Aos 16
37 Capítulo XXXVI - No Corredor do SM
Notas iniciais
Bati no braço de Ian irritada, ele resmungou, mas eu não liguei e bati de novo.
— Isso tudo é culpa sua. – bati novamente.
— Ei, dá para parar. — pedi alisando onde bati.
— Por que me beijou? Precisava fazer isso? – passei as mãos pelos meus cabelos nervosa. — Eu não quero que você conheça os meus pais, você nem é meu namorado de verdade. – Ian tapou minha boca assustado. Ops! Acho que falei alto de mais.
— Tá maluca.
Olhei ao redor, mas não vi ninguém, provavelmente estavam na aula, o que me fez indagar.
— O que você está fazendo aqui? Não devia estar na aula?
— Estava preocupado e vim saber o que aconteceu com você.
Acenei confirmando, até que parei e... Espera aí, ele estava preocupado? Comigo?
— Você estava preocupado? Comigo? – repeti meus pensamentos em voz alta, talvez eu estivesse escutado errado.
— Claro, se você fosse expulsa quem mais ia se passar por minha namorada? Teria que arrumar outra cobaia.
O olhei incrédula não acreditando no que ouvia. Eu sabia que o Ian não sentia algo por mim, mas podia ser menos interesseiro?
— Alguém já lhe disse que você é muito insensível? – ele revirou os olhos e começou a andar pelo corredor.
— Não espere romantismo da minha parte Lise.
— Eu não estava contando com isso, mas se você pretende pedir para namorar comigo ao meu pai desse jeito, tenha ciência que ele irá lhe expulsar de lá na primeira palavra que você der.
— Pedir para te namorar? – ele riu seco. – Sério isso?
— Você estava achando que esse jantar era para quê? Para você encher o bucho?
Ele apertou bem os olhos em minha direção, parando logo em seguida.
— Sabe Lise, você sabe ser bem insensível quando quer.
— Ei, o insensível aqui é você, e não vá pensando que será fácil conquistar meu pai, ele é das antigas, então se você quer continuar com isso, aconselho que tente ser menos arrogante.
Ian me olhou por alguns segundos e deu um sorriso de lado, aquele famoso sorriso que fazia meu corpo estremecer. Se aproximou alguns passos e tocou meus cabelos.
— Eu sei ser um bom ator quando quero.
Eu sabia que não devia provocar, que devia parar por ali e ir em direção ao auditório, Cassandra devia estar me esperando, mas me ouvi dizendo.
— Duvido.
Ele se aproximou mais, me prensando na parede, estávamos no corredor principal, a qualquer momento alguém podia aparecer, principalmente o inspetor, mas eu queria ver até onde ele iria. Seu olhar para mim mudou, seu sorriso não era mais sarcástico, ele me encarava como se eu fosse a única garota no mundo, suas mãos alisavam as laterais do meu cabelo, enquanto sua voz doce falava:
— Tão linda, sempre me perguntei quando eu iria encontrar algo que me chamasse atenção, que me tirasse dessa angustia que é minha vida. Aí, eu vi você, caída no chão do pátio do Santa Mônica. – ele riu, não um sorriso sarcástico, seco, sem graça, não. Um sorriso verdadeiro. E posso afirmar que ele estava me assustando, suas feições eram sérias, como se tudo o que ele estava falando fosse verdade. – Sei que não fui muito legal com você, até porque a culpa foi minha de você estar caída no chão, mas horas depois quando você literalmente se agarrou aos meus pés me obrigando a pedir desculpas, eu vi que você era diferente, não era só mais uma menina que entrava na SM, você era única. E desde esse dia eu comecei a me apaixonar por você.
Arregalei os olhos, meu coração batia descompassado e minhas mãos estavam suando. É serio isso? Ele estava apaixonado por mim? Ele se aproximou alguns centímetros da minha boca, ele iria me beijar, fechei os olhos esperando os seus lábios nos meus, mas eles nunca vieram, o que veio foi uma gargalhada, que me disse exatamente o quão idiota eu era, ele só estava brincando comigo e eu como uma patinha cai, meu rosto ficou vermelho, mas não de raiva e sim de vergonha. Ele queria provar um ponto e conseguiu. Ele era um bom ator.
— Serio que você caiu Lise? – continuou. – Imaginei que você era mais esperta.
Não disse nada, eu só queria sair dali o mais rápido possível, mas eu não podia sair assim, se eu fizesse isso, ele saberia que suas palavras me abalaram de alguma forma e eu não podia deixar que ele desconfiasse de algo, eu podia não estar apaixonada por ele, mas que eu me sentia atraída, isso eu não podia negar. Então abrir o maior sorriso que eu podia dar e me aproximei dele, tocando seus ombros em uma leve caricia. Ele parou de rir e me encarou curioso. Procurei a voz mais doce que encontrei e dei o troco.
— Para você esse sentimento é brincadeira, mas para mim ele é real, você pode não estar apaixonado por mim, mas eu estou apaixonada por você. – senti o exato momento que os seus ombros tencionaram, sua expressão era incrédula e ao mesmo tempo nervosa.
— Não pode ser. – sua voz era um sussurro.
— Por que? É tão difícil assim se apaixonar pelo cara mau do colégio. Eu sempre gostei dos bad boys.
Ele arregalou os olhos, então eu entendi, ele havia acreditado, aproximei meu rosto do seu, ele pensou que eu iria beijá-lo, mas arrastei meu rosto pelo seu sedutoramente e levei meus lábios ao seu ouvido, o mordi e sussurrei.
— Pense duas vezes antes de brincar comigo. Eu também sei ser uma ótima atriz.
Me afastei e vi sua expressão, a ficha tinha caído, ele entendera que eu estava encenando, não dei tempo dele reclamar, retrucar ou coisa parecida, apenas sai em direção ao ginásio, para cumprir minha punição.
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