Aos olhos da guerra

13 Cap 10- Celebrações - parte II


Notas iniciais
Manas...n era pra essa parte vir assim...mas ainda n consegui terminar o cap.No entanto, como vou viajar amanhã..preferi colocar o que ja tenho até agora do que demorar uma eternidade pra postar td.( n n vai demorar uma eternidade..tanto q a parte final provavelmente sai semana q vem...mas n dou grantias afinal: Férias.) Enfim..espero que gostem..e keep calm..pq eu prometo me esforçar pra postar o resto o qnt antes!

Gina apertou os olhos para que pudesse se acostumar com a claridade e, quando recuperou a visão totalmente, percebeu que estava novamente no cenário em que voltava toda vez que adormecia.

Parecia um sonho, exceto que sonhos não costumam ter continuações e, por incrível que pudesse parecer, todas as vezes que ela se aninhava na cama de Ferdinando e descansava a cabeça no peito dele, acordava nesse campo florido que mais parecia o paraiso e não um devaneio qualquer.

Lembrava-se que, da primeira vez que estivera ali, desconfiou que tivesse voltado alguns anos no passado ou que tivesse acordado do pesadelo do esquecimento. No entanto, não saber onde estava exatamente não lhe davam a credibilidade de estar recuperada.

Olhou em volta a procura da pessoa que sempre lhe acompanhava e sorriu ao encontrar os pezinhos descalços evidenciando a presença da garota escondida atrás de uma árvore.

As risadas de criança faziam com que seu coração se aquecesse de algum sentimento bom e ela resolveu acabar com todo esse disfarce.

–Saia dai! Oce não sabe se esconder!

A garotinha que surgiu mais parecia uma boneca de porcelana. Tinha a pele branca feito algodão, as bochechas denunciavam algumas pequenas sardas que eram escondidas pelo tom rosado que as vezes lhe dominava a face. Os olhos eram grandes e azuis como duas pedras de safira e os cachos definidos ganhavam um tom acobreado quando tocados pelo sol.

A menina sempre vestia roupas de princesa mas preferia a liberdade dos pés livres. Um contraste que a fazia imaginar a luta que os pais tinham de lhe colocar os sapatos.

–Oce chegou cedo hoje.

Gina apenas sorriu enquanto a menina, como de costume, a pegou pela mão e a conduziu por um passeio pelo local. Ambas, de mãos dadas, caminhavam despreocupadamente. Apenas inalando o cheiro do mato e se deliciando com ele.

Apesar da manhã bonita e o céu sem nuvens, o clima estava agradável para um dia de verão.

–O que vamos fazer hoje?- A ruiva interrompeu o silencio e procurou entender qual a brincadeira do dia.

–Acho que oce podia me ensinar alguma coisa que aprendeu quando tinha a minha idade

Gina parou. Olhou nos olhos da garotinha e buscou encontrar ali alguma lembrança do seu passado.

–Eu acho...eu acho...- a calma que emanava dos adoráveis olhos azuis dela a dominou e ela recuperou uma parte de si..esquecida a algum tempo.

–Eu acho que posso ensinar oce a fazer um estilingue.

A garota sorriu e comemorou com alguns pulinhos contagiando Gina com a energia necessária para manter-se confiante.

*

Era tão bom acordar e ve- la descansar em seus braços. A respiração amena, os braços ao redor do seu corpo, o rosto tão próximo do seu, as pestanas longas e curvas que protegiam seus olhos e aquele sorriso tranquilo que, ele tinha certeza, só surgia nos dias em que ela cedia e lhe pedia abrigo durante a noite.

Os dias passavam e ela, cada vez mais, amanhecia em seus braços. No começo ele pensou ser um sonho...pois ela vinha no meio da noite e ia muito cedo pela manhã. Porém o sono prazeiroso a traiu algumas vezes e ele notou cada vez mais ela se aconchegar, e ele passou a espera-la. Dormindo, automaticamente, assim que ela deitava na cama e ele a tomava em seus braços.

Tinha virado um habito seu, desde que casara, admira-la durante o sono. Os músculos relaxados e a serenidade que emava dela o faziam revigorado.

Se sentia extasiado por ser o motivo pelo qual ela dormia tão bem durante a noite.

