Anônima

2 Capítulo 2 - Talento


Notas iniciais
Olá meninas, tudo okay? Fiquei muito feliz com os comentários no primeiro capítulo, agradeço muito a quem me incentivou a continuar. Muito Obrigada. Como prometido, o capítulo 2. Boa Leitura ^^

Anônima

By: Coffee Mint

Capítulo 2 — Talento

Sakura estava deitada em sua cama, seu cabelos longos e úmidos espalhados pelos lençóis azuis celeste. O rádio estava ligado e ela fechava os olhos tentando conter a dor em suas têmporas. A música que tocava era lenta e romântica, o tipo de música que gostava quando sentia dor física.

Se perguntava, se quando saísse da escola e fosse ter seu próprio dinheiro, conseguido pelo seu esforço e dedicação, tudo mudaria. Com certeza não. Seu pai faria de tudo para que não faltasse nada; era um homem rico e amava suas filhas. Raramente estava presente, mas todo mês uma gorda mesada estava dentro de um envelope branco, na mesa de seu escritório. Isso não mudaria. Fato.

"Trabalho muito porque as amo, querida Sakura. São poucas as vezes que nos vemos, mas saiba de uma coisa, independente da sua idade e de como viver, eu sempre — mesmo não estando presente — estarei cuidando de você."

Sakura amava seu pai, disso não tinha dúvida. Amava-o tanto, que mesmo estando longe e quase nunca vendo-o, nunca sentia raiva ou culpava-o. Seu pai era muito ocupado, trabalhava muito para dar do bom e do melhor para sua mulher e filhas. Sakura tinha plena consciência disso. Mas mesmo entendendo, ela não conseguia preencher o vazio que sempre sentiu em relação aos pais. Sentia falta das boas palavras, dos conselhos e de como sempre ele a chamava de linda, mesmo sendo como era.

Levantou de sua cama, esticou a camisa do Pearl Jam e calçou sua pantufas negras. Estava com a cabeça dolorida. Desde o começo, soube que era uma péssima ideia ir a quadra. No momento que entrou, se escondeu na última filheira da arquibancada, mas por azar, nem isso a impediu de levar uma bela bolada — jogada com extrema força — em sua cabeça.

Ainda ficou um tempo na enfermaria, mas mesmo assim a dor ainda continuava. Quando saiu da escola, ouviu risinhos e ofensas das pessoas, mas ignorou e seguiu em frente.

Ela subiu em uma cadeira e alcançou o livro na estante, era grande e velho, e servia como esconderijo perfeito. Ali dentro daquele enorme livro de contos de fadas, estava seu sonho. Fotos de pessoas, animais e paisagens. Para quem a visse, pensaria que seu sonho era tão inútil que nem valia a pena tentar. Porém, por mais que se escondesse do mundo, ela jamais deixou de admirá-lo. Pensava que cada pedacinho dele tinha uma história para contar, ou como preferia, histórias onde você não precisava de palavras, e sim de imagens que por si só, já mostravam tudo que queriam.

Uma imagem vale mais que mil palavras, sempre vinha isso em sua mente quando fotografava as pessoas em seu dias felizes, os animais e sua felicidade com uma pequena bola e a beleza que a luz do sol podia dar a um simples parque. A natureza e o homem, unidos em um só.

Por vezes, encontrava casais apaixonados em bancos, juras de amor eram ouvidas e beijos eram trocados. Sakura sempre se perguntou se um dia também amaria assim. Se alguém não olharia sua aparência, nem se aproximaria só pelo seu dinheiro.

Queria alguém que a visse além de seus óculos e de suas notas, alguém que quisesse escutar as mesma músicas que as suas, elogiar o seu cabelo e vestir suas inúmeras camisas de rock. No entanto, pensava que se alguém assim existia, por que demorava tanto para chegar? Se tem tanta coisa nesse mundo que a desagrada, por que pelo menos uma, não pode ser boa e sua?

