Anyone Else But You
34 Last But Not Least
Notas iniciais
PDV Freddie.
Tudo na vida em exagero é ruim, de certa forma.
Cobre por exemplo, no nosso organismo, é um ótimo aliado no combate aos radicais livres. Mas, em excesso, pode causar alguns distúrbios neurológicos como o Alzheimer.
E ciúmes, então? De alguma maneira, nos sentimos amados quando o causamos em alguém, acredito. Mas em excesso se torna uma... obsessão?
E... quem não gosta de queijo ralado na lasanha, não é? Mas em excesso fica tão, tão ruim — exceto no caso da Sam.
Sam.
Samantha Joy Puckett.
Sinônimo de problemas na minha vida real e a principal vilã dos meus pesadelos.
E não pense que isso esteja mudando baseado nos meus últimos relatos. Só está piorando, na verdade. Acontece que, agora, eu estou passando a enxergar os lados bons disso tudo.
Mas voltando aos ruins... eles continuavam lá. Talvez apenas sendo atenuados com o tempo mas nunca desaparecendo. E isso era até bom, no final das contas.
"Você tem uma nova chamada de vídeo de Carly Shay", piscavam as letras garrafais na tela do meu computador. Meio desnorteado e desleixado, passei a mão pelo cabelo, vesti minha camisa e afastei uma garota de dentro de mim antes de aceitar o convite da outra.
– Oi! — Disse a carinha redonda de cabelos lisos e escuros que se mexia no meu monitor.
– Oi, Carls.
– Nem eu com um avô doente estou usando uma carranca igual a sua. — Respondeu um pouco menos contente do que parecia na primeira curta frase que me disse.
– É que essa semana foi bem corrida... muitos trabalhos, fazer o iCarly sem você...
– Entendo. Mas foi ótimo de qualquer forma. Você dá um ótimo fazendeiro com a Sam naquele quadro.
– Eu? Ah, não! Meu negócio é atrás da câmera.
– Sempre pode haver algum momento no qual você vai precisar substituir uma de nós, e dessa vez você o fez muito bem.
– Obrigada. — Falei sorrindo. — E o seu avô, como está?
– Ele está melhorando, deve receber alta semana que vem.
– Que bom, mas... você já não deveria ter voltado hoje à tarde?
– Sim, mas acabei perdendo o horário. Agora só amanhã à noite. Quer dizer, hoje. Já é meia noite então já é sábado.
– Certo. E o Spencer?
– Ele só volta semana que vem quando o vovô puder ir para casa. Talvez fique até mais se voltar a piorar já que não está fazendo nenhuma escultura recentemente enquanto eu perdi uma semana de aula.
– Tem razão. Mas quando você chegar amanhã... quer dizer, hoje à noite, quer que minha mãe vá buscar você? Eu posso ir junto.
– Sua mãe? — Carly debochou. — Ela me odeia, Freddie! Mas mesmo assim, obrigada. Fique tranquilo, eu pego um táxi.
– Como quiser. — Assenti.
– E você e a Sam?
– O que tem eu e a Sam? — Perguntei apreensivo.
– Nada, só quero saber se vocês estão se dando bem sem mim. Nenhum assassinato até agora?
– Só tentativas. — Brinquei, fazendo-a rir. — Está tudo bem. Só as brigas de sempre.
– Ela me disse que conheceu a família do John e quando eu chegar vai me contar como foi.
– Foi, sim. No sábado passado.
– Disse também que iria me chamar para ajuda-la a se arrumar mas como eu tive que vir para Yakima, chamou o senhorito.
– É. — Admiti, um pouco sem jeito. — No final deu tudo certo.
– Deve ter sido engraçado.
– É, acho que tenho um certo dom para escolher roupa de mulher.
– Você apenas sabe que um homem gosta. — Disse ela compreensiva e sorridente.
– Pode ser, mas a Melanie preferiu me taxar de amigo gay.
– Amigo gay? — Ela repetiu, gargalhando. — Essa foi boa.
