Notas iniciais
Ahhhh desculpem!!!!! Eu realmente não vi o tempo passando >.........< Mas ai está! Espero que gostem

Sempre que precisava de conselhos, ia até meu papa. Sei que é estranho pedir conselhos para alguém morto, mas de certo forma, parecia que ele me mandava um sinal sei lá...

–Chega de me lamentar não é? Já passei um ano assim- disse enxugando as lágrimas que se formavam em meus olhos- Er, sobre minha vida lá em casa esta como sempre... Mama agora tenta se aproximar de mim, mas de certa forma é impossível... Às vezes a vejo andando lentamente pela casa com um olhar triste, solitário... Com certeza ela sente sua falta, mas não admite. E Rafael... Bom, está como sempre, só que pior. Ele olha-me tão estranhamente, além de um dia ter falado que estou mais “desejável”... Isso é realmente repugnante! Tenho medo do que vai acontecer, mama passa o dia trabalhando e chega tarde... Rafael sempre chega antes dela, por isso tento ficar longe de casa o mais longe possível! Mas... Não posso ficar de noite na escola, ou na biblioteca... Muito menos aqui.

Fiquei um pouco em silencio de cabeça baixa... Minhas pernas começaram a doer então decidi sentar, me abaixei e sentei-me em perna de índio... Olhei pra a lápide de meu pai, sempre tentava evitar olhar quando era mais nova, pois não queria acreditar que ele estava morto...

–“Dante Fattore. Acidente de carro. 1980-2008”. – eu lia a lápide de meu pai, o que há muito tempo não via... – Faz tanto tempo né? Oito anos já se passaram... Tentei fazer muitas coisas nesse tempo. Tentei tocar em seu violino, até consegui tocar uma musiquinha que você tentou me ensinar... E a cada dia mais eu cozinho melhor! Hoje eu fiz aqueles cornettos que você sempre fazia, mamãe até comeu um e disse que estava bem parecido com o seu. Isso me deixou tão feliz... Haha, quem me vê aqui conversando com a lápide, deve achar que sou louca, mas não me importo... Para mim tem significado falar com a “lápide”, é como falar com você...

Fiquei lá, apenas recordando-me de minhas memórias de quando era pequena, com um sorriso no rosto enquanto passava a mão na grama... Mas ai meu celular tocou, peguei de dentro de minha bolsa, era o numero de casa. Estranho, já tinha dito que eu chegaria em casa tarde...

–Alô?

–Alô? Docinho? Venha para casa, sua mãe esta fora... Por-

–Me deixe em paz!- depois disso desliguei na cara de Rafael e logo em seguida o celular.

Fiquei quieta segurando o celular firmemente na mão, querendo morrer naquela hora... Só podia ouvir passos de todas as direções, o sussurro das arvores em meus ouvidos... Então me encolhi e coloquei as mãos na cabeça.

–Por que isso acontece papa? Por que... Por que tenho de viver assim? Com medo, saudade... Tristeza... Por que não posso ser feliz como antes? Amar como antes... As pessoas não gostam de mim, acham-me estranha... Mas, até teve uma pessoa que me disse... Que meus olhos eram lindos... Fiquei tão sem graça... Meu coração bateu mais e mais forte quando eu estava ao seu lado, mas brigue com ele... Não sei o porquê, acho que eu não gostei dele segurar outra menina nos braços, mas eu o conheço tão mal... Não sei do que ele gosta, do que ele odeia... Ou de seu aniversario... – disse começando a chorar...

O som das árvores se misturava com os dos passarinhos cantando e do vento soprando, pessoas vindo e indo do cemitério... Eu chorava em meio a soluços.

–E-eu não a-aguento mais segurar! E-eu nunca c-chorei por você! Tenho saudades... P-por que não é p-possivel você voltar?! Eu me senti tão triste por t-ter brigado com L-Linos! Q-quero me desculpar... Quero a-abraça-lo!

Comecei a ouvir passos, vindo em minha direção, com certeza era o coveiro... Ele sempre me falava pra não ficar até muito tarde, porque era perigoso... Enxugando as lágrimas e me levantando, ainda de costas disse:

–N-não precisa se preocupar s-senhor Fil... L-logo vou embora...

Ainda estava soluçando e algumas lágrimas rolavam pelo meu rosto.

–Eu... Não sabia que você... Sentia-se desse jeito, Layla...

Então, após ouvir isso me virei para trás. Linos Vieres se encontrava olhando para mim com um olhar triste...

–L-Linos... – mais lágrimas rolaram pelo meu rosto e fez-se um aperto em meu coração.

–Layla... Você está chorando e sei que uma das causas de você estar assim sou eu... Perdoe-me! Não sabia que você estava tão triste...

Sem demonstrar reação, minhas lágrimas não paravam de cair... Linos se aproximou me dando um confortante abraço e passando as mãos em meus cabelos falou baixinho para mim:

– Eu só te cobro, porque eu gosto de você... Fico preocupado com você... Perdoe-me por tudo de errado que eu fiz...

–L-Linos... Perdoe-me também, f-fui idiota em falar tudo aquilo! M-meu coração está tão apertado! N-não consigo mais parar de chorar!

