Notas iniciais
Ah, me desculpem por esse título. Não considerem a música da Britney Spears, ok? Aline Bispo!!! Querida sjsdsjkfh sua recomendação adiantou a postagem de tão linda. Obrigada!! Agora eu quero dedicar esse capítulo à CharlotteMeireles por mais que ela considere desnecessário. Eu não! Porque amei a recomendação que recebi dessa querida. Muito Obrigada mais uma vez. ♥

PDV Sam.

Enquanto as coisas esfriavam com John, em contrapartida, esquentavam com Freddie.

Contrapartida.

Elemento de coesão bonitinho, não é?

Pois é.

Foi ele quem me ensinou a usa-lo... entre tantas outras coisas.

Com ele eu pude aprender das coisas mais simples às mais difíceis, aquelas que pensei que jamais conseguiria, no mínimo, citar sem tremer um pouco e aquelas que só com ele eu pude ver que não eram tão assustadoras quanto pareciam. Mas mais que isso, também foi algo empírico. Algo que não foi propriamente ensinado por ele, mas que, de alguma forma, eu aprendi.

Acho que o que menos fizemos naquelas tardes foi estudar. Porque, juntos, essa é uma das coisas que sabemos fazer, mas a última delas.

Somos tão bons no video-game, imbatíveis no karokê e os mestres da culinária. Somos os melhores para dar e receber conselhos, experts em queda de braço, os apaixonados por filmes e viciados nos melhores seriados. Ninjas da arte de dormir, estilistas particulares nas horas vagas e assíduos praticantes de brigas inúteis. Da mesma forma, conseguimos propiciar algo como um oasis de paz nos segundos nos quais não praticamos esse último.

Com tudo isso e apesar de tudo isso, minhas tardes foram as melhores justamente ao lado da pessoa com quem eu mantinha uma relação bem peculiar e pouco definida.

Nossa convivência passou a ser então mais que um combinado, uma necessidade. E em seguida, mais que isso, uma vontade.

Já era uma sensação complicada demais para ser restrita apenas a mim ou apenas a ele. Era algo nosso e os dois lados já haviam entendido de alguma forma, por mais que não admitíssemos da forma que deveria ter sido feita. Há muito tempo.

A segunda-feira chegou, então, e me puxou para fora da cama pelos pés. Finalmente eu parecia ter voltado a dormir bem, mas o começo de semana não me deixou concluir tal proeza.

Meu cabelo, todo embaraçado, travou uma briga acirrada com o pente, impedindo-o de fazer qualquer coisa por ele. Depois de um tempo, desisti de tentar melhorar a situação precária da minha cabeça e fui resolver outras no banho.

Alimentada porém extremamente preguiçosa, cheguei à Ridgeway High School. Que nome feio, que lugar horroroso. Queria me jogar no primeiro canto que visse com o mínimo de privacidade para tirar uma boa soneca. Ou não. Sendo um canto, já estava bom. No resto, eu dava um jeito.

– Bom dia, Sam! — Shane disse interrompendo minha caminhada pelo corredor e fazendo com que eu esperasse a ele a Wendy, com quem estava abraçado.

– E aí, gente. — Falei sem ânimo.

– Cadê o John? — Wendy me perguntou, relembrando um detalhe sórdido na minha vida: eu tenho um namorado.

– O John... — Dei uma tropeçada no vazio do meu silêncio. Mas levantei. E continuei. — Ele já deve estar chegando. Por quê?

– É que o Gibby passou pela gente agora e está procurando por ele.

– Por quê?

– Porque ele quer saber se o trabalho que o Howard pediu já está pronto. — Respondeu ela.

– Trabalho do Howard? — Perguntei espantada.

– Isso ai. — John confirmou com obviedade.

– Eles fizeram juntos?

– Sim. O John o chamou porque você já tinha feito com a Annie.

– Ah, sei. Eu já fiz mesmo. — Menti, um pouco assustada porque, na verdade, não havia feito e já não teria condições de fazer sozinha em tão pouco tempo.