Guardou as imagens de volta no livro e o guardou na estante. Pelo menos a dor em sua cabeça passou. Vestiu uma calça jeans preta, apertada nas canelas e larga nas coxas, prendeu os cabelos em um rabo de cavalo baixo e calçou seu inseparável All Star vermelho.

Sakura estava na escada da mansão quando ouviu um grito. Mais um vez, sua irmã estava berrando no telefone, lágrimas saíam de seus olhos e a maquiagem escorria pelo seu rosto.

– Você é um idiota! Eu sabia que você só queria me levar pra cama! Como fui burra! Argh! Quer saber, vai lá e fica com ela, mas quando você perceber que ela não é tão boa quanto eu, vai se arrepender de ter trocado Haruno Yumi, por uma biscate qualquer! — Ela desligou o telefone, enxugou as lágrimas e olhou para Sakura. — O que foi, não tem mais o que fazer, não?

Sakura assustou-se e saiu correndo de casa. Ela já sabia há muito tempo que isso ia acontecer. Desde o primeiro momento, o namorado de Yumi, Sanji, mal falava com ela e muito menos a via. Se encontravam na faculdade e em algumas festas; ele raramente ia em sua casa e quando ia, era de madrugada e só saía de manhã bem cedo.

Sakura podia nunca ter namorado, mas com tantos anos de ofensas e apelidos, ela aprendeu como se proteger de pessoas que tentam enganá-la. Muitas vezes fizeram com ela, fingiam-se de amigos e no final a humilhavam, em meio a tudo e a todos. Chorava, não na frente deles, mas em casa, debaixo das cobertas, no silêncio do seu quarto e ao som baixo de seu rádio.

Quando atravessou a avenida principal, encontrou o que tanto almejava. A livraria estava aberta! Compraria seu livro hoje e depois daria uma passada na cafeteria da cidade. Entrou e respirou fundo, adorava o cheiro de livros novos, mundos novos e histórias novas. Pena que não podia ler todos, eram tantos e tantos livros... Entretanto, somente um lhe chamou a atenção. Aquele que aguardava há dois meses, finalmente apareceu.

Ao sair, folheava as páginas e ajeitava os óculos. A bolsa de ombros estava com sua câmera dentro. Seus olhos verdes captaram o reflexo do sol e aí percebeu mais um momento. Guardou o livro na bolsa e retirou a câmera. Mirou-a no céu, regularizou o zoom e nitidez, e o pequeno "click" registou um pôr do sol, tão lindo e tão mágico... O início das estrelas à frente e os tons de rosa e laranja ao final, a linda estrela dourada cintilava no interior do céu no leste. E aos poucos a noite caía.

Com um satisfeito sorriso no rosto, enrolou os dedos em torno do objeto e sentiu-se feliz, completa. Entrou no Starbuks Coffee, comprou um cappuccino e um cupcake de baunilha com recheio de chocolate. Abriu o livro em cima da pequena mesa e começou a ler. O mundo lá fora parecia ter sido sucumbido por um buraco negro, e no momento nada mais importava, somente as páginas e seu cappuccino.

Tudo estava tão quieto...

O pequeno rádio na parede externa da cafeteria tocava uma música da atualidade; as pessoas entretidas em seus jornais e suas bebidas quentes. O tempo passava rápido. Sakura só notou que eram nove horas da noite, quando terminou sua bebida e percebeu a cafeteria quase vazia.

Pagou a conta e saiu da loja. Estava frio, mas não se importou, andou pelas esquinas e olhava o céu estrelado. Era como se o céu fosse algum fruto de sua imaginação.

Quando estava prestes a entrar em casa, escutou vozes na sala. Estavam alteradas e barulhos de objetos quebrados eram ouvidos. Sakura não sabia o que fazer, então apenas correu para os fundos da casa e entrou pela cozinha, subiu as escadas às pressas e se trancou em seu quarto. Retirou os sapatos com cuidado e os colocou perto do closet; retirou a bolsa do ombro e a guardou na cômoda.