No entanto, ela quebrou essa calma com sussurros inconscientes. Ja não era a primeira vez que ela tinha o mesmo sonho, o mesmo emaranhado confuso de palavras que ele não conseguia entender.

O que quer que fosse que estivesse sonhando, não era ruim, pois no final ela sempre sorria timidamente.

Tentou, em vão, descobrir o motivo do sonho várias vezes, porém toda vez que ela acordava e o via na cama, suas bochechas explodiam em vários tons carmin e ela saia sem dizer uma palavra.

*

Gina ainda não tinha certeza sobre o lugar em que estava, o porque de sempre aparecer ali e muito menos por que estava brincando de fazer estilingue com a menina a sua frente.

–Terminei!

A garotinha dos cachos ruivos disse enquanto levantava os grandes olhos azuis para observa-la e sorrir...aquele sorriso.

A moça sentiu um arrepio involuntário derivado do sorriso, ja que não havia brisa nenhuma.

Balançou a cabeça firmemente e , fez a pergunta que a dias tentava fazer.

–Oce não tem nome não menina?

A garota largou o estilingue, franziu a testa e começou a bater levemente o dedo indicador no queixo. A expressão concentrada da menina a fazia rir. Parecia realmente um pequeno adulto buscando uma resposta para um grande problema.

Por fim ela deu de ombros e voltou a atenção para o mais novo brinquedo.

– Eu não sei.

–Ara...mai como não sabe?!

– Meus pais não tiveram muito tempo de me dar um nome.

–Quer dizer que oce não conhece seus pais?

–Nãoooo!- a pequena balançou a cabeça negativamente de forma firme. – Eu conheço sim! E os amo muito!

–E por que não está com eles?

–Por que não me foi permitido....assim como não é permitido que ocê fique aqui.

– Isso quer dizer que devo ir embora?

A menina apenas fez beiço e balançou a cabeça afirmativamente. Estava claramente chateada.

Era estranho mas Gina sentia que abandonava algo importante toda vez que ia embora.

A pequena se aproximou e depositou um beijo em sua bochecha fazendo com que a ruiva fechasse os olhos para o sonho e os abrisse para realidade do marido lhe beijando a mesma bochecha.

Ferdinando sentiu que o corpo da esposa ficou tenso e desconfiou que ela havia acordado.

Tentou a tática da naturalidade para não desencadear a fúria da esposa logo pela manhã.

–Bom dia menininha.

Gina ainda estava confusa e parecia olhar para os mesmos olhos que a acalentavam a alguns segundos atrás.

O sorriso dele se abriu e pareceu um espelho daquele observado a pouco nos lábios da garotinha dos seus sonhos.

Ele aproveitou a maneira como ela parecia estar tentando assimilar tudo, para deslizar a costa dos dedos no rosto da amada. Colocou uma mecha de cabelo caída, para trás da orelha dela e beijou a ponta do seu nariz.

A moça pareceu despertar de vez, levantando-se rapidamente e fechando a porta em um estrondo.

–Muito bem Ferdinando...como sempre estragando tudo- o rapaz murmurou para si mesmo. Teria que tomar cuidado se quisesse que as surpresas do dia seguinte fossem um sucesso.

*

Catarina observava sua sala de jantar ser transformada em uma sala de repouso. Várias macas de hospitais vizinhos chegavam a todo momento, Amancia ja havia deixado de ser a cozinheira da casa para ser a cozinheira dos enfermos que logo chegariam, Pituca e Serelepe tentavam ajudar mas sempre eram impedidos pelos adultos que voltavam a afirmar que aquilo era coisa de gente grande.

A vila toda estava mobilizada e auxiliava da maneira que era possível. Algumas viúvas e jovens aprendiam, com mãe Benta e Renato , a fazer curativos básicos e as práticas de primeiros socorros. Seriam as novas enfermeiras. Os senhores se mobilizavam, cientes que poderiam ser requistados para garantir a proteção do local e das pessoas.

Todos mobilizados em prol de um bem maior. A saúde e a segurança daqueles que ainda estavam vivos. Para alguns, solidariedade pura, para outros como Epaminondas, uma forma de lembrar a memória do filho de forma honrosa.

Renato, por sua vez, via a chance perfeita para trazer os amigos para o convívio de seus familiares sem que houvesse suspeita de deserção por parte do exercito. Sabia o quanto isso ia ser determinante para a recuperação de todos, sem execessões.

