Após a morte
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Aqui começa o capítulo 1, (ele não tem nome).
Espero que gostem! :3
Eu sempre fui uma pessoa muito dedicada nos estudos, nos trabalhos e em qualquer outra coisa eu estivesse motivada a fazer bem. Na escola, tive poucos amigos, por preferir estudar, a me divertir. Na faculdade, tive meu primeiro namorado. Mas não durou muito porque achei que o tempo estava se reduzindo com ele.
No fim, pelo prazer que em sentia em ficar estudando, lendo e relendo trabalhos, fiz duas faculdades. Uma após outra.
Eu morava com meus pais. Eles fizeram questão de continuar me sustentando e apoiando até que eu terminasse meus estudos. E não pude negar a oportunidade que daria a chance de terminar as faculdades sem me preocupar com contas, casa... Minha mente ficava sempre tranquila e "vazia", para que todo o conhecimento digerido fosse bem entendido.
Após o fim da segunda faculdade, tive que pensar o que iria fazer da vida. Eu estava com 25 anos. Jovem, mas madura. Meus pensamentos e ideias, eram como as de uma pessoa de pelo menos 40 anos, que tenha se formado em diversas faculdades que utilizam muito de sua inteligência.
Resolvi então morar sozinha. Deixar a casa dos meus pais, um lugar onde morei por toda a minha vida, não foi fácil. Para não haver complicações, aluguei a casa que fica logo ao lado da dos meus pais. Assim, saudade, problemas e contas, não seriam tão difíceis de se resolver.
As faculdades foram muito eficientes para a profissão de decidi seguir. Passei tanto tempo da minha vida estudando, que praticamente esqueci o que faria depois que os estudos acabassem. Virei escritora. Escrever, para mim, era um lazer, um passatempo. Eu pegava uma caneta ou um lápis, ou botava as mãos no teclado, e a história praticamente era escrita sozinha. Essa era a sensação que eu tinha. Era ótimo ver o resultado final. Ver como meu trabalho era bem feito e quase perfeito para mim. O único problema era que eu utilizava uma linguagem difícil. Quase ninguém entendia as histórias. Mas isso não atrapalhou minha carreira.
Em uma manhã, sentada na cama, escrevendo mais uma história, recebi uma mensagem no celular.
"Qual o motivo de passar vinte anos estudando, sem poder aproveitar a vida? Você tem medo da morte, Thania? :D"
A mensagem me deixou bastante curiosa. Era interessante e confusa. O número era desconhecido. Meu primeiro pensamento foi de trote. Eu queria tirar essa história a limpo, então liguei para o número.
- Alô? — Eu perguntei assim que parou de chamar.
- Sim, pôs não? — Respondeu uma voz feminina adulta e muito delicada.
- De onde falam?
- DO INFERNO! HAHAHAHA.
A última fala não foi dita pela mulher que atendeu. Era uma voz gutural bem grossa e masculina. Ela gritou dizendo aquelas palavras. Depois soltou uma risada aterrorizante e desligou.
Eu fiquei parada olhando para o celular pensando no que tinha acabado de acontecer. Eu não estava com o mínimo de medo, apenas curiosidade. Estava me decidindo se ligaria de novo, ou não. Acabei ligando.
- Alô? — Eu perguntei de novo.
- Sim? — A mesma moça respondeu.
- Bom, eu recebi uma mensagem bem estranha desse número. Eu gostaria de saber se quem mandou... — E então fui interrompida pela mesma voz gutural da outra ligação.
- ESCUTA AQUI, SUA PIRANHA! SE VOCÊ É IDIOTA O SUFICIENTE PRA NÃO ENTENDER O AVISO QUE LHE DEMOS, APENAS AGUARDE O PIOR! SUA HORA TÁ CHEGANDO E VOCÊ NÃO TEM PRA ONDE FUGIR. USE SEU TEMPO PRA DESPEDIDAS FOFAS E MEIGAS... PORQUE QUANDO VIER PRA CÁ, TUDO PIORARÁ! HAHAHAHAHAH... — E desligou.