– Legal, sobre o que vocês falaram?

– Bom dia! — Carly disse se aproximando com Freddie e interrompendo uma resposta que eu deveria dar mas na verdade não viria já que ela nem se quer existia.

– Carls! — O casal exclamou com entusiasmo enquanto a abraçavam já que estavam vendo-a pela primeira vez desde que voltou de Yakima.

– Bom dia. — Freddie disse com um ar simpático enquanto eu tentava me manter intacta depois de ouvir aquela voz.

– Qual o assunto? — Minha melhor amiga perguntou.

– Estávamos falando do trabalho do Howard.

– Falando nisso, Shane, você vai fazer comigo? — Perguntou Freddie, amistoso.

– Não, eu fiz com o Marcel.

– Cara! E agora? — Lamentou ele.

– Faz com a Annie. — Wendy sugeriu.

– Não, a Sam já fez com ela. — Carly respondeu.

– Sério mesmo? — Freddie perguntou com sarcasmo enquanto me olhava.

– Sério. Arranje outra pessoa.

– Claro. — Ele concordou calmamente. — Eu já volto, pessoal.

Às vezes chega a assustar o quanto eu o conheço. E nesse momento minha percepção não foi diferente.

Ele sabia muito bem que eu não tinha feito trabalho nenhum com a Annie porque ao invés disso, passei a tarde inteira com ele. Então, só para me atazanar e porque não tinha com quem fazer, iria chama-la.

– Vai aonde, Freddie? — Carly perguntou.

– Resolver esse problema. — Disse já se afastando. — Volto logo.

Sem dar satisfação alguma para Wendy, Shane e Carly, sai correndo furiosa atrás de Freddie. Ao notar a perseguição, ele acelerou o passo e quando quase foi alcançando, começou a correr. Quando notei, já estávamos no patio igual dois maratonistas, até que eu parasse a brincadeira.

– Volta aqui! — Ao ouvir meu berro, ele perdeu dois ou três segundos para me avistar, tempo suficiente para que eu o agarrasse.

– Sam! — Ele gritou, eu o peguei pela gola da camisa e o imprensei na parede, imobilizando-o pelo pescoço com meu braço.

– Onde você pensa que está indo?

– Não te interessa. — Ele falou de volta, enquanto tentava se soltar de mim.

– Se você não tem com quem fazer o trabalho, não vai chamar a Annie porque ela já é minha dupla.

– Quem disse que eu estou indo chama-la?

– Eu te conheço muito bem, você só quer me ferrar.

– Você mesma já fez isso. — Num movimento rápido e inesperado, ele inverteu nossas posições e me pressionou contra a parede segurando meus pulsos. — Teve tempo suficiente para fazer com ela, agora já é tarde demais.

– Você não pode chama-la! — Gritei com raiva, tentando me soltar.

– Quem é você para dizer quem eu posso ou não chamar?

– Me solta, seu idiota! — Gritei novamente enquanto tentava me debater.

– Mas quem diria. — Ele deu uma leve risada enquanto corria os olhos por todo o meu rosto fervendo e me empurrava com mais força. — Não é você a garota mais forte que eu?

– Eu sou mesmo. — Enquanto sorria, com meu joelho, chutei sua área vital. Não propriamente dita, mas uma muito importante. Aquela que parece ser a mais sensível e que eles choram se alguém se mete com ela.

– OH, MEU DEUS! — Ele gritou e me soltou na hora. Se inclinou com as mãos entre as pernas e ficou se contorcendo em dores. — Você está louca?!

– Eu? Louca? Não... — Falei rindo. — Por um momento até fiquei com dó, mas me lembrei o quanto é divertido te ver assim.

– Você me paga. — Ele falou enquanto tentava se levantar novamente.

– Tudo bem, mais tarde acertamos as contas, agora vou achar a Annie e garantir minha nota do bimestre. — Respondi enquanto já ia saindo novamente.

– Espera! — Ele gritou, eu parei e me virei. — Vamos fazer um acordo.

