Notas iniciais
Oiee. Gente, eu pretendia postar ainda antes, mas aconteceram algumas coisas e não deu. Mesmo depois de resolvê-las, continuei meio block mas achei que não seria justo demorar ainda mais. Recebemos outra recomendação e eu tô muito feliz! Que linda a senhora, Mayane Souza ♥ Seguindo a ordem, dedico esse capítulo à Giovanna. Muito obrigada por ter dedicado também um tempo para falar tão bem da história e por ter colocado um sorriso tão enorme na minha cara!!! (você nem tem noção). Obrigada, querida!

PDV Sam.

Ficamos imóveis assim que aquela voz nos entrou pelos ouvidos. Mas que burrice foi essa que praticamente me cegou e não permitou que eu visse Carly abrindo a porta?

Bem, já era tarde demais, não?

Depois de um minuto estático, Freddie se virou para ela. Já encarando-a, ficou parado novamente e que droga é essa mania dele de se entregar sem antes mesmo ser suspeito.

Então, ela ainda parecia séria e aquilo começou a me assustar terrivelmente. Talvez tivesse ouvido toda a conversa. Ou apenas um trecho, porém o suficiente para já ter sacado do que se tratava. Independente do que a levou a se expressar daquela forma, estava me desesperando, mas eu e Freddie conseguimos segurar até onde deu.

– Carly...

– Não vão vir me cumprimentar mesmo? — Ela me interrompeu, colocando uma das mãos na cintura. Quando Freddie deu o primeiro passo em direção à porta, eu corri, esbarrei nele, o ultrapassei e cheguei nela primeiro.

– Ai! — Protestou indignado.

– Que saudades! — Falei enquanto apertava minha amiga.

– Eu também, loira. — Respondeu rindo enquanto Freddie pegava sua mala do chão e me lançava um olhar de preocupação.

– Como você está? — Perguntei depois de nos separarmos, enquanto já entrávamos no apartamento.

– Bem, mas ainda está faltando um abraço por aqui. — Falou com um tom sugestivo.

– Vem cá. — Ele a chamou, ela foi, os dois se apertaram e eu senti mil calafrios seguidos correndo dentro de mim ao mesmo tempo.

– Certo, agora quero saber o que tem meu nome. — Ela falou sorridente depois de se soltarem.

Eu e Freddie nos encaramos, um mais perdido que o outro, tentando decifrar os olhares que se lançavam a cada instante. Precisávamos inventar uma desculpa ali mesmo, no improviso, e dar continuidade à ela da maneira mais coerente que pudéssemos. Não foi o nosso melhor, mas até que deu certo.

– O que tem seu nome? — Comecei, ainda esperando que Freddie desse algum sinal de solução.

– Nós só estávamos falando do...

– Da...

– Das.. das comidas que você pediu que a Sam comprasse. — No momento odiei a invenção, mas Carly pareceu se convencer um instante depois.

– O que, exatamente?

– Eu perguntei o que você havia pedido e trouxe também umas outras coisas que talvez possa gostar. — Disse ele entregando uma de suas sacolas à ela.

– Pão integral? — Ela falou indignada, ainda olhando para dentro do pacote. — Mas eu odeio.

– Legal. — Ele disse tomando de volta. — Sem problemas, eu posso ficar com isso.

– Tudo bem. — Ela concordou com um sorriso desconfiado, sentando-se no sofá.

– Como está o Sr. Shay? — Perguntei enquanto eu e Freddie fazíamos o mesmo.

– Melhorou muito. Quando chegamos, ele estava fazendo a cirurgia, manteve repouso desde então e está tomando alguns remédios.

– Legal, mas o que ele tinha afinal? — Freddie perguntou.

– Complicações com a hipertensão. A cirurgia foi para desobstruir uma artéria.

– Aterosclerose? — Falei amistosa.

– É, deve ser isso mesmo e... — Ela parou, como se de repente tivesse se dado conta de algum fato improvável. — Sam! Desde quando você sabe algo sobre biologia? — Perguntou, parecendo impressionada e contente ao mesmo tempo.

– Eu só... — Travei um instante, encarando Freddie. — Só estou prestando mais atenção nas aulas do Sr. Howard.

– O Howard dá aula de história. — Carly declarou, agora com desconfiança.

– Então estou prestando atenção nele também e seja lá em quem dá aula de biologia.

E logo em seguida, ao encarar Freddie, dei de cara com a expressão que eu já imaginava que encontraria ao fitá-lo: ele estampava no rosto um sorriso tão discreto quanto convencido... com certeza, se vangloriando por ser o tal professor que vinha lecionando tão bem e fazendo com que as pessoas se impressionassem com as coisas inteligentes que eu dizia desde então.

