Anyone Else But You
24 Snap Out Of It
Notas iniciais
PDV Sam.
Mais uma segunda-feira, mais um dia e uma vontade enorme de não acordar. Ainda mais para ir à escola. Ainda mais para presenciar a estupidez comum a tantos nessa idade que só faz se agravar a cada dia.
Chegando ao manicômio, esperava encontrar Carly e Freddie mas a primeira pessoa que vi quando me aproximava dos armários foi John. Talvez eles já tivessem combinado que isso acontecesse para fazermos as pazes mas eu ainda não estava pronta para isso. Ainda não tinha pensado em nada que pudesse ser dito até porque talvez nem precisasse. Minha conversa com Freddie tirou de mim toda a culpa que senti por conta da nossa briga e me fez sentir de alma lavada e consciência limpa.
– Oi. — Ele já tinha visto que eu o olhava então não tive como fugir.
– Oi... — Respondeu com um sorriso triste.
– Tudo bem?
– Não.
– Por quê?
– Porque... estamos brigados. — Ele se aproximou e se inclinou para os armários. — Eu não posso estar bem com isso.
– Nem eu.
– Você me desculpa?
– Eu também te devo desculpas.
– Então estamos bem?
– Claro. — Sorri surpresa pela rapidez da reconciliação e o abracei bem forte. Me senti melhor e desconfiada ao mesmo tempo.
Fomos para nossas respectivas salas e não consegui avisar à minha amiga durante as aulas o que havia acontecido então fui para a casa dela onde aproveitei para almoçar.
– Você soube que eu e o John brigamos, não é? — Falei enquanto servia bastante macarrão em nossos pratos e ela preparava um suco para nós.
– O Freddie me contou hoje na escola, o que me chateou já que eu queria saber de você.
– Desculpe, é que eu só te encontrei na hora da saída. Mas foi o seguinte: sábado, na festa, ele estava estressado porque todo mundo fica pensando que eu e o Freddie namoramos. Você viu quando ele saiu todo estressado, não viu?
– Quando aquelas garotinhas pediram para tirar uma foto com a gente? Vi.
– Isso. Aí eu fui atrás dele e falei que ele não devia se importar tanto.
– Claro que ele vai se importar desse jeito afinal ele é seu namorado e não o Freddie. — Senti um tom de irritação em sua voz mas mesmo incomodada com isso resolvi não dar importância.
– Mas talvez se ele não se importasse tanto... enfim, ele ficou muito bravo e foi embora.
– Por que você não me procurou? Ficou sozinha o resto da noite toda?
– Sim. — Menti. — Mas foi melhor assim. Eu ainda estava muito estressada também.
– Imagino.
– Ai hoje de manhã assim que o vi, ele já veio me pedindo desculpas.
– Que bom.
– Mas eu achei muito esquisito. Foi tipo "me desculpe", "me desculpe também", "ok, estamos bem."
– Melhor assim do que ter outra briga só para se desculpar.
– É, você tem razão. — Concordei mesmo sem concordar de verdade.
Depois de almoçarmos, assistimos TV enquanto também pensávamos em algumas coisas para o próximo web show. Durante esse tempo, tentei trazer qualquer outro assunto que fugisse do meu namoro conturbado com John já que Carly parecia apoia-lo em algumas situações.
– Cadê o Spencer?
– Foi conhecer os pais da Amy.
– Mas já? Eles não estão namorando há tanto tempo assim.
– Ah, eu achei bom. Ela é muito legal e realmente gosta dele.
– Bom para ele. — Hesitei um pouco e continuei. — E cadê o nerd que não apareceu até agora?
– Deve estar estudando, talvez venha mais tarde.
– Tudo bem, Carls. — Falei me levantando. — Acho que já vou agora.
– Tá bom, loira. Tchau.
Ela continuou sentada e eu acenei com um sorriso já no corredor. Comecei a descer as escadas até parar por um instante sentindo que alguma coisa no meu dia estava faltando. Parecia que eu ia deixando uma parte boa de mim pairando por aquele prédio e precisava ir buscar com urgência. Voltei e fitei o corredor vazio. Corri meus olhos por todos os lados até que eles parassem no apartamento 8-D.
Depois de me certificar de que a porta estava trancada, peguei um grampo na minha bolsa e a abri. Entrei com cuidado caso a louca da Marisa estivesse lá ou de repente a Carly aparecesse. O nerd não estava em lugar nenhum então subi até seu quarto onde o encontrei se vestindo.
