Anônima
1 Capítulo 1 - Rotina
Notas iniciais
Anônima
by: Coffee Mint
Capítulo 1- Rotina
Acordar cedo, arrumar a cama, tomar banho, vestir suas roupas, colocar os óculos e pegar o material. Essa é a rotina de Sakura. Todos os dias a cada minuto passado, a partir da hora em que o despertador se aciona; era o que ela pensava.
Hoje não foi diferente. Ela fez exatamente sua rotina, enquanto descia para tomar o café e prendia seus longos e lisos cabelos estranhamente róseos, em um coque frouxo.
Sua mãe, impecavelmente vestida para o trabalho, estava sentada ereta à mesa. Os cabelos curtos e loiros bem penteados, roupas feitas sob medida e com saltos altos finos, ela tamborilava três dedos em cima da mesa e tomava uma xícara de chá, enquanto lia uma revista qualquer sobre moda.
– Bom dia. Dormiu bem?
Sakura sabia que era somente educação, pois sua mãe não se importava com ela. A única preocupação dela era manter-se jovem e muito bem arrumada, com roupas refinadas, saltos altos feitos sob encomenda e perfumes importados.
Haruno Mebuki recusava-se a pensar que tinha uma filha tão debochada, que não cuidava da pele, hidratava os cabelos ou ao menos passava algum tipo de maquiagem. Por isso, dedicava-se ao seu trabalho em uma grande revista de moda, a Channel Chic's, e à sua filha mais velha, Haruno Yumi.
– Sim, dormi. Obrigada.
Nunca respondia aos "bom dia" e cumprimentos, sabia que também eram falsos. Por educação, respondia monossilábica e tomava seu café da manhã. Logo mais, sua irmã desceu e como se fosse mágica, Haruno Mebuki jogava a revista em um canto qualquer, sorria abertamente e os olhos brilhavam. Yumi descia as escadas como se estivesse em uma passarela, os cabelos loiros enrolados artificialmente, olhos azuis bem maquiados e roupas curtas que delineavam seu corpo de 18 anos.
– Mamãe, onde está o papai? Preciso do cartão de crédito. Semana que vem terá a festa na casa da Asami e eu não quero ir com aquelas roupas bregas e fora de moda.
– Seu pai está viajando, querida. Mas a mamãe ficou com o cartão!
Os olhos de Yumi brilhavam, parecia que nada era mais precioso que o pequeno cartão na mão de sua mãe.
– Então, hoje mesmo eu e as meninas passaremos a tarde no shopping. Mamãe, eu te amo! Me dá ele aqui, já tenho até ideia do que irei vestir...- Quando ia pegar o cartão, as unhas negras e bem feitas de Mebuki a impediram. –... Mamãe? Mas o que está havendo?
– Tudo tem o seu preço, querida. O cartão será inteirinho seu, se posar para minha campanha nova mês que vem. É pegar ou largar!
Sakura acompanhava tudo em silêncio. Bebericava seu café e comia seus pães de queijo. Essas discussões fúteis sempre acabavam em compras e mais compras. Era de uma família rica, os Haruno. Eles tinham tudo e, ao mesmo tempo, nada.
Olhou o relógio digital na parede e correu para o quarto. Arrumou suas coisas na mochila preta e amarrou seus All Star, colocou a câmera em seu pescoço e correu para a porta. Ainda pôde ouvir as reclamações de sua irmã e sua mãe cantando vitória. Tsc. Nunca mudavam.
A escola ficava a cinco quadras da sua casa, Sakura ia a pé, pois gostava de pensar e se preparar psicologicamente antes de enfrentar olhares feios e tortos, comentários e risinhos as suas costas. Parecia que nenhum lugar lhe pertencia, sentia-se como se estivesse em uma propriedade privada e ela era uma invasora; estava sempre em lugar errado e para ela, não existia espaço.
Ao chegar na escola, havia poucas pessoas. Algumas líderes de torcida e alguns integrantes do grêmio estudantil. Continuou andando até encontrar a sua sala, que estava vazia, como sempre.
Meia hora adiantada, Sakura. Bem, melhor que atrasada, certo?,Pensou.