Continuamos a conversar sobre outras coisas que ocorreram durante a semana, tanto em Seattle quanto em Yakima, porém abordando os acontecimentos de uma forma superficial já que Carly teve que ir dormir logo e eu consequentemente fiz o mesmo.
Acordei esperando de todo o meu coração que ele estivesse ansioso por sua chegada. E ele estava... mas não do jeito que eu gostaria. Estava por uma amiga que retornava, mas não mais pela garota que eu deveria amar.
Fui logo cedo para o treino de esgrima com minha mãe e percebi o quanto estava enferrujado na modalidade. Eu ainda me saía bem, mas não tanto quanto deveria por ser um Benson.
Treinamos durante a tarde inteira e estendemos até o começo da noite. Ainda pela tarde, minha mãe foi chamada a comparecer no hospital com urgência para cobrir a falta de uma outra enfermeira que acabou ficando doente, então continuei sozinho. Por um momento, esqueci meus conflitos, deixei-os da rua para fora... mas não tentando me preparar para encara-los mais tarde e sim, talvez, esperando que eles estivessem sendo resolvidos enquanto eu simplesmente os ignorava.
Entretanto, como de costume, eles insistiram em me perseguir até nos lugares mais inimagináveis.
– Freddie, já são oito horas da noite. Você não acha que treinou demais por hoje? — Disse meu professor Carlos.
Ele era um cara jovem porém já muito experiente no esporte, tendo herdado o "dom" de seu pai. Tinha seus vinte e um anos e era um pouco mais alto que eu. Seus cabelos também eram escuros e seus olhos davam o contraste que fazia com que toda e qualquer garota quisesse se atirasse nele à primeira vista.
– Você tem razão... é que fiquei muitos meses enferrujado, por isso me empolguei.
– Até demais. — Disse ele sorridente, enquanto pegava a espada de minha mão.
Fui obrigado a tomar um banho lá mesmo depois de suar igual a um porco. Troquei minhas roupas também e tentei parecer o mínimo apresentável enquanto voltava para casa.
– Quer carona até o Bushwell? — Perguntou ele mais tarde depois de também já ter trocado as roupas usadas no treino.
– Claro.
– Freddie, preciso comprar algumas coisinhas no mercado. — Ele disse enquanto íamos até o pequeno e elegante New Beatle que dirigia. — Você me espera quinze minutinhos ou desce também?
– Ah, eu vou com você. Também quero comprar algumas coisas.
Chegamos rapidamente e descemos do automóvel e entramos no grande Wallmart diante de nós. Carlos foi para as seções onde encontraria o que precisava e eu para as que me seriam úteis. Dentro de vinte minutos nos encontraríamos na porta principal novamente para irmos embora, sem desencontros.
Apenas encontros.
Justamente dos quais eu estava fugindo.
Na seção de frios, peguei um iogurte natural e um cream cheese para mim. Mais à frente, escolhi um pão integral — embora seja horrível — e, para finalizar, um sorvete de chocolate porque ninguém é de ferro.
Para ir até o caixa, por consequência, caminhei através de toda a seção de guloseimas, onde encontrei uma tal de Samantha.
Mas qual era a probabilidade disso acontecer?
Estamos num filme, por acaso?
Por que justo no momento em que eu já estava exausto, esgotado até a última gota?
A última vez que havíamos nos falado fora na quarta-feira depois do iCarly e pelo tema da conversa, não nos falamos mais desde então. Na quinta fomos ao Groovy com Shane e Gibby e na sexta ela saiu com a mãe, assim não conseguimos estudar durante nenhum dia daquela semana nem falar sobre qualquer outra coisa a sós.
E isso tornava tudo mais preocupante; eu não estava preparado. Ainda não.
– Cara... — Ela reclamou assim que colocou os olhos em cima de mim, não tendo me dado mínimos cinco segundos para dar meia volta e correr no sentido oposto.
