Notas iniciais
Sem comentários para o nome desse capítulo. Eu sei que o natal já passou mas provavelmente todo mundo ainda tá com a árvorezinha montada em casa então deve valer o que vou dizer: quem está afim de ler uma fanficzinha meia-boca mais ou menos dessa época, aqui está minha duo-shot. http://fanfiction.com.br/historia/563737/Lego_House/ Quem já leu... lê de novo. Pra entrar no espírito.

PDV Freddie.

– O quê?

– É isso aí. Eu posso te ajudar.

– Por quê? — Perguntou Sam novamente, ainda mais incrédula.

– Já que estamos ajudando um ao outro... por que não? Além do mais, não vou ter nada para fazer amanhã.

– Você... tem certeza? — Com a voz vacilante, ela continuou a insistir na dúvida.

– Sim. A não ser que você não queira.

– Não sei se é uma boa ideia. — Ela falou calmamente e deu uma pausa até continuar, completamente diferente. — Qual é, você odeia o John!

– Sim, mas isso não me impede de promover o... sucesso da relação de vocês. — Indaguei, engolindo a seco o ódio que senti de mim mesmo por ter dito aquilo.

– E o que você sabe sobre roupas, maquiagens e essas coisas?

– Não muita coisa mas eu também te ajudei junto com a Carly quando você saiu com o John pela primeira vez.

Ela passou os olhos pelo cômodo e depois de um suspiro derrotado, aceitou finalmente.

– Tudo bem. — Concordou. — Aparece lá em casa às três da tarde.

– Muito bem, Samantha. Você não vai se arrepender.

[...]

Às três horas em ponto do sábado eu já estava em frente à casa da Sam como havíamos combinado. Na verdade, eu havia chegado antes para ter certeza de que nada iria me impedir de ir até lá. Bati na porta e fui atendido imediatamente com entusiasmo por uma loira perigosa.

– Freddie! — A garota de shorts curtos, barriga de fora e rabo-de-cavalo se jogou em mim para um abraço assim que me viu.

– Sam? — Perguntei ainda segurando-a junto a mim enquanto ela me apertava.

– Não! É a Melanie. — Ela desfez o abraço, e me colocou para dentro da sala ao puxar meu braço.

– Melanie? Aham. — Comentei fitando-a da cabeça aos pés.

– Freddie, quanto tempo você vai levar para perceber que eu existo sim e posso dar para você o valor que a Sam nunca deu? — Ela insistiu, entrelaçando as mãos na minha nuca e me acariciando na região. Instintivamente, eu a segurei pela cintura num local que não estava coberta por roupa alguma, mas sem intenção nenhuma (embora ela estivesse muito linda), e sim por conveniência.

– Continuo achando que você é uma dissimulada. — Falei encarando-a no fundo dos olhos.

– Quer apostar que não?

Ela encaixou mais perto seu corpo contra o meu, e eu sabia o que viria em seguida. Eu queria tirar a prova e ver até onde aquela mentira seria sustentada. Já não me importava em saber onde aquilo nos levaria, tentando não pensar nas possibilidades. Quando já ia me beijando como havia feito no dia em que saímos juntos há alguns anos, foi interrompida pelos gritos estridentes vindos bem de perto.

– Que diabos está acontecendo aqui?! — Foi a frase que fez a loira abusada se separar de mim antes que nossos lábios se envolvessem de uma maneira mais íntima.

– Sam? — Perguntei avistando uma outra loira descer o último degrau das escadas enquanto me desprendia Melanie.

– Eu não acredito que você se dispôs a vir até a minha casa para se agarrar com esse demônio que eu tenho que chamar de irmã gêmea! — Ela berrou enquanto apontava para a outra.

– Hey, você já tem um, quer dois para quê? — Respondeu com ousadia.

– Então vocês são duas mesmo? — Gritei perplexo.

– Sim! — Gritaram de volta em uníssono.

– Não está vendo que eu sou mais bonita? — Melanie falou em seguida.

