Anyone Else But You

33 Young Heterossexual Imperfect People


Notas iniciais
Mais uma recomendação e eu não tô nem acreditando! Obrigada, CharlotteMeireles! Em breve vou dedicar um capítulo a você. JPedro, obrigada pela recomendação, de verdade! Obrigada por ser um leitor tão presente. Esse capítulo é seu. ♥

PDV Freddie.

Quarta-feira.

Acordei já pensando que desse dia não passaria. Segundo a Sam, era isso. Porque quando ela quer dizer algo, ela quer dizer mesmo. E disso, eu era a prova viva.

Ou morta, se assim ela preferisse.

Algo nela que me fascina e me assusta ao mesmo tempo é essa decisão. A forma como ela toma certas decisões e sem mais delongas, as cumpre. Não apenas fala, mas faz.

Eu estava meio tonto com tudo isso e sai me batendo no que tivesse como obstáculo até meu caminho ao banheiro depois de acordado. No chuveiro, a água caindo sobre mim parecia estar me desintegrando de tão absorto que eu estava. Parecia que um pouco de mim ia descendo pelo ralo e me deixando cada vez menor.

E eu só fiz diminuir ainda mais quando a vi.

– Hey! — Ela gritou ao me ver na rua a caminho da Ridegway.

– Oi. — Falei continuando o meu trajeto sem olha-la e sem esperar ser alcançado. Talvez eu quisesse, na verdade. Mas acho que ela não precisava saber.

– Nervoso para apresentar o programa hoje comigo? — Perguntou depois de dar alguns passos largos para acompanhar meu ritmo.

– Só um pouco porque os meninos também vão ajudar.

– Confiante.

Eu a olhei finalmente e quase fiquei cego vendo aquele rosto já tão iluminado refletido ao sol. Meus olhos até doeram. Mas eu nem me importei.

– Tenho que estar. A Carly vai nos assistir. — Falei já prevendo o surto que viria em seguida. Mas era isso mesmo que eu queria.

– Você só vai se esforçar porque ela vai assistir? E as nossas centenas de espectadores?

– Previsível. — Falei dando uma leve risada.

– O quê?

– Seus surtos quando eu me refiro à Carly.

– Que são apenas reflexo dos seus contra o John. — Retrucou ela, inesperadamente, mudando o rumo da discussão.

– Então você só reclama da Carly porque eu reclamo do John? Se for assim, saiba que você continua errada.

– Por quê?

– Porque eu não gosto do dele, então posso falar mal o quanto quiser. Já você é amiga dela, não tem motivos.

– Você não sabe se eu tenho.

– Han, sei.

Dei uma risada triunfante mas estava mesmo assustado com a minha própria constatação. Porque, para Sam reclamar da melhor amiga, algo muito grave devia estar acontecendo com ela. E a pior parte: também estava comigo.

– Já que você quis trazer o assunto, hoje mesmo vamos conversar sobre o que aconteceu sábado. — Sua naturalidade e coragem ao falar me assustaram um pouco.

– Ok. Como preferir.

Concordei tentando parecer sólido, mas por dentro estava me corroendo. Eu não sabia o que ela diria. Eu não sabia o que eu diria. E eu não sabia o que constataríamos depois que o fizéssemos.

[...]

As aulas do dia chegaram ao fim e cada um de nós rumou para nossas respectivas residências. Como combinando, nos encontramos mais tarde, às cinco horas da tarde para dar uma passada rápida nos textos e checar a câmera. Como eu estava com a chave do apartamento de Carly que Sam havia confiscado na segunda, já fui até o estúdio um pouco mais cedo para instalar meus equipamentos e alguns fios que se eu tentar explicar aqui o que são e para que servem, vou até me esquecer.

Shane e Gibby foram os primeiros a chegar, arrumados até demais e trazendo as coisas que havíamos combinado para os quadros que faríamos naquele programa.

– Estou tão ansioso.

– Relaxa, Shane. Isso aqui para mim é fichinha.

– Não se esqueçam que vocês não vão só aparecer hoje, mas também revesar o controle da câmera comigo. — Falei alertando-os.

– Tudo bem. Eu vou ser uma das garotinhas que serão atacadas pelo personagem do Shane e salvas pelo Super Sutiã.

– E eu vou ser o vilão do Super Sutiã e fazer o "No que estou sentando?"

