Ao som dos Violinos
3 Um dia na escola
Notas iniciais
Ficamos quase a viagem inteira em silencio, mas ficava feliz por pelo menos ter um amigo no mundo. Quando estávamos perto de descer ele disse:
–Será que posso vir com você de ônibus todo dia?
–Hum? Por quê?
–Bom, mudei-me agora a pouco, ainda não sei direito onde ficam as coisas, você poderia me ajudar? Seria mais fácil. -Disse dando um singelo sorriso.
–Ah... A-acho que pode...
–Ótimo! Posso te buscar na sua casa?
–Não.
–Ahhh, por que não posso?!
–Porque não quero. E não pergunte mais sobre isso.
Ele ficou quieto, sem dizer mais nada acho que fui um pouco rude... Fazia tempo que não conversava com alguém e acabei desaprendendo. Levantei de meu assento e ele também, paguei o motorista e Linos fez o mesmo, o mais estranho que ele parecia minha sombra, tudo o que eu fazia ele imitava e assim foi até o percurso da escola, sempre quieto de cabeça baixa, acho que era pelo jeito que eu tinha falado com ele... Certo momento parei e vir-me-ei para trás...
–Escuta! Desculpe-me por falar tão rudemente com vós! Sinto muito mesmo! Mas... Faz tanto tempo que não tenho amigos... Que não sei como falar com pessoas adequadamente... Desculpe...
Falei olhando diretamente com os olhos lacrimejantes, não queria fazer um amigo e perde-lo no mesmo dia né... Linos ficou paralisado me olhando, como se fosse estranha ou algo do tipo. -Você... – disse ele um tanto quanto incomodado, ficando com as bochechas rosadas.
–Ah! N-não é que e-eu não tenha amigos! E-eu até t-tenho! M-mas-
Ele me interrompeu abraçando-me, não entendi ao certo o porquê, mas meu coração começou a bater tão forte e tão intensamente, achei que morreria! Rapidamente o afastei de perto de mim. Ele não entendeu por que motivos eu fiz isso, mas ele disse docilmente...
–Sei como se sente...
–Não! Você não sabe! Não sabe nada sobre mim!
–Sei que cometer suicídio não adianta.
–Suicídio?!
–É ontem você tentou cometer suicídio indo na frente do ônibus.
–Você está enganado! Eu não o vi vindo! Além de o sinal estar verde para pedestres...
–Não, não estava. Estava verde para carros...
–Mas...
–Você possivelmente não prestou atenção... E achou que era para pedestres, não é?
–Eu não sei... Estava pensando... Em outra coisa...
–Suicídio?
–Não seja idiota! Se eu fosse cometer suicídio teria cometido há muito tempo! Tenho meu orgulho, se não vai acreditar em mim, até mais!
Depois dessa fala, fui andando até a escola, Linos me seguia olhando fixamente para mim... Cheguei ao portão da escola, como sempre não curtia essa ideia de ir para a escola... Mas enfim, eu precisava... Fui andando, entrei pelos portões e ia em direção à porta principal, só que certas pessoas me esbarraram... Sim, meu problema não é só em casa! Uhhul minha vida é uma droga! Ta, vou contar o meu problema, tem duas garotas e um garoto que me infernizam por que sempre tiro notas altas, por uma vez ter sem querer batido e derrubado o lanche de Amanda... Ai já viu né? Confusão pro meu lado! Cazzo (não vou falar o significado, pois é feio.), Como ia dizendo, fui esbarrada e o garoto chamado de Will disse para mim:
–Ora ora, se não é a menina estranha... Como era seu nome mesmo? Lísia? Leia? Talvez seja Fisheye! Hahaha.
Fiquei quieta, apenas observando aquela figura... Will era normal, tinha os olhos castanhos claros e cabelos lisos, só que ele sempre usava arrepiado. Ridículo... As outras duas garotas estavam com ele, são irmãs gêmeas. Dor de cabeça em dobro! Bom, como disse uma se chama Amanda e a outra Fernanda, ambas tem cabelos curtos estilo chanel e a cor era loiro, seus olhos azuis escuros. A única coisa que mudava na aparência delas era uma pequena marca de nascença em seus pescoços, Amanda tinha do lado direito e Fernanda do lado esquerdo...
–Que foi “anormalayla"!? – disse Amanda...
Olhei para ela e disse com um singelo sorriso:
–Nada não girafa da cabeça loira, por que você junto com a outra girafa e o porco-espinho não vão dar uma volta?
=Ta muito abusada pro meu gosto! – disseram as duas ao mesmo tempo.
–Pouco me importa, agora com sua licença...
Eu iria passar entre eles, mas não deu Will me empurrou com tudo no chão. Minha mochila abriu e tudo o que tinha lá acabou caindo.
–Hahahaha, ohh tadinha da Fisheye! Hahahaha.
Junto de Will, as gêmeas também riram da minha cara... Mas veio Linos correndo em minha direção e me ajudando a levantar.
–Layla! Você ta bem? – disse Linos pegando meu braço e ajudando-me a levantar...
–Acho que sim... – disse limpando minha roupa.
–Hum...Que gatinho... Escuta qual seu nome? – disse Fernanda olhando para Linos mexendo em seus cabelos.
–Meu nome não lhe interessa!
=Que grosso!
Linos, pegando uma garrafa d’água em sua mochila, abriu-a e despejou na cabeça da Amanda e da Fernanda! Hahaha nossa! Esse com certeza seria um ótimo dia! As duas ficaram pasmas com o ocorrido, Will congelou, mas quando voltou à realidade ele iria bater em Linos, do nada ele desviou! E deu um gancho de direita no Will! Foi incrível! Will caiu com tudo no chão, com sua bochecha vermelha.
–É melhor vocês irem embora! Agora! ANTES QUE EU ME IRRITE!
As gêmeas foram se enxugar correndo direto ao banheiro, Will saiu correndo pelos fundos, nunca me senti tão amada depois que papa morreu foi, foi incrível! Linos me protegeu e ele nem me conhecia direito... Senti meu coração batendo mais e mais forte... Logo depois ele me ajudou à pegar minhas coisas no chão, ainda estávamos em silencio. Haha, parecia que eu já o conhecia há anos...
–Linos... Obrigada por me salvar... De novo
. -Nah, não foi nada... Desculpa não acreditar em você naquela hora...
–Eu que peço desculpas por gritar com você.
–Haha, aquilo era gritar? Hahaha, meu gato grita mais alto.
Nós dois rimos e fizemos as pazes, logo fomos para a sala e ele escolheu um lugar que fosse perto do meu e ficou atrás de mim, perto da janela onde batia o sol. Às vezes ele mexia no meu cabelo e eu ficava paralisada, ninguém nunca mexeu no meu cabelo na escola... E foi passando o dia, no recreio nem me lembrei de comer meu lanche e apenas passeamos pela escola, o “trio da dor de cabeça” não me incomodou pelo resto do dia, o que foi ótimo! Linos estava lá para me proteger e pude sentir certo amor... Mas com certeza não é paixão!Com certeza! Como tia Mel dizia, é amor familiar! Pelo menos eu espero que seja... Ou é só gratidão por ter me salvado não é...?
E assim foi passando os dias, eram cheios de cor para mim, cheios de alegria, parecia um sonho... Que eu nunca queria acordar... E parecia que ele nunca tinha notado em minha aparência... E com sorte, nunca perguntado dos apelidos que eu tinha... O que era uma coisa boa! Né...?
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