Aon

16 A verdade que se esconde nas sombras


O Sol nem pensara em se erguer no horizonte quando os primeiros estrondos de batalha se iniciaram, Guilherme estava no alto da muralha com destroços das casas as atirando contra os inimigos que se aproximavam pelas laterais das muralhas enquanto Glauber e Carol usavam suas flechas para derrubar os que enfrentavam o corredor do portão criado por Guilherme. Karnos e Haourin haviam saído as escondidas da cidade e adentrado a floresta para atacar inimigos que andavam desavisados a procura de uma forma de adentrar a cidade. karina havia criado um escudo de proteção que avisava se algum inimigo conseguisse adentrar os limites da muralha os colocando sobre um efeito de fadiga facilitando a derrota do exército inimigo por Palloma e Victor que protegiam as partes baixas da muralha na área comercial. grandes criaturas carregavam os guerreiros dos dragões do mar, Karnos e Haourin tinham certa dificuldade para derrota-los até que Patrícia começou a ajudar junto de Han'ahary com maldições e pragas. A Luta já havia se estendido a manhã toda, Guilherme havia usado tudo o que tinha contra os inimigos que tentavam invadir os portões e eles continuavam a chegar. A falta de recursos fez com que o Guerreiro se jogasse das muralhas e enfrentasse os inimigos com os próprios punhos, cada movimento de seus golpes erguia dezenas ao ar, a terra se remexia com suas pancadas. Quando um grande numero se uniu no corredor, Guilherme agarrou um pedaço da muralha e usou como escudo para correr contra os inimigos os esmagando e os empurrando de volta a base do morro para floresta.

Sadi e Haourin haviam contornado todo o campo de batalha para pegar os homens por trás, mas foram surpreendidos por um grupo que caminhava pelas redondezas em busca de uma entrada alternativa na muralha. O grupo rapidamente
os cercou tentando faze-los se renderem porém os dois elfos sacaram suas espadas
e correram contra as lanças inimigas desviando-as e fazendo com que se ferissem uns aos outros e depois os finalizando-os com suas espadas.

Glauber e Karina começaram a criar armadilhas mágicas espalhando-as pelas ruar mais próximas ao centro da praça de execução. O clima ali estava calmo até então, nenhum inimigo havia conseguido transpassar os guerreiros espalhados nas amuradas e na parte exterior.


Carol estava em uma abadia próxima a muralha com uma alta torre central que dispunha de um grande campo de visão da entrada e do morro que seguia para o portão, dali era capaz de disparar suas flechas com maior precisão e com um longo alcance.

A manhã se tornou tarde e a tarde começou a escurecer e a batalha perdurava, o numero de guerreiros diminuía de tempo em tempo até sobrar poucos homens se dirigindo para os portões, os guerreiros de Larissa tomaram os postos dos guerreiros de Aon e esses se puseram a descansar, conseguiram no máximo três horas de paz até o soar de trombetas nas partes externas e bestas voadoras parecidas com morcegos carregavam vários soldados por cima das amuradas os deixando em todos os locais da cidadela. Grande parte da primeira leva caiu sobre as armadilhas de Glauber e Karina outros entraram em batalha com os guerreiros rebeldes e foram sobrepujados.

Guilherme cansado de esperar a chegada de mais soldados, partiu para as partes externas das muralhas e em direção ao batalhão principal. Usou sua força
monstruosa para derrubar os homens como se não fossem nada, mas sua ação precipitada causou a invasão dos portões que aguardavam na floresta e a batalha dentro da cidadela se intensificou, inúmeros guerreiros rebeldes começaram a cair e os dragões começaram a conquistar um grande espaço até a praça.

Paloma liberou seu poder sagrado novamente para lutar, mas de forma controlada para não ferir os amigos. Não importava o numero de guerreiros que se aproximavam para lutar, a luz os consumia rapidamente.

– Victor... Sadi... Karina... venham me ajudar! Gritou Paloma ofegante.

O seu poder era enorme, porém mante-lo controlado era cansativo de mais e seus amigos se aproximaram para ajudar, Karina montou uma barreira para empurra-los para fora da praça, Victor e Sadi derrubavam os que forçavam contra a barreira para tentar se aproximar. O poder de karina diminuía com o passar do tempo, seu corpo e mente estavam cansados e vendo que a barreira não aguentaria mais, Sadi mandou todos se unirem no centro da praça e todos o fizeram.

– Karina Aguente só mais um pouco até eu terminar de conjurar. Sem esperar a resposta de Karina, Sadi iniciou recitar palavras élficas e um calor intenso se formou ao seu redor até o ar se incendiar e quando a barreira se desfez o fogo tomou vida própria e começou a circular por todas as ruas queimando todos que entravam em seu caminho.

Mesmo entre as chamas os soldados continuavam a surgir e forçar a batalha, Todos os amigos se reuniram na praça e foram a batalha. Sadi continuava com suas chamas atacando tudo que tentava se aproximar, Glauber utilizava uma magia iluminada parecida com a de Paloma, mas está saia de suas mãos como raios e atravessavam os inimigos que simplesmente desapareciam.