– Cala a boca, sua lacraia! — Sam gritou.

– Calma, vocês duas!

– Cala essa boca também, seu mentiroso.

– Calma ai, Sam! — Falei tentando ir atrás dela escada acima até Melanie me segurar.

– Freddie, ela já tem namorado! Por que você ainda corre atrás? — Enquanto segurava meu queixo, ela tentava me forçar a ficar.

– Espera ai. — Falei antes de me desprender dela e correr atrás de Sam.

Consegui alcança-la e adentrar seu quarto mesmo depois de travarmos uma luta acirrada que quase fechou meus dedos entre a porta e o parede.

– Vai embora! — Ela gritou enquanto arremessava um tênis em mim.

– Calma, sua louca! — Pedi enquanto massageava meu braço no local em que havia sido atingido. — Não se preocupe, eu não beijei sua irmã.

– Mas iria se eu não chegasse antes! No que você estava pensando? Não é você que diz gostar da minha amiga para ela viajar em um dia e no próximo você já esquece-la com outra?

– Ei, Samantha, vamos esclarecer algumas coisas. — Me opus com autoridade. – Em primeiro lugar eu não a beijei para você estar se estressando a esse ponto; em segundo lugar, eu ainda não tenho compromisso nenhum com a Carly e isso não deixa de ser um problema só meu e dela, e em terceiro lugar... — Dei uma pausa para me preparar caso tivesse que fugir da morte depois do que diria. — Você está com ciúmes?

– Vai se lascar! — Ela berrou voltando a jogar mais coisas em minha direção, mas eu não conseguia parar de rir enquanto tentava desviar.

– Ei, calma! — Falei indo até ela na tentativa de doma-la. — Eu nem sabia que você tinha uma irmã gêmea de verdade.

Ainda com a respiração pesada e o coração em descompasso, ela se soltou de mim parecendo estar mais controlada, com um sorriso.

– Então... você não sabia que era a Melanie.

– Não. — Respondi de imediato e inocente.

– Então você sabe o que isso significa, não sabe? — Ela arqueou uma sobrancelha e cruzou os braços.

– Não, na verdade.

– Significa que você achava que estava me beijando.

Fui pego de surpresa mas ela estava certa. Até aquele momento eu ainda achava que as duas eram a mesma pessoa e aquilo não passava de mais um mentira da Sam para me confundir. Eu quis pagar pra ver. E paguei bem alto.

Eu não a beijei e se tivesse beijado continuaria não tendo problema algum. A questão era que eu o faria pensando que era Sam sem encarar isso como um problema.

E era assustadora a forma como, de fato, não era.

– É... talvez.

– Talvez?

– É. Só um pouquinho. No fundo eu já sabia.

– Só um pouquinho uma ova. Você sempre esteve certo de que a Melanie era uma invenção minha.

– Mas agora eu sei que não.

– Então você precisou quase beijar ela para saber? — Comentou ela, rindo.

– Nós já nos beijamos uma vez. — Falei convencido.

– O que significa que até hoje você pensava que era eu! — Sam gargalhou tão alto que talvez pudesse ser ouvida em toda a rua. — Isso não te incomoda nem um pouco?

– Chega dessa história, ok? Vamos logo arrumar você.

[...]

Ela bufou e se jogou na na cama, enrubescida e relutante. As ondas loiras dos cabelos meio bagunçadas e balançantes caídas sobre os ombros lhe conferiam uma expressão insatisfeita juntamente com as sobrancelhas baixas e os lábios apertando-se um contra o outro. Ela estava brava. E ficava tão lindinha assim. Mas também não era nada bom. Porque ficava também tão perigosa quanto.

– Eu não sei por que eu aceitei que você viesse.

– E eu não sei por que me ofereci para vir.

Ela não me respondeu, então sentei ao seu lado, bem perto, para ver se provocava alguma reação. Se saía alguma faísca. Ou mais alguma palavra além das quais já havia usado e abusado, como "não", "nunca" ou "jamais."

