Notas iniciais
Olha eu postando rápido as always. Mas já adianto que o ritmo vai ficar lento de novo porque as aulas voltam segunda e eu só tenho mais quatro capítulos prontos. Esse aqui pertence à PearPhone por sua linda recomendação e eu nem sei se está à altura. Obrigada, Emilincrível, por ser... Emilincrível! Quase morro com cada palavra que você disse, então acho digno te dedicar o 37. ♥

PDV Sam.

Se algum dia houve um vestígio de sanidade ou juízo na minha mente, eu tinha acabado de destruí-lo nessa última semana. Talvez eu deva ter largado um pouco no útero da minha mãe quando nasci ou nem sequer isso já que ela provavelmente também é desprovida de tal virtude.

De qualquer forma, pelo menos uma migalha de bom senso eu deveria ter mas também não usei. E falando assim até parece algo grave e ruim — e realmente é -, mas também não deixou de ser bom. Não deixou de ser uma necessidade e um desejo saciado. Pelo menos da minha parte.

Dessa vez, eu comecei e ele terminou. Não que ele não quisesse, — claro que ele queria -, mas foi também o primeiro a perceber o quanto aquilo era errado. Essa constatação deveria partir primeiramente de mim, já que, se tem uma pessoa comprometida nessa história, sou eu. Mas também nunca tive uma noção muito exemplar do que se deve fazer ou não enquanto Freddie já tem esse complexo embutido sobre seguir regras, ser politicamente correto e essa coisa toda. Eu vinha atenuando essa característica nele com minha má influência há um tempo, mas ela sempre resistia de alguma forma, em alguma situação.

Pra ser sincera, eu não estava arrependida e não sabia até que ponto isso deixava de ser algo bom para ser algo péssimo. Sabe, eu ainda estava namorando o John. Fazia alguns dias que a gente nem se trombava na escola, mas eu não me importava com isso tanto quanto deveria. Eu já nem sabia ao certo quando essa minha negligência começou, mas como piorava a cada dia, deveria já se arrastar antes mesmo que ele me pedisse em namoro.

Era incrível e cruel a forma como ele sempre queria que eu fosse justamente o oposto mas mesmo que eu não conseguisse, continuava querendo me introduzir em sua vida cada vez mais.

Eu deixei que ele desse um passo maior que a perna quando conheci sua família para oficializar ainda mais a relação. Foi divertido, mas foi errado. E disso sim eu me arrependia. Já o que diz respeito ao Freddie, não mesmo.

Nós já havíamos nos beijado outra vez e essa última só confirmou a dúvida que a outra despertou: tem alguma coisa acontecendo entre nós. Eu já deveria ter percebido isso há muito mais tempo, mas havia um bloqueio bem diante de mim chamado John. E ele continua lá, só um pouco menor que antes.

O que é essa coisa, eu não sei. Tenho minhas hipóteses mas as temo muito porque elas não fazem o menor sentido. Acontece que a forma com que elas vinham aparecendo eram boas demais para ser verdade.

Se tudo pudesse ser descoberto através de um beijo, eu seria a maior curiosa do mundo. Beijando o Freddie, então... nem me fale.

Quando nos beijamos pela primeira vez, mal nos encostamos. Foi bonitinho e especial mas nada comparado ao serviço que que ele tem mostrado atualmente.

Sem contar que ele é muito gato.

Certo, eu posso achar isso da fisionomia de qualquer modelo ou gogo boy das boates da esquina, mas ele não era desse tipo. Ele tinha uma expressão bonita de felicidade, e um bom corpo de saúde. Ele é gentil. Ele é carinhoso. Ele é educado. Ele é inteligente. E ele é bonito.

Ele não é só isso. Ele é tudo isso. Ele é uma das melhores pessoas que eu já pude conhecer e reconhecer na minha vida. Porque eu redescobri coisas sobre ele em alguns meses que eu havia arquivado e oprimido durante anos. Porque era bom ver a preciosidade de tudo o que ele era. E tudo o que ele sempre foi.

Mas, eu trai John. Eu trai ele com o único cara na escola inteira que ele não gosta. E eu queria tanto me sentir mal com isso, mas só conseguia pensar em como ele esteve certo em sentir ciúmes de nós antes mesmo que tudo acontecesse. Será que nossa ligação era tão forte assim para que todo mundo percebesse antes de nós mesmos? Ou será que não passamos de dois orgulhosos por não termos percebido na mesma época que o resto do mundo pelo simples fato de não querer?

