Notas iniciais
Capítulo de hoje: "Parece Justo." Pelos reviews, muitos de vocês estavam ansioso sem saber por que a Sam estava no quarto do Freddie, mas eu tentei deixar explícito no quarto parágrafo do outro capítulo. Ela estava preocupada quando o John vinha com uns papo-cabeça e ela não sabia conversar "à altura" então para resolver isso... bom, se ainda não sacou, volte uma casa e releia. Se ainda tá difícil, descubra agora. ♥

PDV Freddie.

Lá estava ela. Mexendo nos cabelos, tênis jogados pelo chão. Deitada na minha cama como se fosse dela, despreocupada como se eu não estivesse prestes a chegar a qualquer momento. E se eu o fizesse, não se importava da mesma maneira julgando só pela maneira em que se encontrava.

– Sam. — No início me espantei ao vê-la mas depois de cinco segundos analisando a cena, minha voz soou como se eu estivesse apenas irritado.

– Oi. — Ela se levantou alarmada, num pulo. — Onde você estava?

– Na Carly.

– Por que demorou tanto?

– Fiquei lá tipo uns quinze minutos. — Falei. — Mas você está aqui há quanto tempo para estar achando que eu demorei?

– Há uns dez. — Respondeu ela sem convicção.

– Mas isso não importa, como você entrou aqui?

– Longa história. — Ela respondeu tentando conter um sorriso.

– Você quer falar comigo? — Perguntei.

– Sim. E é algo muito sério e... secreto.

– Você poderia ter me avisado pra que eu mesmo abrisse a porta pra você.

– Seria difícil já que não temos celular para nos comunicarmos e não daria pra dizer na frente da Carly e do John que queria falar a sós com você.

– Tudo bem, o que é?

– Eu te ajudei numa coisa mas você vai precisar arriscar pra ver se dá certo. — Ela falou se sentando novamente na ponta da minha cama.

– Como assim? — Perguntei enquanto chegava mais perto.

– Vou arranjar um encontro seu com a Carly mas você vai ter que me ajudar numas coisas também.

– Quais por exemplo?

– Isso eu te falo depois, mas é o seguinte: hoje eu perguntei se ela aceitaria sair com você de novo.

– E ela respondeu o quê?

– Ela disse que sairia.

– Então você não ajudou em nada, só perguntou. — Falei contente mas dando de ombros.

– Graças à minha insistência. Além do mais, quantos séculos você esperaria para pedir para sair com ela de novo se não soubesse se ela aceitaria ou não?

– Não sei, esperaria ter certeza e... — Parei de repente. — Por que, você está sugerindo que eu vá pedir?

– Sim.

– Mas...

– E tem que ser agora.

– Por que agora?

– Porque sim! — Ela insistiu. — Você não quer?

– Claro que quero! — Falei me sentando também.

– Então vai lá agora.

– Mas por que justo agora?

– Se você pedir, vão sair logo, e se for bom, vão sair mais vezes. Aí você vai ficar devendo essa pra mim e vai me ajudar no que eu vou te dizer depois que você for lá.

– Tem razão. — Adimiti. — Mas só vou te ajudar se ela aceitar.

– Me parece justo.

– Fechado? — Perguntei estendendo a mão.

– Fechado. — Teria sido um momento amigável se ela não tivesse quase estourado minha mão.

Deixei-a no meu quarto e desci as escadas massageando minha mão trucida e carregando o objeto que Carly havia me pedido. No corredor, respirei fundo, ajeitei meu cabelo e jurei fazer qualquer coisa que Sam me pedisse caso estivesse certa.

– Aqui está, Carls. — Falei enquanto entregava o carregador em suas mãos.

– Valeu. — Ela disse enquanto já o conectava em seu celular.

– Posso te fazer uma pergunta? — Comecei já disposto a acabar com aquela agonia.

– Vá em frente.

– Quando vamos sair de novo?

– Você quer dizer... só nós dois? — Ela perguntou cautelosa.

– Sim.

– Eu não sei. — Ela enrubesceu de vergonha.

– Se eu pedir você aceita? — Falei decidido.

– Claro, por que não? — Ela disse finalmente. Meu coração devia se aquietar ao ouvi-la mas só fez acelerar.

– Ok. Você escolhe onde e quando.

– Vou pensar e te aviso assim que souber.

Ela deu um sorriso tão grande e iluminado que eu não pude deixar de devolver enquanto acenava e saía.