– Daqui a pouco já vai dar a hora dele vir me buscar e a gente ainda não decidiu nada.

– Quer dizer, você. Você não decidiu nada. Eu já dei algumas sugestões, mas um certo alguém não aceitou nenhuma...

– Eu não vou usar vestido. — Respondeu pausadamente com a voz carregada de raiva.

– Para de fala assim se você ainda não provou nenhuma peça e não sabe o que pode ou não ficar bom.

– Não dá para ficar bom se eu não gosto.

– Sam, olha. — Me virei para ela e falei com calma. — Quando eu ainda falava com o John normalmente, eu e o Shane fomos à casa dele fazer um trabalho da Briggs. Não sei se você já percebeu, mas ele é rico. Não falido, não "riquinho", RICO mesmo. Lá ele tem mordomos, várias empregadas, chofair e o inferno à quatro. Eu NÃO sei o que ele perdeu lá na Ridgeway tendo perfeitas condições de estar em uma escola muito melhor e...

– Mas, Fre...

– Não, não, só escuta. — Eu a silenciei colocando meu dedo em frente à sua boca. — O pai dele era médico na Itália e a mãe, advogada. — Engoli a seco, já me detestando pelo que diria em seguida. — Você sabe que eu sempre fui o primeiro a abominar essa ideia de ficar agradando ele, mas pra quem está te aturando há tanto tempo todos os dias para estudar, isso vai ser fichinha. Se agora você quiser agradar a família dele também, vai ter que tomar cuidado com o que vestir, falar ou fazer.

– Por quê? — Ela perguntou aflita.

– Porque eles são todos nojentos e metidos e você será a primeira namorada do John a conhece-los, por isso eu te digo com toda certeza: impressione.

– Tudo bem. — Ela suspirou enquanto passava a mão pelos cabelos. — O que você acha que o John pode gostar?

– Bom, parece que ele te achou uma gata quando você usou aquele vestido no dia em que jantaram no restaurante francês.

– Não posso repetir a roupa.

– Não é isso, sua tonta. Você vai usar vestido sim, mas um outro. Ainda mais bonito, não tão formal, mas... elaborado. Tem outros aqui, não é?

– Eu tenho alguns mas eles são muito simples. A Melanie que tem alguns engomadinhos. Inclusive, aquele era dela.

– Então vamos lá no quarto dela provar alguns.

– Ok.

Entusiasmada, ela se levantou e saiu à minha frente e eu a segui até o quarto no fim do corredor que pertencia à Melanie. Era impecável, extremamente feminino e arrumado. Com certo descaso e incômodo, Sam abriu as portas do guarda-roupa rosa que revelou uma infinidade de modelos.

– Ela separa por cores. Que nojo. — Sam comentou irritada.

– Que tal a minha mãe que separa minhas cuecas por dia da semana? — Falei em seguida, fazendo-a gargalhar.

– Me desculpe. — Ela disse ofegante, voltando a rir novamente.

– Vamos ver o que tem aqui. — Ignorei o deboche por concordar com o quão ridículo aquilo era e também por já não me importar tanto com o as graças de Sam.

Ela me ajudou a separar alguns vestidos de vários modelos e tamanhos. Já começava a recusar algumas opções mas eu a convenci de pelo menos provar todos.

– Coloca esse aqui. — Estendi um modelo azul marinho bem fechado no colo mas um pouco curto. Ela o encarou com curiosidade antes de pegar das minhas mãos.

– Você realmente acha que eu vou fazer isso na sua frente? — Perguntou impaciente.

– Claro que não. — Falei desconfortável. — Vou esperar no corredor.

Me retirei e depois de alguns instantes ela já chamou de volta.

– E ai? — Perguntou com desleixo.

– Nada vai ficar bonito se você continuar com essa coluna de vaqueiro com bico de papagaio.

Fui até ela e virei seu corpo para frente do espelho. Puxei seus ombros um pouco para trás, acertando sua postura e tentando mante-la com minha outra mão em sua barriga.

