Aos 16
40 Capítulo XXXIX - Trégua - Até o Ian entrou nessa!
Notas iniciais
Olhei para o Ian ainda assustada. Ele se sentou ao meu lado achando graça. Logo na melhor parte da música!
— Você tem um gosto bem peculiar para música. Shakira? – perguntou risonho, o fone estava em seu ouvido, puxei de uma vez e dei de ombros.
— Gosto dela, qual o problema? – perguntei respirando fundo, meus nervos ainda estavam acelerados. Ele percebeu.
— Desculpe, não imaginei que você estivesse tão no mundo da lua.
— Tudo bem. – disse suspirando. – Então o que você ainda está fazendo aqui? – perguntei mais calma.
— Detenção esqueceu? Aquela sua condição me levou para lá.
— Mas eu não pedi para você invadir o palco do baile e cantar.
— Não. Não pediu, mas a minha declaração tinha que ser épica. – deu um sorriso torto.
Não disse nada, apenas o acompanhei lembrando do baile e sorrindo.
— E você, o que ainda faz aqui? — tirou de meus desvaneios.
— Estou esperando minha mãe, ela está um pouco atrasada.
— Quer uma carona?
— Pode ser. Deixe-me só avisá-la. – peguei meu celular e liguei para a minha mãe, ela atendeu no segundo toque. – Mãe?
— Oi querida, nós estamos já saindo do consultório.
— Não se preocupe, eu vou pegar uma carona com o Ian, pode ser? — a linha ficou muda. – Mãe?
— Tudo bem querida, só vá direto para casa, está bem? — ela parecia receosa.
— Certo. Até daqui a pouco.
— Até.
Desligamos e encarei Ian. Acho que ele não causou uma boa impressão na minha mãe.
— O que foi que ela disse? – ele parecia bem interessado, acho que minha reação transpareceu algo.
— Oi? – tentei me fazer de desentendida.
— Sua mãe.
— Só que eu fosse direto para casa.
Ele assentiu. – Acho que a sogrinha não gostou muito de mim.
O encarei, eu podia esta enganada, mas eu achava o mesmo. Ian pegou o celular da minha mão e começou a digitar algo.
— Ei, devolve. – pedi, tentando pegar o aparelho, em vão.
— Percebi que não temos o numero um do outro, que tipo de namorados somos que não temos o numero um do outro. – murmurou de forma engraçada, não tive escolha a não ser rir.
— Do tipo falso. — disse ainda rindo.
Ele pôs a mão no coração. Fingindo. — Essa doeu.
Era engraçado ver Ian assim, ele parecia mais leve, não sei o que ocorrera hoje, mas aquela arrogância que ele demonstrava para todos havia dado uma trégua.
Trégua! Essa palavra vem me perseguindo hoje.
— Vamos? – perguntou já ficando de pés e me estendendo a mão, para que eu levantasse. Aceitei de bom grado.
— Vamos.
***
Ian dirigia calmamente, quando percebi que não estávamos indo para a minha casa.
— Ian. – chamei e ele alternou seu olhar entre a pista e entre mim. – Aonde estamos indo?
— Estou com fome e pensei que podíamos comer algo.
— Você sabe que não posso, ainda estou de castigo, preciso ir para casa. – comecei a me desesperar, se minha mãe chegasse antes de mim, eu estaria ferrada.
— Relaxe Lise, só vamos comer.
— Eu não quero. – disse emburrada, mas meu estômago roncou me entregando. A limpeza no ginásio foi bem puxada. Ian riu.
— Não é o que o seu estômago diz.
— Eu quero ir para casa Ian, minha mãe é capaz de me deixar de castigo mais uma semana.
— Pense pelo lado positivo, vai ter valido a pena. – seu sorriso era de um menino levado. Definitivamente ele era bipolar.
— Você é muito convencido. Tomou seu remédio hoje? – perguntei sarcástica. Ele gargalhou. Ian estacionou o carro em frente a lanchonete “Guloses” e se aproximou do meu ouvido ainda sorrindo.
— Sim.
— Ian, por favor. – implorei.
— Vamos Lise, as vezes é bom quebrar as regras. – disse saltando do carro. Suspirei pesado e sai do carro o acompanhando em direção a porta do estabelecimento, já estava escurecendo e eu sabia que quando chegasse em casa estaria totalmente ferrada. Ian não era um cara de seguir as regras, eu sabia disso, tanto que ele quebrou uma das nossas me obrigando a fazer o que eu não queria. Meu estômago roncou novamente me avisando que Ian estava certo, eu estava morta de fome. Suspirei novamente antes de entrar no lugar. Que mal teria comer algo antes de ir para casa?
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