vida estagnada.

Quando meu turno acabou troquei de roupa e saí. Calça jeans escura, skinny, uma blusa comprida de mangas curtas, justa, cinza, e uma sapatilha azul-marinho. Visual simples e prático como sempre.

Estava passando pela recepção para ir embora quando vi o Tenente McGrey sentado.

–Tenente! – Murmurei surpresa perto dele – Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa? – Perguntei, não é comum alguém estar em um hospital!

–Não! Não! – Ele disse e sorriu – E, por favor, me chame de Derik, meu turno acabou – Ele diz.

–Tudo bem... Mas o que faz aqui?

–Vim ver se estava tudo bem com você – Ele diz sério – Recebeu alguma ligação? Notou alguém a observando ou seguido?

Sentei-me do lado dele e soltei o ar – Não – Respondi – Nada... Eles realmente só quiseram me dar um susto, nem devem me ver como uma ameaça – Concluo.

–Sim, mas você tem que continuar atenta, nunca se sabe – Diz Derik – Eles moram em Nova York também, um dia eles podem vê-la na rua.

–Eu sei... – Suspiro.

–Faz quanto tempo que pararam de te vigiar?

–Uma semana – Respondo – O delegado disse que o FBI descartou a hipótese que eles estivessem atrás de mim e tiraram a vigia de frente da minha casa, mas que continuariam a me ligar toda semana.

–Se sente mais segura com isso?

–Bem... Eu concordo com o FBI nisso, Derik. Não vejo mais um perigo, já se passou um mês – Murmuro firme – Minhas consultas com o psicólogo também terminaram e acho que isso é um ponto final nessa história.

–Certo... Mas continuarei mantendo contato com você por mais algumas semanas, procedimento padrão – Ele diz.

–Dante, meu psicólogo, tinha me comunicado sobre isso, que você era o responsável – Acrescento – Bem, eu vou almoçar agora, gostaria de me acompanhar? Chega desse papo sério – Digo e sorriu.

–Aceito, ainda não almocei também – Ele diz sorrindo, então saímos do hospital.

O hospital nos dar uma verba para duas refeições por causa de nossos longos plantões, mas sempre gasto só uma enquanto trabalho, quando saio do trabalho gasto a outra. Não seria louca de gastar boa parte do que recebo comendo na rua, podendo fazer em casa!

–Vamos aonde? – Perguntei olhando alguns restaurantes mais a frente.

–Gosta de comida mexicana? – Perguntou Derik.

–Hum... Tacos – Murmurei sorrindo e ele riu.

Fomos para o melhor restaurante (em minha opinião) de comida mexicana dessa parte da cidade, era um restaurante muito simples (quase feio) por fora, mas por dentro possuía uma decoração muito típica do México. Era um restaurante de família.

Sentamos-nos logo e pedimos tacos de carne moída. Derik era uma pessoa descontraída para conversar, quase não sorria, mas quando o fazia era aquele sorriso imenso e contagiante.

–Você deveria sorrir mais – Digo sincera – Fica mais bonito.

Ele arqueou as sobrancelhas e deu um leve sorriso sem graça. Quando a comida chegou caímos dentro, o cheiro estava incrível!

–Você come mesmo! – Disse Derik surpreso.

–Claro! Tem coisa melhor que comer e dormir? E eu trabalho por muitas horas consecutivas, dá fome, você sabe disso, temos rotinas parecidas.

–É verdade, nisso nós podemos concordar – Ele disse e prosseguimos conversando sobre comida.

Ele ria cada vez mais ao saber o quanto eu comia, enquanto ele se matava na academia da corporação para se manter em forma e eu era magra de ruim.

Obrigada mãe! Desculpa sociedade!

Quando terminamos eu pedi a conta. A garçonete chegou e Derik pegou o papel, ele tirou uma nota alta da carteira e entregou para a garçonete.

–Pode ficar com o troco – Derik disse gentil para ela.

–Ei! Espera! Eu não paguei minha parte! – Eu disse olhando para ele e a garçonete foi embora.

–Nada disso! Você convidou, eu pago – Esclareceu.

–Não...

–Já foi, Liv. Vamos – Diz se levantando e eu continuei encarando ele.

–Isso não é certo – Comento passando por ele.

–Só não diga que é machismo – Ele diz e rir, eu não aguentei e ri junto.