– Olha aqui...

– Nós dois a chamamos e vemos quem ela vai escolher. Combinado?

– Tudo bem. — Não quis concordar mas fui obrigada por ser o que parecia mais justo.

– Vamos. — Ele sorriu enquanto começávamos a caminhar decentemente de volta à escola. Freddie ainda mancava e fazia algumas expressões de dor. Eu queria rir, mas não evitei de me preocupar.

– Para de drama.

– No dia em que você for homem e levar uma dessas, a gente conversa, ok?
Dei de ombros e não falei mais nada até avistarmos nosso alvo. Ela parecia ter acabado de chegar porque ainda caminhava em direção a uma das salas segurando alguns livros até que a abordássemos.

– Annie! — Gritamos em uníssono e apressamos o passo até ela. Freddie, é claro, com mais dificuldades.

– Oi! — Disse ela com um um sorriso surpreso.

– Nós dois vamos te fazer um convite e você decide de quem aceita, ok?

– Certo.

– É sobre o trabalho de história para amanhã. Nós dois queríamos te chamar, então você decide com quem quer fazer. Que tal?

– Ah, eu sinto muito mas... com nenhum dos dois.

– O quê? Por quê? — Perguntamos de uma só vez com igual indignação.

– Me desculpem, é que eu já fiz com a Tasha.

– Droga. — Freddie murmurou. — Tudo bem. — Ele se virou para mim com frustração antes de dizer. — Vamos?

– Espera ai. — Falei segurando-o pelo braço. — Anne, se você já não tivesse feito com a Tasha, quem de nós dois escolheria? — Perguntei pretensiosa.

– O Freddie. — Ela riu tímida mas não teve pudor algum ao falar. Freddie riu também quase que correspondo o olhar de flerte que a garota o lançava.

– Tchau. — Falei furiosa, saindo apressada sem direção certa.

– Espera ai, Sam! — Freddie gritou ainda rindo, me alcançando cinco segundos depois.

PDV Freddie.

– Espera ai, Samantha. — Eu a puxei discretamente pelo braço e a virei para mim.

– Já vai vir jogar na minha cara? — Reclamou cruzando os braços com indignação.

– Tudo bem, dessa vez eu não vou. — Falei mais sério.

– Nem importa mais, nós já estamos sem nota. — Cabisbaixa, ela foi até as escadas mais próximas e se sentou. Eu a acompanhei.

Ficamos em silêncio por um instante. Ela parecia furiosa e eu mal sabia se era pelo flerte que eu havia recebido da Annie ou pelo fato de não termos ninguém para fazer o trabalho conosco.

Eu esperava que fosse pelos dois motivos.

Porque, direta ou indiretamente, eu já estava pensando em uma solução para ambos.

– Que tal se nós fizéssemos o trabalho juntos? — Sugeri com certo orgulho por ter tido tal ideia.

– Será? — Ela parecia receosa, mas com certeza considerava a hipótese.

– Hoje à tarde. Que tal?

– Mas se a gente for começar depois da aula, não vai dar tempo de terminar.

– Então vamos logo. Na sua casa. — Eu me levantei e estendi a mão para ajuda-la a fazer o mesmo.

– Você ouviu o que eu disse? — Ela insistiu, se apoiando em mim e ficando em pé ao meu lado.

– Então vamos pra lá agora.

– Você só pode estar de brincadeira.

– Vem cá.

Eu a puxei pelo pulso e senti que naquele momento havíamos trocado de corpos. Estávamos prestes a cabular a aula sob minha influência.

Ou não.

Chegamos até o pátio e só precisaríamos pular o muro, acontece que ele era grande demais e eu não conhecia nenhuma técnica que nos ajudasse a esse respeito.

– O nerd está perdidinho. — Ela debochou, tomando a frente da missão.

Eu fui logo atrás até chegarmos mais aos fundos onde nenhum inspetor ou segurança nos veria fugindo. Algumas caixas empilhadas perto da parede nos serviram como degraus. Ela pegou nossas mochilas, as jogou do outro lado e pulou. Eu fiz o mesmo logo em seguida, me sentindo a pior pessoa do mundo.

