Aon
3 A Dama Real
O dia já estava para despertar atrás das montanhas de Alark, Rodrigo já estava de pé ajeitando a armadura de couro sobre o corpo subiu até uma enorme pedra que ficava a beira do cume e ficou observando o nascer do sol por um tempo e com os olhos fechados, sentindo o vento bater em seu rosto e remexer seus cabelos, o garoto reuniu as mãos como se fizesse uma oração deixou o corpo relaxar acalmou a respiração enquanto os primeiros raios de sol já começavam a lhe tocar o rosto, aos poucos deixou que suas mãos tomassem vida e elas passaram a fazer um ritual com o vento, como se o enrolasse ou o empurra-se para longe, ou o trouxesse para perto até que por fim juntou as mãos novamente enquanto expirava profundamente. Sentou-se na pedra e terminou de observar o nascer do dia enquanto Carol surgia atrás de si lhe trazendo um copo de vinho quente com um pedaço de cordeiro. Ao fundo ouviu-se um estrondo pesado de algo sendo derrubado, era Guilherme brigando com um dos soldados do reino que o vencera em um jogo e debochara dele por ser tão ruim.
Carol – Guilherme logo cedo?
Rodrigo – Fazer o que natureza de um yankee é lutar!
Carol – Devemos ajudar?
Rodrigo – Talvez, mas quem iríamos ajudar?
Carol – ah... acho melhor ajudarmos o soldado!
Rodrigo — Também acho. Afinal não devemos ter problemas com quem vai cuidar do cume da sombra.
Guilherme havia segurado o homem pelas pernas e estava pronto para batê-lo contra ao chão quando Rodrigo lançou uma corrente contra o pulso de Guilherme que se prendeu a ele, mas o homem gigante mal sentiu e tentou continuar com o golpe puxando Rodrigo para o alto junto, mas o garoto juntou mais forças e travou os pés no chão, mas continuou sendo arrastado. Carol apareceu à frente de Guilherme com um sorriso irônico.
Carol – Ei Gui será que você poderia soltar este homem?
Guilherme – Saia daqui seu toco insignificante eu vou ensinar a este homem a nunca mais tratar um Yankee como idiota.
Carol se irritou profundamente com o comentário e tomou uma expressão aterrorizante, cerrou os punhos e o acertou a altura de seus olhos, ou seja, entre as pernas de Guilherme derrubando o grandalhão com facilidade. Deu alguns passos juntando o garoto pelos cabelos que ainda se contorcia no chão e o arrastou para trás de uma pedra.
Rodrigo – A Carol pode ser bem assustadora quando quer!
O garoto havia esquecido que Guilherme ainda estava preso por suas correntes e começou a ser arrastado junto com o garoto até onde Carol os castigou por sua falta de educação e Rodrigo acabou levando por tabela.
Carol – Espero que agora você passe a me respeitar mais Senhor Guilherme. Disse a garota limpando as mãos e batendo a poeira dos ombros.
Rodrigo – Ei por que eu apanhei também?
Carol – Ah.. há há há... (eu nem percebi que tinha arrastado o Haourin junto com o Gui) acho melhor nós continuarmos nossa jornada. Disse enquanto saia a passos rápidos da proximidade dos dois.
Enquanto isso alguns quilômetros a frente um golpe acontecendo, uma garota tão branca quanto à neve dava ouvidos ao um vendedor da estrada o homem levava inúmeros objetos brilhantes consigo sobre duas mulas, um homem estranho de barba mal feita cabelos espalhafatosos que de hora em hora o vento levantava revelando uma careca, usando roupas velhas e fedendo a suor. O homem fala de tal maneira que conseguia convencer a garota que estaria fazendo um ótimo negocio em trocar suas coisas pelas novidades que ele trazia.
Vendedor ambulante – olha só minha donzela essas são roupas da ultima moda nos outros reinos, diferente desses velhos trapos que você usa, com todo respeito é claro. Disse fazendo-lhe reverência de forma desengonçada.