– Você está me perseguindo ou o quê? — Perguntei já com a voz e as pernas trêmulas.
– Já não se pode mais comprar bolo gordo como antes... — Ela disse colocando no chão a cesta absurdamente cheia que segurava. — Agora corremos o risco de dar de cara com nerds inconvenientes.
– Ou com loiras desaforadas.
– De bermudas, cabelinho molhado... — Ela comentou enquanto me fuzilava com o olhar de cima a baixo, cautelosamente. — O que você está fazendo aqui?
– O mesmo que você.
– A Carly também te pediu pra comprar comida?
– Não! Ela te pediu?
– Sim. Mas ela só deve chegar umas dez da noite e como acabamos com o estoque, ela pediu que eu viesse comprar algumas coisas e vai me pagar depois.
– Entendi, mas... por que você veio aqui e a essa hora?
– Porque nos mercados mais próximos não tem tudo o que ela pediu e eu não pude vir antes porque dormi.
– A tarde toda? — Perguntei descrente.
– Sim.
– E o John?
– Ainda quero descobrir por que você se importa com ele tanto assim. — Perguntou irritada.
– Eu só quero saber o que você tem feito... se o namoro de vocês já está, sabe... horrível.
– Não que seja do seu interesse, mas... — Ela suspirou irritada, colocando algumas mechas do cabelo para trás. — Quinta ele foi ver um jogo com o pai então a gente nem saiu. E ontem eu não sei. — Respondeu dando de ombros.
– Não tem visto ele?
– Não.
Sua resposta não soava como um incomodo para ela, o que me aliviou e denunciava o quanto havia deixado de se importar. Aproveitei então e continuei a insistir em outras perguntas a fim de saber se surtiriam o mesmo efeito.
– Isso tem algo a ver com o nosso...
– Freddie? — Uma voz surgiu atrás de mim, me interrompendo.
– Oi, Carlos. — Falei ao me virar e vê-lo.
– Quem é sua amiga? — Disse ele sorrindo e apontando para Sam com a cabeça.
– Essa é a... a Sam. — Gaguejei um pouco enquanto percebia o olhar de flerte que a loira já estava se preparando para lançar.
– Olá. — Ela exclamou impressionada enquanto os dois se cumprimentavam com um aperto de mãos.
– Ele é o Carlos, meu professor de esgrima. — Falei entediado.
– Esgrima! Eu AMO esgrima. — Comentou ela num tom de ironia.
– Que legal, você poderia praticar.
– Claro, quem sabe. — Os dois riram e eu continuei a encara-la indignado.
– É, Sam. Chega de conversa mole, o Carlos está com pressa. — Me intrometi rapidamente.
– Sem problemas, Freddie. — Ele respondeu. — Se a Sam quiser tirar algumas dúvidas...
– Melhor deixar pra outro dia já que hoje nós combinamos de conhecer a mãe dela hoje. — Respondi com um sorriso cínico, enquanto a olhava.
– Conhecer a minha mãe? — Ela perguntou, também sorrindo, enquanto voltava a mirar as duas metralhadoras para mim novamente.
– É, você sabe. Uma hora as coisas começam a ficar sérias e as famílias têm que se conhecer. — Continuei, agora encarando meu professor. — Não é, amor?
Sim, eu disse isso. Eu disse isso mesmo. Eu a chamei de amor e isso me constrangeu e até o último fio de cabelo embora tivesse soado tão bonito. Mesmo assim, não me arrependi. Não podia dar brecha para aqueles dois, àquela altura, na minha frente, daquele jeito.
– Amor? — Carlos repetiu com um sorriso descrente. — Vocês por acaso...
– Sim. — O interrompi enquanto colocava meu braço livre em volta da loira. — A Sam é a minha namorada.
– Namorada? — Sam perguntou incrédula, mas sem tentar se soltar de mim.
– É, já fazem dois meses. Preferimos não contar a quase ninguém por enquanto mas já que assumimos pra você agora...
