Aos 16
19 Capítulo XVIII - Sexta-feira à noite
Notas iniciais
Meu estoque de base, corretivo e pó estava quase no fim, e eu não conseguia esconder esse roxo embaixo do meu olho esquerdo, me olhei uma ultima vez no espelho, calça jeans, regata desfiada com a bandeira do Estados Unidos, jaqueta jeans e all star, meu cabelo estava solto e a maquiagem simples. Eu não sabia o que usar nessa festa, então optei por algo confortável e espero realmente não passar vergonha por isso.
Olhei o relógio de pulso e segui para sala, eu não via a hora de tirar minha carteira de motorista.
– Mãe estou pronta.
– Certo. – ela se levantou e seguimos até o carro.
Minha mãe estacionou um esquina antes da casa de Clara, como era um condomínio fechado não havia perigo de eu ir caminhando o resto do caminho.
– Onze horas Lise. – lembrou-me D. Liana.
– Ok, mãe.
– Tem certeza que não quer que eu venha te buscar?
– Não precisa, vou de carona, não se preocupe.
Claro que eu não iria pegar carona, a ideia era ligar algumas horas depois e dizer que dormiria na casa de Clara.
– Ok, confio em você, qualquer coisa me ligue, e não faça nada que eu não faria. – sorriu da própria piada e eu revirei os olhos.
A casa de Clara era enorme, do lado de fora já podia se ver a modernidade, como era condomínio, todas as casas eram padronizadas. Toquei a campainha e esperei alguém me atender.
– O que você está fazendo aqui?
De todas as pessoas para abrir uma porta, tinha que ser logo ela? Cassandra. Não tive tempo de responder, porque Clara apareceu na porta com um copo de cerveja na mão.
– Lise. – me abraçou, ela já estava bem alegrinha. – Você demorou, vamos entrar.
– Nem pensar. – interviu Cassandra.
– Irmãzinha, a festa é minha e entra nela quem eu quiser. – sua voz era de autoridade.
– Eu vou contar a sua mamãe e ao meu papai sobre a festa.
– Vai em frente e eu digo que a ideia foi sua.
Clara pegou em minha mão, empurrou Cassandra que barrava a porta e entrou, me puxando para os fundos da casa. A casa estava lotada e gente, tanto dentro como fora e reconheci muitos alunos do SM, haviam vários garotos que aparentavam estar na faculdade e outros que não estudavam no Santa Mônica. Pena que Monique não viria, recebi um sms horas antes dizendo que eu não contasse com a sua presença.
A musica era alta e Clara logo me puxou para dançar numa roda de gente que se esfregava, ela me entregou um copo de cerveja que bebi de uma vez e continuamos dançando, Clara estava um pouco embriagada e pelo modo que estava agindo, álcool não era a única coisa que ela tinha no seu sangue.
– Onde estão seus pais? — gritei para ser ouvida.
– Viajando. — gritou feliz jogando os braços para cima.
– Posso dormir aqui? — do jeito que eu estava bebendo, não seria uma boa ideia voltar para casa.
– Não só pode como deve.
Mark logo se aproximou e os dois começaram a dançar, Nate também apareceu, mas sai indo em direção a uma mesa com várias bebidas, eu estava suada e com a boca seca, peguei um copo e enchi de cerveja do enorme balde disponível ao lado.
– Oi. – uma voz rouca chamou minha atenção.
Eu já sabia quem era, mas eu queria ter certeza, então virei o rosto em sua direção, tentando entender o porque dele estar sendo tão sociável.
– Oi. – disse desconfiada. – Você seria a ultima pessoa que eu pensaria encontrar aqui.
– Ou eu vinha, ou minha irmã viria sozinha. – deu de ombros.
– Está bancando o irmão mais velho. — ri.
– Mais ou menos. – fez uma careta. – Preciso ficar de olho nela.
O olhei curiosa. Ele estava conversando comigo? Ele me olhou e logo seus olhos expressaram arrependimento.
– Desculpa.
Ok, para tudo, Ian estava se desculpando?
– Certo, agora já deu, o que você fez com o verdadeiro Ian? – perguntei assombrada. Ele riu. — Você é bipolar? – eu precisava arrumar uma resposta.
Ele não só riu agora como gargalhou.
– Não, só estou sendo educado.
– Eu sei o que você está tentando fazer.
– Sabe? — perguntou com um sorriso de canto me encarando, ele se aproximou, me afastei.
– Sei sim. – olhei ao redor procurando o alvo. Nate estava do outro lado perto da entrada da casa e nos observava, mas ele não era o único, um pouco mais distante dele estava Cassandra com algumas amigas e uma delas era Lili, e pela sua cara eu podia jurar que ela estava tramando um assassinato. O meu. Senti uma mão alisar meu braço e olhei para Ian.
– Você não sabe de nada Lise.
Bebi minha cerveja de uma vez só, já era a quarta, mas eu não me importei, vi quando Cassandra saiu de seu lugar e começou a se mover em nossa direção, acredito que Ian também percebeu, porque ele me agarrou pela cintura e me beijou, travei, mas aos poucos cedi, ele beijava bem.
O beijo era doce e suave, meu coração acelerou, minha respiração ficou cada vez mais inconstante e por mais que eu não quisesse comparar, beijar Ian estava sendo mais prazeroso do que beijar Nate. Pensar em Nate me fez lembrar que tudo o que Ian estava fazendo era me usar, ele queria atingir Nate e ser usada dessa maneira era inadmissível para mim. Me afastei revoltada e dei um tapa em sua cara.
– Eu não quero fazer parte dos seus joguinhos. Eu não sei o que rolou entre você e o Nate, mas não me use para irritá-lo, isso eu não vou permitir, não sou brinquedo.
– Lise... – não lhe dei ouvidos e sai em direção a piscina, havia uma saída que ficava na lateral da casa, eu estava muito irritada, queria ir pra casa, ainda estava cedo e dava para pegar um ônibus, só não ia ficar e participar dessa loucura, estava tão perdida em pensamentos que não vi quando uma maluca me empurrou, nos jogando dentro da piscina.
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