Nós saímos do restaurante e eu olhei para ele.

–Vai para casa agora? – Perguntei.

–Vou, vai pegar o metrô também?

–Sim – Respondi – Você mora onde?

–Também moro Upper East Side, mais ao norte – Acrescenta Derik.

–Ah! É uma boa área para morar, sua casa é de frente para o mar?

–É – Responde Derik e andamos em direção ao metrô.

Quando passamos em frente a um pet shop Derik parou para fazer carinho no gato que estava preso.

–Gosta de animais? – Perguntei ao lado dele.

–Gosto... Tenho um gato, um cachorro e uma calopsita – Disse Derik rindo.

Comecei a fazer carinho no gato e ele fechou os olhos.

–Seu gato não tenta pegar o pássaro? – Perguntei e me abaixei para fazer carinho no queixo do gato.

–Não, ele tem uma gaiola enorme da área de serviço e eu deixo sempre a porta fechada para a Marie não entrar – Explica Derik.

–Ah! É uma gata – Esclareci.

–Uma gata gorda e preguiçosa – Acrescenta Derik.

Uma funcionária do pet shop chegou perto de nós e sorriu.

–O casal gostou do gatinho? Por que vocês não o levam? Ele é castrado!

–Não! Não somos um casal! – Disse rapidamente e nós três ficamos rindo sem graça.

–Desculpe... – Disse a funcionária – Mas o que vocês acham de levar ele? Ele está vacinado e precisa de um lar – Incentivou a vendedora gentil.

O gato ficou acariciando a cabeça na minha mão para que eu continuasse a fazer carinho nele.

–Você tem algum animal em casa? – Perguntou Derik.

–Não... – Murmurei.

–Você vai gostar de ter um animal em casa para fazer companhia – Incentiva Derik.

O gato ronronou para mim, pedindo atenção.

–Ah! Viu! Ele gostou de você! – Disse a funcionária animada – Quando o gato esfrega a cabeça dele em você é por que ele gosta de você.

–Você gostou de mim gatinho? – Eu perguntei com a voz de bebê para ele. Por que as pessoas sempre fazem isso com os animais?

E ele miou para mim.

Ahhhhhhhhh!

–Gatos são amorosos e gostam de ficar sozinhos também, você vai gostar ele – Incentiva mais ainda a funcionária.

–Ah... Gente – Sussurro perdida e coloco as mãos no rosto, e o gato miou para mim novamente.

–Ele gostou de você Liv... – Incentivou Derik.

–Ah! Tá bom! Eu vou ficar com ele! – Disse por vencida e voltei a fazer carinho nele.

A funcionária deu pulinhos de felicidade e agradeceu a Derik pela ajuda. Ela nos levou para dentro da loja e falou o que eu deveria comprar. Ela me entregou o gato e eu fiquei andando com ele deitado nos meus braços pela loja, não era confortável, mas ele estava tão bonitinho ali que tive pena de tirar, parecia um príncipe.

–Já pensou em um nome para ele? – Perguntou Derik.

–Adalto – Respondi fazendo carinho nele.

–Adalto? De onde tirou esse nome? – Disse Derik surpreso.

–De uma novela portuguesa... – Murmurei pensativa.

Acabei comprando uma caminha para Adalto, vasilhas de comida e água, brinquedos, ração, uma coleira e uma casinha para transporta-lo. Derik me ajudou carregando tudo enquanto eu carregava Adalto dentro da casinha dele.

Dentro do metrô ficamos conversando sobre o bairro e brincando com Adalto que tentava pegar nossos dedos. Derik me acompanhou até em casa.

–Não vai ficar ruim para você ir para casa agora? É um pouco distante... – Comento.

–Preciso andar um pouco, me livrar daqueles tacos – Diz com a mão na barriga e eu ri.

Derik se despediu de Adalto e me deu um beijo de despedida só que... Muito perto da minha boca.

Eu me distancie sem graça e ele sorriu para mim indo embora. Virei-me chocada e entrei em casa.

Puta merda!

Notas finais
Sobre o Grand Canyon é verdade! É uma vista ao mesmo tempo exuberante e assustadora, procurem ver as fotos! John Adam já mostrou para o que veio... E Derik já está indo em cima... Qual vocês preferem? Bom fim de semana Bree #thesimsporra