– Fácil, não é? — Disse ela triunfante.

– Eu nunca cabulei um dia de aula em toda a minha vida. — Respondi com aflição.

– Nada de coitadismo agora. Foi você quem sugeriu.

Assenti embora revirasse os olhos de raiva e saímos rua afora.

Rapidamente chegamos até a casa dela depois de alguns minutos caminhando sem muito conversar, porém nada constrangidos com isso, o que chegava até a ser bom. Não havia a obrigação de se falar o tempo todo, mas sim o conforto do silêncio.

Eu ainda sentia muitas dores no local que havia sido atingido com sua joelhada violenta. Não conseguia entender de qual buraco ela arrancava uma força tão desproporcional ao seu porte.

– Mi casa es tu casa. — Ela disse enquanto abria a porta, jogando a bolsa pela sala e indo direto para a cozinha.

– Gracias. — Abafei minha risada ao falar, colocando minha mochila ao lado da dela.

– Quer alguma coisa? — Gritou enquanto se enfiava na geladeira.

– Mais tarde.

– Tudo bem. — Ela fechou o eletrodoméstico e voltou até o local onde eu estava, segurando uma coxa de frango e mastigando um pedaço dela.

– Vocês não arrumam essa casa? — Observei, enquanto suspendia no ar um vestido que encontrara no chão e via muitas outras coisas deixadas por todo o caminho com certo descaso.

– Às vezes. Mas esse trapo ai é da Melanie.

– Melanie? Ela está aqui? — Falei soltando a peça na mesma hora e entrando em alerta ao me lembrar da promessa que havíamos feito da última vez que nos vimos.

– Não, relaxa. Você não vai precisar beija-la. — Respondeu irritada.

– Tem razão, eu já te beijei. — Devolvi com sarcasmo.

– Cala essa boca. — Ela exigiu, ainda mais incomodada.

– Quando ela volta?

– Deve estar numa excursão pela escola, então.. à noite, talvez. Minha mãe, não faço ideia.

– Certo. — Falei me sentando no sofá. — Temos bastante tempo.

– Não vamos perder tempo, vai pegando seus livros. — Ela disse, segurando sua carne com os dentes para liberar as mãos e pegar um notebook.

Ok. — Falei enquanto já ia em busca da minha mochila.

Peguei meus livros de história, um caderno e um estojo e voltei para o meio da sala quando Sam fez uma observação bem incomum.

– Por que você está mancando?

– Esqueceu do chute que me deu? — Assim como ela, sentei no chão em cima do carpete, escorando minhas costas no sofá.

– E dói tanto assim?

– Talvez nem tanto, mas vindo de você...

– Não exagera. — Ela torceu o nariz. — É, tipo, a pior dor que os homens podem sentir?

– Já levou um soco no seio? Piore dez vezes. Pronto. — Falei irritado.

– Soco no peito dói muito mais. — Ela respondeu colocando a mão em um dos dela. Ver aquilo foi estupidamente bom.

– Continua doendo.

– Tudo bem... — Sam passou as mãos pelos cabelos e se colocou a pensar por um instante. — Você quer... alguma coisa para colocar ai?

– Por favor!

Apressada, ela se levantou e voltou à cozinha. Revirou todas as portas e gavetas do armário até achar uma bolsa de gelo. Colocou dentro dela vários cubinhos e trouxe até mim.

– Aqui.

– Valeu. — Peguei-a finalmente e, sem pensar se a cena seria constrangedora ou não, a posicionei em cima do meu órgão reprodutor tão maltratado e gemi num prazer quase sexual pelo alívio instantâneo. — Ohhh, Ahh meu Deeeeeeeus!

– Cara, você tá louco? — Sam reclamou enquanto suas bochechas pareciam queimar de tão coradas.

– Ninguém mandou você quase me matar pelo meio das pernas. — Respondi furioso.

