Aos 16
38 Capítulo XXXVII - Trégua - Aceitar ou não aceitar. Eis a que
Assim que me afastei de Ian consegui respirar novamente. Graças a Deus! Se eu prendesse mais o ar, iria parar na enfermaria. Esse seria um ótimo jeito de me livrar da punição, mas como tenho bom senso, não vou deixar Cassandra se ferrar sozinha, mesmo que aquela cretina mereça.
Entrei no ginásio e suspirei quando vi a zona que estava o lugar. Isso vai dá um trabalho.
Uma cabeleira loira apareceu em minha visão, agachada em uma das mesas tentando pegar alguns copos. Peguei um enorme saco plástico e comecei a juntar os lixos mais próximos a mim. Cassandra percebeu que não estava mais sozinha e se levantou, me fuzilando com os olhos.
— Pensei que não viria. Estava louca para que você não viesse, assim eu poderia te entregar a minha tia.
— Eu sabia que você era a X9 da turma. — respondi com desinteresse.
— Você se acha esperta não é Lise. — começou cruzando os braços. — Chega aqui, como não quer nada, desafia a dona do colégio no primeiro dia de aula, dá uns pegas no Nate, fica amiguinha da minha irmã e ainda por cima conseguiu namorar o cara mais rico da escola, você realmente, posso concordar é esperta, seu nível de popularidade esta em alta, mas deixe te avisar uma coisa. EU SOU A RAINHA DESSE MALDITO COLÉGIO E VOCÊ NEM NINGUÉM IRÁ TIRAR O QUE É MEU.
A olhei com desinteresse o que a fez ficar mais irritada.
— Terminou? – perguntei despreocupada.
Ela me olhou sem entender.
— Sim.
— Ótimo. – e joguei o copo que estava em minha mão em sua cabeça.
Cassandra me olhou espantada e não demorou a pegar um copo qualquer e tacar em mim, o pior foi que ele estava com um liquido preto, devia ser coca-cola, que acabou molhando toda a minha roupa. Agora é guerra! Não tardei em revidar e também peguei um copo cheio de refrigerante jogando em sua cabeça, seu cabelo se encharcou, mas não paramos para ver o estrago, pois começamos a tacar coisas uma na outra. Isso estava parecendo aquele jogo de dardos para acertar o alvo. E Cassandra era o meu, eu queria acertar a cara daquela desgraçada. Eu me escondi atrás de uma mesa e ela de outra, enquanto objetos de todos os tipos voavam de um lado para o outro.
— Você não vai ficar com ele. O Ian é meu! – gritou atirando uma travessa de vidro que quase bateu em mim, mas pela péssima pontaria de Cassandra acabou se espatifando no chão antes de chegar aonde eu estava. Ainda bem, se não eu estaria com a cabeça reachada.
— Você é louca? Quer me matar?
— Exato. É isso mesmo que eu quero. — gritou.
— Cassandra põe uma coisa na sua cabeça, o Ian é uma pessoa, não um objeto. Te manca garota, para de correr atrás de um cara que não te quer, te dê ao respeito. Você é a vergonha do sexo feminino.
Assim que terminei de falar, os objetos pararam de ser jogados.
— Você tem razão. — disse com a voz fina e isso me assustou.
Parei atônita. Ela estava concordando comigo? Cassandra Reynolds, a rainha do colégio, a poderosa, a megera, a... Estava concordando comigo?
— Eu o amo. – e do nada ela começou a chorar. Não vou negar que sentirum pouco de pena dela, ela amava o cara e era rejeitada pelo mesmo, então fiz uma coisa que pensei nunca fazer na vida, me aproximei e a abracei.
— Calma, calma, ele não merece o seu amor, calma.
— Eu sei, mas dói tanto. – sua voz estava embargada por causa do choro.
— Eu sei. – eu literalmente não sabia, eu nunca me apaixonei de verdade, muito menos amei alguém, só minha família, mas nenhum garoto mexeu com meu coração.
Estava consolando uma Cassandra chorona, quando escutei passos pelo ginásio.
— O que houve aqui?
A diretora estava espantada pela bagunça, pela hora que estávamos aqui, já devíamos ter praticamente limpado metade do lugar, mas ele se encontrava pior do que antes, devido a nossa guerra de copos. Nos afastamos e olhamos a diretora.
— Vocês duas, só saíram daqui quando terminarem tudo, não me importo se durar até amanhã, eu quero esse lugar limpo, vocês me entenderam? – ela estava muito irritada.
Não falamos nada, só concordamos com a cabeça e esperamos ela sair. Assim que a diretora passou pela porta, eu voltei a catar os objetos pelo chão, não valia a pena continuar a discussão e passar a noite por aqui.
— Annelise? – Cassandra me chamou e eu a olhei. Ela estendeu a mão e deu um sorriso amarelo. – Trégua?
Encarei sua mão estendida. Eu não sabia o que fazer. Eu sei que a havia consolado minutos atrás, mas foi por impulso, vocês sabem que sou impulsiva, mas isso? Quem me garante que ela está sendo sincera? Apesar de eu não querer mais discussão em minha vida eu não confio em Cassandra, nem um pouco.
Aceitar ou não aceitar, eis a questão.
Olhei para a sua mão estendida mais uma vez e dei de ombros a apertando.
— Trégua.
Só espero que eu não me arrependa depois.
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