Aos 16
22 Capítulo XXI - Café da manhã com os Fraser
Notas iniciais
Olhei para o senhor a minha frente envergonhada, não era para menos, ter uma total desconhecida em sua casa, num horário impróprio e ainda por cima vestida com as roupas do seu neto. Ele deveria estar pensando que eu era uma qualquer, na verdade, eu estava me sentindo uma já que Ian me usou para seu próprio beneficio.
– Uma colega da escola, vô. Annelise Thomas.
Olhei admirada para Ian. Ele sabia meu nome completo? Não que ele não já o tenha escutado na chamada, mas se lembrar era muito atípico dele.
– E porque ela se encontra com suas roupas? – perguntou curioso. Corei.
– Ela estava na festa que fui ontem e meio que acabou caindo na piscina, não poderia deixá-la resfriar. – disse com um sorriso safado. Seu avô também riu, mas era um sorriso cúmplice como se soubesse exatamente as intenções do seu neto.
– Claro que não. E por que não levou a senhorita para casa?
– Ia fazer isso agora mesmo. – disse me puxando para a saída.
O homem fez uma careta, olhou de um jeito repreensor para Ian e se voltou para mim.
– Prazer, senhorita Thomas. – ele estendeu a mão e eu a apertei. — Perdoe a falta de educação do meu neto, sou Octavio Fraser, será uma honra tê-la nos acompanhando no café da manhã. – seu semblante demonstrava serenidade, mas seu tom deixava bem claro que aquilo não era um pedido e sim, uma ordem.
O senhor Frazer seguiu em direção a ala onde ficava a sala de jantar, eu não conseguia me mexer e Ian parecia tão espantado quanto eu, ainda estávamos na mesma posição, quando seu avô virou-se com a sobrancelha erguida, como se perguntasse o porquê de ainda estarmos parados.
Despertamos de nosso torpor e o seguimos.
– Ótimo, agora seu avô está achando que sou uma qualquer. – disse baixinho.
– Qual o problema? Você estava agindo como uma ontem a noite.
Arregalei os olhos estupefata com a sua ousadia, não que eu esperasse menos dele, tudo bem que eu já havia me classificado como uma, mas ele não precisava me passar na cara. Diante daquela resposta preferi me calar, eu ainda não lembrava claramente o que aconteceu na noite anterior e ser alfinetada por Ian não estava ajudando muito no momento.
Sentei na enorme mesa de jantar ao lado de Ian que estava a esquerda do seu avô, os detalhes e riqueza do local, só me fizeram perceber, que definitivamente aquele não era o meu lugar, diferentemente da casa de Nate, que mesmo sendo luxuosa parecia convidativa e aconchegante, aonde eu iria sem pensar duas vezes, já a casa de Ian com toda sua majestade me deixava desconcertada.
– Então senhorita Thomas... – começou o senhor Octavio.
– Lise. – o interrompi, odiava quando as pessoas me chamavam por meu sobrenome.
– Senhorita Lise. – repetiu a contragosto. – Você estuda na Santa Mônica?
– Sim senhor, comecei este ano.
– É mesmo, está gostando? – mesmo perguntando educadamente, sua voz me deixa nervosa.
– Ela é bolsista. – soltou Ian desinteressado e percebi algo mudar em sua face.
– Sim. – respondi a sua pergunta, sem me importar com o que Ian falou. – A experiência está send... – e minha frase se perdeu no ar, porque o Senhor Fraser me ignorou e virou-se para o seu neto.
– Seus pais voltam essa semana, espero que atitudes como essa não se repitam. – a autoridade em sua voz fez minha espinha se arrepiar. Olhei para a comida a minha frente e meu estômago embrulhou.
– O senhor sabe que isso não vai acontecer.
– Ian. – repreendeu o homem. – Eu estou tentando fazer você e Iara se entenderem.
– Mas, e se eu não quiser me entender com ela.
– Ela é sua mãe, você tem que parar de ser esse moleque mimado e agir como o futuro líder dessa família. — o homem praticamente gritou. Esse assunto devia ser delicado entre eles.
– Acho que está na hora de irmos. – ele não me olhou, mas eu sabia que ele estava falando comigo.
Antes que Ian pudesse sair da sala de estar, Yasmim apareceu, um belo sorriso iluminava seu rosto, mas logo desapareceu quando me viu.
– O que ela faz aqui? Pensei que já tivesse se livrado dela Ian.
Se livrar? Ela acha que eu sou o quê? Uma roupa usada e que não quer mais?
– Definitivamente é hora de irmos Lise. — e sem esperar por outro chamado, me levanto de uma vez, não estou afim de discutir com essa piriguete mirim.
– Obrigado pelo café senhor. – digo educadamente. Que café? Penso irônica. Não tive nem tempo de comer. — Foi um prazer conhecê-lo. – mentira.
O senhor Fraser me ignora mais uma vez e me pergunto o que fiz para ele mudar da água para o vinho. Sigo Ian para fora da sala e não vejo a hora de sair daquele lugar, passo por Yasmim que me olha enviesado e a ignoro. Chegamos ao hall de entrada da casa e ao invés de irmos para saída Ian se direciona para as escadas.
– O que você está fazendo? Pensei que iria me levar para casa. – pergunto confusa.
– E vou. – vira-se irritado. – Você não espera que eu faça isso descalço não é? Ao contrário de você eu tenho uma reputação a zelar.
Olho para seus pés, reparando que ele também estava sem sapatos. Ele sobe sem pressa para seu quarto e não tenho alternativa a não ser segui-lo.
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