Anyone Else But You
28 Little Help From My Friend
Notas iniciais
PDV Freddie.
Nunca pensei que as aulas do professor Howard fossem tão entediantes. Na verdade eu sempre soube, mas tentava não levar isso em consideração para aprender o que pudesse. Acontece que, especificamente naquele dia, estava inevitável não cochilar. A voz dele era grave, porém arrastada e não alta o suficiente. Aquela cabeça careca dele e os olhos esbugalhados não lhe davam nem um ar agradável e seu mau-humor não era nada divertido. Eu tentava ouvir sua explicação mas sempre me distraía pensando na Sam e na Carly já que eu não conseguia vê-las, ou cochilando várias vezes.
– Freddward Karl Benson!
– Sim. — Me levantei subitamente depois do susto de ter ouvido meu nome ser gritado. Todos me olhavam e eu mal conseguia me manter em pé.
– Vejo que está prestando muita atenção na aula... — Ele ironizou, caminhando de um lado a outro da sala. — Poderia então relembrar o que eu acabei de falar?
– Sim, você...
– O Senhor.
– O Senhor... — Repeti pausadamente depois de ter sido interrompido. — O Senhor estava falando sobre as... os... as propriedades das...
– Das...
– Das partículas... sub... subatômicas? — Falei sem convicção alguma. Todos ainda me olhavam e o professor pareceu irritado.
– Talvez. Acontece que nós estamos na aula de história.
– Então você estava falando da independência da América. — Deduzi com segurança logo em seguida.
– Sim. — Sorri aliviado e me sentei. — Mas mesmo assim será punido.
– Por quê?
– Você respondeu corretamente à minha pergunta, entretanto, esteve disperso durante a aula toda. — Ele arrancou uma das folhas de seu bloquinho de punições, escreveu nela qualquer coisa e a estendeu para mim.
Eu grunhi, me levantei, peguei a folha e saí. Geralmente, só os piores alunos e Sam — que se encontrava numa categoria acima destes, — a ganhavam por mau comportamento, iam até a diretoria e a entregavam para levar a punição que coubesse. Desde suspensões de um dia a trabalhos extras. No meu caso, seria a segunda. Acho que ele estava com ciúmes da minha capacidade.
No meu caminho até a sala do Ted, encontrei Carly andando pelo corredor segurando sua bolsa, alguns livros, o celular e uma expressão de aflição.
– Carls? — Chamei-a, fazendo-a parar.
– Oi, Freddie, eu tenho que ir. — Ela se apressou mas eu a parei novamente.
– O que aconteceu?
– Não se preocupe comigo, depois eu te digo. — Rapidamente ela depositou um beijo na minha bochecha e saiu correndo.
Não pude ir atrás dela porque provavelmente ela tinha uma autorização para sair enquanto eu ainda tinha que entregar a minha punição ao diretor Franklin, então continuei indo até ele embora estivesse muito preocupado com a Shay. Meu conforto era ter visto que ela estava bem e acreditar que em algum momento contaria comigo para dizer o que a preocupava.
Continuei caminhando e de repente dei de cara com uma cena que revirou meu estômago.
Sam e John estavam se beijando perto dos armários. Não havia ninguém por perto além de mim então eles não pareciam se preocupar com os rumos que aqueles amassos pareciam estar levando. Eu apenas os observei enquanto uma sensação de repúdio se apoderava de mim, fazendo com que eu os interrompesse com um grito.
PDV Sam.
Acordei mais que atrasada para a escola então tive que vestir qualquer coisa e sair correndo. Ao chegar lá, não pude assistir à primeira aula então fiquei pelo pátio esperando dar o horário da segunda.
Sentei em um dos degraus da escada perto do bebedouro e me coloquei a pensar na última conversa que havia tido com Freddie no apartamento dele e a forma como ela não saia da minha mente.
Não era tão assustador saber que Freddie era importante para mim, mas sim em que momento isso se tornou uma ideia mais forte. Não era algo que eu admitiria em público ou que fosse da ciência de todos que nos conheciam, mas era um fato que poderia colocar em ameaça a paz da minha relação com John porque eles se odiavam.
