Aos 16
39 Capítulo XXXVIII - Trégua - Até quando?
Depois que eu e Cassandra nos acertamos, a produção aumentou, não jogamos mais objetos uma na hora e passamos a trabalhar em dupla, logo o ginásio foi ficando limpo. Eu não sabia que horas eram, mas quando Monique entrou no recinto carregando uma bandeja de comida, imaginei ser hora do almoço.
— Ei, trouxe para você. – disse se aproximando.
Peguei a bandeja sem nem agradecer, eu estava morta de fome, sentei no chão e comecei a comer.
— E pra mim? – Cassandra reclamou indignada.
— Não sou sua empregada. – retrucou Monique. – Vai pedir as suas amigas.
Cassandra estreitou os olhos e começou a se retirar do lugar.
— Volto logo Lise. – disse simpática, o que fez Monique me olhar boquiaberta.
— O que foi? – perguntei assustada pela sua expressão.
— É isso então, viraram amiguinhas?
— Não somos amigas, só demos um tempo nessa briga sem sentido. – disse sem me importar. – Ela me pediu uma trégua e eu concordei.
Monique balançou a cabeça em negação.
— Trégua? Até quando? — perguntou sarcástica. — Você acreditou nela Lise? Você é muito ingênua mesmo. – murmurou para si e eu ignorei suas palavras.
Monique ficou me observando comer e isso me deixava constrangida, minutos depois ela senta ao meu lado e fita algo a sua frente.
— Você não vai almoçar? — pergunto para quebrar o silêncio.
— Já comi. Você sabe que a minha dieta é diferente.
Acenei confirmando.
— Espera aí. Você entrou no refeitório e pegou comida para mim?
Ela me olhou sem jeito e depois deu um sorriso.
— E porque eu não entraria no refeitório?
— Sei lá. — dei de ombros, voltando a comer. — Desde que nos conhecemos você não gosta de ir almoçar lá.
— Hum, isso... Eu só gosto de comer ao ar livre, no refeitório tem muita gente desagradável.
— Certo.
— Então. – começa com um sorriso sapeca. – O Ian me contou. – seu sorriso aumentou e agora ela está gargalhando de alguma piada interna, as vezes me esqueço que esses dois são melhores amigos. – Nunca o vi tão nervoso, nem quando pediu aos pais de Cassandra para namorá-la.
Parei imediatamente de levar comida a boca, eu segurava o garfo pasma, Monique percebendo minha reação, viu a burrada que fez, ela falou algo que não era para ser dito.
— Como? Eles namoraram?
— Não Lise, você entendeu errado. — respondeu na defensiva.
— Como entendi errado se você... – não conclui a frase, porque Cassandra entrou no ginásio carregando uma bandeja com comida e se sentou do meu outro lado, Monique logo ficou em pé.
— Eu vou indo, até mais Lise.
Monique fugiu e minha vontade era ir atrás dela, mas eu não podia, não ia adiantar de nada, já que eu sabia que ela não me contaria mais nada além do que já tinha dito, com Monique é assim, você tem que esperar ela falar as coisas na hora errada, só assim, você descobre as coisas sem querer, querendo.
Eu ainda estava pasma. Namorados? Olhei para Cassandra, mesmo com esse ar arrogante e prepotente, ela é muito bonita e olhando assim, não é que os dois são perfeitos juntos, eles dois bem que se merecem. Depois dessa noticia não consegui mais comer e abandonei a bandeja ao meu lado. Mas a pergunta que não queria sair da minha mente era o porquê deles terem acabado. Ian parecia sentir repulsa por Cassandra e a mesma dizia amá-lo, mas o que aconteceu para ela perdê-lo. Olhei novamente para ela que comia calmamente, minha língua coçou para perguntar, mas eu sabia que não ia adiantar ela não falaria, faz só algumas horas que nos entendemos, não espero que ela venha me contar toda a sua vida.
Me levantei disposta e retomei o serviço sem falar nada, não tinha o que falar, só trabalhar e quanto mais rápido terminássemos, mas rápido sairíamos daqui.
***
Horas depois estava sentada na enorme escadaria do Santa Mônica descansando e esperando minha mãe, ela disse que se atrasaria, já que teve que levar Helô no dentista, e eu resolvi esperá-la. Já era bem tarde, o sol ainda estava no céu, mas não havia mais ninguém no colégio. Eu e Cassandra pelo menos conseguimos deixar o ginásio limpo e isso para mim já era o suficiente.
Minha play list estava a toda, a música da vez era Whenever, Whenever da Shakira, eu estava cantando e praticamente dançando sentada, se isso é possível, estava tão absorta na musica que não vi uma mão desconhecida tirar os fones dos meus ouvidos e dizer: “Oi”. Me assustando, quase gritei, coloquei a mão no coração que batia freneticamente.
— Que susto, quer me matar?
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