– Você sempre aparece nas horas mais impróprias. — Ele disse com um sorriso descontente enquanto vestia uma camiseta de Guerra nas Estrelas. Que bom que não cheguei antes a tempo de ver outras coisas.
– Oi para você também. — Respondi me sentando na cadeira giratória do computador.
– Por que demorou hoje?
– EU estava lá na Carly. Por que não apareceu lá?
– Eu estava esperando você aqui.
– Oh. — Exclamei impressionada. — Que professor aplicado.
– A aluna deveria ser mais.
PDV Freddie.
Passamos umas três horas estudando. Em vários momentos Sam descia para buscar alguma coisa para comer e o fazia sem mim. Ou tinha um surto de inteligência. Ou outro de burrice. Ou simplesmente me mandava calar a boca e me xingava. Ou sem motivo algum elogiava meu cabelo ou minha camiseta.
A cada dia eu podia notar que ela melhorava em alguns aspectos. Era uma garota extremamente inteligente e o que barrava essa virtude era sua preguiça inesgotável. Não sei de que forma eu poderia trabalhar isso para ai então pegar mais pesado nas matérias e realmente fazer com que a loira usufruísse de tantas coisas boas que tinha e não sabia. Porém, outras coisas que também dificultavam meu trabalho eram as vezes com que acabávamos nos perdendo com outros assuntos.
Era interessante descobrir a cada dia um pouco mais sobre ela. Observar mais de perto seus trejeitos, não só os divertidos durante o iCarly ou os estressados na escola. Ela também carregava outros problemas além dos únicos que eu conseguia ver antes e tinha inimigos internos contra os quais lutava sozinha. Embora não parecesse, também poderia se importar com outras coisas além da próxima refeição que faria. E com outras pessoas para as quais antes não dava a mínima. Tipo eu.
– Tá bom, já deu por hoje, né? Estou exausta. Quero ir embora.
– É, você tem razão. Vai logo porque daqui a pouco minha mãe chega.
– Calma... antes eu quero te contar uma coisa.
– Pode falar.
– Fiz as pazes com o John.
– Que bom. — Respondi incomodado com a calma e naturalidade com que ela havia dito.
– Mas eu achei meio esquisito.
– Você realmente acha que essa seja a coisa mais esquisita dessa relação? — Perguntei sarcástico e estressado.
– Não. — Ela respondeu desanimada. — É que foi muito rápido. Fiquei desconfiada.
– Você devia agradecer por ele ter percebido tão rápido que foi um idiota. Que é, na verdade.
– Não, ele admitiu estar errado. E de certa forma eu também estava.
– Isso. Continue ai se culpando, Sam. Parabéns.
– Não estou me culpando.
– Eu realmente não te entendo. — Falei incomodado. — Para de achar que ele é o santo dessa relação que nunca tem culpa de nada. Ele te pediu desculpas assim rápido para ser a vítima da história. Aquele que admite estar errado mesmo estando certo.
– Lá vem você de novo. — Ela se levantou da cama e caminhou pelo quarto evitando me olhar.
– Não é a senhora que está achando essa redenção super estranha? Então lide com esse motivo e para de se culpabilizar.
– Não estou me culpando, mas ele também não é o único, sabe?
– Ah, Sam... — Dei uma risada e cerrei meus punhos de raiva. — Como você pode estar tão cega?
– Freddie...
– Foi algum feitiço? É isso?
– Cala essa boca. — Ela desconversou, furiosa.
– Tudo bem. É só o que eu penso. Mas se você quiser continuar assim...
Ela pareceu absorver e refletir sobre cada palavra que eu havia dito, ficando em silêncio e não defendendo o namoradinho santo-do-pau-oco como sempre fazia. Nos minutos seguintes não disse nada até decidir ir embora com uma expressão aflita, sem dúvida alguma causada pelo que eu havia dito.
A observei descer as escadas até que sumisse de vez. Eu não queria vê-la daquele jeito, mas já que essa era a única maneira de faze-la repensar seu namoro com o John, eu não via outra alternativa mais eficaz. E ali eu continuaria esperando, pacientemente, até que aquilo tudo terminasse. Porque aquilo não soava muito como o tipo dela.
E parecia que, a cada dia, ela se dava conta mais pouco.
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