Despiu-se e entrou no banheiro. A água quente acalmou seus nervos, então saiu enrolada em uma toalha e vestiu seu pijama. Sua última lembrança, era se jogar na cama e pregar os olhos.

...

Estava na sala de aula, terminando o seu exercício de Álgebra, escutando seus fones de ouvido, quando um barulho ensurdecedor a despertou de súbito. Alguns livros estavam no chão e os alunos saíam da sala de aula, correndo feito loucos.

No corredor um amontoado de gente formava um círculo em volta de algumas pessoas. Pelo que entendia, estava acontecendo alguma coisa ali no meio e os gritos da diretora eram ouvidos. Sem entender mais nada, juntou suas coisas e saiu da sala rumo ao pátio. Não gostava de confusão, o mais longe possível ela tinha que estar.

Atravessou o pátio e seguiu para o campus, carregando os livros desajeitadamente. Seus passos eram rápidos e desesperados, e só parou quando encontrou um banco e sentou-se.

Sua respiração estava ofegante, estava tão apressada em andar que esqueceu de respirar normalmente, prendia e soltava sem nem perceber. Só havia uma maneira de relaxar...

Pegou a câmera nas mãos e fotografou as árvores e a paisagem. Tentava achar um ângulo perfeito para tirar a foto de umas flores em um arbusto, quando sem querer alcançou o que menos esperava.

Uchiha Sasuke, o capitão do time de basquete, estava prensando uma garota contra uma árvore, suas calças estavam abaixadas e a saia da morena estava levantada até a altura do umbigo. As pernas dela estavam entrelaçadas na cintura do rapaz. Os seios médios da garota eram violentamente apertados pela mão do rapaz, e a blusa dela estava totalmente em trapos. Ele beijava a menina como se quisesse arrancar seus lábios e a tola garota simplesmente puxava os cabelos dele e tentava correspondê-lo.

Como se tivesse sentido que estava sendo observado, Sasuke largou a garota e olhou para os lados. Sem encontrar nada, ia voltando a sua tarefa interrompida, mas seus olhos pousaram em Sakura e em sua câmera nas mãos.

Com os olhos esbugalhados, Sakura guardou a câmera, pegou os livros e correu. Assustada demais, só conseguiu ver ele subindo as calças e correndo atrás dela. Sakura somente pensou em correr e se esconder, porém, nada a impediu de ser brutalmente puxada e arremessada contra a parede.

– Quem é você? E o que você fotografou?

Apavorada, seu olhos encheram-se de lágrimas e o medo tomava conta de suas emoções. Não conseguia falar nada, os livros estavam no chão e agora sua câmera estava nas mãos de Sasuke. Ele a olhava como se fosse um mero pedaço de lixo e seu olhos ferviam de ódio.

– Não vai responder?! Acho que alguém vai ter que comprar uma câmera nova. — Sakura ainda tentou impedir, entretanto, ele era mais rápido e mais forte. Com uma das mãos, ele jogou a câmera no chão e pisou em cima e com a outra, suspendia Sakura contra parede.

– Pelo sim e pelo não, agora você vai saber que na próxima vez que for usar seus brinquedinhos, vai tomar cuidado. — Olhou nos olhos dela por alguns segundos e a largou. Escorregando pela parede, ela deslizou até os cacos e restos de sua câmera. Lágrimas desciam pelo seu rosto, o cabelo grudava em sua cara e os óculos estavam embaçados. Passou uns vinte e cinco minutos lamentando, e quando o sinal tocou, recolheu os livros e os cacos. Hesitou quando foi jogá-la no lixo, mas foi forte. Limpou as lágrimas e voltou para sala.

Nunca mais iria aquele banco, a partir de hoje.

Notas finais
E aí? Gostaram? Sou digna de comentários? Aguardo ansiosa. Kiss, Coffee M.