Anyone Else But You
22 Jealous
Notas iniciais
PDV Freddie.
Naquela semana, tivemos que fazer o iCarly na quarta-feira, então como não tínhamos feito nenhuma reunião durante os outros dias, a tarde toda fora dedicada a preparar tudo o mais rápido possível e arranjar quem quer que fosse para participar dos quadros do programa.
– Spencer, por favor, você precisa fazer o irmão da fazendeira idiota hoje à noite. — Carly implorava ao irmão enquanto eu e Sam apenas observávamos do sofá da sala.
– Não, eu não preciso.
– Precisa sim!
– Não preciso!
– Ok, eu é que preciso.
– Exato. O que eu realmente preciso é do meu encontro com a Amy.
– Mas vocês já se viram ontem!
– Mas não saímos desde que fomos todos juntos aquele dia ao Pini's.
– Ir visitar o vovô doente você não quis, não é?
– Eu só iria terminar minha escultura e ir lá mas ele insistiu que eu não fosse porque já se recuperou, então nós vamos lá quando você entrar de férias.
– Eu quero só ver. — Carly disse cruzando os braços inconformada.
– Até lá, eu vou sair com Amy. Hoje vamos ao boliche e sábado à festa do meião.
– E você nem nos convidou? — Carly perguntou.
– Ahh! Vocês querem ir? — Spencer perguntou.
– Claro. — Respondi.
– Posso levar o John? — Sam pediu.
– Seu namorado super hiper mega ultra desesperado? Sim, claro! — Ele respondeu sarcástico.
– Como é que é? — Ela protestou.
– Não liga, Sam. Ele e o Freddie estão implicando com o namoro de vocês. — Disse a amiga solidária e defensoria.
– Por quê? — A loira perguntou.
– Porque eles são dois idiotas. — Carly falou rindo para Sam e se virando para o irmão em seguida. — Mas agora isso não vem ao caso. Spencer, traz a Amy aqui hoje. Vocês jantam tacos de macarrão depois do iCarly e vão ao boliche amanhã.
– Só se você lavar a louça pelo resto do mês.
– Eu já faço isso. — Carly respondeu indignada.
– Então não, vocês não precisam de mim.
– Spencer!
– Está bem, sua mandona! — Ele aceitou finalmente depois de tanto relutar.
– Sam, eu vou passar as falas pro Spencer e você ajuda o Freddie a arrumar o estúdio lá em cima.
– Ah, não! Por que agora? Está cedo.
– Porque sim, vamos! Vambora, se manda! — Carly ordenou como um general e Sam obedeceu, subindo logo atrás de mim.
Sam não falou nada enquanto subíamos e permaneceu calada alguns minutos depois de já termos chegado. Fiquei indignado, afinal quem deveria estar dando uma de difícil era eu e não ela. Estava inconformado porque ela já havia pedido logo de cara se poderia levar John para a festa do Meião que iríamos no sábado, sem nem saber se ele iria aceitar ou não, já que é cafona e engomado.
– O namoradinho está melhor? — Perguntei enquanto mexia em meu computador.
– Sim. Ele até foi hoje para a escola. Você não viu?
– Na verdade eu vi sim, mas esperava que você desmentisse a parte do "namoradinho" porque é absurda demais. Eu ainda não acredito... como você consegue chamá-lo assim?
– O que exatamente te incomoda tanto? — Ela perguntou com segurança.
– Você ter aceitado o pedido mais estupido do mundo.
– O que tem de errado com o pedido do John? — Lá estava ela já berrando.
– Ele não teve preparo nenhum, disse umas coisas sem graça, nem um anelzinho de plástico ele levou! Além do mais, vocês estão saindo há pouco tempo para já estarem se comprometendo.
– Eu gosto dele há tanto tempo, claro que tinha que aceitar.
– Acontece que só eu sei e mesmo assim me pareceu cedo demais. — Ela não respondeu, então continuei. — E também, parece que foi pra me provocar.
– Então acho que ele conseguiu. — Ela disse rindo.
