Aon

2 Loudric o Solitario!


Os grilos sussurravam nos matos morro abaixo, Rodrigo havia pensado em dormir ali ao pé do cume, mas afastou os pensamentos ao olhar ao redor e ver que o local não oferecia qualquer abrigo contra o frio da noite e nem contra os possíveis inimigos que passassem por ali, o local era aberto e extenso e bem plano de fácil visão a todos. Subiu meio caminho do cume e encontrou um vão por entre as pedras que ficava a baixo de uma ponte natural que uma pedra caída formava ligando um lado do cume ao outro, a queda era mortal, mas para um elfo em que seu forte é se esconder resolvia o problema. Horas depois passava por ali Guilherme Stronghold um homem de mais de dois metros de altura com os braços de quase o mesmo tamanho com a espessura de um homem, um bruto do clã yankee nada mais que um guerreiro e um dos fortes, era capaz de quebrar um cavalo ao meio por brincadeira. Diferente do Elfo este não procurou abrigo para se esconder achou um lugar um pouco mais afastado da estrada subindo o cume por fora do caminho e se sentou por entre umas rochas e acendeu uma fogueira com as folhas e galhos secos que encontrou pela estrada. Minutos mais tarde Carol passava pelo mesmo lugar e avistou uma fumaça um pouco mais alta da estrada e desmontou de seu cavalo, procurou um local para subir e puxando o animal alcançou até onde estava a fogueira, deixou o cavalo um pouco afastado, sacou uma flecha de sua aljava e testou o arco com a mão, caminhou meio agachada se esgueirando por entre as pedras e pequenas vegetações até alcançar a fogueira sem fazer barulho com suas botas de couro macio e ver um homem sentado próximo à fogueira servindo-se de um belo pedaço de carne de cervo que havia capturado mais cedo aquela noite. Para sua surpresa o homem já havia a percebido ali.

Guilherme – Carol, até quando ficará me observando daí com seu brinquedo?

Carol – Gui? É você?

Guilherme – Não sou o espírito de Makratz* que veio lhe guiar, é claro que sou eu Carol! (*Makratz é um Deus do folclore Yankee um guia dos Guerreiros)

Carol – Não sou obrigada a saber!

Guilherme – E vai se aproximando de qualquer um assim?

Carol – Tenho meu arco!

Guilherme – Claro você tem o limpador de dentes, pode me empresta-lo preciso retirar um pedaço de carne dos meus dentes.

Carol – Por que não o limpa com seu espeto de churrasco não é para isso que lhe serve?

O rapaz fez apenas um aceno de mãos pedindo que ela deixasse a discussão de lado, e se levantou lhe apontando um lugar para sentar-se.

Guilherme – E onde estão meus modos Milayde!

Mas a menina o cortou antes que terminasse.

Carol – Sabe que entre nós não é preciso este tipo de tratamento, não aqui em nossa peregrinação.

Guilherme – Claro Milayde, mas deixe isso de lado sente-se, sirva-se e descanse um pouco.

