Aos Olhos de Alice Houston
2 Um papo com a C4
Poderia ser algum tipo de rosto humano, mas hibrido com vários tipos de animais. Consegui identificar alguns como Cobra, Cabra, Coruja e Cavalo (C4). Vi somente o rosto, e com certeza não gostaria de ver o que poderia, por um acaso, o corpo.
De acordo com as historias de terror contadas pelos chefes de escoteiro, em rodas em volta das fogueiras com cantoria. Aqueles tempos, eu particularmente gostaria de viver, sendo escoteira e fazendo acampamentos com meus amigos e colocando marshmallow na fogueira. Adoraria viver isso, mas depois de ver a terrível e vil criatura tentando esconder o resto do corpo atrás da pequena abertura da porta, nunca mais pensamentos em escoteiro viriam à minha mente.
A “não mulher” me olhou fixamente com ar de assassina e logo em seguida deu um sorrisinho falso e fútil.
– Querida Alice, onde você estava? –Ela disse como um vilão de historias em quadrinhos se preparando para o ataque.
– Quem é você? Ou melhor, O que é você? –Segurei o patinho de borracha com mais força ainda preparada para jogar nela, mesmo sabendo que um patinho de brinquedo não faria desmaiar, ou ficar cega nem nada, mas era a única coisa que eu tinha em mãos. Eu estava em pé, na banheira. Fiquei com medo de escorregar no azulejo, foi quando de repente alguma coisa dentro de mim, me disse que eu não deveria jogar o tal patinho de brinquedo.
– A sua mãezinha não te ensinou a respeitar os mais velhos? Ah querida Alice... –Ela continuou a falar, mas eu não prestei muita atenção, aliás eu estava olhando para todos os lados arranjando uma forma de sair daquela maldita banheira sem que a C4 pulasse em cima de mim e me matasse.
Comecei a ficar com medo, nunca passei por uma situação dessas, não que eu me lembre. Foi quando eu percebi que alguma coisa do lado de fora da pequena abertura da janela estava tentando chamar minha atenção. Percebi também que a corrente que prendia a janela não estava mais lá, ou seja, conseguiria sair, mas eu deveria pensar em alguma coisa para distrair a C4. Foi quando eu novamente prestei atenção nas palavras dela.
–... Quando seu amiguinho Will, foi até sua humilde casinha lhe fazer uma visitinha, ele me disse que você estava aqui, mas é claro que... -Ela parou de falar e percebeu que eu estava ligada demais no assunto.
–Quem é Will?
–Como assim ‘Quem é Will’? Seu querido amiguinho que te deixou para trás no dia em que tudo aconteceu. –Fiz uma cara de duvida e ela ficou mais irritada do que quando descobriu que eu estava escondida atrás da cortina da banheira.
–Eu não sei do que você está falando.
–Claro que sabe! Aliás, quem te trouxe aqui?
–Estou lhe dizendo que não faço ideia do que você está tentando me dizer. Não sei quem é Will, não sei quem é você, e não sei quem foi que me trouxe aqui. A única coisa que eu sei é que eu acordei e por míseros segundos você está me fazendo essas perguntas que, se você não sabe responder, muito menos eu. E...
–Cale-se Alice! –Ela gritou me interrompendo –Querida muitas pessoas iguais a você já fizeram esse truque comigo, e eu infelizmente cai, você não sairá daqui viva. E isto é só um aviso.
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