Apaixonada pelo Mafioso
39 Enxugando as lágrimas
Notas iniciais
Povs Bella...
Ainda me sentia dolorida, principalmente quando respirava. Afinal, a bala que atingiu minhas costas perfurou diretamente meus pulmões. Era um milagre ter sobrevivido. Foi "la mano di dio" (a mão de deus) como o médico italiano que me operou costumava dizer. Agora que já estava bem mais recuperada, havia saído do antigo quarto que era uma espécie de "CTI hospitalar" e fui pra outro. Bem maior e mais luxuoso do que aquele que dormia com Alice. E me perguntei como Edward conseguiu manter toda essa estrutura médica aqui sem que eu nunca desconfiasse de nada.
Afinal era só lembrar dele que meu peito se apertava e os olhos alagavam. Faz algumas semanas que não o vejo. Pois disse que o queria longe de mim. Ele pelo visto tem obedecido. Porém, essa distância só a aumenta a saudade e a dor que sinto na alma. Durante esse tempo de recuperação os pesadelos que tenho sobre o dia que fui baleada são constantes. As cenas se repetem várias e várias vezes como se estivesse em um "filme de terror." O pior é a parte que Edward segura aquela arma na minha frente... Deus! Eu não o conheço, ele nunca foi o homem que imaginei.
O homem que amava era um mafioso, um assassino, envolvido com todos os tipos de crimes. Edward não é melhor que aqueles que me sequestraram. Fui apenas o "pato" da história. A "menininha burra" cheia de sonhos que pensou que tinha encontrado um príncipe, e acabou pagando um alto preço por seu engano. Burra! Idiota! Imbecil... Era tudo isso e muito mais. Mas, assim que estivesse recuperada iria embora de vez e Edward nunca mais me veria, e juro que darei um jeito de matar esse amor dentro de mim.
Se pelo menos conseguisse ver mamãe. Todavia, ainda não posso sair. Só consigo falar com ela pelo telefone. Disse a ela que tive uma "gripe horrorosa" ela pareceu acreditar no motivo que arranjei pra não ir vê — la. Também parecia mais animada, como se tivesse melhorado e rezei pra que isso de fato tenha acontecido. Também via Alice quase todos os dias. Uma enfermeira a trazia até meu quarto. Tinha me afeiçoado demais a ela. Ter a "pequena" junto a mim sempre me animava, e fazia com que esquecesse por alguns momentos de todo o sofrimento que vivo. Rose entrou no quarto em seguida trazendo meu almoço. Agora não confiava em ninguém, desconfiava de todos, pois sabia que vivi uma mentira.
– Não precisa me olhar assim, Bella. Nunca lhe faria mal.
Ela falou depois de colocar a bandeja com comida na mesa de refeição que havia no quarto.
Estava sentada na cama e desci devagar ainda com passos hesitantes indo até a janela a ignorando.
Ela respirou fundo antes de continuar.
– Acredite, nunca fui a favor que viesse trabalhar aqui. Eu entendo que deve estar com medo e com raiva. Nunca poderá entender o nosso mundo.
A encarei e disse com ríspidez.
– Seu mundo? Um mundo de gente cruel, vil... Um mundo de monstros assassinos quer dizer. Quantas pessoas já teve que matar, Rose?
– A máfia é bem mais do que pensa, Bella. Somos uma família.
E respondi com ironia.
– Uma família, Rose? Nossa... Uma família muito digna, imagino. A vontade que tenho é sair daqui e denunciar cada um de vocês a polícia.
– Mas, não fará isso. Eu sei.
– Duvida de mim? Acha que não sou capaz?
– Sim. Não fará por causa dele. E nós duas sabemos disso, não é mesmo?
Rose sorriu de modo triunfante. Tendo a certeza que estava certa. E sim, estava mesmo. Porém, amar Edward se mostrou um grande erro, um erro que quase custou a minha vida. Por isso, jamais admitiria novamente que mesmo depois de tudo ainda o amava com loucura. E fui enfática.
– Se enganou. Dom Cullen seria o primeiro que denunciaria.
Ela me olhou com o cenho franzido.
– Então estou enganada. Não o ama mais?
