Aos 16
7 Capítulo VI - Ato Impensado
Notas iniciais
Assim que saímos do refeitório Natanael passou o braço por cima dos meus ombros, olhei para Clara que parecia não se importar, isso era tão desconcertante, mas ao mesmo tempo tão convidativo. Natanael era um garoto bonito, fazia o estilo Dom Ruan e eu gostava disso, tanto que me vi segurando em sua cintura.
Passamos por Monique e acabei lembrando que não a tinha visto no refeitório.
– Monique. — me aproximei.
Ela e Clara trocaram um olhar estranho, antes de Mark puxá-la e eles irem para a aula, Natanael também se despediu de mim, parecia que eles não queriam ter nenhum contato com Monique.
A loira os acompanhou com o olhar e isso foi esquisito. Toquei em seu ombro.
– Não te vi no refeitório.
Ela se aproximou mais de mim, como se fosse me contar um segredo.
– Se eu fosse você ficaria bem longe do Natanael, principalmente da Clara, eles não são de confiança. — ela não esperou nenhuma resposta minha simplesmente se afastou sem olhar para trás.
Tentei entender o que ela havia me falado, primeiro ela me diz que se eu quero sobreviver aqui tenho que ficar de bico calado e agora diz que Natanael e Clara não são de confiança, ou Monique tem sérios problemas para se relacionar com as pessoas, ou alguma coisa aconteceu entre eles, e tendo em vista que não vi Monique com nenhum amigo desde que a conheci ontem, fico com a primeira opção.
Cheguei ao meu armário e comecei a pegar os meus materiais quando Ian passou por mim, eu queria pressioná-lo a cumprir sua parte no acordo, eu tinha feito o que ele me pediu, nada era mais justo, mas quando o olhei, o que vi me fez paralisar e principalmente interrogar.
Um sorriso estampava sua cara, e ele estava todo direcionado a mim, ele não parou, mas antes de o perder de vista ele piscou o olho, fiquei alguns segundos sem me mexer e olhando por onde ele havia se virado. O que foi aquilo? Era a forma dele se desculpar, ou estava me agradecendo por ontem?
Balancei a cabeça tentando afastar os pensamentos confusos que se formavam em minha mente, esse garoto é bem estranho e maluco, fui para a aula de química com uma coisa em mente, eu não devia ficar longe de Natanael ou Clara, e sim de Ian, ele não fazia bem para a minha sanidade.
***
Estava descendo as enormes escadas do Santa Mônica, indo em direção a minha mãe que já me esperava na entrada do colégio, quando vejo ao longe perto das portas do ginásio que ficava ao lado do prédio principal, Monique e Ian conversando muito próximos, e eles pareciam estar discutindo algo muito sério, achei estranho, então parei e observei.
Perto dali sentada em um dos bancos do jardim estava Cassandra que também assistia a cena e pelo seu olhar assassino direcionado a Monique, eu sabia que ela iria aprontar alguma coisa. Lili estava ao seu lado.
Minha mãe me viu e buzinou para que eu me apressasse, mas eu não queria ir e deixar Monique a mercê de Cassandra, eu tinha visto o que ela havia feito a Monique ontem quando estive na enfermaria e eu não queria que ela a machucasse de novo.
O dialogo entre Ian e Monique parecia ter acabado, seja lá o que discutiam, Ian havia concordado com alguma coisa, rapidamente ele se afastou, deixando Monique sozinha, Cassandra aproveitou a oportunidade para pegar uma mangueira que estava por perto ligada molhando o jardim, e eu entendi rapidamente o que ela iria fazer. Não pensei direito, só agi.
Depois disso tudo aconteceu muito rápido, eu corri e me joguei em cima de Cassandra, com o impacto caímos no chão e a mangueira nos molhou. Perfeito!Cassandra foi a primeira a se levantar perplexa.
– Olha o que você fez sua, sua... genocida¹. — gritou olhando suas roupas molhadas e passando as mãos pelos seus cabelos.
– Você pelo menos sabe o que significa essa palavra? — perguntei me levantando e cruzando os braços. Ela parecia confusa com minha pergunta. — Não me admira que seja loira. — cutuquei.
Ela grunhiu e por um segundo pensei que fosse me atacar, na verdade ela ia, mas Lili a segurou.
– Cassandra ainda estamos no colégio e um dos inspetores está vindo para cá.
Antes que eu pudesse avistar o inspetor ele já estava ao meu lado. Com certeza alguém o havia avisado.
– O que está acontecendo aqui? — perguntou ele com autoridade.
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