Aos Olhos de Alice Houston

1 Capítulo 1- Como coisas mal contadas.


"Ser Feliz é fácil, o medo é que não nos deixa ser."

Acordei olhei para a janela. Era madrugada. Olhei para o relógio, eram 3h21min. Deveria, eu, ter acordado somente às 8h30min.

Como todos sabem, e como a maioria dos livros juvenis, começam no primeiro dia de aula e esse não será diferente. Levantei-me da cama, e me troquei, mas tinha algo errado... Aquele não era meu quarto.

Eu estava em um lugar diferente, não sei como explicar por que as luzes estavam apagadas. Comecei a andar e pisei em alguma coisa, fez um barulho estranho como naqueles filmes, onde a pessoa está perdida e se levanta procurando alguma coisa. Esse era o problema, eu sabia que conhecia aquele lugar e não estava procurando absolutamente nada. Não entrei em pânico.

Bateram na porta que levemente foi aberta ao lado oposta à cama onde eu estava deitada e ao objeto pisoteado por mim. Afinal, o que era aquele objeto? Era um tipo de plástico amarelo, um objeto que parecia com um barulho de buzina. Abaixei e peguei-o. era um patinho de borracha. Olhei novamente o tal quarto para tentar saber exatamente onde estava e por que o patinho estava la.

Foi quando rapidamente lembrei de que havia gente, não sei exatamente se era gente, mas logo que abriu a porta corri para o banheiro e me escondi entro da banheira fechando a cortina para que a tal “gente” não me visse. Só escutava aqueles passos.

– Alice? Onde está você querida? — uma voz aguda, mas adulta. Parecia mexer e revirar o quarto à minha procura.

Eu ainda estava com o tal patinho nas mãos. Eu não estava tremendo, aliás eu não estava com medo, nunca tive medo de pessoas, agora a questão é... Será que são pessoas?

O Patinho começou a brilhar com uma luz azul saindo pelos pequenos olhos, que se escondiam atrás do bico laranja. Toquei-o com a intenção de que alguma coisa acontecesse, mas eu estava errada, pois nada aconteceu.

A mulher de voz aguda me chamou novamente.

–Alice? Querida já se arrumou? Você tem aula hoje! — Sinceramente, se eu tivesse uma mãe ela, com certeza, não teria essa voz de taquara rachada.

Estava eu na banheira, com a cortina fechada. Foi quando reparei mais neste banheiro. Em cima da minha cabeça umas gotas caiam do chuveiro. Olhei para o lado esquerdo havia uma saboneteira. Mais à cima tinha uma janela meio aberta, cheguei à um ponto de querer fugir mas aquele pouco espaço aberto da janela tinha uma corrente. Continuei com o patinho dos olhos brilhantes em minha mão. Abri um feixe da cortina da banheira e reparei que eu não havia fechado a porta. À direita da banheira o vaso sanitário parecia velho e sujo, como os azulejos que revestiam o próprio “refuljo improvisado de Alice”. Do lado do vaso, havia uma pia com um armário de objetos de higiene pessoal, em cima da pia um espelho que parecia mofado e enferrujado nas bordas por conta do vapor da água quente que saía do chuveiro.

Rapidamente olhei para a porta, dava pra ver a porta que entrava para o quarto. As luzes do quarto estavam acesas por conta da tal mulher estar me procurando em meio às desarrumações do quarto (ainda bem!), foi como disse não estou com medo dessa mulher, estou com medo de que ela não seja uma mulher.

A porta estava com o rastro de luz batia em meus olhos, que estavam atrás da cortina da banheira, a “mulher” passou e me viu na pequena abertura. Por um mísero segundo rezei para não existir. Com razão, aquela com certeza não era uma mulher.