–Se você quiser, pode chorar à vontade... Por tudo o que eu ouvi você segurou por muito tempo não é? Não precisa esconder... Todos aguentam até certo ponto e você segurou por anos essa tristeza.

Depois disso, retribui o abraço e comecei a chorar como uma criança, ou melhor, como a criança que fui e que não podia chorar, não podia mostrar sua dor... Ficamos assim por mais de dez minutos, ele acariciava meus cabelos e me embrulhava em seu abraço como se fosse só isso que ele pudesse fazer naquele momento. Certa hora já não estava chorando tanto, ele me soltou e se agachou, tirou meu cabelo de meu rosto enxugando minhas lágrimas com um singelo sorriso disse:

–Já está melhor não é?

–Uhum... A-acho que sim.

–Então me mostre um sorriso!

Ele deu um sorriso bobo para me fazer rir e deu um pouco certo, dei uma risadinha e logo sorri...

–Olha! Você sabe sorrir! Haha, vamos embora?

–Vamos... Só espere um minuto o.k.?

Vir-me-ei para a lápide de meu pai, eu me abaixei e sussurrei:

– Obrigada papa! Sabia que você iria me ajudar... Até outro dia.

–Layla?

–Já vou Linos! – gritei – Até mais papa... Ti amo...

Levantei-me e fui até Linos, com um sorriso no rosto... Ele repentinamente colocou um agasalho negro sobre minhas costas e pegou minha mão.

–Está frio, não quero que você tenha mais crises...

–A-ah... S-sim, tudo b-bem...

–Não tem problema, de eu segurar sua mão?

–N-não... Acho que não.

Linos apenas sorriu para mim, me sentia feliz não sabia o que podia esperar vindo dele, já que ele é tão imprevisível, podia ficar sério em apenas alguns segundos, ou até mesmo bravo em alguns segundos... Quando estávamos saindo do cemitério, havia um senhor sentado no chão, um mendigo na verdade.

–Será que vocês não teriam nada para me dar? — disse ele estendendo a mão para nós. Linos tentou não prestou atenção e queria ir embora, soltei sua mão queria ajudar o pobre homem e tentei achar algum dinheiro na minha bolsa. Acabei achando cinco libras, nada menos e nada mais, me abaixei e disse para o homem:

–Desculpe, não tenho mais nada para lhe dar...

–Está tudo bem minha jovem! Só de você ter a vontade de ajudar um velho imundo feito eu, já é o bastante! Que deus a tenha minha filha.

Eu sorri para ele me levantando e fui até Linos. Começamos a andar novamente porem ele estava sério, de novo... Chegamos a uma cafeteria, “Café e Cia” o nome era bem atrativo, o lado de fora ele colorido de laranja e amarelo com portas de vidro e um atendente de terno na entrada. Aproximamo-nos do local e o homem de terno nos disse:

–Bem vindos ao Café e Cia! Tenham um bom proveito!

=Obrigado. – dissemos.

Ao adentrarmos o local, senti um frio na espinha e um cheiro de café preencheu meu olfato, um cheiro tão bom! Linos foi quem escolheu a mesa, confesso que achei um pouco distante do restante, mas pra mim tanto faz. Fomos até lá e nos sentamos, por algum motivo o clima estava meio pesado por lá, Linos nada dizia e eu não me atreveria perguntar o que estava acontecendo, apenas ficamos assim... Em silencio. Então olhei para fora e vi o sol se por em meio aos prédios, era tão lindo.

–Anh... Layla posso perguntar uma coisa?

–Pode.

–Aquele túmulo era um conhecido seu?

–Digamos que, era bem mais do que um conhecido...

–Pode explicar melhor?

–Era minha família... A única pessoa que pude contar... Era meu pai.

De repente, silencio reinou novamente. “- Só disse o que ele pediu, por que o clima ficou pesado novamente?! Que tortura”. – pensei comigo mesma.

–Sinto muito pela perda...

–Não necessita disso Linos, ele já se foi há muito tempo.

–Como ele morreu?

–Não me lembro muito bem... Só sei que era um dia chuvoso e frio, minha mãe chorava muito e meu pai disse que iria embora de casa que não voltaria mais... Ele me deu seu medalhão e me deu um beijo na testa... Eu queria ir com ele, mas ele dizia que não podia. No dia seguinte, soube que ele havia morrido em um acidente.

Mostrei o medalhão e as fotos que continha dentro, Linos ficou em silencio só deu um leve sorriso e ficou com a cabeça baixa... Uma moça veio até nós, com um bloquinho de notas e uma caneta, então ela disse:

–Olá, boa noite! O que vão pedir?

–Vou querer um suco de laranja. E você Layla?

– Vou querer um suco de morango... – disse baixinho.

–E para ela um suco de morango, por favor.

–Tudo bem. Trago em um instante! Ela saiu aos pulinhos, como uma criança feliz. Linos ainda ficou em silencio e me arrisquei, olhei para ele e disse:

–Lá no cemitério... O quanto você ouviu?

–O suficiente.

–Diga Linos. O quanto você ouviu?

–Tudo o que eu precisava ouvir!

–Isso não me res-

–Você gosta de mim?

–Anh?!

–Você me ouviu, você gosta de mim? Ou me ama?

–Linos?

–Responda-me!

Notas finais
Esse casal....