De qualquer forma, ninguém precisava saber. Eu só precisava sentir.
Depois de um instante divagando em mim mesma, ouvi alguns passos vindos da porta de entrada. Eu conhecia aquele garoto alto e magro ostentando belas roupas de marca que surgiu no meu campo de visão e caminhava em direção aos armários.
– John? — Chamei fazendo-o parar.
– Sam! — Ele disse com entusiasmo, virando-se para trás e me fazendo levantar.
– Oi! — Falei indo até ele. Nos abraçamos e ele me deu um selinho.
– Atrasada também?
– Pois é. — Respondi rindo.
– Tudo bem?
– Estou bem, mas você disse que iria aparecer lá em casa ontem para me fazer um convite e não apareceu.
– Hey, eu fui sim! Te esperei por uns trinta minutos com sua mãe e o namorado dela, mas você não chegou então eu fui embora.
Oh, droga. Ele estava certo. Provavelmente, enquanto John me esperava, eu estava com Freddie no Bushwell. Não sei se disfarcei bem minha cara de culpada, mas tentei ao máximo porque sabia que estava errada e estaria morta se ele descobrisse.
– Você foi lá que horas?
– Umas cinco da tarde. Onde você estava?
– Eu? Eu estava... — Nada me ocorria no momento para ser dito como uma desculpa convincente o suficiente, então simplesmente travei.
– Onde? — Ele insistiu desconfiado.
– Na casa da Anne fazendo o trabalho de história. — Menti descaradamente.
– Por que não me avisou?
– Foi de última hora.
– Tudo bem. — Ele concordou mas ainda parecia desconfiado. — Já fizeram tudo?
– N...ão, não. Ainda faltam algumas... coisinhas. — Tentei desconversar. — Mas me fala logo o que você ia dizer.
– Claro. — Ele disse mais tranquilo e sorridente. — É algo muito sério.
– Fala logo. — Pedi com ansiedade.
– Eu quero... — Ele pegou minhas mãos e continuou. — Que você vá lá em casa jantar com a minha família.
– Como é que é?! — Perguntei incrédula e assustada.
– Sam, você é a primeira namorada que eu quero apresentar para eles... apesar de algumas más maneiras que você ainda tem. — Respondeu ele, cínico.
– Como assim?!
– Calma! Não há nada que não possamos melhorar. — Ele disse passando as mãos pelos meus cabelos.
– E quando seria esse jantar?
– Amanhã à noite.
– Mas já?! — Falei assustada.
– Não há tempo a perder, Sam. — Ele me puxou para perto e sussurrou. — Por favor...
Eu estava realmente com muita raiva, mas nossa proximidade me acalmou um pouco. Relutei a princípio, mas depois cedi ao beijo que ele havia começado.
Até que foi bom.
– Tudo bem. — Falei mais calma depois de nos separarmos.
– Você é demais. — Ele respondeu, avançado em mim para mais um beijo. Este outro foi melhor ainda, mais urgente, mais longo e mais profundo. Já estava fora de controle até que um grito nos obrigou a parar.
– Hey! — Separamos nossas bocas imediatamente mas continuamos abraçados, constatando que aquela voz fosse de algum professor que nos levaria à diretoria imediatamente para sermos punidos.
– Oh, droga. — John sussurrou ainda me olhando.
– Que diabos é isso?
– Freddie?! — Exclamei ao vê-lo, empurrando John para longe no mesmo instante.
– Desde quando devemos explicações pra você? — John falou irritado.
– Desde nunca, talvez só tenham esquecido qual a punição para namoro dentro da âmbito escolar. — Respondeu irritado enquanto cruzava os braços.
– O que você está fazendo aqui? — Perguntei.
– Eu só estava indo levar meu bilhete para o Diretor Franklin até me deparar com essa pouca vergonha pelos corredores.
– Você fala como se não ficasse se agarrando com a Carly pelos cantos na época em que namoraram. — Rebati irritada.
– Posso ajuda-los? — Disse o diretor Franklin ao surgiu diante de nós.