– E o Spencer, como ele está? — Freddie continuou.

– Está bem, com saudades da Amy mas conseguindo manter o meu avô sempre contente.

– Imagino.

– Mas me digam, como foi a escola essa semana?

– A mesma porcaria de sempre. — Falei.

– E aquele trabalho do professor Howard? Ele já pediu para entregarmos?

– Só na terça.

– Que alívio. Pelo menos o meu já está pronto. — Carly falou despreocupada.

– Você fez com quem? — Perguntei.

– Com a Wendy, e você?

– Eu...

Eu... travei. Porque eu ainda não tinha feito. E já havia mentido uma vez sobre isso. Na última sexta, quando John me chamou para jantar na casa dele, eu o contei que já havia feito com Annie. Mas não fiz, na verdade.

– Não fiz ainda. — Falei finalmente.

– E você, Freddie? Fez com quem?

– Acho que vou fazer com o Shane mas até agora ele não me disse nada.

– Façam logo porque esse trabalho vai contar muito na nota da matéria dele. — Ela nos alertou.

Depois de ficarmos até a meia noite colocando os assuntos em dia — exceto aquele mais importante e mais secreto que acontecera há exatamente uma semana atrás, — o sono começou a bater por todos os lados. Se um bocejasse, o outro bocejava e fazia o outro bocejar e assim por diante como num ciclo vicioso. A arte de dormir nos chamava.

– Vai dormir aqui, Sam?

– Acho melhor, já está muito tarde para ir para casa.

– Então eu já vou tomar o meu rumo. — Freddie falou pegando do chão suas sacolas. — Boa noite, señoritas.

– Tchau, Freddie. — Carly riu.

Adiós, muchacho. — Freddie sorriu uma última vez e saiu porta afora.

– Me ajuda com as malas, loira?

– Claro. — Falei, mais prestativa que o comum e a ajudei a subir com a bagagem escada acima.

– Ah, que cansaço. — Ela lamentou enquanto subíamos.

– Só porque essa mala está bem pesadinha para quem foi passar apenas uma semana de última hora na cidade vizinha. — Reclamei com rispidez.

– Mas também tem algumas coisinhas que eu compro sempre que vou lá, você sabe.

– Sei. — Resmunguei enquanto subíamos os últimos degraus. — Interessante, Carlotta Shay. Você tem um elevador dentro de casa e me fez subir essas escadas carregando o seu boi?

– Sam! — Ela reclamou mais uma vez com mais uma risada, bagunçando meu cabelo. — Vou tomar um banho.

Concordei e, enquanto ela sumia para dentro do banheiro, eu peguei uma daquelas coisas curtas e rosas que ela chama de pijama e a vesti. Até que era confortável, mas rosas demais para o meu gosto.

Um tempo depois ela reapareceu já trocada e ao me ver com sua roupa riu e torceu o nariz. Dei de ombros e fui até a cama dela em seguida quando me chamou.

– E ai, coisinha.

– O que foi? — Falei me sentando.

– Você não acha que está se esquecendo de me contar alguma coisa? — Gelei instantaneamente, pensando que ela estivesse se referindo justamente à única coisa que não poderia.

– Me dá uma dica. — Pedi cautelosa.

– Namorado.

– John?

– Isso.

– O que tem ele?

– Você me diz.

– Nada. — Falei um pouco nervosa.

– Calma! Eu só quero saber como foi o jantar na casa dele. É que você ainda não me contou.

– Ah, o jantar? — Falei aliviada. — Foi ótimo. A família dele é muito legal.

– E quando foi que ele te chamou?

– Na escola, sexta, antes da segunda aula. Você já tinha ido embora.

– Como você soube que eu já tinha ido?

– É, na verdade o Freddie que me disse mesmo. Ele me falou depois que as aulas acabaram.

– E ai, o que vocês fizeram?

– Viemos até aqui atrás de você porque não sabíamos ao certo para onde tinha ido.

– Acharam meu bilhete?

– Sim, srta. da macumba. — Falei divertida. — Você adivinhou tudo naquele papelzinho.

– Claro. — Ela disse rindo. — Mas por que você chamou o Freddie para te ajudar no meu lugar e não a Wendy ou qualquer outra garota?

– Na verdade, ele que se ofereceu. — Admiti sem rodeios, só percebendo a porcaria que havia feito quando Carly usou da expressão insatisfeita que só aparecia em casos muito específicos.

– Como assim "se ofereceu"?

