Aos 16
42 Capítulo XLI - Guloses
Notas iniciais
— O que você faz aqui Cassandra? – rugiu Ian.
Ela olha de um lado á outro e se vira para ele sorrindo.
— A lanchonete é publica, Ianzito.
— Já falei para não me chamar assim. – deu-lhe um olhar mortal. — E eu não falava do local, mas sim da mesa.
— Só vim sentar com a minha mais nova amiga. – disse me encarando.
Gelei. Essa garota é louca. De onde ela tirou que somos amigas? Eu só dei uma trégua a Cassandra, não minha amizade.
— Ela não é sua amiga e nos não somos seus amigos. – interferiu Ian antes que eu pudesse dizer algo.
— Ah Ian, deixe de ser tão rancoroso, vamos esquecer as mágoas do passado e voltar as velhas amizades. – ela me cutuca. – Com algumas novas inclusas, claro.
— Impossível. – diz, mas ela nem lhe dá atenção.
— Moni, diz pra ele que você sente saudade dos nossos momentos juntos, nós éramos tão ligados. Diz?
— Isso foi antes de você se tornar essa megera. – responde Monique impassível. Posso ter visto de mais, mas acho que vi por um momento saudade em seus olhos.
— Ah gente qual é, eu estou querendo mudar, esquecer o passado, só preciso de uma chance. – ela estava implorando. Cassandra deve ser uma boa atriz, ou ela esta sendo mesmo sincera. Suas palavras aparentavam ser muito verdadeiras. Mas qual era o intuito disso?
Quando Ian falou percebi, ela o queria e usaria todas as cartas que fossem necessárias para tê-lo. Mesmo que tivesse que se humilhar. O que o amor não faz com a gente, mas no caso dela já virou obsessão.
Ian ri seco. – Esquecer? Chance? Você é muito cínica mesmo. Depois de tudo que você fez.
— E o que você fez. Eu também sofri. Mas ao contrario de você eu me arrependi. – disse limpando uma lágrima solitária do rosto. Mas antes que Ian pudesse responder Cassandra grita eufórica, tentando apagar que segundos atrás ela queria chorar. — Oh, olha quem chegou.
Assim que Nate passa por nossa mesa, Cassandra o puxa, forçando-o a se sentar. Ele até tenta resistir, mas ela é bem insistente quando quer algo.
— O que você quer Cassandra? – revira os olhos. Ele estava bem incomodado de estar conosco, e Ian não era diferente ele estava a ponto de explodir de raiva.
— Só estou relembrando os velhos tempos. – diz. Mas Nate não tem chance de responder, porque Ian toma a frente.
— Mas eu não quero lembrar o passado Cassandra, acredito que nenhum dos presentes queira recordá-lo, pelo que sei ele está morto e enterrado. – sua frase tinha um tom melancólico, mas pude sentir o duplo sentido nelas. — Prefiro focar no meu futuro, que é bem longe de você. – Ian diz cada palavra com uma ira controlada, o que me assustou.
O que a Cassandra fez de tão grave para ele? Na verdade para todos ele.
Nate também parece padecer do mesmo mal que Ian e Monique perdida em pensamentos tenta a todo custo segurar as lágrimas.
— Eu não sei qual é a sua Cassandra. Não sei o que você ganha nos fazendo relembrar o passado. – Nate quebrou o silêncio. – Mas eu quero que você fique longe, bem longe de mim.
— Vocês dois são inacreditáveis. – sussurra com raiva. A pose de Cassandra boa e arrependida caiu e a Cassandra mau resolveu dar as caras. – Não querem relembrar o passado, mas cometem os mesmo erros dele. – e me encarou se levantando. — Cuidado Lise. – disse em tom de advertência. – Ele vai quebrar o seu coração, se eu fosse você ficaria longe dele.
— Na verdade, ela tem que ficar longe de você, murderess¹.
Eu não sabia o que essa palavra significava, mas teve um efeito devastador em Cassandra, tanto que ela saiu correndo feito uma louca do lugar soluçando sem parar.
***
Já estava escuro quando cheguei em casa. Não tive coragem de interrogar Ian, depois que Cassandra foi embora, me deixando com uma pulga atrás da orelha, essa história era mais que um simples acabar de namoro, algo grave aconteceu e eu iria descobrir. Ian praticamente surtou e não deu mais nenhuma palavra, Nate sumiu sem ser percebido e Monique segurava as lágrimas que surgiam em seu rosto.
Estava bem desagradável e desconfortável estar com ele nesse momento e quando ele parou o carro, sai rapidamente nem dando tchau, ele também não reclamou e partiu sem nem me olhar. Mas o meu dia não havia acabado, assim que pus os pés em casa, minha mãe me olhou com uma expressão, que meu coração deu um salto de medo.
Eu estava completamente ferrada.
— Mãe. – disse cautelosa.
— Precisamos conversar Lise.
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