– E eu vou fazer "O fazendeiro e a garota idiota que pensava que o bigode do fazendeiro fosse um esquilo" com a Sam e todos vamos fazer a dança maluca no final. — Falei em seguida.

– E só eu vou estar em todos os quadros. — Sam falou entrando de repente.

– E ai, Samantha.

– Oi Sam.

– Quase todos, você quer dizer. Tem um quadro só de nós três. — Falei apontando para Shane e Gibby.

– Que seja. Vamos ensaiar.

[...]

– Vamos lá pessoal, um minuto para começar. — Falei arremessando o controle de Sam para ela.

– A Carly e o Spencer vão nos assistir, não é? — Gibby perguntou entusiasmado.

– Sim. E o vovô Shay também, de lá do hospital.

– Certo, Shane e Gibby vocês começam aqui, comigo. — Sam falou um pouco eufórica colocando-os ao lado dela.

– Nem acredito que vou apresentar um programa. — Shane falou com um sorriso de orelha a orelha.

– Quinze segundos. — Anunciei.

– Gibby, você nem sabe dar nó em gravata. — Sam falou puxando-o pela lapela e arrumando-o.

– E desde quando você sabe? — Perguntei impressionado.

– Eu apenas sei. — Respondeu com um sorriso convencido enquanto eu já posicionava minha câmera.

– Vamos lá. Em cinco, quatro, três, dois...

– Um!

– Shane! Nós não falamos o um!

– Qual é o seu problema?

– Isso me lembrou quando nós contratamos aquele cara idiota... o Tag.

– Gente, já estamos no ar. — Gibby falou.

– Oh, certo. Eu sou a Sam!

– Eu não sou a Carly! — Shane falou.

– E eu sou o Gibby vestido com um terno sem razão alguma!

– E esse é o iCarly! — Falaram todos juntos, em seguida acionando o som de palmas através do controle azul.

– Hoje a Carlotta não pôde estar a gente.

– Mas não se preocupem porque ela vai voltar e eu poderei dispensar esses dois bocós.

– Até lá, vocês terão que se contentar com a gente e com o Benson. — Gibby pegou a câmera de mim e eu fiquei ao lado de Sam.

– Acontece que eu estou aqui sempre, todo programa.

– Quem fica atrás da câmera não tem moral. — Sam falou e acionou o som de risadas.

– Muito bem, engraçadinhos... vamos começar.

[...]

Depois de fazermos vários quadros, entre eles "No que estou sentando?", "Zoando com o Lewbert?" "O que estou lambendo?" "As aventuras do super sutiã" "dança maluca" e a exibição de diversos vídeos engraçados, o programa já estava quase no fim.

– Garota teimosa que só a peste! Isso não é um esquilo, é o meu bigode! — Eu falava com um sotaque caipira.

– Oh, senhor! Ele adoraria uns "amendoim"! — Ela dizia colocando-os próximo à minha boca.

– Talvez o meu esquilinho não queira... — Respondi, pegando o pacote dela. — Mas eu quero.

Eu e Sam nos abaixamos, tiramos os chapéus, ela a trança e eu o bigode, Shane acionou o som de palmas e, três segundos depois, já reaparecemos em frente à câmera novamente.

– Agora, ao célebre término deste programa, precisamos dizer;

– Se você assistiu até aqui, significa que não tem o que fazer.

– Andem pela sombra, comam seus legumes e até semana que vem.

– E... corta. — Eu mesmo falei, enfiando minha cara em frente à lente da câmera e desligando o aparelho.

– Foi demais! — Sam falou enquanto nós quatro nos abraçávamos.

– Vocês tem que me convidar mais vezes. — Shane pediu.

– Certo, agora vamos descer e comer alguma coisa.

Fizemos um lanche com o que ainda havia de comestível no apartamento enquanto assistíamos "Celebridades debaixo d'água" e ríamos ao falar sobre o webshow de mais cedo. Conversamos com Carly pelo celular de Shane e ela disse que adorou tudo até porque conseguimos fazer com que seu avô risse um pouco.

– Vamos, Gibby?

– Vamos, Shane. Tchau, pessoal.

– Tchau. — Falamos enquanto os víamos sair.

E mais uma vez éramos só nós dois e uma tensão descomunal se estendia por todo o local. Eu não sabia se saia correndo ou começava qualquer outro assunto aleatório que fugisse totalmente daquele que, mais cedo ou mais tarde, viria de alguma forma.