"E não é que a Puckett estava certa?", pensei no corredor. Naquele momento eu não conseguia pensar em nada que fosse suficiente para agradece-la.

Atravessei a porta de meu apartamento e lá estava ela enfiada na geladeira. A única coisa que eu conseguia ver era sua bunda já que ela estava completamente debruçada lá dentro.

– Sam? — Cantarolei seu nome.

– Oi.

– Oh, Sam...

– Fala. — Ela disse enquanto mastigava algo mas ainda não tinha saído de dentro do meu eletrodoméstico.

– Sammyyyy! — Falei correndo em direção a ela.

– O que fo... — Irritada, ela se virou finalmente mas antes que pudesse concluir a frase, eu a agarrei para um abraço. Seu corpo era tão leve que eu consegui encaixa-la em mim para levanta-la no ar e deixa-la suspensa por uns cinco segundos.

– Obrigada. — Falei enquanto ainda a abraçava.

Meu Deus, ela cheirava tão bem. Aquele cheiro que eu senti quando dançamos na festa da Wendy. Era tão bom. Lá estava ele de novo me impedindo de soltá-la.

– Tá bom, você já pode me colocar no chão. — Ela respondeu tentando não rir.

Não sei por que, tornei aquele abraço mais longo do que deveria. Provavelmente o perfume dela levava algum narcótico na composição porque eu estava totalmente em transe e não conseguia me desfazer de seu corpo tão rapidamente quanto deveria. A lentidão do processo me permitiu apreciar seu perfume ainda mais. Seus pés tocaram o chão mas nossos rostos ainda estavam grudados. Quando notei a ponta de nossos narizes se tocando, ela me empurrou discretamente, assustada.

– Nossa, você está... bem, bem fortinho, hein? — Ela falou na tentativa de disfarçar o que acabara de acontecer já que eu ainda estava tonto demais para fazer qualquer coisa.

– Você também não é, sabe... gorda.

Ela me olhou envergonhada, ainda em silêncio, e disse um instante depois.

– Então para uma recepção exagerada e ridícula nessa proporção, ela só deve ter aceitado.

– Sim.

– Eu sabia. — Ela disse convencida.

– Agora você já pode me dizer no que tenho que te ajudar.

PDV Sam.

– Por mais difícil que seja, você vai me ajudar? — Falei enquanto ia até a sala.

– Vou. — Apesar de sua reposta, a expressão que esboçava enquanto vinha até mim era de preocupação.

– E quando eu disser... não vai rir?

– Não.

– E nem debochar?

– Não. — Ele insistiu impaciente.

– Você prometeu, hein?

– Sim, sim, agora diz logo.

– Tudo bem. — Respirei fundo e me sentei no sofá marrom de couro da sala de estar. — Eu estou tendo uns pequenos problemas nos meus encontros com o John.

– Mas vocês parecem estar indo tão bem. Mesmo ele sendo um... idiota.

– Hey! — Protestei. — Estamos indo bem sim. E é uma coisa pequena, mas talvez se torne um grande problema se eu não fizer nada.

– Então me diga logo o que é. — Ele falou desinteressado.

– Eu quero ser inteligente igual vocês dois.

– O quê? — Lá estava aquela expressão de incredulidade em seu rosto: a sobrancelha arqueada, a boca aberta e a voz falha.

– O John é muito inteligente e às vezes eu fico sem ter o que falar quando estamos juntos.

– E como você espera que eu te ajude com isso?

– Você é tão inteligente quanto ele. — Nesse momento Freddie pareceu incomodado ao ser comparado igualitariamente com John nesse quesito mas continuou a me ouvir com atenção. — Talvez eu pudesse estudar com você por um tempo depois das aulas.

– Então você quer ficar mais inteligente? — Ele se levantou com os braços cruzados enquanto rodeava lentamente o sofá no qual eu estava sentada.

– Sim.

– Pelo John.

– É isso aí.

– E quer... a minha ajuda?

– Se possível.

– Porque eu sou tão inteligente quanto ele.

– Com certeza. — Nesse momento ele parou diante de mim e se abaixou até encontrar meus olhos.

– Então eu não fui bom o suficiente por todos esses anos pra você tentar ficar mais inteligente por mim?

– Eu estou fazendo isso porque gosto dele e eu não não gosto de... você. — Falei tentando não encara-lo.

– Não gosta de mim?

– Não daquele jeito.

