Ao som dos Violinos
6 Amor?
Notas iniciais
Não sabia o que responder, estava perplexa. Que tipo de pergunta era aquela? É claro que eu não desgostava dele, mas eu o amava? Eu mesma não sabia o que eu sentia, só o conhecia ele há uns dois meses... Pois é, nem eu vi o tempo passando...
–E-eu... Eu... — não tinha noção do que falar...
–Eu, eu, eu, eu o que? – disse Linos um pouco bravo
–Ah! Você se irrita facilmente!
–Porque você demora um século pra me dizer qualquer coisa!
–Porque você faz perguntas estranhas!
–Então me responda! O que você realmente sente por mim?!
Eu nada disse, fiquei quieta e para minha alegria a garçonete voltou com nossas bebidas, colocando-as sobre a mesa, disse com um sorriso:
–Aqui está, tenha um bom proveito!
E foi embora. Eu não pensei duas vezes, peguei meu suco e coloquei meu canudo, queria evitar a conversa com Linos, entre goles e pensamentos comecei a tossir, mas nada violento, só estava nervosa com a situação, abri minha bolsa e peguei minha bombinha... Linos pegou o suco dele e, com o canudo ele mexia e remexia o liquido alaranjado em seu copo, certa hora ele parou e começou a me encarar.
–P-por que você está me encarando? – perguntei meio ressentida virando-me para ele.
–Não estou te encarando. Só te olhando e me perguntando quando você mais me responder.
–Responder o q-que?
Linos sentou-se mais perto de mim, ainda olhando-me. Então ele colocou sua mão sobre a minha e com a outra ele segurou em meu queixo com os dedos...
–Você sabe que pergunta... – disse Linos perto de meu rosto.
–E-eu gosto de v-você, ma-
–Era o que eu queria ouvir.
Linos após falar essa frase, colou seus lábios nos meus sem hesitar. Seus lábios estavam quentes como o sol e doces como o mel, não podia pensar direito ou raciocinar bem, eu fechava meus olhos fortemente pensando comigo mesma:
“-O q-que esta acontecendo?! E-eu preciso parar! Mas não consigo, ele está me segurando fortemente, não consigo me soltar...!”
Não durou muito tempo o beijo de Linos, logo ele desuniu nossos lábios e olhando-me disse:
–E agora você sabe o que eu sinto por você.
Permanecia imóvel, sem reação, tentando pensar o que tinha acontecido ali. Minhas bochechas ganharam um vermelho tão intenso como o fogo, minha mente estava confusa e meu coração batia tão forte que parecia que ele iria explodir!
–Lay? Você está bem?
“- Lay?! Por que ele me chamou de Lay?!” – pensava comigo abaixando a cabeça e colocando meus dedos em meus lábios.
Levantei-me confusa, não queria mais ficar lá. Só queria correr, queria pra casa. Fui andando rápido até a porta, Linos me chamou, mas ignorei. Ele deixou o dinheiro na mesa e veio atrás de mim. Já estava na esquina e ele me alcançou, pegando meu braço ele disse:
–Layla! Por que você saiu correndo?
–S-SEU IDIOTA!
Eu iria bater em sua barriga, mas ele defendeu com suas mãos. Fiquei tão irritada por ele ter me beijado, mas feliz ao mesmo tempo...
–Ai! Por que você tentou me bater? O que eu fiz?
–E você ainda pergunta? Idiota!
–Ei! Se você não queria que tivesse a beijado desculpa, mas foi só um beijo...
–S-só um...! Er... — fiquei muda de repente.
–Layla? Você já havia beijado alguém na sua vida?
Virei à cabeça de lado sem nada dizer.
–N-não? Hahaha.
–Não ria!
–Desculpe hahaha. Mas só de pensar que tenho seu primeiro beijo em mãos, ou melhor, em lábios me deixa feliz, haha.
–IDIOTA! Eu fui andando irritada e totalmente vermelha de vergonha, tá sei disso, foi meu primeiro beijo em 16 anos, grande coisa! Ele veio atrás de mim sorrindo e fitando-me o tempo todo até que cheguei à esquina de casa.
–V-você pode ir embora agora!
–Nossa Lay... Calma...
–N-n-não me chame de Lay!
–Por quê? Você tem vergonha? Ou você está com vergonha?
Fiquei quieta como sempre apenas o encarando. Eu tirei o casaco que ele me deu e disse:
–Toma seu casaco de volta...
–Haha, acho que isso é um sim.
Ele pegou o casaco, mas ao mesmo tempo, ele pegara minha mão e me puxou para perto dele,e colocou sua mão em minha cintura, dando-me um beijo. Eu o empurrei, era vergonhoso receber um beijo de alguém que você mal conhece.
–O que foi? Você não disse que gostava de mim?
–Ah! Você sempre pensa errado! Eu gosto de você, mas é como amigos! Só isso!
–Hum... Entendo, mas não irei desistir até que você me ame com todo o seu coração. Então boa noite...
Ele me beijou mais uma vez, eu tentei me soltar, porém ele me segurava fortemente. Quando ele parou, simplesmente me abraçou. Soltei-me e fui correndo pra casa, tinha vergonha de continuar ali... Quando cheguei à porta de casa, parei antes de abrir e comecei a pensar...
“-Minha vida sempre foi simples... Sempre normal... Agora tudo está mudando...”.