– Se oferecendo. — Falei com obviedade, já que negar não adiantaria mais de nada.

– Ele, tipo, pediu? — Instituiu ela, ainda incrédula e eu tentando entender por quê.

– Não pediu, mas, sabe, sugeriu... se disponibilizou.

– Você não o obrigou, não é?

– Não! — Berrei. — Ele quis vir e eu não neguei porque mais ninguém me ajudaria.

– Você tem certeza disso? — Com uma das sobrancelhas arqueadas, ela pedia minha confirmação.

– Sim. — Naquele momento percebi que ela estava incomodada com o fato de Freddie ter me ajudado na arrumação de (quase) tudo o que eu precisava para ficar apresentável ao jantar com os parentes daquele que eu devia amar. — Por quê?

– Nada. — Ela balançou a cabeça, expulsando a carranca da desconfiança e forçando uma mais amigável. — Mas como foi, vocês brigaram muito?

– Nem tanto. — Falei dando de ombros.

– Tipo, nada? — Perguntou, como se quisesse que minha resposta fosse outra.

Mas ai apareceu um dos erros mais comuns que as pessoas insistem em relacionar a mim e ao Freddie... Por não termos brigado, também não significa que estamos nos dando bem. Por brigarmos, não significa que estamos nos dando mal. Tanto uma situação quanto a outra pode remeter tanto a um acontecimento quanto ao outro.

Se estamos mal, brigamos.

Se estamos bem, também.

E talvez essa seja uma das únicas coisas que nunca vai mudar entre nós. Independente do estágio dos nossos sentimentos — que estavam, inclusive, evoluindo -, talvez fosse sempre assim.

– Nada. Uma ofensa ou outra no máximo.

– Oh. — Ela deu uma pausa, absorveu a frase e continuou. — Esquisito.

– Você deveria estar feliz com essa, Madre Teresa de Calcutá. — Brinquei, tentando destruir a tensão que se instalara.

– Certo. — Ela mostrou os dentes. Porque, sorrir, não sorriu. — Mas e na casa do John, foi legal?

– Foi sim. Ele me buscou na avenida com o motorista...

– Motorista? Uau, que chique!

– Pois é. — Concordei, impressionada com seu entusiasmo. — Jantei com os pais dele, os avós e a irmã.

– Mas os pais dele não são separados?

– São, a casa agora é só da mãe.

– Certo. — Ela se ajeitou na cama e continuou. — Mas e vocês?

– O que tem a gente?

– Como está o namoro? Sabe... fervendo ou esfriando?

– Bem... dei uma risada nervosa. — Está indo.

– Vocês estão se afastando ou algo assim?

– Não! — Mentira. — Está tudo ótimo. — Mas que mentira. — Por que está perguntando dessa forma? — Retruquei, pensando que ela tivesse ao menos uma pontinha de desconfiança sobre eu ter beijado Freddie, sendo essa a motivação da conversa que sustentava.

– Nada, é que fiquei uma semana fora, talvez algo possa ter acontecido.

– Não se preocupe, está tudo igual.

– Que bom. — Ela deu um suspiro de alívio e encarou os travesseiros. — Estou tão cansada, amiga... acho que só aguento comer o que você trouxe amanhã.

– Beleza, Carlotta. — Falei me levantando. — Vamos dormir, então.

– Até amanhã, Joyzinha.

– Até amanhã, Shayzinha.

Desci até a sala e me joguei no sofá, sem me preocupar com travesseiros ou cobertores porque sabia que não iria dormir, apenas pensar.

Pensar.

Pensar na estranheza daquela conversa com a Carly, tudo o que ela havia perguntando, insinuado ou ouviu e de alguma forma se ofendeu.

E em uma certa parte em especial que estava dormindo do outro lado do corredor. E que eu quase corri para ir lá me certificar de que era real. E estava perto, tão perto. E fazia com que eu me sentisse bem de uma forma como ninguém jamais conseguiu.

"Como está o namoro? Sabe... fervendo ou esfriando?" Nem fervendo. Nem quente. Nem morno. Muito menos frio. Estava congelando. Aliás... já estava.

Há muito tempo.

Notas finais
Parece que eu criei muita expectativa pra nada e no final a Carly não descobriu o que deveria. Ou não! Talvez ela finja muito bem, né? A autora que aqui vos fala pede mais um pouco de paciência porque ela voltou a ficar block e isso é muito bad e ela está falando muita coisa em inglês e, nossa, chega. O próximo capítulo será especial. Se é que vocês me entendem. MAMMA LIKEEEY ♥