Que conclusões eu tiraria disso? Eu estava ficando louca? Alguém estava tentando me assustar? Ou seria só mais um brincadeira dos meus amigos?
Realmente me assustei um pouco e não me atrevi a ligar outra vez. O que fiz foi apenas voltar ao meu trabalho e ignorar isso.
Mais tarde, depois do jantar, liguei para meus pais para saber se estava tudo bem. Deitada na cama com um livro na mão e a TV ligada, lá fiquei até o sono chegar.
Adormeci.
Pouco tempo depois, me vi em um lugar desconhecido. Logo reconheci que era um sonho. Estava em uma floresta vermelha coberta por sangue e cadáveres por todos os lados. Corpos mortos pendurados nas árvores, balançavam, fazendo o sangue pingar nas folhas. O céu, era como um rio sangrento, que como se fosse chuva, pingava sangue. As montanhas eram cobertas de espinhos enormes. Milhares de pessoas estavam lá espetadas como carne no espeto.
Minhas roupas estavam rasgadas e eu nem queria ver meu rosto. Minha pele, suja e fedendo a cadáver, parecia bem machucada, com cortes e arranhões em toda parte.
Um sujeito apareceu de uma das árvores, enquanto eu observava o local. Ele era enorme, e sua aparência era assustadoramente horrível. Seu rosto era completamente deformado, com vários espinhos e machucados profundos. Sua pele era vermelha, não de sangue. Suas mãos continham garras afiadíssimas, que, em questão de segundos, foram parar em meu pescoço.
- O quê você é? — Eu perguntei com dificuldade, analisando a criatura que me sufocava.
- Eu vim te buscar! — Ele respondeu com uma voz gutural. Igual aquela do telefonema.
Ele sorriu, deixando a mostra seus dentes podres, nojentos e afiados. Me largou e me jogou com força no chão, pressionando minha barriga contra a grama. Eu já estava sem fôlego e senti meu corpo todo dormente. Minhas células estavam prestes a morrer.
Levantando uma das mãos, ele enfiou uma das garras entre meu braço e antebraço, quebrando ossos e tudo o que havia ali. Pude ver o sangue jorrando para fora da pele, e a sensação de dor e agonia ia aumentando cada vez mais. Isso não é algo muito comum em sonhos, mas posso dizer que eu realmente senti aquela dor. Era insuportável.
Quebrando sua garra para deixá-la em meu braço, o mostro, criatura... Ou que quer que fosse... Ria do meu sofrimento. Ele parecia querer mais, olhando para todos lados procurando algo mais interessante. Encontrou um pedaço de madeira afiadíssimo e foi buscar.
Eu fiquei imóvel lá na grama, sem conseguir respirar, mas ainda viva. A dor era absurda, mas eu não podia me mover, muito menos gritar. Tudo o que eu podia fazer, era ficar parada lá, sofrendo e olhando.
Ele voltou, com a estaca de madeira ainda mais afiada. Sorrindo, me disse:
- Abra a boca, vadia! Vamos terminar com isso! — E soltou uma risada.
Por mais que quisesse, eu não conseguia me mexer. Insatisfeito pela desobediência, sem nenhum cuidado, com aquelas mãos nojentas e grandes, ele abriu minha boca com tanta violência que pude senti-la rasgar um pouco. Lágrimas escorreram, e tudo o que eu queria era gritar, pedindo ajuda, ou voltar para o meu mundo. Aquele sonho estava me matando de verdade. Aquela dor não era real.
Com um último sorriso, a criatura pegou a estaca e mergulhou em uma poça de sangue minha. Eu pedia socorro mentalmente, mas nada aconteceu. Para finalizar aquilo, ele levantou a estaca e enfiou na minha boca, atravessando minha nuca e fixando na grama em que eu estava deitada.
Por mais doloroso e pavoroso que fosse, eu ainda estava viva, por alguns minutos. Pude ver seu rosto de prazer. A alegria de ver meu sangue e meu sofrimento estava estampada em seus dentes pontiagudos.
Lá fiquei, morrendo e chorando por alguns poucos minutos, até que minha visão escureceu e eu agradeci pelo fim daquilo.
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