– Droga, onde está Haourin? Gritou Sadi para os amigos.

– Marmota, Larissa e seu exército também desapareceram! Disse Han'ahary
ficando de costas para o elfo.

– FUYUARU HARAD*!Gritou Patrícia.

Tudo ao redor da praça foi coberto por uma floresta negra até que o solo não pudesse mais ser visto e apenas uma luz roxa que vinha do cajado da xamã. Quando a magia se completou algo estranho aconteceu tudo desapareceu, revelando uma cidade intacta e seus corpos parados um do lado do outro em pé em posição de batalha e poucos homens dos dragões se aproximavam calmamente para finalizar a todos, porém uma flecha sibilou dos céus até o peito de um dos homens. Amarrado ao corpo da flecha estava um dente e tudo ficou em silêncio. Patrícia e os outros olharam ao redor até encontrarem no alto de uma das muralhas dois elfos, um espirito da floresta e uma guerreira encapuzada.

Alguns homens correram para o ataque contra os jovens que estavam em transe profundo, mas foram todos derrubados rapidamente por flechas em suas costas. Carol estava sob uma das casas, extremamente ofegante com manchas negras em seus olhos, suas flechas pareciam embebidas em um ácido muito poderoso que rapidamente corroia seus alvos. Mais homens saíram de trás das casas em direção aos amigos no centro da praça e as flechas de Carol não foram o suficientes para derrubar todos mesmo com ela derrubando inúmeros inimigos. Haourin apenas observava a batalha com os olhos cintilando em escarlate e uma fumaça negra surgia ao redor de seu corpo como uma capa.

Uma sombra cobriu o sol nascente e tomou forma a caminho do chão separando os dragões do mar dos guerreiros de AON, os homens ficaram desnorteados com a poeira que se ergueu e não puderam desviar de duas criaturas enormes que pularam sobre eles. Dois trolls da floresta escondida sob comando de Haourin devastaram a praça empurrando os homens para fora sobrando apenas um pequeno batalhão de dez homens cercando o capitão. Os trolls entraram em batalha com o batalhão enquanto o capitão caminhava em direção ao centro da praça e subia no pedaço de muralha arremessado pelas gigantescas criaturas.

Haourin completamente envolto por sua capa negra, deixou-se cair da muralha, sua capa se deformou enquanto caia descobrindo seu corpo, mas logo voltando a cobri-lo quando o elfo atingiu o solo. A fumaça negra se espalhava pelo chão enquanto caminhava.

– Eu so- Haourin o atingiu com um soco direto na boca o lançando para
longe.

– Gartz, eu sei! disse Haourin com uma voz pesada.

O elfo e o Capitão dos dragões começaram a travar uma batalha feroz, mas Patrícia sentia algo estranho vindo do capitão e recitou uma magia em voz baixa e seus olhos se tornaram roxos cintilantes, e uma sombra se revelou sobre o homem. Ao redor tudo estava destruído, os Trolls batalhavam com o restante do batalhão e o capitão apenas observava a luta de Haourin com a sombra em sua forma. Mas andando calmamente no campo de batalha estava um lobo branco com uma tatuagem do rosto a pata e rapidamente Patrícia sacou a intenção do elfo. Ele sabia sobre a ilusão e para conseguir atacar Gartz sem que ele percebesse tomou sua forma espiritual enquanto a entidade em seu corpo físico lutava de forma controlada com a sombra sob manipulação de Larissa e Marmota que usavam seus poderes em conjunto para inibir o total poder da entidade.

Haourin porém não é especialista em atacar com a forma espiritual e prevendo isso, Patrícia iniciou um ritual para libertar o seu espirito.

– Hanesh yashin*! E seu corpo foi coberto por uma luz verde e toda a magia de ilusão se quebrou libertando os amigos. Haourin voltou a seu corpo físico expulsou a sombra que batalhava com ele e correu em direção a Patrícia para tentar para-la.

A xamã rapidamente desapareceu e reapareceu em frente a Gartz, o corpo do homem tornou-se pedra ao toque da magia xamânica e uma onda de choque muito poderosa se espalhou pelo local, derrubando todos ao chão com um forte zumbido em suas mentes, até mesmo os trolls não foram capaz de resistir a tamanho poder espiritual.

Guilherme surgiu com Carol em seus braços extremamente exausta, mas a colocou no chão próxima a Haourin que encarava Patrícia com uma intensa expressão de raiva.

– Não adianta olhar com essa cara, você iria fazer algo pior! Deixe outras pessoas se sacrificarem por seus amigos de vez em quando. Disse a Xamã sorrindo enquanto seu corpo se desfazia no ar.

O elfo correu para tentar segura-la, mas ela já havia partido.

– O que foi que aconteceu? Perguntou Eduarda pousando ao lado de Haourin e voltando a forma Élfica.

Haourin cerrou os punhos trincando os dentes e desviou o olhar.


______________________________________________________________
* FUYUARU HARAD — Floresta das trevas.
* Hanesh Yashin — Libertação espiritual.