– Até que está legal. — Ela falou baixo, enquanto olhava a si mesma apoiada em mim com o peito estufado.

Estava. E como estava. Mas se eu concordasse, iria exagerar. Porque eu não conseguiria me controlar, ainda mais a segurando tão próxima a mim.

– Pode ser, mas está muito curto. — Falei irritado, tentando me desfazer da sensação esquisita que me acometia. Soltei-a de repente e a fiz desmanchar a pose.

– Ok, então qual eu provo agora?

– Esse aqui.

Estendi uma peça bege, ela a pegou, eu saí, ela vestiu e eu voltei para ver.

– Parece que está camuflada. — Comentei rindo.

– Ei! Até que é bonito. Não é grande demais nem cur...

– É curto sim, não gostei. Prove o verde.

Não, o vestido não era curto. A cobria até os joelhos. Mas já que eu estava dando a último palavra, mandando e desmandando, faria com que ela provasse tantos quanto fossem necessários.

– E esse, Freddie?

– Não. Está ridícula. Prova esse rosa.

Não. Não estava ridícula. Que ódio. Que absurdo. Ela estava linda. Ela estava deslumbrante. Era surreal. Era preocupante.

– E esse aqui?

Se até aquele momento ainda me restava um vestígio de dignidade, aquele vestido o arrancou de mim. Eu abria minha boca para tentar dizer o que quer que estivesse se passando na minha mente, mas minha garganta se fechava nas primeiras tentativas, fazendo com que aquela expressão falasse por mim.

– Freddie?!

Foi inevitável não reparar na forma como aquele vestido acentuava o busto da loira. Suas roupas do dia a dia nunca valorizavam aquela região, escondendo o quão fartos seus seios eram. Bem, espero não ter soado como um cafajeste ao fazer essa observação. Simplesmente não há nada de errado em reparar. Talvez apenas por ter o feito justamente de uma maneira que eu jamais havia imaginado e sobre a pessoa que eu menos esperava.

– Esse é, é... um pouco, você sabe... — Eu estava suando frio e tropeçando a cada palavra. — Inapropriado. Coloque esse outro azul.

Ela ficou imóvel, talvez um pouco constrangida, percebendo que eu estava da mesma forma ao vê-la naquela roupa.

Peguei o vestido rapidamente e joguei na direção dela, saindo do quarto apressado e perguntando a mim mesmo que diabos estava acontecendo comigo.

– Pode voltar.

– Só um instante. — Falei ainda me recuperando da onda de sensações esquisitas que pareciam tentar se apoderar de mim.

– Eu odiei! — Ela berrou assim que tomei coragem para entrar.

– Esse está lindo. — Falei rindo.

Sim, estava. Era um vestido mais formal, mais longo e que combinava um blazer que a cobria quase que por inteiro.

– Você está achando que eu sou o que, uma freira?

– Não! Para com isso. Está super comportado.

– Parece que eu vou para um culto, isso sim. — Ela disse enquanto se olhava no espelho.

– Tudo bem, então prova esse aqui. — Falei entregando a ela a última peça que havíamos separado. Parecendo aliviada, ela o tomou da minha mão e fez um sinal para que eu saísse do quarto.

Enquanto esperava que Sam me chamasse de volta para dentro, a ouvi soltar alguns murmúrios. Tentei ignorar, mas ela parecia estar muito nervosa.

– Está tudo bem ai dentro?

– Sim! — Ela berrou de imediato. — Quer dizer... não. — Terminou um instante depois com a voz frustrada.

– O que aconteceu?

– Não vou conseguir fechar todos esses botões que tem nas costas desse vestido maldito.

– Então...

– Seu idiota, ainda não percebeu que você vai ter que vir me ajudar?

– Ok. — Meio confuso, concordei e entrei.

Virada de frente para o espelho, ela me encarou pelo reflexo assim que me viu. Suas costas estavam completamente descobertas porque o vestido continuava aberto. Sua face enrubesceu quase que simultaneamente à minha. Ela apertava um lábio contra o outro e sua respiração estava alta e impaciente.