A garota estava prestes a trocar seus pertences por aqueles trapos mal feitos que o homem vendia, quando surge um elfo de pele queimada com alguns traços de escamas sobre parte do corpo, olhos rachados no meio em tons amarelos se misturando com esmeralda, cabelos curtos espetados, e uma armadura que mais parecia um lagarto ou um dragão. O elfo se aproximou com certa voracidade afastando a garota do vendedor a puxando pelo cavalo.
??? – Ei o que pensa que estais a fazer plebeu, eu sou a herdeira de Aon, como ousas me tratar de tal maneira.
??? – Paloma você até pode ser a herdeira, mas para o mundo aqui fora você não passa de uma garota idiota, com todo respeito vossa alteza “fazendo uma leve reverencia enquanto olhava para trás” que cai na conversa de qualquer um.
Paloma – Como ousa falar assim comigo, quem pensas que és?Um nobre, não poderia ser nenhum nobre seria tão mal educado de tal forma.
Sadi – Paloma é claro que sou eu o Sadi, será que nem isso consegue perceber?
Paloma – Sadi? Como chegou aqui tão rápido.
Sadi – Isso não importa me pergunto o que seu pai estava na cabeça te mandando para a peregrinação sozinha sem uma de suas servas?
Paloma – Aquele velho...
Sadi – Ah... Pelo jeito você fugiu de casa novamente! E desta vez o Rodrigo não estava por perto pra te resgatar não é?
Paloma – Não vi problema algum, não corri perigo só estava fazendo um bom negocio com aquele nobre senhor.
Sadi – Nobre senhor? Você percebeu os trapos que ele usava Paloma, ele ia te vender roupas remendadas com pedras brilhosas sem valor que apenas atraem a atenção, mas não tem valor algum e são bem mal feitas.
Paloma – E desde quando você entende de roupas de mulheres?
Sadi – E desde quando você entende disso? Se são suas servas que lhe vestem e lhe dão banho?
Paloma – É claro que elas me ajudam só um pouco, mas sou eu quem decido o que vou usar.
Sadi – Mais bla bla bla bla bla.
Paloma – O que disse?
Sadi – Nada vossa alteza disse que (abaixando a voz aos poucos) é impressionante que uma pessoa tão desligada possa ser herdeira do reino e ter o.... (a voz ficou inaudível)
Paloma havia se curvado sobre sua montaria para tentar ouvir o que Sadi dizia que acabou escorregando da cela do animal e foi parar sentada sobre uma poça de lama deixada por uma carroça há certo tempo. Sadi não se aguentou e caiu na gargalhada, mas para sua surpresa Paloma não se derrubou em choro, a garota se levantou bateu as mãos para se livrar um pouco da lama se aproximou do rapaz o pegou pela gola e o jogou de cara na lama. Se afastou do garoto subiu em sua montaria e saiu em disparada.
Paloma – Sadi seu idiota! Gritou a garota enquanto se afastava.
Sadi – Maldita Paloma. (tremendo de raiva) eu vou matar aquela menina.
A garota correu até a floresta perto de um lago com uma cachoeira onde decidiu lavar o rosto, deixou o cavalo de lado bebendo água e se ajoelhou a beira do lago, Sadi já havia a alcançado e se aproximava sorrateiramente de Paloma e a empurrou dentro do lago irritando a menina ainda mais.
Paloma – Sadi... Como eu te odeio, nós não somos mais crianças para com essas brincadeiras estúpidas.
O garoto estava se contorcendo de rir a beira do rio até ver uma movimentação diferente atrás da garota, percebeu uma cauda escamosa surgir por trás de Paloma fazendo seu coração disparar.
Sadi – Paloma sai da água agora!
Paloma – Agora que você me fez molhar toda minha roupa eu não vou sair daqui!
Sadi – Não cabeçuda você tem que sair daí agora... droga..
A fera já havia se preparado para o bote, e sadi já voava em direção de Paloma pronto para atacar a besta, mas para sua surpresa uma grossa e pesada lança atravessou a criatura a fazendo tombar para dentro do lago novamente.
Paloma – O que foi isso? (Aos berros.)
Sadi – Sai logo daí Paloma. Disse a puxando para fora do Lago.
Os dois conseguiram se retirar do lago e ouviram alguém do outro lado os chamando. Era um homem alto em uma pesada armadura, de cabelos curtos loiros, com uma espada de duas mãos a suas costas.
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