Aos 16
20 Capítulo XIX - Sexta-feira à noite
Notas iniciais
Eu tentava respirar, mas duas mãos seguravam minha cabeça para que eu continuasse imersa na água, estava quase perdendo o fôlego, quase sucumbindo a escuridão, quando outras duas mãos me agarram pela cintura e me tirou da piscina.
– Me solta. – disse voltando a realidade, cuspi a água que tinha engolido e vi Cassandra do outro lado da piscina toda molhada sendo segurada por Nate. – Eu vou matar você sua loira oxigenada. – fiz menção de ir até ela, mas Ian me segurou novamente pela cintura, me arrastando para fora dali.
– Ninguém vai matar ninguém esta noite. – suas mãos me apertavam mais enquanto eu me debatia tentando me soltar.
– Você viu o que ela fez. – tentei argumentar. – Ela queria me afogar.
Ele nada disse, apenas entrou dentro do banheiro mais próximo comigo e nos trancou lá, ficando em frente a porta. Ele me soltou, tentei passar por ele, mas era impossível, eu estava revoltada, aquela maluca quis me matar, ela vai ter o que merece, ah vai.
– Deixa eu sair. – gritei.
– Nem pensar.
– Sai. – me aproximei para afastá-lo, mas o garoto era uma muralha, segurei em seus braços, hum ele malha... foco Lise, você tem uma filha de satã para esmurrar, não pode ficar impressionada com os músculos de Ian. O empurrei.
– Você não vai sair daqui até se acalmar.
– Isso é o que vamos ver. – bati nele, mas nem assim ele cedeu, claro que doeu porque a cara de dor que ele estava fazendo era muito engraçada, comecei a rir e bati mais uma vez, ele segurou em meus pulsos impedindo meus golpes.
– Chega. – disse aproximando o rosto do meu, prendi a respiração, nosso olhos fitavam um ao outro, meu coração acelerou, meu estômago embrulhou, eu podia sentir o seu halito fresco em minha pele, tive vontade de beijá-lo, mas lembrei que tudo o que aconteceu foi culpa dele, sempre culpa dele.
– A culpa é sua! – gritei com raiva. – Se você não tivesse me beijado nada disso teria acontecido, qual o seu problema comigo? Quer fazer da minha vida naquele colégio um inferno? Parabéns você conseguiu, depois disso Cassandra vai me torturar.
Ele me soltou, seus olhos demonstravam arrependimento, me afastei e sentei no vaso sanitário, eu estava ensopada e com frio, tremi.
– Me desculpe.
– Você anda pedindo muitas desculpas ultimamente. – sorri amargo.
– O que você queria que eu fizesse, Nate pegou a minha irmã de quatorze anos, achei justo tê-la beijado.
– Eu não sou irmã do Nate. – retruquei amarga.
– Não, mas ele está apaixonado por você.
– Apaixonado por mim? Sei, conta outra, se fosse assim ele não teria ficado com sua irmã.
– Olha, eu só vi o Nate agir da mesma forma que ele age com você, só com uma garota, e eu posso afirmar o que estou dizendo.
O fitei, o Nate apaixonado por mim? Fudeu. Não que eu não gostasse dele, mas era muito cedo pra dizer meus reais sentimentos, fora que com toda essa história com a Yasmim, ele perdeu minha confiança.
– Não importa, só não faça novamente.
– Tudo bem.
Ouvimos batidas na porta.
– Quem é? – Ian gritou.
– Abram logo, se não vou achar que estão fazendo mais que conversar aí dentro. – era a voz de Clara, acabei corando com sua insinuação. Ian abriu a porta, quer dizer uma brecha, só para eu não fugir.
– O que é? – perguntou rude.
– Lise está bem? Trouxe roupas secas.
Ian puxou as roupas da mão de Clara e fechou a porta na cara dela.
– Mal educado. – resmunguei, ele jogou a roupa na minha cara, peguei.
– Vista logo, vou te levar pra casa.
– Você sabe que não manda em mim não é?
Ele me olhou torto, e não tive outra opção se não obedecer, me levantei e peguei a roupa que Clara trouxe, era um vestido florido de alças, curto e muito justo, percebi que Ian me observava.
– Vai ficar aí me olhando?
– Você acha que nunca vi uma garota nua?
– Não, mas isso não quer dizer que vou deixá-lo me ver.
Ele revirou os olhos e se virou para a porta, comecei me vestir.
– Eu vou saber se você se virar.
– Você não é tão gostosa assim. – disse e eu podia ver um repuxar em seu rosto, ele estava rindo.
– Você é sempre tão gentil assim com as garotas? – retruquei.
– Só com as bonitas.
Corei. Ele me acha bonita?
– Terminei.
Ele se virou e prendeu a respiração, percebi quando o músculo do seu pescoço ficou rígido.
– Ótimo. – disfarçou. – Vou te levar para casa antes que você queira cometer um assassinato, só preciso achar minha irmã.
Ele segurou em meu braço e abriu a porta para sairmos, aproveitei que ele estava de guarda baixa, o parei ficando em sua frente, ele me olhou confuso, dei um sorriso sarcástico e apunhalei seu brinquedinho com meu joelho, ele gemeu de dor e me soltou, nem louca eu iria embora, eu iria me divertir até não querer mais e com sorte me vingar de Cassandra, eu estava chateada, mas já tinha me acalmado não iria cometer nenhuma loucura contra a Barbie do inferno sem um plano bem arquitetado.
Sai de perto de Ian que me xingava de coisas nada bonitas e me aproximei de Clara.
– Ei, você está bem? – perguntou preocupada, não respondi, apenas peguei o copo que estava em suas mãos. — Lise não. – disse aflita, mas eu já havia bebido todo o liquido.
– O que foi?
– Deixa pra lá. Acho melhor irmos dançar. – ela me puxou para a pista improvisada, não entendi de começo até começar a me sentir tonta, mas mesmo assim não deixei de mexer conforme a música. As coisas pareciam mais leve, eu me sentia mais leve, havia até me esquecido do que ocorrera com Cassandra. Eu me sentia tão livre. E assim foi até eu não perceber mais que a festa havia acabado.
Fale com o autor