Aos 16
2 Capítulo I - Novos amigos
Notas iniciais
Os corredores do Santa Mônica são todos parecidos e as salas todas iguais, a secretária disse para eu subir até o terceiro andar, dobrar a direita, que na porta teria a numeração da sala, mas encontrar a sala cinquenta e dois foi difícil, já que parece que ninguém nesse colégio gosta de dar informações e os corredores não têm placas indicando as salas, mas no final terminei encontrando.
A minha primeira aula era financeira, eu não sou fã de matemática, mas minhas notas no meu outro colégio eram exemplares, entrei na sala e me sentei na frente, queria gravar a minha primeira aula na memória. A sala estava um pouco tumultuada, como era o primeiro dia, era normal que os alunos estivessem colocando as conversas em dia e por um momento senti saudades dos meus amigos.
Ao meu lado estava sentada uma garota com o mesmo uniforme que o meu, um terninho azul marinho, com uma camiseta branca e uma saia quadriculada, com detalhes amarelos e azul, a diferença era que a roupa dela era muito colada ao corpo e a saia muito curta, ela era morena, cabelos pretos, seus olhos escuros estavam com uma maquiagem pesada, seus lábios cheios de gloss e sua atenção estava totalmente voltada para sua imagem no espelho.
– Oi. – disse a cutucando e abrindo um sorriso.
Ela se virou para mim com a cara fechada, por um momento achei que ela iria me repreender por tê-la incomodado, mas depois de uns segundo abriu um largo sorriso.
– Oi. – disse estendendo a mão. – Prazer meu nome é Young, Lili Young.
Apertei sua mão. Não entendi o porquê que ela disse seu sobrenome primeiro, mas deixei passar.
– Annelise, mas pode me chamar de Lise.
– É um prazer conhecê-la Lise. – disse educadamente. – Você é novata não é? Não me lembro de você ano passado.
– Sou sim.
– Animada com sua primeira aula? – perguntou empolgada, não tive tempo de responder. — Eu me lembro da minha primeira aula no Santa Mônica... – disse com o dedo no rosto de forma pensativa. — ...foi um dos melhores dias da minha vida, isso a três anos atrás, lógico, foi neste dia também que eu conheci a Cas, minha melhor amiga...
Lili é uma garota bem empolgada e fala pelos cotovelos, mas por incrível que pareça eu gostei dela. Ela continuou com sua descrição sobre o seu primeiro dia até que o professor entrou na sala e mandou que todos se sentassem. Lili piscou o olho para mim e se virou para encarar o professor que ela já conhecia.
A aula foi perfeita e quando saímos da sala, Lili se ofereceu para me acompanhar até a minha próxima aula para que eu não me perdesse, já que eu acabei reclamando da falta de placas de direção, infelizmente o horário dela não era igual o meu.
A aula de História foi magnífica a professora Celeste era uma enciclopédia ambulante, a mulher sabia datas decoradas sem precisar ler no livro e eu soube quando sai de sua aula, que precisaria estudar mais se não quisesse repetir a matéria. Coisa que como bolsista eu não podia fazer.
Encontrei meu armário e guardei meus materiais para ir até a cantina almoçar, fechei a portinha e acabei levando um susto, havia um garoto ruivo de braços cruzados no armário seguinte e ele estava me encarando. Ficamos nos olhando por alguns segundos, até que eu me recuperei.
– Você me assustou. – disse sem graça.
– Desculpe-me. – disse ele descruzando os braços e colocando a mão no peito, como se estivesse arrependido.
Seus olhos verdes me analisavam de cima a baixo e eu comecei a me sentir desconfortável com o seu descaramento, no seu rosto um sorriso de satisfação estava estampado e meus instintos avisavam: PERIGO! Ele estendeu a mão e eu hesitei em apertá-la.
– Bolton, Natanael Bolton. – disse ainda com a mão estendida.
Qual é o problema dessa povo com o sobrenome?
– Annelise. – disse finalmente apertando sua mão.
– Diga-me Annelise...
– Só Lise. – o interrompi.
– Lise. – falou ele como se estivesse saboreando meu nome na boca. – Já tem companhia para o almoço?
Ele estava me chamando para almoçar? Olhei ao redor procurando a Lili, mas ela não estava á vista e também não tinha me convidado para se juntar a ela. Olhei para o Natanael, bonito, bem apresentável, aparentava vim de uma boa família. Que mal teria almoçar com ele? Eu não queria almoçar sozinha e também não tinha feito muitos amigos para poder sair escolhendo com quem queria sentar na hora do almoço.
– Não tenho. — disse por fim.
– Ótimo, gastaria de se juntar a mim?
Sorri. Natanael tinha uma maneira engraçada de falar.
– Sim, adoraria.
Tranquei meu armário e ele estendeu o braço para mim, mas ao invés de passar o meu braço pelo seu, passei por ele indo em direção ao refeitório.
Que garoto esquisito.
Natanael logo me alcançou, ele parecia estar inquieto, suas mãos estavam no bolso da calça e sua cabeça baixa. Será que ele ficou chateado por eu não ter aceitado o seu braço? Mas não tive oportunidade de descobrir, porque assim que dobrei a esquerda no corredor, fui arremessada no chão pela segunda vez no mesmo dia e por incrível que pareça pela mesma pessoa.
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