Aos 16
6 Capítulo V - Refeitório
Notas iniciais
Assim que pisei na sala dei de cara com Cassandra, ela me olhou torto e entrou sentando-se na frente, para evitar ficar perto dela preferi sentar duas filas atrás. A turma rapidamente parou de conversar para me observar como se tivesse nascido chifres em mim. Natanael também estava na sala e quando me viu abriu um enorme sorriso e piscou o olho, recebi alguns olhares enviesados, principalmente das meninas, mas não me importei, levantei a cabeça e esperei a aula começar.
Energia cinética, esse era o assunto do dia, enquanto o professor explicava que a energia cinética estava relacionada com o movimento de um corpo e que sua grandeza escalar depende da massa e do módulo da velocidade do corpo em questão, eu estava perdida em meus pensamentos, eu não gostava de ser o centro das atenções, e como de um dia para o outro eu me tornei a pessoa mais comentada do colégio? Eu sei que algumas das minhas atitudes ontem contribuíram para que isso ocorresse, mas eu ainda tentava entender como eu tinha me descontrolado. Do outro lado havia Lili, eu não entendia o que eu tinha feito para ela me tratar como uma desconhecida, isso era frustrante.
O sinal tocou e todos começaram a sair, aproveitei que Cassandra havia saído da sala sem Lili e antes que ela pudesse fugir, eu a interceptei.
– Posso falar com você?
– Eu não tenho nada para falar com você, agora se me der licença. – ela tentou se afastar, não deixei.
– Lili, o que foi que eu fiz? Se foi por causa de Cassan...
– Isso não tem nada haver com Cassandra. — disse me empurrando e saindo da sala.
Natanael estava me esperando e eu me aproximei dele.
– Oi. – disse com um sorriso, ele sorriu de volta.
– Não se preocupe com ela, isso não tem nada haver com você. – disse passando a mão esquerda pelo meu rosto.
Pelo canto do olho vi Lili olhar para trás e me fulminar com os olhos, me afastei desconcertada.
– Tudo bem, agora eu preciso ir para a aula, nos vemos depois?
– Claro.
***
O professor de Literatura ainda não havia chegado e eu parei na porta quando vi Cassandra sentada no meu lugar, ela segurava o braço de Ian e pelo que pude perceber implorava sua atenção.
Então, era por isso que ela queria o meu lugar.
Suspirei pesado e passei por eles sentando-me mais atrás, de onde eu estava dava para ver o que se passava entre os dois, e por um segundo eu fiquei com pena dela, só por um segundo, estava na cara que ela era louca por ele, mas ele não, na verdade ele estava bem incomodado com a presença dela.
Monique também estava na sala e quando me viu veio se sentar ao meu lado, agradeci mentalmente, já que quando o professor chegou disse que faríamos outra atividade em dupla.
A hora do almoço havia chegado e como se achasse que eu fosse escapar, Natanael me encontrou no meu armário. Ele me ofereceu o braço novamente e dessa vez eu aceitei.
O refeitório era bem espaçoso e as laterais eram todas de vidro, fazendo com que o sol entrasse pelas enormes janelas, sentamos em uma mesa um pouco no centro e começamos a conversar, os cochichos sobre mim continuaram, eu não podia ouvir o que falavam, mas podia ver no rosto de cada pessoa que passava por mim, que não era boa coisa.
Natanael estava me contando como foi as suas férias no Caribe, quando Clara e Mark chegaram, ela me passou um panfleto, na verdade ela estava com vários e pelo que pude perceber estava distribuindo pelo refeitório.
– O que é isso? – perguntei curiosa.
– É a festa de boas vindas e esse ano vai ser na minha casa. – disse com um sorriso satisfeito. – O Nate sempre dá as melhores festas, mas esse ano é a minha vez. – ela se virou sorrindo para o Natanael e deu um beijo nele. Fiquei pasma.
– Não me chame de Nate. – disse ele com um sorriso. – Você sabe que eu não gosto.
– Tá, tá, eu sei. – disse mostrando a língua para ele e se virando para mim. — Você vai não é? Vou adorar ver a cara de Cassandra quando te ver por lá.
Tentei me recuperar do meu espanto para respondê-la.
– Não estou a fim de mais problemas Clara.
– Não se preocupe, ela não pode te expulsar, a festa é minha não dela, eu também tenho direitos em casa.
– Espera aí, vocês são parentes?
– Parentes não.
– Elas são irmãs. – Mark se pronunciou, o olhei para ver algum indicio de ciúmes, mas ele estava normal.
– Irmãs não, meia-irmãs. — concertou Clara.
Eu não sei o que me deixou mais pasma, saber que Cassandra era irmã de Clara ou o beijo que ela deu em Natanael, pensei que ela e Mark eram namorados, e se ele tem namorada porque estava dando em cima de mim até inda agora? Por que estava sendo tão atencioso?
Isso estava tão confuso.
A festa seria na sexta-feira e era uma boa ideia começar a me enturmar. Dei de ombros.
– Talvez eu passe por lá.
Clara rapidamente abriu um enorme sorriso para mim, a empolgação dela era contagiante, e logo eu também estava rindo.
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