– Tem certeza? — Carlos ainda ria. — Ela consentiu mesmo? Porque me parece um pouco... assustada.
– Na verda...
– Pois é, Carlos. — Sam me interrompeu, surpreendentemente passando uma das mãos em volta de mim. — Eu consenti, sim. Quem sabe, mais que ele.
– Com certeza. — Murmurei um pouco confuso.
– Ah, que ótimo. — Ele concordou.
– Que bom ter encontrado você aqui hoje. — Ela disse, virando-se para mim e estralando um selinho em meus lábios.
Ela me beijou.
Ela me beijou. Na boca.
Ela tomou essa iniciativa sem que eu ao menos tivesse imaginado antes.
Mais uma vez, sem que eu tivesse esperado.
E, mesmo tendo sido tão breve, foi tão bom quanto o que havia acontecido há exatamente uma semana atrás.
A sensação do último sábado havia voltado, mais atenuada. Mas era como ter assumido tudo aquilo. Era como sentir aquela corrente elétrica, novamente, tomando conta de tudo ali.
– Tudo bem, agora eu vou passar essas coisas no caixa. Você já vem, Freddie? -
– Já vou sim. — Respondi, ainda um pouco atônito, sem conseguir parar de encarar Sam por um segundo sequer.
– Ok, te espero lá na frente. Tchau, Sam.
– Tchau. — Ela respondeu, calmamente, antes que ele se virasse e saísse.
E nós ficamos sozinhos, ali naquele corredor de supermercado cheio de biscoitos recheados e caixas de bombons, abraçados até que o meu professor de esgrima boa-pinta desaparecesse.
Nós nos soltamos então, calmamente, evitando qualquer contato visual, uma vez que o corporal havia sido tão... grave? intenso?... bom?
É, tudo isso. Tudo isso de uma vez só.
Assim como o estralo daquele beijo também. Ele também foi igualmente especial.
– Aquilo foi... ridículo. — Ela debochou enquanto levantava sua cesta repleta de doces e os reposicionava aleatoriamente.
– Eu sei. — Concordei, me sentindo realmente ridículo. — Mas vocês estavam praticamente flertando.
– E? — Me interrompeu com ênfase enquanto se virava bruscamente. — O que você tem a ver com isso?
– Ele tem namorada, até onde eu sei. E você também!
– Mas não é justamente você que torce contra esse namoro e agora está tentando "mantê-lo"?
– Tudo bem, Sam, tudo bem. Você que sabe. — Falei antes de sair, um pouco decepcionado.
– Freddie! — Gritou um pouco antes de me alcançar. — Vocês estão indo para o Bushwell?
– Sim. — Respondi seco, caminhando com pressa, e ela quase correndo para me alcançar.
– Vou pegar uma carona com vocês.
– Como você sabe se estamos de carro?
– Qual é, um cara daquele não pode estar por ai a pé!
– Ok. — Revirei os olhos vencido até chegarmos aos caixas.
Paguei minhas coisas e Sérgio as levou junto com as dele até o carro enquanto eu ajudava Sam com as dela. É, ele realmente achava que éramos um casal e nós meio que tivemos que agir como um, o que não foi um grande desafio tirando o fato de que tudo é motivo para uma briga.
– Como você vai pagar se quase nunca tem dinheiro? — Comentei enquanto transferíamos os produtos da cesta para a esteira.
– Quando sai com minha mãe ontem, peguei o cartão de débito do namorado dela. — Sam respondeu, sacando-o de dentro do bolso de seu shorts jeans.
– Você não presta. — Falei sem evitar uma risada que fora devolvida por ela na mesma proporção.
Fomos até o carro e saímos em direção ao Bushwell. Fui obrigado a ouvir durante o caminho até lá Sam perguntando várias coisas sobre esgrima para Carlos, com certeza forçando um interesse que não tinha nem de longe. Irritado e às vezes ignorado quando tentava me introduzir na conversa ou desmentir o interesse de Sam, permaneci calado até chegarmos.