Tudo isso fora percebido em um segundo.

Me aproximei cauteloso, preferindo não dizer nada para não falar alguma besteira. Quando cheguei mais perto, ela acertou a postura da maneira que eu havia mostrado anteriormente e sorriu.

– Muito bem. — Falei tentando quebrar o silêncio. Em resposta, ela riu novamente, olhando para baixo.

Respirei fundo e com as mãos trêmulas, peguei o primeiro botão e o fechei. Ele era a minha morte. O comprimento inteiro das costas do vestido era cheio deles e eu estava assumindo a tarefa de dar conta de cada um, desde a lombar até os ombros.

Continuei percorrendo aquele caminho infinito e suspirando cada vez que me livrava de um. Quando minha mão roçava sem querer na pele ainda descoberta, era como sentir uma corrente elétrica atravessando meu corpo e, quem sabe, o dela também, já que vez ou outra meus arrepios pareciam ser transmitidos.

A tarefa árdua e torturante já estava quase no fim, só restavam três ou quatro botões. Coloquei os cabelos dela para frente e terminei de fecha-los.

– Pronto. — Falei quase num sussurro, perto de seu ouvido enquanto sentia o perfume envolvente que exalava daquela garota à minha frente. Aquele perfume que vinha me perseguindo há um bom tempo. Me extasiava e parecia me convidar para mais perto.

Através do reflexo no espelho, vi o sorriso discreto estampado em seus lábios e me afastei. Ela se virou em seguida, já mais séria, e me perguntou.

– O que achou desse?

O vestido era preto, uma junção perfeita do simples com o elegante. Marcava a cintura fina, cobria e acentuava o busto ao mesmo tempo e se fazia mais largo no quadril com o charme de algumas camadas rodadas. Estava perfeita, impecável. Palavras das quais eu simplesmente havia me esquecido de dizer e não podia dizer no momento em que ela me perguntou.

– Freddie, responde! — Ela pediu, impaciente.

– Está... le...gal.

– Legal? — Impressionada e boquiaberta, ela parecia não acreditar.

– É, de todos os outros, esse é o melhor, sabe, mais... interessante, discreto. Está... legal.

– LEGAL?!

– A pergunta é, você gostou? — Desconversei, indo até ela perto do espelho.

– Si...

– Então pronto, vai ser esse.

– Tudo bem. — Ela concordou frustrada. — Agora vamos comer alguma coisa, mas me dá licença para eu me trocar.

– Mas e... os botões?

– Eu me viro.

Diante do aparente aborrecimento da Sam, sai imediatamente e a esperei no corredor. De repente, uma outra Puckett surgiu novamente.

– Cadê aquela baranga?

– Está ai no seu quarto.

– O que ela está fazendo ai dentro?

– Calma, só pegamos um vestido seu emprestado para ela usar hoje à noite.

– Ela pode pegar quantos quiser para se arrumar para aquele John contanto que deixe você para mim. — Como fizera mais cedo, ela enroscou as mãos na minha nuca.

– Eu não acho uma boa ideia. — Respondi afastando-a.

– Primeiro você vem aqui ajudar a minha irmã a se arrumar para jantar com a família do namorado, depois me rejeita o dia inteiro. Você é gay ou o quê? — Exclamou furiosa. Eu? Gay?

– Ei, eu só ajudei na roupa porque sei o que um garoto gosta. Acho que ela pode dar conta do cabelo e da maquiagem.

– Cabelo? Maquiagem? Sonha! Aquela ali mal sabe o que é um batom.

– E agora?

– E agora ela vai ter que ir com aquela cara de demônio.

– Vocês são iguais. — Falei revoltado.

– Que seja. — Ela falou saindo.

– Espera ai. — Fui atrás dela e a alcancei.

– Pois não. — Ela disse se aproximando novamente de forma duvidosa.

– Você pode maquiar a Sam, por favor?

– Posso. Mas não quero.

– Por favor!

– E o que eu vou ganhar com isso?