A noite aprofundou-se em escuridão a Lua às vezes conseguia deixar sua luz escapar por uma nuvem ou outra, Rodrigo havia acordado devido ao cheiro de carne sendo cozinhada, e procurou por bandidos na região, subiu um pouco por entre as pedras e encontrou um lugar entre uma arvore escalando seus galhos e se camuflando entre suas folhagens. Esperou durante uma hora ou mais até que a luz da lua lhe revela-se o que há próximo a fogueira e ao seu redor, observando as duas figuras por um tempo deduziu quem eram, bom Guilherme fora mais fácil de deduzir um brutamontes como aquele não seria fácil de se perceber, Carol foi um pouco mais difícil, mas juntar as peças de seu arco com pontas de metal chamativo, e o cavalo coberto com pano real, deixava claro quem era. Havia decidido descer e encontrar os amigos, mas a mudança no vento lhe chamou a atenção fez um giro de 360 graus e observou a região descendo a estrada havia um homem, talvez um velho , pois caminha lentamente e com certa dificuldade, mas este sumiu, uma miragem talvez? Difícil, não naquele lugar estava bem alimentado, o frio não o assolava tanto, pois sua roupa o protegia e não tinha sede. Talvez um fantasma, mas deixou a ideia de lado por um instante até que um vultou voltou a aparece, porém mais próximo de onde estava, mas agora era uma mulher, uma nobre talvez, as roupas eram delicadas e de um pano fino, levava consigo um pequeno guarda-chuva deu mais alguns passos e desapareceu. Rodrigo sentiu o frio lhe correr a espinha, desceu a arvore como um gato e escalou as pedras como um lobo indo atrás de sua presa, ouviu um barulho de cavalo a suas costas, virou-se rapidamente e pode ver um cavaleiro descendo a estrada em rápido galope com uma pesada armadura negra e desaparecer antes da curva. Rodrigo decidiu subir mais e encontrar seus amigos Guilherme e Carol haviam cochilado, mas os Guerreiros de Allcross são conhecidos por seu sono leve estando sempre atentos a qualquer barulho, diferentes da realeza que protegidos por seus castelos não estão tão preparados para o mundo lá fora, Carol era um exemplo dormia profundamente quase a ponto de ronco, o que sua graciosidade não deixasse escapar. Rodrigo sussurrou e Guilherme abriu os olhos a meio caminho, mas continuou deitado esperando por um inimigo que se aproximasse para mata-lo enquanto dorme, mas o sussurro veio novamente e dessa vez o chamou pelo nome Guilherme ainda deitado correu os olhos por todo o acampamento e parou sobre uma moita suspeita ele se levantou e cutucou a moita, mas Rodrigo estava acima dele sobre uma pedra .

Rodrigo – Teria lhe matado umas três vez hoje? Ou mais?

Guilherme – Ah! Um Elfo! Disse em tom de desabafo.

Rodrigo(descendo das pedras e indo ao lado do amigo que caminhava em direção a fogueira) – Um elfo não meu amigo, Um grande Elfo que poderia ter-lhe tirado a vida hoje por inúmeras vezes.

Guilherme – Claro “Grande” Elfo. Disse colocando grande ênfase na palavra, pois Rodrigo não chegava a mais que o busto do homem com seus meros um metro e setenta centímetros de altura.

Rodrigo – Parece que nos encontraremos todos aqui não acha?

Guilherme – Não sei, me diga você Haourin!

Rodrigo – prefiro que me chame Rodrigo!

Guilherme – Não a ninguém aqui!

Rodrigo – Pra não perder o costume somente isso.

Em meio a tanta conversa Carol se levantou e deu de cara com Rodrigo, no susto sacou o arco e a flecha e disparou, mas errou o alvo por sorte.

Rodrigo – Carol sua louca o que você acha que est- quer dizer milayde deve ter mais cuidado com o arco e flecha pode machucar alguém.

Carol – Haourin. Gritou a menina correndo para abraçar o homem a sua frente jogando o arco para o lado.

O garoto primeiro ficou estático com a ação espontânea da menina, mas a abraçou após certo tempo.

Rodrigo – Também senti sua falta Carol!

A menina ficou mais alguns segundos abraçado com o rapaz até se soltar dele.

Guilherme – Por que ele, você recebe mais amistosamente?

Carol – Bom, primeiro ele é educado, se porta como um verdadeiro príncipe, eu gosto dele, um ótimo amigo e você bom você é um bruto, que maltrata todo mundo e é humanamente impossível te abraçar, bom pelo menos pra alguém do meu tamanho, mas mesmo assim eu te amo Gui não fique com ciúmes.

Rodrigo – Okay gente eu preciso dizer uma coisa, estamos presos em um paradoxo.

Guilherme – Paradoxo?

Rodrigo – Sim, é como se fosse um labirinto interminável que sempre te leva para o mesmo lugar.

Carol – E o que acontece agora?

Rodrigo – Temos que descobrir quem está causando isso.

Guilherme – E como achamos quem está fazendo isso?

Rodrigo – Eu já localizei o local da energia, vem do alto do cume.

Guilherme – Então é só subir, o que estamos esperando.

Carol – É isso ai vamos nessa.

Rodrigo cruzou os braços e apenas observou os dois caminhando em direção ao alto do cume, até que eles desapareceram e reapareceram atrás dele subindo o caminho das pedras até o acampamento de Guilherme.

Guilherme – Ué, Haourin o que está fazendo como chegou ai antes de nós?

Rodrigo – Sua besta, você não percebeu que você está em um paradoxo? Eu acabei de falar lembra?

Guilherme — E como escapamos disso?