– Bom dia, diretor. — John o cumprimentou.
– Algum problema?
– Não, Ted! De jeito nenhum. — Freddie disse enquanto se aproximava dele. — Eu só estava cumprimentando meus queridos amigos. Eles estavam apenas aguardando o horário da segunda aula enquanto eu estava indo levar meu bilhete para o senhor.
– Você levou um bilhete do Howard? Por quê? — Perguntei boquiaberta.
– Dormi na aula dele.
– Tem certeza que é só isso, Freddward? — Perguntou o Ted desconfiado.
– Sim, diretor. — Ele confirmou me encarando repreensivo. — Tenho sim.
Sem dizer mais nada, os dois foram até a diretoria me deixando sozinha com John novamente.
Durante o intervalo, Freddie ficou com Shane e eu ouvindo John insistir na excelência da ideia que havia tido para me introduzir à família dele. Para ser sincera, eu não estava dando a mínima, uma vez que havia aceitado sem vontade alguma e só conseguia pensar em como o nerd havia me acobertado novamente mesmo parecendo tão chateado comigo pelo resto do dia. Por esse motivo, não o procurei, mas ao termino das aulas, quando John foi embora, fui até ele para tentar conversar.
– Oi. — Ele estava sozinho perto dos carros do estacionamento, então me aproximei.
– Oi. — Respondeu sem me olhar. Não parecia interessado em mim então fui obrigada a continuar mesmo assim.
– Você viu a Carly? — Perguntei aleatoriamente mas realmente queria saber porque não tinha a visto o dia inteiro.
– Ela foi embora na primeira aula, estava meio esquisita, preocupada... não falou o que era mas deve ser alguma coisa com o avô.
– Espero que ele esteja bem. — Para me responder, ele apenas sorriu, então continuei a falar. — Acho que te devo mais agradecimentos.
– Pelo quê? — Ele riu abafado, não com deboche, mas irritado.
– Você não me delatou pro Franklin... de novo. — Esperei um momento até que ele me olhasse finalmente, parecendo insatisfeito.
– O que eu ia ganhar com isso? — Ele perguntou voltando a encarar as próprias mãos.
– Eu não sei... o prazer de ferrar comigo?
– Oh, Sam... — Freddie riu. — Eu continuaria não ganhando nada.
– Mas você ficou todo estressado porque eu estava me beijando com o John.
– Hey! Eu fiquei estressado?
– Ficou.
– Por que eu ficaria?
– Não sei, me responda você. — Rebati, deixando-o sem resposta. Aproveitando a vulnerabilidade, comecei a provoca-lo. — Talvez você tenha ficado com ciúmes.
– O quê?!
– É uma pena que você odeie tanto nos ver juntos mas não consiga nos dedurar para o Franklin. — Continuei, deixando-o mais perplexo ainda.
– Pior foi você queimando meu filme na frente da Carly aquele dia com o Guppy.
– Eu não estava com ciúmes.
– Eu não disse que você estava. — E mais uma vez ele havia conseguido mudar o rumo da discussão, agora me aborrecendo e não mais sendo aborrecido por mim.
– Mas no dia, você disse que eu estava.
– Uau, que memória boa você tem.
– Não enche. — Falei com raiva, saindo apressada mas ele me alcançou.
– Ei, espera ai!
– O que foi? — Perguntei, ainda caminhando furiosa.
– Vamos lá no Bushwell para saber o que aconteceu com a Carly?
– Pode ser.
– Certo, agora me conta o que aquele otário, ops! o John ia te propôr ontem à noite.
– Quando eu cheguei lá em casa ele já tinha ido embora.
– Sério? — Perguntou alarmado. — Mas você não falou que estava lá em casa comigo, falou?
– Não porque eu não sou idiota.
– Que alívio. Mas afinal, ele já disse o que era?
– Você está ansioso demais pro meu gosto. — Observei e Freddie torceu o nariz. — Ele me convidou para jantar na casa dele e conhecer a família.
– Como é que é?
– Eu não vou repetir. — Falei com raiva já ciente do que ele diria em seguida.