– Então eu vou mesmo ter que ficar a tarde inteira vendo você se acariciar com gelo? — Perguntou com repúdio.

– Até que você merece. Por sua culpa, corro o risco de não ter filhos. — Rebati, um pouco divertido.

Fizemos grande parte do trabalho em pouco tempo, sem pausas nem distrações. Fiquei impressionado com o foco de Sam embora algumas vezes ela demonstrasse um pingo de desinteresse. Admirei sua postura responsável por estar cumprindo o que prometeu de forma tão eficiente, mas só até certo ponto em que, finalmente, outros assuntos vieram à tona depois de termos feito nossa refeição.

– Até que a gente cozinha bem, não acha? — Ela comentou enquanto voltávamos a nos jogar no tapete da sala.

– Será que o John vai cozinhar assim também quando vocês se casarem? — Comecei, já sabendo muito bem até onde queria ir com o assunto.

– Tomara. — Desleixada, ela se jogou no menor dos sofás e cruzou os braços.

– Complicado vai ser se casar com uma pessoa que você mal tem visto. — Continuei, não apenas para irrita-la, mas também para abrir o jogo de vez sobre a relação dela com John.

– Legal você já estar se preocupando com o meu casamento quando nem eu estou fazendo isso. — Ela deslizou suas costas flexíveis por toda a extensão do móvel até chegar ao chão e se sentar nele, assim como eu. — Já escolheu o buffet?

– Eu sugiro um filé. — Falei me aproximando com um sorriso discreto e uma das sobrancelhas arqueadas. — E você?

– O que você quiser, pra mim está ótimo. — Respondeu ela num tom provocativo porém ainda esboçando muita seriedade. — E o meu noivo, vai se vestir como?

– Vou como você quiser. — Não, essa resposta não foi premeditada. Nem um flerte nem uma tentativa de aborrece-la. Saiu esquisita. Saiu provocando a última das reações que eu esperava.

– Você? — Falou gaguejando um pouco. — E por acaso você vai ser o meu noivo?

Fazendo uso das habilidades que havia aprendido com ela mesma, reverti a situação rapidamente como vinha sendo há um bom tempo.

Pois é. Sam não foi a única a aprender durante essas tardes que passamos juntos.

– Você ficando irritada por minha causa é um orgulho. — Flexionei uma das minhas pernas e apoiei meu braço nela.

– Não me irritei. — Disfarçou ela, e muito bem, afinal. Acontece que não há alguém que a conheça tanto quanto eu para saber que essa tentativa não havia sido suficiente. — Mas parece que alguém aqui está doidinho atrás de uma noiva loira.

– A Carly é morena. — Respondi triunfante.

– Por isso mesmo.

Por isso mesmo.

As últimas três palavras que se ouviu naquele cômodo empoeirado e todo bagunçado.

Porque é tão fácil lembrar.

O resto, nós preferimos expressar de uma outra maneira. Mais peculiar.

Ela continuou a me fitar pelos próximos dez segundos e, sem resposta alguma, já começou a se movimentar. Eu não fazia ideia do que faria, e mesmo sendo algo tão bom e surreal, foi uma surpresa.

Sam ficou de joelhos, apoiou as mãos no chão e se rastejou até mim. O espaço que nos separava já era curto e ela só fez com que diminuísse.

Nossos olhos pareciam dois ímãs querendo se pregar um no outro, sendo cada vez mais atraídos conforme se aproximavam.

Eu não esperava que ela tivesse tal coragem então me mantive estático durante todo o momento da espera. Mal pisquei meus olhos e controlei o ritmo da minha respiração. O único que me escapou, foi aquele carinha que bombeia sangue para todo o meu corpo, naquele instante se esquecendo apenas do cérebro porque eu só podia estar bem alucinado para acompanhar Sam no que foi iniciado por ela.

Ou não.

Sua respiração forte foi direto no meu nariz antes que ela encerrasse de uma vez nossa distância. Primeiro, grudou seu lábio superior ao meu inferior, deixando que o outro também roçasse um pouco no meu queixo.