Porém, enquanto não os retirasse de la, não poderia correr o risco de contar a situação a ninguém, por mais que lhe doesse ver as olheiras de Epaminondas, os olhos vermelhos de Catarina e as expressões tristes de Pituca e Serelepe.

–Quando que o doto acha que os doentes vão chegar?- a voz de Catarina era vaga. Nem parecia a espalhafatosa senhora de expressõe dramáticas e teatrais. A senhora Napoleão não tinha um pingo de cor no rosto que um dia fora tão bem maquiado. Não usava peruca, apenas o cabelo amarrado em forma de trança e as roupas pretas, assim como a de todos naquela casa, evidenciava que o luto ainda estava sendo guardado.

–Bem, eu espero que as ambulâncias que solicitei em uma cidade vizinha cheguem amanhã no final da tarde. Portanto, penso que em 2 dias os teremos aqui.

–Ta certo. Oce me diga se houver mais algum argo que possamos fazer.

A mulher ia se afastando quando Renato não se controlou.

–Madame.

Ela se virou e o olhou com olhos de perda.

Renato pensou muito bem no que ia dizer. Não podia se arriscar. Ainda tinha um soldado o acompanhando ja que deixara Viramundo no posto.

–Pode deixar que eu aviso.

Ela afirmou com a cabeça e se retirou.

Renato desceu as escadas e encontrou Epaminondas no escritório. Precisava avisar sobre a chegada das ambulâncias.

Bateu na porta apenas uma vez e o encontrou encarando o horizonte. A plantação de trigo quase abandonada denunciava a renuncia de vida do coronel.

–Oce sabe doto...nem em meus piores pesadelos eu pude imaginar uma dor tão grande.

O médico engoliu em seco. Sabia que podia terminar com essa dor imediatamente. Sabia que podia dar a um pai a alegria de saber que o filho não morreu.

–Ele sempre foi um garoto especial...O meu filho. Desde que a mãe dele morreu, eu não fui a mesma pessoa, sabe, mas ele...ele continuou forte...na verdade ele sempre foi mais forte do que eu. Ele tinha a inteligência da mãe e o meu gênio, sem dúvida nenhuma. Aparecia com cada ideia na cabeça, e eu..fui tão injusto...tão injusto com ele tantas vezes.

A voz de Epaminondas estava claramente embargada. Renato não podia ver, mais apostava que grossas lágrimas estava escorrendo dos olhos murchos do senhor a sua frente.

–Ele é e sempre será o meu melhor amigo, coronel, e não tenha dúvidas de ele... ele ama o senhor como somente um filho consegue amar um pai.

–E de que adianta? Se ele morreu! Morreu e me levou junto. Por que a dor que eu sinto doto...a dor que eu sinto é a da morte certa que me cerca a cada lembrança que se esvai com o tempo. Me seca a alma, e me deixa fruto podre que cai depois de ser consumido pela culpa.

–O senhor não tem culpa da guerra ter acontecido.

–Mas eu tenho culpa de tantas outras coisas...maiores até que essa maldita guerra.

–O senhor não tinha escolha coronel

Epaminondas balançou a cabeça negativamente e olhou para o chão.

–Escolha...eu tive várias escolhas na vida e rumei em direção errada na maioria delas..foi assim no dia em que o expulsei de casa, nas brigas sobre politica, e na teimosia de não aceitar a Gina como nora. Escolhas que só o machucaram...

–Mas o senhor as concertou depois..

–Um coração, dotô, é que nem papel. Que depois de ser amassado..mesmo que se tente torna-lo liso novamente, não se consegue. Eu o machuquei tanta e diversas vezes que o meu castigo esta sendo continuar vivendo. E eu não desejo esse destino a ninguém...esse fado de viver a morte de um filho.

Renato engoliu aquele discurso com um aperto dilacerante no coração. Precisava aliviar aquele sofrimento, mas antes que pudesse dizer alguma coisa, ouviu-se uma batida na porta.

–Entre – a voz firme do coronel tinha tons de tristeza extrema.

–Desculpe Coroner...mas o seu Pedro está ai e quer lhe falar.

–Certo. Agradecido Amancia.