Eu sabia que me odiaria depois do que diria mas falei mesmo assim. Apertei os olhos e apenas joguei as palavras para fora, já me arrependendo um segundo depois.

– Eu te dou um beijo.

– Uau! Até que vale a pena. Podemos acertar o pagamento agora? — Sem perder tempo, ela já me puxou pela cintura e se grudou um mim.

– Não! — Falei irritado mas ainda sem afasta-la. — Você vai ter que caprichar, ai eu vejo se merece.

– Vamos comer, Benson? — Sam falou enquanto saía do quarto. Antes que me visse agarrado com Melanie, me soltei dela rapidamente e respondi.

– Claro. — Eu sorri e ela veio até nós com a mesma expressão, desfazendo-a apenas ao passar por Melanie.

Desci logo atrás de Sam, com medo de que sua irmã dissimulada avançasse em mim a qualquer momento.

Nós três fomos comer e Melanie não parava de me secar um minuto sequer. Eu já estava ficando constrangido com aqueles olhares de flerte e preocupado caso Sam estivesse percebendo e achando que eu a correspondia.

– Então, Freddie.... você está solteiro, não é? — Melanie perguntou.

– Isso não te interessa. — Sam respondeu irritada.

– Me desculpe mas não estou falando com você e sim com ele.

– Ele está solteiro sim mas gosta da Carly!

– Sam! — Eu a adverti.

– Oh. Pensei que você já tivesse esquecido. — Melanie respondeu impressionada. — Mas acaba tornando tudo isso ainda mais empolgante. — Sem que eu esperasse, por debaixo da mesa, ela apertou minha bunda.

– Ai! — Gritei fazendo um barulho enorme com os talheres que segurava, provavelmente já parecendo um tomate de tão vermelho de vergonha.

– Isso o quê? — Sam perguntou alarmada.

– Meu amor platônico pelo Freddie que jamais vai se... REALIZAR. — Melanie respondeu enquanto apertava minha bunda com ainda mais força, porém dessa vez, não soltei nenhuma interjeição de dor para que Sam não desconfiasse, mas mesmo assim ela parecia atenta a nós dois.

– Espero que você esteja mesmo ciente disso. — Disse, sem tirar os olhos de cima de nós um segundo sequer.

Durante o tempo em que ficamos sentados à mesa, Sam mal comeu, indicando que algo estava errado ou pelo menos pensava. Melanie continuava a me provocar de todas as formas e sua irmã a nos vigiar sem deixar passar nada em falso, apenas guardando para si e reservando tudo para, quem sabe mais tarde, jogar contra mim.

– Vou tomar um banho. — Sam falou enquanto levava seu prato à pia e Melanie retornava à sala.

– Me deixa trancado no seu quarto enquanto isso. — Pedi num sussurro.

– Por quê?

– Sua irmã pode me atacar a qualquer momento.

– Tudo bem. — Ela respondeu já saindo em direção às escadas.

Eu a segui, ela me trancou e foi para o banheiro. Passei meus olhos por aquele quarto tão peculiar e excêntrico, tão... Sam. Me segurei para não mexer em nada, mas acabei fuçando o que estava a meu alcance em cima de uma penteadeira rústica que tomava metade de uma das paredes. Haviam alguns livros que ela jamais havia lido, presilhas que ela jamais poria nos cabelos e maquiagens que jamais usaria. Também havia uma folha de caderno dobrada e amassada repousando sobre a madeira com certo descaso. Não pude resistir e acabei pegando-o. Ele estava meio rasgado e tinha marcas de dedos sujos com molho de almôndegas, o que me fez rir, mas só até o momento em que o abri.

Era um desenho do John. Um desenho muito lindo, a propósito. Meu coração gelou um pouco enquanto o fitava por ser algo extraordinário demais para alguém que não merecia. Incomodado, olhei o verso da folha onde havia algo escrito.

"Alguns já vieram, talvez outros venham, mas ninguém jamais será como você."