Eu ainda não sabia o que fazer da minha vida. Ter uma conversa franca com John e correr o risco de terminar o namoro, falar seriamente com Freddie e talvez afasta-lo de mim; Abrir o jogo sobre a tal traição, tentar fazer o mesmo sobre o tal sentimento; eu não sabia o que daria certo. Se desse certo. E eu ainda nem sabia o que queria. Mas já estava quase certa do que não queria.

Não dá pra passar a vida com alguém que quer te mudar, nem que seja um fio de sobrancelha. Alguém que quer te moldas aos próprios caprichos. Não dá pra passar a vida com alguém que não te aceite como é da raiz do primeiro fio de cabelo à unha da pontinha do dedo do pé. Amor é um sentimento que abrange tudo o que diz respeito à aceitação e compreensão, algo que eu não vinha recebendo atualmente de quem mais deveria.

Já disposta a pelo menos começar a investigar o que se passava de dentro de mim para fora, cheguei à escola. Teoricamente esse não é o lugar mais apropriado para a resolução dos conflitos que vinham me cercando, mas querendo ou não era lá onde eles aconteciam.

Ao avistar Carly, Freddie e Shane conversando num canto, me aproximei sem hesitar, tentando parecer o melhor possível.

– E ai. — Falei, cumprimentando-os.

– Bom dia. — Carly e Shane disseram enquanto Freddie apenas tentava conter os dentes dentro da boca.

– Essa semana vamos fazer o iCarly na sexta, ok?

– Tudo bem, Shay.

– Posso participar de novo? Foi tão legal semana passada.

– Quem sabe, Shane. Você pode ser o convidado de algum quadro.

– Sim, mas também precisamos variar ainda mais, já está ficando repetitivo.

– Podemos chamar o John, quem sabe. — Minha amiga sugeriu de forma inesperada.

– Qual é... — Freddie reclamou, revirando os olhos.

– Falando nisso, cadê ele? Precisamos conversar. — Perguntei tentando ignorar as últimas coisas que havia ouvido.

– Também ainda não o vi desde que cheguei de Yakima. Mas ele deve estar por ai, sumido, igual os bonitinhos aqui sumiram ontem também. — Carly disse apontando para mim e para Freddie com desconfiança.

– Ah, nós fomos fazer o trabalho do Howard. — Respondi.

– Mas você já não tinha feito com a Annie? — Shane perguntou.

– Sim, mas eu acabei estragando tudo e ela resolveu fazer com a Tasha. Ai eu e o Freddie tentamos fazer na casa dele, sob o olhar sanguinário da louca da Marisa mas não deu certo, então fizemos pelo... skype. — Menti, com certa segurança, enquanto Freddie parecia se orgulhar disso.

– Certo. — Concordou convencido. — E como está seu avô, Carly? E o Spencer?

– Ele está ótimo e o Spencer já deve estar de volta na sexta ou no sábado.

– Sam? — Uma voz nos interrompeu de repente chamando por mim.

– John! — Shane o cumprimentou entusiasmado. — Por onde você esteve?

– Não pude vir essa semana, mas estou legal. — Respondeu ele, parecendo aflito com algo e Freddie já denunciando uma expressão temerosa.

– Oi, John.

– E ai, Carly.

– Você está bem? — Perguntei.

– Sim, eu estou. E preciso falar com você. — Falou, um pouco esquisito e mais calmo que o costume quando quer conversar comigo sobre algo mais particular.

– Ótimo, porque eu também preciso. — Falei em seguida, olhando então para Freddie e me deparando com um par de olhos arregalados e preocupados com o que eu já imaginava.

– Vamos lá para fora? — Ele sugeriu.

– Claro. — Assenti olhando para Freddie de relance uma última vez, tentando garantir gestualmente que não havia necessidade de se apavorar naquele instante sobre o nosso segredo.

Sai com John e caminhamos em silêncio até o lado de fora da escola. Ele estava sério, frio e muito calado, porém seguro e impecável como sempre. Ainda tínhamos dez minutos até o início das aulas, tempo suficiente para tomar a drástica decisão com a qual consentimos naquele momento.

