Aos 16
3 Capítulo II - De melhor para pior
Notas iniciais
– Você está de brincadeira comigo? – disse segurando sua calça antes que ele tivesse a oportunidade de fugir.
– Ei, me solta. – reclamou ele se virando para mim.
– Nem pensar, acho que você me deve um pedido de desculpas, na verdade dois. – disse irritada ainda o segurando.
– Nem fudendo, você sabe com quem você está falando?
– Não, e não quero saber. Só quero que você me peça desculpas.
Uma das regras do Santa Mônica é sem discussões nos corredores. Eu sabia que eu estava pondo em risco minha bolsa e que se algum inspetor visse a cena eu seria levada para a secretária no mesmo instante, mas esse garoto me irritou ao extremo.
Os alunos estavam amontoados para ver o que acontecia, e se eu não estivesse tão irritada, teria rido só pelo simples fato de eu continuar no chão.
– Você é louca! – disse ele puxando seu pé com força e eu acabei o soltando.
Levantei revoltada, Natanael me ajudou, mas eu não queria sua ajuda no momento, porque eu estava preste a socar um certo alguém. Não tive tempo para isso, porque assim que procurei o garoto, ele já tinha ido embora.
– Deixe ele pra lá. – disse Natanael me guiando para o refeitório. — Aquele garoto tem problemas.
Os alunos passavam por mim e me olhavam como se eu fosse louca, e o adjetivo que o garoto usou para me classificar nunca fez tanto sentido para mim como agora.
Antes de entrar no refeitório eu parei, não queria enfrentar todas essas pessoas, com certeza a noticia do que aconteceu no corredor já havia se espalhado e eu não estava a fim de ser apontada como uma garota louca.
O primeiro dia de aula que era para ser o melhor da minha vida, se transformou no pior, tudo por causa daquele garoto.
Meus olhos se encheram de lágrimas, eu não queria chorar na frente do Natanael, na verdade estava com pena de não almoçar com ele, ele estava sendo tão gentil, ao contrário daquele bruto.
– Natanael, me desculpe, mas hoje não vai dar para almoçarmos. – e antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, sai dali o mais rápido que pude e me tranquei no banheiro.
***
A sala estava quase lotada, era a minha última aula do dia e eu estava cansada dos cochichos de todos quando eu passava. Me sentei em uma das carteiras vazias, especialmente a que ficava bem na frente, não queria perder nada do que o professor dissesse, mesmo o meu dia tendo se tornado um fracasso, eu ainda tinha esperanças que essa ultima aula me fizesse animar. Suspirei me acalmando.
– Hey, com licença. – chamou uma loira ao meu lado com o nariz empinado, a olhei, ela era bonita. – Você está sentada no meu lugar.
– Como? – perguntei. É claro que eu havia entendido.
– Você é surda? Você está sentada no meu lugar. – disse de forma lenta.
Olhei ao redor, todos na sala haviam parado para ver o que estava acontecendo de novo, me virei e olhei para o encosto da cadeira que estava sentada procurando algo, depois para a mesa.
– Desculpe, não estou encontrando o seu nome.
“Ohh” foi a expressão de todos na sala. Ela me olhou atravessado, mas não teve oportunidade de falar nada, porque neste momento o professor entrou na sala e mandou todos se sentar. Ela rapidamente encontrou um outro lugar e virou irritada para encarar o professor.
– Bom dia turma, eu sou o professor de literatura Erico Lins, a maioria de vocês já me conhecem do ano passado e os outros vão passar a me conhecer no decorrer do ano. – o professor Erico era um senhor não muito simpático isso podia se ver pela sua cara, ele aparentava estar na casa dos quarenta, mas ter essa idade não mudava o fato de que ele era um coroa muito bonito. – Agora... – ele parou e estreitou os olhos para o fim da sala e cruzou os braços. – Senhor Fraser, posso saber o que você está fazendo aí?
– Estou sentado. – disse uma voz grossa no fim da sala, nem virei para acompanhar a discussão, era perda de tempo.
– Acho que deixei bem claro ano passado que seu lugar era na frente. – continuou o professor.
– Pensei que isso só valia ano passado. – respondeu o garoto sem paciência.
– Não, eu não vou cometer o mesmo erro duas vezes, você vai se sentar aqui. – disse apontando para a minha frente. Ótimo! Pensei amargurada.
– Ok, mas está sem lugar por aí se você não percebeu.
– Não tem problema, traga sua cadeira iremos fazer uma atividade em dupla.
Só escutei uma respiração pesada e um arrastar de cadeira, o som era desagradável, o professor fez que iria falar algo, mas parou e ficou observando enquanto a cadeira era arrastada pela sala, até a minha frente.
O garoto se largou na cadeira no momento em que ela alcançou o lugar indicado.
– Pronto, satisfeito?
O professor não disse nada, apenas se virou, e mandou que formássemos duplas com nosso colega mais próximo, o garoto que estava a minha frente se virou para mim com um sorriso sacana no rosto e piscou o olho direito. O sangue me subiu a cabeça.
Merda! Era aquele idiota que me derrubou.
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