– Como pode pensar isso depois de tudo que ele fez?
– Não foi isso que perguntei.
– Obrigada pelo almoço, Rose.
Voltei a ignorá — la olhando pra janela novamente. E ela ainda disse antes de sair.
– Ele ama você, e acredite... Dom Cullen não desistirá fácil. Meu chefe é homem mais forte e obstinado que conheço.
Em seguida ela se foi. Porém, minha força tinha que ser maior que a dele. Sem dúvida nunca os entregaria pra polícia. Pois de alguma forma me afeiçoei as pessoas daqui. Todavia, eu iria me afastar de Edward. Mesmo sabendo o quanto isso me custaria. Perdi o apetite, a bandeja de comida fora esquecida. Quando a noite caiu vi a lua nascer pela janela. Eu sentiria falta desse lugar e de Alice... Mas, será o melhor a fazer. Quando a porta se abriu imaginei que fosse a enfermeira com os remédios que ainda tomava. Porém, não era ela.
– Podemos conversar, tesoro mio? (meu tesouro)
Como senti falta dessa voz. Do seu sotaque italiano baixo e grave. Mas, ao mesmo tempo havia tanta mágoa e raiva em meu coração por ter sido usada e enganada por ele. Me virei devagar fechando as mãos em punho. Edward parecia abatido, porém, lindo e sexy como sempre. As vezes ainda me custava acreditar que era realmente um mafioso. Por que tudo não podia ser um grande pesadelo? Deus... Eu não merecia isso. E falei num tom afiado.
– O que quer aqui? Vá embora.
– Bella... Precisamos conversar, amore mio. Tenho muito que lhe explicar.
E dei um riso amargo.
– Explicar? Você não precisa explicar nada. Black e seu bando já fizeram isso.
– Dio... (Deus) Precisa entender, carino. Tudo que fiz foi pra te proteger.
E disse com sarcasmo.
– E como me protegeu, não é? Me seduziu, deixou com que me sequestrassem, que levasse um tiro. Devo chamá — lo de herói, Dom cullen?
Seus olhos estavam cheios de dor quando me encararam.
– Não me chama assim, Bella mia. Não você.
– Mas é o que você é, ou não?
E uma ira cega tomou conta de mim. Avancei nele disposto a lhe machucar da mesma forma que me machucou. Então o estapiei com toda a força que tinha no rosto.
– Eu te odeio! Seu grande mentiroso. Te odeio! Ouviu?
Em seguida comecei a estapiar seus braços e peito. Enquanto lágrimas nublaram a minha visão. Ele me puxou pros seus braços e ainda me debati.
– Não... Me solta! Seu criminoso miserável. Como teve coragem de fazer isso comigo... Como? Nunca vou te perdoar... Nunca!
Então nos encaramos. O seu olhar sempre tão seguro, e perspicaz agora estava arrasado. Nossas respirações se misturaram. E sem dizer nada ele começou a enxugar as minhas lágrimas que teimavam em cair sem parar.
Povs Aro...
A pessoa que via estava de costas pra mim. O longo cabelo ruivo e a silhueta fina ainda era sexy como o "caralho" e me excitei.
– Seu filho me reconheceu.
– Ele esperava que fosse encontrar com um homem. Não podia imaginar que era você.
– Não sei o que deu em mim pra aceitar esse encontro.
E abri um sorriso malicioso.
– Pelos bons tempos,forse? (talvez)
Ela respondeu com um toque de amargura.
– Bons tempos... Que "porra" está dizendo? Fiz tudo que pediu no passado, e acabei sem nada, e sem a minha filha.
– Se una a mim novamente e tudo será diferente.
– Por que eu faria isso?
– Dessa vez não vou falhar, cara mia. (minha cara) Garanto que terá sua filha de volta e assumirei o lugar da máfia que sempre foi meu. Nos dois juntos derrubaremos o meu sobrinho. Quello dannato! (aquele maldito)
Ela então virou pra mim e disse num tom frio:
– Se me fuder dessa vez, Aro. Entrego você de bandeja a Dom Cullen. Entendeu?
– Não se preocupe, Tânia. Questa volta non fallirò. (eu não falharei dessa vez)
Continua...
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