Sentou na última carteira da fileira da janela, no canto direito da sala. Retirou seu material e sua câmera do pescoço. Aos poucos, os alunos começaram a chegar, primeiro os estudiosos e por último, os idiotas populares – como gostava de chamá-los –, algumas líderes de torcida acompanhadas pela sua capitã, Tayuya, e pela amiga escudeira dela, Karin – Juntas, eram as garotas empatadas na lista das mais bonitas da escola –, alguns garotos do time de basquete e alguns puxa-sacos.
Quando o professor de história, Hatake Kakashi, chegou, muitos calaram a boca e começaram a prestar atenção no início das aulas. Ele era o melhor professor e sempre tinha algum assunto bom e legal para ensinar. Sua aula era mais silenciosa, e também a mais produtiva.
– Bom dia, terceiro ano. Como foi o final de semana? Não interessa. Desculpe, Deidara, mas estou cansado de ouvir com quantas garotas você saiu. E então, vamos mudar essa fita? — A sala toda caía na gargalhada, Deidara protestava e com um aceno de mão, Kakashi pedia silêncio e dava início a sua aula. Assim, três aulas se passaram. História, Química e Biologia.
Era a hora do intervalo, a maioria dos alunos tinham saído e somente a Haruno permanecia na sala; ajudava a professora Mitarashi Anko com os livros de biologia e arrumava algumas mesas fora do lugar.
– Obrigada, Sakura. Agora para o refeitório, já!
Pelos corredores, os fones de ouvido estavam em um volume alto, os passos rápidos e um livro aberto sobre as mãos, alguns fios espalhavam-se sobre o rosto e os óculos permaneciam na metade do nariz. Ela imaginava como se estivesse em um mundo paralelo, onde ninguém precisasse de roupas de grife e carros esportivos para ser legal; onde a diferença não existia.
O refeitório estava lotado. As mesas eram divididas em grupos e a maior delas, no centro, era a dos populares. Garotas de saias curtas e cabelos brilhantes, garotos bonitos e cheios de músculos. Ali naquele meio, não importava quem você é, e sim, a quantidade de dinheiro que você tem. Sakura era rica, talvez mais que todos ali, mas recusava-se a desistir de ser quem era, somente por roupas e Status. A única pessoa que admirava e era pertencente àquele grupo, era Hyuuga Hinata.
Mesmo sendo rica, ela continuava sendo gentil e meiga, não precisava usar seu dinheiro para conquistar as pessoas, era uma pena que ela fosse a única. O restante vangloriava-se: os capitães do time de basquete, Uzumaki Naruto e Uchiha Sasuke. Os únicos, juntando com Hinata e seu primo Neji, que eram tão ricos como Sakura.
A mesa era sempre a mais movimentada, os jogadores girando e quicando as bolas de basquete no ar, as líderes conversando e olhando discretamente para os garotos. Uma perda de tempo. Preferia mil vezes escutar suas músicas do Pink Floyd, do que gastar 25 minutos conversando banalidades.
Comprou uma garrafa de suco e biscoitos de baunilha na cantina da escola, saiu até o campus e sentou em um banco vazio, longe das pessoas e das conversas. Ligou seu I Phone 5 e entrou na internet; finalmente o livro que queria estava disponível! Veria suas economias e hoje mesmo, iria na livraria comprar.
Sakura passou um bom tempo comendo seu biscoitos e ouvindo músicas. Só levantou quando seu relógio marcou que faltava dois minutos para o fim do intervalo.
Ela voltava calmamente para sala. Jogou o lixo na lata e desligou os fones, andando tão calmamente e distraída que foi despertada pelo sinal do fim do intervalo, soando pelo corredores. O irônico, era que mesmo andando feito uma tartaruga, chegava sempre no horário certo e sempre antes dos outros.
Quando chegou na sala, sentou em sua carteira. Abriu o livro de física e conferiu se tinha feito os exercícios corretamente, e como sempre, estava tudo impecavelmente feito. Mas, como o destino era cruel, assim que todos alunos entraram na sala, uma monitora avisou que o professor não havia vindo e todos os alunos do 3ºB , deviam ir a a quadra e se juntar ao 3ºC.
Sakura detestou a ideia. Odiava educação física; não pelos esportes, e sim, pelos populares que tomavam a quadra e não deixavam ninguém além deles, praticarem seus esportes.
Hoje, infelizmente, a quarta aula do 3ºC era educação física.
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