Epaminondas enxugou as lágrimas com as costas das mãos e virou-se para Renato.

– O dotô precisa de alguma coisa?

O médico apenas se levantou e resolveu sair antes que desse com a língua nos dentes.

–Não coronel, eu só vim lhe dizer que as ambulâncias chegam amanhã.

–Está certo então.

Renato saiu da sala e encontrou , em seu caminho, um Pedro Falcão tão abatido que maumente o cumprimentou.

O jovem sabia, uma palavra sua e toda aquela tristeza ia embora...mas também a mesma palavra que traria felicidade poderia trazer a morte dos amigos.

*

Zelão observava a lareira. Ouvia calmamente as chamas consumirem a madeira até que nada restasse. Até que as cinzas fossem as únicas resultantes daquela paixão.

Talvez se reconhecesse nesse ato. Consumido por um amor tão forte que o tornou cinza de si mesmo.

Cada minuto de seu silencio era dilacerante em sua alma. Silencio que ele insistia em manter pois se desse voz aos pensamentos, talvez não sobrasse sanidade.

Era então como o fogo, imponente até que o oxigênio lhe retirasse as forças. Se colocassem uma redoma de vidro na lareira, poderia então visualizar sua vida perfeitamente.

Ele, fogo, perdendo as forças para uma adversidade. Deixando calado a razão de existir. O amor puro que o queimava, extinto em breves segundos de pedidos por clemênica. Suplicas silenciosas o sufientes para não serem ouvidas e portanto, não atendidas.

A mente poderia continuar criando muitos outros cenários tão deprimentes quanto este, porém os passos firmes de alguém o despertaram para a realidade que o cabia.

–Nunca pensei que uma convivência entre nós quatro poderia ser tão silenciosa.

Zelão sorriu e observou o amigo sentar no sofá, ao lado de onde estava localizada sua cadeira de rodas.

–Talvez por que não somos os mesmos de antigamente.

Ferdinando notou que , sem querer, tornou o assunto mais difícil.

–Me desculpe, meu amigo eu não queria...

–Tudo bem. Não se desculpe...o que eu não preciso agora é de desculpas, ou de ser tratado como se nada tivesse acontecido,

–O que quer dizer?

–Quer dizer que não preciso ser lembrado constantemente de minhas condições.

–Oce ta falando da Juliana?

–Eu to falando de tudo. Ou oce acha que eu não reparo que a Gina me olha de longe se perguntado o que deve falar ou a Juliana tem algo preso na garganta mas toda vez que me olha seus olhos se enchem de pena ou qualquer outro sentimento que a impedem de me revelar o que realmente ela esta pensando.! O que me incomoda, Ferdinando, é todos agirem como se nada estivesse acontecendo, quando o que eu preciso mesmo é falar sobre isso.

–Entendo. A Gina está em uma situação delicada e bom, não podemos julga-la...mas sobre a Juliana eu não sei bem o que lhe dizer.

–Eu estou aleijado Ferdinando. Eu nunca mais vou poder andar. Eu não vou poder dar uma vida digna a mulher que eu amo. Eu não vou poder ter meus fio e tudo o que a Juliana pergunta é se eu quero manga no café ou como eu quero o meu chá. Eu estou preso Ferdinando. Todos sabem. Mas todos forçam uma naturalidade que não existe.

O engenheiro ouviu atentamente o capataz. Fazia um tempo que não tinha um momento de cumplicidade com o antigo amigo de infância.

–Eu...não sei o que lhe dizer.

–Oce ja faz muito me escutando.

–Oce ja tentou falar isso pra Juliana?

–Não.

–Ara..e porque não fala?

–Por que eu temo que no dia em que eu falar...seja literalmente o fim de tudo.

–Mas é so uma conversa..oce não precisa terminar um casamento assim.

–Não vai ser só uma conversa meu amigo. Vai ser uma escolha. A escolha que eu vou tomar e que ela vai ter que aceitar.

Ferdinando se calou. E como o amigo, passou a observar a lareira. Ambos sabiam que a conversa haveria de ter um destino apenas: ou selaria um amor eterno, ou sepultaria uma paixão jovem.

Zelão iria por a prova a redoma de vidro que se encontrava...ou explodiria o vidro...ou se deixaria calar por ele.