– O negócio já está sério a esse ponto? — Perguntou revoltado, confirmado minhas suspeitas.
– Se não está, agora vai ficar.
– E... você quer que fique? — Perguntou cauteloso mas sem medo.
Não o respondi porque nem eu mesma sabia o que queria. Com certeza Freddie devia estar odiando a ideia, mas esse não era a única razão que colocava dúvidas na minha mente, mas sim minha própria indecisão que só dizia respeito a mim mesma.
– Tudo bem. — Ele apertou os olhos e passou a língua pelo lábio superior. — Você não quer que fique.
Eu sabia que, se respondesse, iniciaria uma discussão sobre o assunto, na qual ele conseguiria me convencer de que meu namoro com John não fazia sentido algum. É como dizem, o pior cego é aquele que não quer ver.
E eu realmente não queria embora tivesse tudo à minha frente e alguém disposto a me ajudar a enxergar.
Fomos apenas nós dois e o silêncio durante um tempo até que eu decidisse retomar o assunto para ver se ele ficaria mais bravo ou não.
– Se a Carly puder, eu vou pedir a ajuda dela para eu me arrumar para o jantar com a família do John.
– Eu vou chama-la pra sair, assim você não vai ter quem te ajude. — Ele respondeu com cinismo.
– Você não vai ter coragem. — Respondi sem acreditar que ele parecia mais preocupado em ocupar Carly do que sair com ela de fato.
– Você não vai ter coragem de se arrumar toda para conhecer os culpados pela existência do garoto mais desprezível do mundo. — Disse ele confirmando ainda mais o que eu já estava pensando e me dando uma sensação de espanto e satisfação ao mesmo tempo.
– Vou e você não tem que se meter nisso. — Falei tentando controlar meu riso diante da crise de ciúmes de Freddie.
Finalmente chegamos ao Bushwell e fomos direito para o 8-C. Forcei a maçaneta e não consegui abrir a porta, então decidimos chama-los.
– Carly!
– Spencer!
Gritamos pelos dois mas não fomos respondidos depois de inúmeras tentativas.
– Eles não estão ai. Nunca deixam a porta trancada e não estão nos respondendo.
Concordei com Freddie mas ainda queria ter certeza então abri a porta com um grampo de cabelo.
Entramos e continuamos chamando pelos dois mas não havia sinal de uma alma lá dentro. Procurei nos cômodos de baixo e Freddie nos de cima mas não os encontramos.
– Caramba... onde eles estão? — Freddie exclamou se sentando no sofá.
– Eu não faço ideia. Ela não te disse nada?
– Não.
– Vamos ver se eles aparecem ainda hoje. — Freddie concordou com um aceno e eu fui até a geladeira atrás de algo para beber quando me deparei com um bilhete grudado nela. — Olha, eles deixaram um bilhete!
– O que está dizendo? — Ele perguntou ansioso.
– Vou ler. — Desdobrei o papel e assim o fiz.
"Freddie, nós trancamos o apartamento mas sabíamos que se estivesse com Sam, ela o arrombaria depois de nos chamarem e ninguém responder.
Sam, sabíamos que depois de nos procurar pela casa e não nos achar, iria até a geladeira atrás de comida, o que explica o fato deste bilhete estar grudado nela.
Sam e Freddie, estamos deixando este bilhete ultrapassado porque vocês quebraram os celulares um do outro então essa era a única maneira de avisa-los que fomos para Yakima hoje de manhã porque nosso avô está internado novamente. Com sorte, voltamos em uma semana, estamos bem e esperamos que vocês deem conta do iCarly dessa semana.
Não acabem com a comida.
Abraços quentes.
Spencer e Carly."
– Espero que eles estejam bem. — Freddie respondeu parecendo desolado enquanto voltava a se sentar.
– Já que a Carly não está aqui, é melhor eu ir. — Falei enquanto ia até a porta e pegava minha mochila do chão.
– Espera ai... — Freddie se levantou e veio até mim. — Então amanhã você vai se arrumar sozinha para o jantar com a família do John?
– Parece que sim.
– A não ser que você queira que... eu te ajude.
Fale com o autor