Fiquei lá até ouvir um trovão e ver tudo ficar claro, olhei para o céu com um pouco de medo.
–A-acho que vou entrar... – disse girando a maçaneta.
Adentrei a casa e mal dei um passo e tudo ficou escuro, eu fiquei gelada na hora, não gostava de ficar no escuro repentino e a chuva também dificultava tudo, há também a questão de Rafael, aquele tarado podia fazer qualquer coisa...
–AAAAH!!!!! – gritei caindo de joelhos no chão com as mãos no ouvido ao escutar um trovão- A-alguém apareça! P-por favor!!!!
Comecei a tremer e a ficar sem ar, lembrava-me de tantas coisas que me davam medo e que por culpa de uma chuva meu papa havia falecido, fechava meus olhos o mais forte possível até sentir uma mão em meu ombro esquerdo.
–NÃO ME TOQUE! – gritei virando-me para a porta.
–Calma, calma, não irá te machucar Lay! – Linos tinha ouvindo-me gritar e correr até minha casa para ver o que tinha acontecido.
–Por favor... Ajude-me, cof cof, está escuro, muito cof cof escuro! Cof, cof.
Comecei a tossir violentamente, Linos desesperado tentou achar a bombinha na minha bolsa, eu tossia mais e mais até quase desmaiar, foi ai que ele finalmente a encontrou e me deu. Usei a bombinha tremendo, logo depois Linos abraçou-me com força e disse:
–Calma... Tá tudo bem, ninguém vai te machucar ok? Tá tudo bem...
Eu o abracei fortemente tremendo de frio e medo, nunca gostei do escuro desde pequena, não sei o porquê, acho que prefiro a luz... De repente tudo ficou claro novamente, a luz tinha voltado.
–Viu? Passou. – disse Linos se afastando e olhando pra mim.
–O-obrigada... Por vir me ajudar...
–Não foi nada... Mas você está bem mesmo?
Linos estava quase colocando sua mão em meu rosto, eu desviei no mesmo instante.
–E-estou bem... Sério.
–Ah... Entendo... Você quer que e-
–Pode ir embora... Posso me cuidar agora.
–Tudo bem...
Ele se levantou e saiu fechando a porta, deixando-me lá... Também fiz o mesmo, levantei-me e fui até a cozinha, tentando não pensar no ocorrido... Quando olhei na geladeira, em sua porta havia um papel, um bilhete, dizia:
“Layla, eu e Rafael vamos a uma reunião de trabalho. Tem comida congelada na geladeira, se você preferir cozinhe algo. Voltaremos tarde. Beijos, Mamãe.”
“-Saíram... Pelo menos não estavam aqui naquela hora...” – pensei.
Joguei o bilhete fora, peguei um pacote de bolachas e fui subindo as escadas. Entrei em meu quarto e me joguei na cama... Sentei-me e comecei a comer as bolachas, eram as que eu mais gostava, de morango... A cada bolacha que comia mais eu pensava, por que Linos me escolheria? A cada vez mais que pensava mais comia, quanto mais comia mais pensava, como um ciclo vicioso...
–Layla, pare... Não caia de novo... – disse para mim. – vou tomar um banho, talvez passe... Obriguei-me a parar de comer quando vi que o pacote estava no fim, levantei-me e fui até o banheiro, liguei a água para encher a banheira e olhei-me no espelho...
–Você é bonita Layla... Só está acima do peso... Só isso...
Quando a banheira encheu, tirei minhas roupas e joguei em um canto do banheiro, peguei meu celular coloquei uma musica de uma banda que eu gostava, mas quase ninguém conhece... O nome é DIAURA muito legal, gosto bastante do vocalista, mesmo sendo japonesa é bem legal... Entrei na banheira e desliguei a água, comecei a me lavar ainda pensando no que Linos disse...
“Mas não irei desistir até que você me ame com todo o seu coração.”
Meu coração disparava ao lembrar-se disso... Eu gosto dele... Mas acho que a palavra “amor”, ainda é forte de mais para mim... Ouvi mais um trovão e mergulhei na banheira com as mãos no ouvido, quando abri os olhos dentro d’água assustei-me, vi uma pessoa do outro lado olhando para mim com um olhar medonho e um sorriso de gelar a alma, seus olhos eram vazios, seus cabelos cremados pelo fogo e sua pele negra totalmente queimada lembravam-me o demônio. Por impulso gritei de medo, mas acabei engasgando com a água, levantei quase asfixiada e tossindo. Olhei ao redor, não tinha nada lá, era tudo minha imaginação. Meu nariz começou a sangrar e não parava, sai da banheira, peguei uma toalha e fui até meu quarto, mas em minha porta tinha um aviso: “Cuidado com o pervertido!”.Quando me virei para voltar ao banheiro, deparei-me novamente com aquela figura e no mesmo instante gritei.
Acordei em minha cama, chorando.
Quando notei, tudo não passava de um sonho ruim, respirei aliviada... Tudo era medo da chuva que se transformou nisso, tentei ir tomar banho e deu tudo certo, não apareceu nenhuma assombração ou algo do tipo. Tinha quase me esquecido sobre Linos pelo menos até a hora de eu dormir... Queria que a manha chegasse logo, queria terminar aquele dia o mais rápido possível, tentar esquecer meu pesadelo e emoções que eu poderia sentir por Linos, eu gostava dele, mas não sei se amava de verdade...
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