Rodrigo – Preciso achar o ponto exato onde vocês são transferidos para baixo novamente, farei um desenho na pedra aqui de baixo e quando você começar a vê-la me avise okay?

Carol – E o que isso tem a ver?

Rodrigo – Assim que vocês enxergarem a pedra quer dizer que estão próximos a divisa do paradoxo, então ficarei observando exatamente onde vocês desaparecem, que me dirá onde realmente a divisa.

Eles tentaram no mínimo umas cinco vezes até conseguirem perceber a pedra marcada por Rodrigo para avisarem a ele onde começavam a vê-la. Foram necessários mais dez passos para desaparecerem, Rodrigo fazendo todas as contas em sua cabeça correu até o local e sacando sua espada a fincou no chão liberando uma magia arcânica destruindo a divisa do paradoxo. Eles levaram dois dias para conseguir escapar de todos os paradoxos. No fim do segundo dia conseguiram chegar até o alto do cume e encarar um velho barbudo debruçado sobre seu martelo enorme e pesado que formava um “T” invertido. Os homens nem perceberam que a dois dias o sol não se mostrava no cume da sombra e ao se aproximarem mais do velho o local se tornava mais sombrio. O homem não se moveu se quer um centímetro, então o grupo decidiu apenas passar por ele, mas quando já estavam de costas para o homem enormes caveiras vermelhas saíram da terra empunhando suas espadas e arcos, Rodrigo sacou seu arco e derrubou três de uma vez, Carol fez uma fileira atirando uma flecha atrás da outra em alta velocidade, o velho já se levantara da cadeira era quase da altura de Guilherme que usou o próprio corpo para proteger os amigos do martelo que voou em suas direções, o barulho foi enorme e arrastou o rapaz por alguns metros Guilherme apenas empurrou as poeiras do ombro e sacando sua espada arrancou uma das mãos do inimigo, mesmo perdendo a mão o velho foi capaz de desferir um golpe contra a cabeça de Guilherme o fazendo cair no chão, o velho atingiu uma velocidade incrível e atacou Guilherme inúmeras vezes até esse lhe parecer inconsciente. Rodrigo Percebendo a movimentação a suas que vinha de trás, correu para o lado de Carol ficando costa a costa com ela e começou a disparar inúmeras flechas no homem , mas parecia não surtir efeito, então deixou o arco de lado e sacou as espadas de fogo, que já saíram em brasas de suas baias, o garoto atingiu uma alta velocidade desviou do martelo escorregando pelo chão e passando por entre as pernas do gigante pulou por suas costas e fincou as espadas em cada ombro causando um corte profundo que o homem pareceu outra vez não ligar, e lançou Rodrigo para longe. O homem ergueu o martelo a cima de sua cabeça e correu em direção a Carol que castigava os inimigos menores com suas flechas e não percebeu a aproximação do inimigo, Rodrigo mesmo caído disparou duas flechas de uma vez só e atingiu atrás entre os joelhos do velho o fazendo cambalear, mas não o tirando do caminho de Carol. Por sorte Guilherme já estava em pé e correu como um louco atingindo o homem pela lateral e o arrastando por vários metros, com tanta brutalidade que arrastou grande parte dos inimigos ao redor e algumas construções, Guilherme caiu por cima do velho e iniciou uma serie de socos e cotoveladas na altura do rosto, quebrando-lhe a mandíbula e por fim o finalizando com o próprio martelo. Guilherme se levantou e foi se sentar ao lado de Rodrigo que ainda estava sentado recostado sobre a pedra com um filete de sangue descendo sobre sua testa, as caveiras haviam retornado a terra e Carol se voltou a eles e deu alguns passos até que o velho surgiu novamente em suas costas, assustando a todos porém Rodrigo tomara um atitude no ultimo segundo, algo que nunca sairá da mente de Guilherme o garoto sacou o arco tão rápido seus olhos queimavam, tinha uma expressão canina em sua face até chegou-se a ouvir um breve rosnado e então veio um vento quente e cortante, o impacto foi tão forte que tirou o velho do chão e o fez cair a alguns metros de Carol.

Rodrigo – Espero que ele fique caído agora.

Nisso surgem dez homens no alto de uma pedra a frente do trio.

- Viemos Matar Loudric, mas parece que vocês já fizeram todo o trabalho!