– Então... quer começar? — Ele sugeriu.

– Ok...

– Não. Eu posso. — Me interrompeu em seguida rispidamente.

– Comece, então. — Concordei já irritada.

– Ontem você pode não ter me visto, mas eu vim pra escola sim.

– E..?

– E eu vi que a Annie não fez o trabalho com você.

– Ela fez com a Tasha. Qual o problema?

– Como assim "qual o problema?"

– Ué...

– Você só pode estar brincando.

– Será que dá pra explicar o que isso tem a ver?

– Você mentiu pra mim. — Ele gritou em seguida, me injetando uma dose de realidade. — Naquele dia em que eu te convidei para jantar com minha família você disse que já tinha feito com ela.

– Qual é, foi só sobre um traba...

– Talvez não tivesse mesmo problema nenhum, acontece que no final você foi fazer o trabalho justo com quem? — Perguntou John retoricamente.

– Com o Freddie... — Respondi mesmo assim. — Mas eu não tive escolha. Foi ele quem sobrou.

– Coincidência demais, não acha?

– A dupla dele também deu pra trás. O que poderíamos fazer? Ficar sem nota por causa da rixa de vocês?

– Você poderia, no mínimo, ter me avisado.

– Foi de última hora, cara! Como você mesmo disse, eu nem te vi ontem! — Insisti, indignada.

– Existe uma inovação tecnológica chamada telefone, conhece?

– Para de se importar como se você tivesse feito o trabalho com ele e o aturado a tarde inteira. Que drama!

– Você tem razão, tenho um outro motivo mais convincente ainda. — Começou ele, calmamente, porém me deixando mais apreensiva ainda. — Eu fui até a sua casa te convidar para jantar com minha família na quinta e você não estava. No dia seguinte, você disse que estava na casa da Anne fazendo o trabalho, mas você não o fez com ela. Onde você estava, então?

– Eu estava...

– Com o Freddie? — Deduziu ele friamente, acertando de primeira.

– O quê? Não! — Neguei assustada, me lembrando exatamente do dia e a forma como eu o havia gastado tão bem.

– Tudo bem. — Ele assentiu, apertou os olhos e respirou fundo. — Não vou te cobrar mais nada que você não possa me dar.

– Como assim?

– Vamos dar um tempo.

Calmo, impassivo, seguro e direto. Sem vacilar, mantendo a pose, equilibrando a voz. Desse jeito. Nesse tom. Com uma certa frieza.

– O quê? — Mesmo sendo algo que eu já vinha avaliando há um tempo, foi também uma surpresa.

– Estamos precisando. E, de certa forma, já estamos nessa há um tempo.

– Certo... — Eu concordei, um pouco desolada e incrédula. — Pode ser.

– Ok?

– Ok.

Continuei imóvel enquanto meus olhos oscilavam entre John e o chão do pátio. Quando me desfoquei por um instante, ele já não estava mais lá. Nem vestígio, nem um sinal ao longe, nem uma direção.

Me deixou sem muita certeza do que sentir sobre o que havíamos acabado de decidir ou simplesmente já estava acontecendo há mais tempo do que se pôde perceber. Independente disso, aquele foi o momento. Foi a hora certa e a escolha certa. Independente da estranheza e dos erros que ecoavam ao nosso redor, foi o melhor a se fazer.

Como a aula ainda não havia começado, dei meu jeito de ir embora para casa. Eu não estava triste. Estava mais para aliviada, mas também não dava pulos de alegria. Naquele momento, só não estava no clima para assistir aula nenhuma muito menos ter que explicar para todo mundo o porquê da minha cara de poucos amigos, como que se alguém desse a mínima de verdade.

Só a Carly.

E mais uma pessoa, quem sabe. Uma pessoa na qual eu pensei a tarde toda, até a noite. Até as vinte e três horas. Até eu decidir pegar uma blusa e ir ao seu encontro. Até ele vir ao meu. Até a gente se achar.

Notas finais
Não sei se vocês perceberam, mas quando a Sam elogiou o Freddie, citou todos os adjetivos que a Carly usou com o John no capítulo cinco. ♥ Bem, o término foi rápido pra compensar trinta e seeeeeeeis capítulos de namoro flop. Até quando der! ♥