*

Mais uma vez , Gina vagava pelo jardim dos sonhos. Pousou assim que os olhos descansaram e o corpo sentiu os braços do marido a envolverem.

Em outros tempos, fugiria em disparada após o ato. Mas esse mesmo tempo a fez perceber o quanto precisava dele para dormir tranquilamente.

A ruiva observava que o local estava coberto de neve e que sua simples camisola de algodão era inapropriada para a estação que envolvia o sonho. No entanto, apesar da grande quantidade de neve e nenhum sol, a moça não sentia frio algum.

Iria continuou a caminhar até que sentiu um leve puxão na manga comprida da camisola.

–Oii!!

Gina sorriu

–Ara...dessa vez quem ta atrasada é oce.

A garota sorriu e correu alguns metros a sua frente.

–Ei...perai...

As duas começaram um pique e pega no meio da neve. Gina ria como nunca mais tinha feito. Não demorou muito para que a guerra de bolas de neve começasse e elas se rendessem depois de perderem o folego para as risadas.

–Isso foi muito divertido

–Foi mermo parece até o dia em que eu e o Ferdinando saímos jogando neve um no outro e então...

A ruiva parou a meio caminho da frase. Por um momento pareceu reviver todas as cenas passadas ali. O gelo derretendo sobre eles. As conversas sobre um futuro que ela desconhecia até então, mas que pouco a pouco ia se colorindo e se revelando verdadeiro.

Acordou da lembrança e encontrou a garotinha a encarando com um sorriso contagiante no rosto.

–O que oce ta rindo?

–Eu to rindo d’oce..que de repente ficou ai com essa cara de apaixonada...

–Que apaixonada o que...

–Ara...se não é verdade...por que que oce ta vermelha assim ó – a garota prendeu um pouco a respiração e falou com o bico dos lábios, fazendo com que sua voz soasse ainda mais infantil: com cara de tomate!

–A é?! Oce vai ver quem tem cara de tomate!

A ruiva se pois a fazer cocegas na pequena e as risadas da criança a fizeram voltar novamente no tempo.

Lembrou-se das brincadeiras com Lepe e Pituca, das mesmas cosquinhas que ela e os cunhadinhos tentavam fugir mas que sempre eram capturados pelas mãos ágeis do engenheiro.

Ela parou e ouviu a garota para de rir para questiona-la mais uma vez.

–Oce ta triste?

–Eu não sei.

–Eu acho que oce ta com saudade.

–Mas do que?

–De tudo o que oce ta lembrando ara...

–Me diga uma coisa...por que que eu sempre venho pra ca?

A menina apenas revirou os olhos como se a pergunta não tivesse cabimento algum.

–Por que sou eu que vou lhe ajudar a lembrar de tudo...não é óbvio ? E eu devo admitir que minha missão até agora tem sido um sucesso não é mermo?

–É sim...mas é que...eu não tenho certeza se quero lembrar.

A cara de espanto da garotinha fez com que Gina sentisse um nó na garganta. E de repente a menina estava pousando as mãozinhas delicadas em seu rosto e olhando em seus olhos.

–Oce tem que lembrar...ele precisa de oce...- a voz de suplica a fazia temer por algo que ela desconhecia.

–Ele? Ele quem?

Nesse momento a neve começou a derreter. E o sol pareceu despontar no horizonte. Juntamente com o sol, Gina conseguiu distinguir o cheiro de rosas...um cheiro delicioso que a fazia despertar.

Gina se levantou e tentou procurar a origem do perfume.

–Oce ta sentindo cheiro de rosas?

A menina apenas sorriu, juntou aos mãozinhas e deu alguns pulinhos.

–Ah! É!! Parabéns!

–Parabéns?

–Oce vai ver...

–Isso quer dizer que eu devo ir?

A menina balançou a cabeça e a abraçou até onde conseguia. Ela devia ter a idade de Pituca e conseguia ser um pouco mais alta, mas não o sufiente para alcançar-lhe a cintura, sendo assim, Gina abaixou-se para que, o abraço que estava sendo dado em suas pernas, passasse a ser de fato um abraço.

–Oce promete que volta? Volta pra me ver? – o pedido infantil fez Gina desejar nunca abandona-la.

–Claro que sim...afinal..eu acho que tenho muito o que lembrar, não?!