Decidi então optar pela segunda ideia. Era um pouco mais arriscada porque haviam inúmeras formas de chegar à questão da qual eu estava fugindo por mais difícil que fosse partindo do que eu disse.

– Bom termos feito o vovô Shay rir pelo menos um pouquinho, não é? — Falei enquanto era examinando dos pés a cabeça pela loira a minha frente sentada numa das cadeiras perto do balcão.

– Muito. — Falou pausadamente, enigmática e pretensiosa.

Percebi, então, que o momento já estava chegando. A calma e lentidão ao falar, a serenidade nos movimentos e a intensidade do olhar. Apesar disso, estava tão confusa quanto eu, mas muito mais decidida.

Geralmente, quando as pessoas não querem resolver um problema, elas o ignoram. É esquisito como tudo só piora ao fazermos isso, já que ele pode ficar ainda maior do que era no momento em que o deixamos de lado. No meu caso, isso estava acontecendo numa rapidez absurda. Quanto mais eu evitava, mais me preocupava.

– Certo, então... acho que já vou. — Tentei ir calmamente em direção à porta como se não estivesse me lembrando do nosso assunto pendente, mas como esperado pelo meu lado pessimista, Sam correu, a alcançou antes de mim e a trancou.

– Não vai não. — Ela falou enfiando a chave no bolso da bermuda jeans.

– Preciso dormir, tenho aula amanhã cedo.

– Coincidência: eu também.

– Acontece que você não se importa.

– Independente disso, sempre estou lá no mesmo horário que você.

– Então por que não vai para casa também?

Ela balançou a cabeça negativamente e a abaixou, levantando-a novamente apenas depois de ter ido até o meio da sala, fazendo com que eu me virasse para vê-la.

– Eu disse que de hoje não passaria.

Acertei em cheio. E ela também. Não que tivesse sido uma constatação tão difícil de ser feita.

– Então... fale. Já pode começar.

– Por que está agindo cobre se não desse a mínima?

– Dar a mínima em que sentido?

– No sentido de falar também e não só ouvir, porque eu não fiz aquilo sozinha! — Gritou ela sem se preocupar em medir as palavras, arremessando-as como se fossem facas.

– Falar o quê? Você mesma disse que não iria tocar no assunto!

– E você realmente acha que isso seria possível? Simplesmente ignorar, fingir que foi um acidente?

– Sam... — Falei tentando me acalmar. — Não foi, mas... quer dizer, pode ter sido...

– Viu? — Ela me interrompeu. — E é exatamente por isso que precisamos conversar. A gente nem sabe o que foi aquilo, Freddie. — Continuou, preocupada.

– Um... beijo?

– Idiota. — Ela disse enquanto se sentava no sofá após rejeitar minha tentativa de quebrar o gelo da conversa.

– Sim, você tem razão. — Assenti, suspirando em seguida. — Vamos por partes. Sobre o que estávamos discutindo antes de tudo?

– John.

Fiquei espantando com a forma com que parecia estar sendo perseguido por aquele garoto até onde ele não estava, mas mesmo assim continuei.

– O que estávamos falando exatamente?

– Estávamos falando sobre como havia sido o jantar que tive com a família dele e, em algum momento, você me perguntou se eu ainda o achava a melhor pessoa do mundo ou algo do tipo.

– Mas isso foi bem antes.

– Sim... ai você se irritou com a minha resposta, eu quis ir embora e você me impediu.

– E..?

– Não vou lembrar de tudo. Me ajuda! — Ela pediu com euforia.

– Ok, é... em seguida você disse que se não fosse, me atrapalharia de dormir.

– Ai você disse que eu te atrapalharia de qualquer forma. — Continuou ela, se espantando em seguida. — Por que você disse isso?

– Não fale como se tivesse sido o motivo, quando eu vi, você já estava pendurada em mim! — Gritei confuso.

– Você que me beijou!

– Porque você começou!

– Você meteu a língua primeiro! — Ela tentou argumentar.

– Junto com a sua! — Rebati.

– Chega! — Berrou com irritação. — Já não importa, ok? Os dois começaram... mas nenhum parou.

– Paramos sim! Ou por acaso ainda estamos trocando saliva sem que eu saiba até agora? — Perguntei, falhando no sarcasmo.