Eu não fechei meus olhos, mal esbocei qualquer reação embora meu corpo já estivesse trêmulo. Mesmo assim, continuei com um dos braços apoiado na perna. Ela me olhou por baixo novamente e quando suas pálpebras caíram mais uma vez, outro selinho se seguiu.

Continuei de olhos abertos. Ela pressionou a boca contra a minha por mais tempo e com mais força. Aquilo estava muito errado.

Mas continuamos.

Ela se separou de mim novamente e dessa vez me olhou um pouco mais de longe. Seus olhos estavam ainda mais ansiosos e a boca entreaberta não diria nada, só aguardava uma atitude ou uma resposta.

E eu a dei.

Dessa vez, me aproximei e a beijei de uma forma ainda mais ousada. Ela apoiou uma das mãos no chão e a outra em cima da minha perna estirada enquanto seguíamos, a princípio, um ritmo mais lento.

O beijo continuou. Eu agarrei seus cabelos levemente e a puxei para mais perto. O ar foi faltando e o ritmo acelerando. Enquanto ficávamos de joelhos, frente a frente, continuamos a nos amassar um contra o outro.

Puxei-a pela cintura e a apertei ainda mais contra mim. Tentei ser respeitoso com seu corpo e não tentar nada mais ousado. Por outro lado, já senti uma mão gelada e ousada puxando meus cabelos enquanto a outra passeava pela extensão das minhas costas por debaixo da minha camiseta. Não evitei dar uma risada mas também não parei o que havíamos iniciado.

Depois de mais um minuto sem hesitar a cada avanço, a cada toque e a cada tremor, o ar faltou e minha consciência pareceu ter sido retomada instantaneamente.

Nos separamos lentamente como se fosse algo complicado de se fazer. E realmente era. Depois, quando consegui abrir os olhos por completo, os dela já estavam arregalados em cima deles. Tão azuis e grandes e bonitos. E fortes. E intensos. Como se quisessem se misturar com os meus.

Ela me soltou primeiro e eu não sei se posso considerar isso como algo negativo. Talvez apenas tenha se dado conta antes de mim que aquilo era grave. E já estava fora de controle. E em algum momento as pessoas têm que voltar a respirar. E aquilo havia sido uma grande confirmação de que há algo muito maior que uma simples atração se passando entre nós.

Eu me soltei dela logo em seguida e ficamos de pé quase ao mesmo tempo enquanto nos medíamos como se jamais tivéssemos visto um ao outro. Mas realmente não tínhamos. Não daquele jeito.

– Oh, cara... — Ela murmurou enquanto apertava os olhos e passava as mãos pelos cabelos, bagunçando-os mais do que eu já havia feito.

– Quando isso vai parar de ser tão esquisito? — Perguntei em seguida como se fosse a melhor coisa a ser questionada.

– Quando a gente parar! — Respondeu cética, direta e num berro estrondoso.

– Acho melhor eu ir agora.

– Mas ainda não terminamos o trabalho e...

– Eu levo e termino, pode ser?

– Tem certeza?

– Absoluta.

Ela assentiu, um pouco desolada, enquanto eu pegava meus cadernos e livros, nossos rascunhos e minha mochila e saía sem me despedir ou olhar para trás.

Fui para casa rapidamente, instabilizado e um pouco tonto de tão confuso.

Eu mal conseguia pensar mas tudo o que me ocorria no momento era aquele beijo. Melhor dizendo, aquele acidente. Acontece que ninguém beija por acidente.

Não mesmo.

Notas finais
Infelizmente, acabei fazendo aqui uma das coisas que já não curto muito (não, não é o beijo): alternar pontos de vista em um mesmo capítulo. Espero que vocês não liguem pra isso tanto quanto eu. Hoje a fanfic completa 5 meses YAAAS BITCH Oh, eu amo as palavras mas agora elas parecem insuficientes para expressar o quanto sou grata a cada um de vocês. Então... foi especial? ♥