Aos 16

43 Capítulo XLII - Entre mãe e filha


Notas iniciais
Maratona 2/4

Minha mãe estava bem séria, e ela só ficava assim quando o que tinha para falar arruinaria uma vida. Como foi com a morte de vovó.

— Tudo bem. – disse e me sentei, jogando minha mochila no chão.

— Onde você estava? – ela não gritou, então eu não estava totalmente ferrada.

— Eu estava com fome e o Ian me chamou para comer alguma coisa.

— Mas você me disse que viria direto para casa.

— Eu sei mãe, mas é que ele foi bem insistente. – na verdade ele não me deu escolha, mas ela não precisa saber disso.

Ela aliviou a expressão do rosto e se sentou ao meu lado segurando minhas mãos.

— Lise, precisamos conversar sobre esse seu namorado.

Certo, agora o assunto ficou sério.

— Pode falar.

— Eu acho que ele não serve para você.

Arregalei os olhos. Como assim?

— Filha, porque você não foca nos seus estudos, você sonhou tanto com essa bolsa e olha o que já aconteceu por influência desse garoto, você brigou com uma garota, coisa que não é do seu feitio, tem mentido e além de tudo não cumpri com sua palavra, ele não é uma boa influência para você.

— Isso é porque a senhora não o conhece direito. – o defendi.

— E nem você. Duas semanas não é tempo suficiente para se conhecer alguém.

— Certo, a senhora tem razão, mas a senhora também não pode tirar conclusões precipitadas em uma primeira impressão. Primeiro, eu não fui para secretária por causa dele, Cassandra que jogou o ponche em mim, ela que me provocou. – eu estava um pouco alterada. Eu sabia que minha mãe não havia gostado dele, só não imaginava que ela iria implicar.

— Sim, mas tudo por causa desse garoto, Lise escute sua mãe.

Suspirei pesado, eu não sabia como convencê-la do contrário e nem sabia o porquê queria tanto que ela desse uma chance ao Ian, esse namoro nem de verdade era, eu podia muito bem fazer meus pais pensarem que nos acabamos e continuar com a encenação na escola, até porque fiz um acordo, mas se eles descobrissem depois que menti, eu ia estar mais ferrada do que agora, então o melhor era continuar com a farsa.

— Mamãe, eu gosto dele. – verdade. — Será que a senhora não podia fazer um esforço e amanhã depois do jantar tirar suas conclusões, posso garanti que Ian é um garoto muito legal... – mentira. — ...a senhora só precisa conhecê-lo.

— Tudo bem, darei uma chance ao garoto, mas se eu souber que você brigou novamente e foi chamada na secretária, e que esse Ian tem algo haver na história, você vai ser proibida de vê-lo.

Gelei com suas palavras, meu coração deu um pulo desconfortável no peito.

— Tudo bem. – as palavras tiveram dificuldade de sair.

Eu não queria deixar de ver o Ian.

***

A conversa com a minha mãe foi bem esquisita. Ian podia não ser o príncipe encantado, estava mais para ogro, mas ele tinha lá suas qualidades. Minha mãe tem razão, Ian não é uma boa influência para mim, isso eu já sabia desde o começo. Mas o problema é, que mesmo que eu queira me afastar, coisa que eu não quero, eu já estou muito envolvida nessa história para parar agora. Estava olhando o teto e tentando dormir, já passava das onze da noite, quando meu celular apitou.

Ian: Desculpe por hoje.

Dei um salto da cama. Ele estava se desculpando por Cassandra ou por ter surtado depois? Quem se importa, não é todo dia que Ian pede desculpas, preciso aproveitar.

Eu: Você não tem culpa.

Ian: Vc está bem?

Eu: Sim ;)

Ian: Ok. Boa noite!

Eu: Boa noite!

Meu coração deu um salto, eu não sabia o porquê, mas fiquei bem feliz por ele ter falado comigo antes da noite acabar, um sorriso se formou em meu rosto e meus pensamentos foram para sábado passado, quando ele cantou para mim. Eu queria tanto que essa declaração tivesse sido de verdade, é uma pena que é tudo uma mentira. Suspirei pesado e me deitei novamente, minha alegria se transformando em tristeza. Eu não posso me apaixonar pelo Ian. Cassandra tem razão. Ele vai quebrar o meu coração.