– Idiota. Você entendeu muito bem. — Ela deu um longo suspiro e continuou. — Mas eu acho que... sei lá... — Ela apoiou os cotovelos nos joelhos e se curvou para frente, um pouco acanhada. — Você não acha que... demorou demais?

– Talvez... — Parei por um instante ainda me perguntando se deveria ir adiante, conseguindo me convencer de que ser sincero pelo menos por um momento não poderia ser tão mau. — Talvez porque tenha sido bom.

– Bom? — Ela perguntou descrente, finalmente me olhando.

– É, você sabe... beijar é bom. Muito bom. E, modéstia parte, nós melhoramos muito desde a primeira vez.

Ela ainda me encarava meio boquiaberta, mas um instante depois já pareceu ter se acostumado com a ideia.

– Pode ser. — Pareceu concordar com certa frustração.

– Agora preciso ir, por favor. — Falei com pressa.

– Ainda não acabamos.

– Somos jovens, heterossexuais e imperfeitos, e dai? Vamos logo. — Insisti com nervosismo, tentando evitar o outro nível da conversa que ainda estava por vir.

– Não!

– Sam, me dá essa chave.

– Não vou dar. — Ela disse dando dois passos para trás em direção do espaço entre o elevador e a escada.

– Sam...

– Não! — Ela insistiu, indo para trás conforme eu avançava para frente.

– Anda logo. — Tentei pegar diretamente de sua mão, mas ela só fez se esquivar mais e colar finalmente na parede.

– Você não vai a lugar nenhum.

As palavras saíram de uma maneira tão próxima e eu as senti quase ferver ao chegarem até mim. Parecia até que uma corrente elétrica atravessava nossos corpos e os colocava em contato, como se eu pudesse sentir algumas faíscas saindo de nós dois. Eu engoli em seco e cortava minha respiração enquanto cerrava meus punhos, tentando controlar a direção das minhas mãos de forma ineficiente.

A situação de quatro dias atrás havia acabado de voltar numa versão mais mais atrativa.

Infelizmente, também, mais interrompida.

– Freddie? — Uma voz abafada vinda do corredor penetrou o apartamento, nossos ouvidos e nossa troca de energia.

– Sim? — Eu disse me afastando.

– Venha para casa, filho! Já está tarde.

– Estou indo. — Falei voltando a encarar a garota descompassada e teimosa à minha frente.

Depois de um instante gasto para se recuperar, ela sacudiu a cabeça e foi até a porta abri-la. Ao ver-nos juntos, minha mãe já torceu o nariz e soltou um cumprimento antipático.

– Olá, Samantha. — Falou, medindo-a de cima a baixo.

– E ai, Marisa.

– Estávamos arrumando as coisas do iCarly de hoje. — Expliquei.

– Ok, Freddward. Agora já chega, certo? — Disse ela dando uma última olhada em Sam antes de desaparecer para dentro do apartamento.

– Então... tchau. — Falei logo em seguida, tentando evitar as situações silenciosas que nos permitiam gritar de uma forma não muito comum tudo o que guardávamos por dentro.

– Tchau. — Sam falou, se virando e saindo lentamente.

Depois que ela desapareceu e eu finalmente entrei em casa, me enfiei em meu quarto arrumado e em minha mente bagunçada. Tentei me lembrar em que esquina eu havia perdido a minha sanidade mas tudo o que consegui concluir foi que eu e Sam não havíamos permitido beijar um ao outro apenas por ser bom ou prazeroso. Isso foi apenas um motivo inicial que acabava em um outro que correspondia a um sentimento que até então eu jamais poderia imaginar que nutriria exclusivamente por ela.

Ainda não poderia dizer qual.

Talvez eu nem o conhecesse de verdade.

Mas sabia que ele estava lá: só esperando para nos atacar de novo.

Notas finais
Sei que uma das coisas que vocês tem gostado atualmente na fanfic é a minha frequência ao postar. Isso tudo se deve à melhor época do ano chamada: férias. Por outro lado, eu tô com um puta de um bloqueio criativo e só tenho mais seis capítulos prontos quando normalmente tenho doze. Não, a fanfic não será abandonada ou cancelada, ok? Eu só precisarei de um tempinho a mais pra abrir uma vantagem de capítulos prontos em relação aos postados e ter uma margem de segurança. Conto com a paciência de vocês e os reviews que sempre me inspiram e motivam. Obrigada! ♥♥♥