– Do jeito que te obrigue a fazer o que mais odeia com a pessoa que mais detesta? Com certeza não. — Ele falou voltando a caminhar pelo apartamento parecendo irritado.

– Você está com ciúmes?

– Claro que não! — Ele disse dando de ombros. — Mas, por favor, pare um minuto e preste atenção em tudo que você já fez por ele em tão pouco tempo.

– Como assi...

– Só presta atenção. — Ele me interrompeu mais calmo tentando controlar o tom de voz. — Você é... toda determinada, personalidade forte... nunca mudou por nada e agora olha só esse garoto te moldando, fazendo você agradar ele! — Freddie ainda não gritava mas seu tom de voz fora aumentando gradativamente conforme avançava na frase.

– Ele não me pediu nada, eu quis fazer isso! — Falei também mais alto enquanto me levantava.

– Se você está fazendo isso sem que ele tenha pedido, imagine se tivesse. — A frase veio servida com uma boa dose de sarcasmo escorrendo pelas beiradas.

– Pelo menos não sou eu que gosto da minha vizinha há um século sem tomar nenhuma atitude e quando ela tomou, estragar tudo! — Gritei de volta para ataca-lo.

– O que você quer dizer com isso?

– Exatamente isso que você ouviu, eu posso não ser super inteligente mas pelo menos não estou tentando conquistar de novo algo que eu já tinha e fui estúpida o suficiente para perder.

– Não perdi nada, eu mesmo resolvi terminar meu namoro com a Carly. — Ele disse gritando.

– Inteligente da sua parte querer voltar três anos depois!

– E o que você tem a ver com isso? O que você sabe, afinal? O problema é meu!

– Oh, claro! — Falei sarcástica. — Então boa sorte nessa empreitada que não faz sentido NE-NHUM! — Falei pausadamente e com arrogância para aborrece-lo, e parece que consegui já que minha resposta foi o silêncio.

Tudo que se ouvia eram nossas respirações ofegantes devido ao esforço feito para encobrirmos as vozes um do outro. Ele encarava o carpete no meio da sala e eu corria meus olhos por todo o cômodo sem saber onde enfiar o arrependimento que ia brotando dentro de mim e me faria explodir novamente. Não era só pelo fato de talvez ter acabado com quaisquer possibilidades dele me ajudar, mas por evidentemente te-lo magoado. Ele era um idiota mas eu havia extrapolado os limites. Não que eu os tivesse respeitado a vida toda em relação ao Benson, mas aquele segredo que compartilhávamos nos tornavam dependentes um do outro em vários aspectos. Ele precisava da minha ajuda e eu da dele. Eu confiava nele. Mas não sabia se ele ainda confiaria em mim.

– Podemos começar segunda a noite porque minha mãe vai ficar no plantão do hospital. — Ele praticamente sussurrou do lado oposto ao que eu estava da sala enquanto depositava as mãos nos bolsos do seu jeans.

– Olha, se você não quiser não preci...

– Não, tudo bem. Você me ajudou bastante hoje.

– Não quero que isso seja simplesmente uma troca de favores. — Falei o encarando finalmente.

– Não será.

O silêncio voltou. Eu quase podia ouvir o barulho do sangue correndo em minhas veias. Ou as bactérias do meu corpo se multiplicando. Ou minhas células mortas sendo repostas. Eu estava arrependida mas minha língua enrolava todo momento em que eu estava prestes a pedir desculpas. Um tapete e uma mesinha de centro representavam um abismo que nos separava.

– Acho melhor eu ir agora. — Falei baixinho e acho que mal fui ouvida.

Ele me olhou uma última vez quando eu o olhei também e acenou com as sobrancelhas levantando-as e abaixando-as rapidamente. Já no corredor até o ar parecia mais puro do que aquela tensão preocupante que estávamos inalando. Mas o pior não tinha sido apenas aquela briga ridícula que tivemos, mas também um acontecimento extremamente contrastante que contou com uma demora absurda para nos soltarmos um do outro quando nos abraçamos e o motivo desconhecido que havia propiciado isso.

Notas finais
Climão quando eles se abraçaram? ✓ Freddie com ciúmes? ✓ Sam ficando preocupada por ter chateado ele? ✓ Antes tarde do que nunca, né? rs Se eu estou super grata pelos reviews? ✓ Se eu amo demais ler e responder cada um? ✓ Se vocês vão me fazer mais feliz ainda? ✓ Só no aguardo aqui, rs. ♥