Cada um deu conta de suas próprias sacolas até chegarmos no andar que gostaríamos. Continuei com minha cara de poucos amigos mas sinceramente não esperava que Sam fizesse nada a respeito embora ela tivesse feito de qualquer forma.
– Até que esgrima é legal, não é? — Comentou.
– Não diga.
– Às vezes me esqueço que você treina desde pequeno.
– E você sempre me critica por isso.
– Me desculpe, é que seu professor pareceu extremamente gentil e inteligente. E por último mas não menos importante, bonito.
Me virei para ela ainda mais indignado enquanto já íamos saindo de dentro do elevador.
– Para sua informação eu sei tanto sobre esgrima quanto ele e você teve anos para me perguntar a respeito. E por último mas não menos importante, ele tem uma namorada.
– Não tenho culpa se só me interessei agora. E por último mas não menos importante, eu tenho namorado também.
– Esse namoro e nada são quase a mesma coisa. — Falei enquanto ela abria o apartamento de Carly.
– Você só está falando isso porque não namora.
– Adianta muito namorar e no final do dia acabar pendurada na minha boca.
Não pensei ao falar assim como ela também não pensou ao me puxar bruscamente para dentro do apartamento e passar a chave nele novamente.
– Perdeu a noção? Você não pode sair dizendo isso por ai! Podem ouvir!
– Que ouçam, então! Esse teatrinho já está enchendo o saco, não acha?
– Que teatro?
– Você não gosta dele senão não teria me beijado há uma semana atrás.
– Da mesma forma que você também não deve gostar da Carly para ter correspondido.
– Então você está confirmando? -
– E você não está negando. — Rebateu ela, cruelmente.
– Olha... — Falei entre uma pausa e um suspiro profundo. — Foi um erro de nós dois. Não adianta culpar só um agora.
– Pode ser, acontece que no meu caso tem um peso a mais.
– Por quê?
– Porque eu namoro com o John. Temos um compromisso, eu já até conheci a família dele. — Ela deu uma pausa, dois passos a frente e terminou. — Eu traí ele. Com você.
– Traição? — Mesmo já tendo analisado e confirmado essa situação, eu não a aceitei muito bem e me espantei ao saber que eu não era o único. — Mas foi só uma vez.
– Mesmo assim. Não anula nada. O que você acha que ele faria se tivesse visto?
– Ele não teria coragem de terminar com você.
– Quem sabe, mas também não confiaria mais em mim. E a Carly, então...
– Não envolva ela nessa história. Ainda não estamos namorando nem nada.
– Mas já tiveram vários encontros. — Ela argumentou.
–Você tem razão, mas mesmo assim não é tão grave quanto no seu caso.
Paramos por um instante sem dizer nada, talvez para pensar em uma maneira de esquecer ou resolver aquela situação mas pelo menos eu não consegui. Só conseguia me concentrar em adivinhar qual seria sua próxima fala e se de alguma maneira eu começaria a decifrar tudo o que estava acontecendo entre nós. Mais precisamente, com ela.
– Esquecer e não contar para ninguém é a melhor opção, não acha? — Ela sugeriu um instante depois.
– Como se houvesse a menor possibilidade.
– Esse foi um dos acordos que fizemos da primeira vez e veja só: teve uma segunda.
– Então você está dizendo que não adianta? — Perguntei confuso.
– Até agora...
– Ei, ei. — A interrompi, um pouco espantado com sua conclusão. — Não se preocupe. Eu não vou te beijar de novo. Nem que você queira.
É. Isso foi uma mentira.
– E eu realmente não quero. — Ela concordou, um pouco frustrada.
– Nem que você precise.
– Eu posso viver sem isso. — Continuou ela a concordar, cada vez mais desanimada.
– Nem se um dia...
– Como é que é? — Disse uma terceira voz de forma exigente, invadindo o cômodo, tendo saído de uma morena séria e concentrada parada entre a porta e o corredor.
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