– Freddie? — Ouvi meu nome ser chamado e a fechadura ser aberta.

– Sim. — Assustado, coloquei a folha de volta ao lugar dela antes que Sam me visse.

– Que tal esse sapato? — Ela perguntou, já vestida com a peça que havíamos separado e calçando um scarpin azul escuro de salto grosso e bico arredondado.

– Está ótimo.

– Ah, nerd... — Ela riu e saiu novamente.

Ela estava linda e me doía a forma como eu não conseguia dizer por pensar que aquilo soaria estranho para nós dois. Mas, de certa forma, não era tanto assim. Estranho mesmo era não ser estranho. Era ter me incomodado com aquele desenho que há alguns meses me havia feito descobrir que Sam gostava de John. Bem, naquele tempo, essa descoberta era lucro. Agora, isso sim, era incômodo. Era perda e preocupação.

Isso sim soava estranho.

Fui até o quarto onde Sam estava e a encontrei já sendo maquiada por Melanie.

– Freddie, você sabe que surto de bondade foi esse da Melanie vir me ajudar?

– Não tente entender. Apenas aproveite.

Enquanto observava Sam e Melanie melhorando nela o que já estava ótimo, fiquei pensando na folha que eu havia encontrado em seu quarto e me lembrei mais uma vez que fora através dela que eu havia descoberto que Sam gostava de John. Eu me sentia incomodado com um pedaço de papel velho que há alguns meses não significava absolutamente nada. Já fazia tanto tempo, mas eu simplesmente não vi como deixei que se tornasse ao longo do tempo um problema para mim.

Por que era?

[...]

– Já vou indo, vou esperar o John na avenida. Freddie, você vem comigo?

– Sim, estou com pressa. — Falei já me direcionando à porta para não ter que cumprir o que havia prometido à Melanie.

– Ok, vamos.

Sam abriu a porta e nós saímos. Respirei fundo já aliviado enquanto a acompanhava até Melanie surgir na janela gritando para mim.

– Freddward Benson, volte aqui agora!

– O que você quer com ele? — Sam gritou de volta apertando os olhos para tentar ver a irmã de longe e fazendo algumas pessoas ao redor nos olharam curiosas.

– Nada, vamos. — Agarrei sua mão e a puxei.

– Freddie, seu desgraçado! — Melanie insistiu.

– O que está acontecendo? — Sam perguntou irritada. Sem escolha, me abaixei e tirei os sapatos dela, deixando-a descalça no meio da rua.

– Vamos, você vai se atrasar! — Entrelacei nossas mãos e saí correndo, fazendo com que ela corresse também.

Enquanto corríamos, ouvi as piores ofensas que alguém pudesse proferir em apenas alguns segundos. Chegamos à avenida ofegantes e eu finalmente a soltei e coloquei seus sapatos no chão.

– Você está louco?! — Ela disse enquanto se escorava em mim para calçar o scarpin.

– Me desculpe, eu precisava fugir da sua irmã porque...

– O John ali! Se esconde! — Ela me interrompeu enquanto apontava para um carro que se aproximava da calçada em que estávamos. Eu fui para trás de um poste de luz e ela sussurrou antes de ir. — Depois você vai me explicar isso direito.

Ela se virou, o carro estacionou e John saiu de dentro dele. Eles se beijaram, se elogiaram e foram embora enquanto eu os observava sem poder fazer nada. Sem poder dizer nada. E proibido de sentir qualquer coisa.

Notas finais
Não sou a maior fã desse capítulo mas gostei da aparição da Melanie para tentar questionar uma coisinha da própria série. O Freddie beija a Melanie em iTwins mas ele realmente acha que foi a Sam. Não sei se ele comenta isso em algum outro episódio (se sim, me diga qual) mas parece que ficou "por isso mesmo", como se ele não ligasse que a beijou (porque é isso que ele pensa, não é?) O que vocês acham? E, por favor, não me respondam isso simplesmente. Também quero saber o que acharam do capítulo porque estou um pouco insegura sobre ele. Ok? ♥