E foi nesse breve momento em que fechou os olhos, que um forte vento soprou e trouxe o aroma de rosas ainda mais forte para junto de si.

Gina despertou de forma tranquila e logo percebeu que estava sozinha na cama.

Como poderia se não se lembrava de ter voltado para sua cama?

Foi então que observou um caminho pétalas de rosas, que começava do lado em que ele deveria estar dormindo, para fora do quarto.

Caberia a ela descobri onde aquela trilha iria parar.

Um sorriso automático lhe enfeitou a face ja que ela ja suspeitava quem fora o responsável.

Levantou-se rapidamente e apenas colocou um ropão que , claramente, pertencia ao antigo dono da casa e que , no momento, estava sendo utilizado pelo engenheiro.

Seguiu as pétalas de rosa por quase toda a sala, até encontrar que elas terminaram em uma porta. Porta essa, que ela tinha visto apenas uma vez e que dava para uma jardim de inverno vazio.

Encostou a ponta dos dedos na maçaneta e respirou fundo. Lembrou-se da garotinha que incistira tanto para que ela não abandonasse suas memórias e resolveu continuar.

Ao abrir a porta, Gina sentiu seus olhos inundarem com lágrimas que ela se recusou em deixar cair.

–Bom dia menininha!

Ele estava ali. Vestido com apenas uma camisa larga e alguns botões abertos. A calça escura e os pés descalsos.

A sua frente uma toalha estendida com vários quitutes que ele mesmo havia preparado. E , ao seu redor, um jardim belíssimo. Ela não podia acreditar que ele tinha feito tudo isso por ela. Aquele lugar que antes era vazio e mórbido, e por isso ela evitava tanto, agora estava cheio de flores e vida. Algo tão bem trabalhado e delicado que até alguns pássaros ousavam passar por ali e despertar ainda mais encantamento no lugar.

Ela o viu se levantar e estender a mão em sua direção.

A ruiva não duvidou nem por um segundo. Depositou a mão na dele e sorriu ao ve-lo beija-la delicadamente.

–Parabéns, meu amor!

–Ferdinando...o que ta acontecendo?

A moça estava perdida mas não arredia e isso o fazia mais calmo.

–Esse, meu amor, é o seu jardim.

–Mas não tinha nada aqui...como que oce fez tudo isso?

–Bom...eu não precisei de muita coisa...a terra era muito boa, só estava mal cuidada, e eu consegui um bom material andando por ai...

–Oce saiu sozinho de novo?- os olhos se arregalaram e ela notou que ele chegou mais perto para que pudesse sussurrar em seu ouvido.

–Não se preocupe, eu tomei cuidado.

Ele a beijou na bochecha e ofereceu o braço para que ela pudesso acompanha-lo até o pic nic.

Para a surpresa do engenheiro, a ruiva não relutou e apenas o seguiu , com o braço entrelaçado ao seu.

–O que estamos comemorando exatamente?

–Os nossos 3 meses de casados. Olha eu sei que oce não se lembra mas..

A moça parou de caminhar e o olhou nos olhos. Ele viu medo mas também certeza. Ela exergou amor e uma quantidade significativa de esperança

–Tudo bem Nando...eu...eu quero lembrar...de verdade.

Os olhos dela pousaram no chão e ele não pode deixar de sorrir pela timidez característica de uma Gina que ele tanto lembrava e queria de volta.

–Oce não sabe...o quanto me faz feliz dizendo isso Gina.

O rapaz ergueu o queixo da esposa com a ponta dos dedos.

–Nós faremos isso juntos...e com calma.

O jovem depositou um beijo calmo na testa da esposa e voltou a conduzi-la para o café que os esperava.

Notas finais
Antes q eu me esqueça: 1- gnt..é guerra... se ela acabar...a fic acaba...se bem q ela ja ta acabando msm 2-Perdas de memória não são q nem filme q voltam em 2 ,3 dias...(é uma neurocientista q vos fala). Não posso ir contra o meu próprio conhecimento. As lembranças, mtas das vezes acontecem de forma gradual...como vem acontecendo na fic. E até os sonhos ajudam. Pode ser q o paciente recupere todas as memórias ao longo da vida...e pode ser que não... Duvidas, Reclamações, criticas, elogios... tds serão super bem vindos!!=)