Aos 16
21 Capítulo XX - Uma noite com Ian
Notas iniciais
Abri os olhos lentamente, minha cabeça martelava, virei o rosto para olhar melhor onde estava e definitivamente esse não era meu quarto e muito menos o quarto de Clara ou de qualquer outra garota.
O quarto era enorme, dava dois do meu, pôsteres e quadros de corrida emolduravam a lateral da cama, alguns troféus estavam numa prateleira por perto, do outro lado um enorme janela deixava que o sol iluminasse o quarto, uma TV de plasma com um sofá e cadeiras ficavam perto da janela, um violão estava pendurado ao lado de uma estante com vários cd's e livros, haviam três portas no quarto, e eu sabia que uma delas era a saída, outra com certeza era do closet, já que não encontrei guarda-roupas e a terceira porta devia ser do banheiro. Nada ali demonstrava algo feminino e eu entrei em pânico.
O que foi que eu fiz? Choraminguei mentalmente. Imagens da noite anterior eram como um flash na minha cabeça e por incrível que pareça nada parecia fazer sentido. A porta em frente a cama em que eu estava foi aberta, e um certo garoto de olhos azuis saiu por ela, só de toalha, corei.
– Finalmente a bela adormecida acordou.
– O que aconteceu? O que estou fazendo aqui. – perguntei desesperada.
Ele deu aquele sorriso sarcástico costumeiro e se sentou na ponta da cama.
– Você não lembra de nada não é?
Me sentei e percebi que eu não estava com minhas roupas da noite anterior, muito menos com o vestido que Clara havia me emprestado, eu estava com uma camisa de garoto e eu podia apostar que era de Ian.
– Ai meu Deus! – me exaltei. – Não me diga que nós, que nós... – eu não conseguia nem formular a maldita pergunta, eu não estava acreditando que eu fiz isso, não com ele.
Ele começou a rir.
– Não se preocupe, sua pureza está intacta.
– Então o que eu estou fazendo aqui? – perguntei novamente, mas acabei me lembrando de minha mãe, levantei da cama em um pulo. – Meu Deus, minha mãe vai me matar, ficarei de castigo pela eternidade.
– Calma. – Ian segurou em meus braços. – Eu cuidei da sua mãe, mandei uma mensagem para ela informando que você dormiria na casa de Clara.
– Ok. — me acalmei. — E o que eu estou fazendo aqui? – perguntei pela terceira vez.
– Bom, como você não estava em condições de voltar para casa e eu não podia deixar você dormir no mesmo teto que Cassandra por questões de segurança, preferi te trazer para minha casa.
– E você fez isso por que você é um cara legal? – bufei. Ele riu.
– Claro que não, também me aproveitei da situação.
– Como assim? – me livrei dele ficando o mais longe possível, o cara estava só de toalha, isso era muito constrangedor e ao mesmo tempo tentador.
– Você acha que você viria dormir aqui e ninguém ficaria sabendo?
Ele pegou seu celular e me mostrou a pagina do SOS Populares e eu pirei quando me vi deitada na cama de Ian sendo abraçada pelo mesmo. Oh, meu Deus!
– Como isso foi parar aí? — gritei eufórica.
– Vamos dizer que Yasmim me fez um favor sem querer, querendo. – ele riu com sua imitação de Chaves, cruzei os braços.
– E porque estou com essa roupa?
– Você vomitou e eu não podia deixar você deitar na minha cama com aquelas roupas e além do mais. — ele riu. — Como eu iria provar que fizemos sexo, se você ainda estivesse vestida com aquele vestido provocante.
Se eu disser que estava vermelha como pimentão, era eufemismo.
– Nós fizemos, nós... – gaguejei, ele revirou os olhos.
– Eu disse sua pureza está intacta, não sou fã de necrofilia.
– Eu não sou um cadáver. — retruquei.
– Mas estava como um ontem a noite, tive que cuidar de você, mesmo depois do que você fez comigo. — ele apontou para suas partes íntimas. — E você nem para me agradecer.
– Cafajeste, você se aproveitou de mim, isso sim. — me exaltei.
– Não ouvi você reclamando, quando me beijou. — se aproximou.
– Eu não beijei você.
– Então era alguma gêmea sua.
– Eu não faria isso.
– Olha aqui, eu te ajudei entendeu? Você estava preste a fazer um strip-tease e eu te tirei de lá antes que isso acontecesse, então não me venha com seus princípios idiotas.
– Idiota é você. — gritei.
Eu estava com ódio dele, e pior ainda, com ódio de mim, como eu passei por isso, como me deixei chegar a essa situação. Procurei minhas roupas, mas elas não estavam a vista, encontrei uma calça de moletom em uma das cadeiras perto da enorme TV de plasma e a vesti.
Sai do quarto as pressas, mas não tive oportunidade de ir muito longe, o corredor era extenso, eu me sentia em um daqueles hotéis chiques que vemos na TV, não sabia para que lado ir, mas no final encontrei a enorme escada que levava para a saída, comecei a descê-la e parei, quando ao lado esquerdo avistei a sala, os sofás eram brancos, os detalhes finos e os móveis também brancos, tudo limpo e organizado perfeitamente, as enormes janelas faziam com que a luz do dia entrasse e iluminasse o local, dando um toque de delicadeza, estava quase na porta, quando Ian me segurou pela cintura, prendendo-me a ele, sua respiração em meu pescoço fizeram os pelos dos meus braços se eriçarem.
– Onde você pensa que vai?
– Embora. — tentei falar, mas estava difícil.
– E pretende andar até a sua casa descalça?
Me lembrei que estava sem dinheiro, esqueci de pegá-lo da calça molhada que ficou na casa de Clara. Droga!
– Se assim eu me livrar de você. Sim.
Ele me soltou e me virou para ele, não entendi sua expressão, mas acabamos sendo interrompidos por um senhor de cabelos grisalhos e olhos azuis, era o mesmo senhor que eu havia visto no Palace Italian, ele começou a vim em nossa direção.
– Quem é a sua amiga Ian? – a voz era grossa e potente, estremeci.
Fale com o autor