– Não estou "incomodado." Você pode perguntar a qualquer um e todos estão pensando a mesma coisa.
– Só você e o Spencer.
– Porque somos justamente os mais próximos, então reconhecemos que essa ideia é péssima. A única exceção é a Carly porque ela também acha que ele é um santo.
– Pode apostar que ele não é. — Ela respondeu provocativa passando a língua pelos dentes com um sorriso malicioso.
– Nojenta.
– Invejoso. — Ela disse ainda rindo. — E depois vem dizer que não está incomodado? Conta outra.
– Não estou, mas ele queria que eu estivesse.
– A troco de que ele faria isso?
– Jogar na minha cara que já está namorando você e eu não estou namorando a Carly?
– Se você acha que é isso... mas falando na Carls, como vão vocês dois?
– Hoje durante a aula eu a chamei para dar uma volta ao parque domingo de manhã e você terá que me dizer quais são as expectativas dela comigo, ok?
– Ir ao parque? Me poupe! — Ela disse debochada.
– Tem alguma sugestão melhor?
– Tenho, mas já vou estar fazendo com o John.
Sabe quando o sangue ferve? Então.
– Você pode fazer isso, certo? — Insisti, tentando controlar minha raiva.
– Tudo bem. — Concordou finalmente. — Hoje nem vai dar pra estudar, não é?
– Não já que vamos ficar aqui arrumando as coisas para o iCarly.
– Mas quinta e sexta...
– Sim. Se você quiser, é claro.
– Tudo bem. — Ela confirmou com um sorriso e começou a tirar os puffs do meio do estúdio.
Continuei a checar meus equipamentos sem parar de pensar em nenhum instante nos dias que sucederam o pedido de namoro de John para Sam e uma constatação curiosa veio à tona: ela os tinha passado comigo. Pelo menos na maioria do tempo. Mais do que em casa com a mãe ou a irmã, um pouquinho mais do que com a melhor amiga e muitíssimo mais do que saindo com o namorado.
Por favor, me leve para um lugar onde isso seja normal porque aqui em Seattle não é de jeito nenhum.
Acontece que, quando você convive com essa garota, às vezes o que não é normal também se torna... atrativo.
– Sam... — Chamei-a depois de um instante refletindo. — Com que frequência você tem visto o John?
– Sei lá... na escola e nos fins de semana.
– Só?
– Só. — Ela se virou totalmente para mim parecendo suspeitar de algo. — É que... você sabe, a gente tem passado a tarde toda estudando juntos.
– Mas você não acha que... — Olhei para a porta temendo que alguém chegasse e nos ouvisse, então cheguei ainda mais perto dela para continuar. — Você não acha que eles vão desconfiar se a gente ficar estudando todos os dias? Sabe, sumindo sempre depois da aula, os dois de uma só vez.. Eles podem desconfiar, ainda mais a Carly já que a gente vive aqui.
– Mas tem os ensaios. Sempre que a gente for ensaiar a gente vem aqui.
– Mas a gente não costuma aparecer aqui só nos ensaios... — Ela me fitou por um momento até dizer algo em resposta.
– Você está está certo. Mesmo que o meu caso seja urgente, não dá pra fazer isso todos os dias.
Não sei se foi a intenção, tampouco se foi fingimento... mas ela usou aquela voz de decepção. Mais baixa, mais arrastada e acompanhada de uma expressão um pouco fechada, pouco expressiva, nada sorridente. E eu estava do mesmo jeito. Pelo menos no meu caso, era um reflexo do que eu sentia por dentro.
Ninguém, pelo menos até o momento, parecia desconfiar de nós dois, mas é como dizem: melhor prevenir do que remediar. O que era triste, na verdade. Triste porque eu já estava acostumado com a rotina que havíamos criado, com tantas tardes fazendo coisas que iam desde as mais importantes até as mais estúpidas. Não seria muito fácil diminuir o ritmo já que estava tão bom do jeitinho que estava.
– A gente pode revezar toda semana os dias que vamos ou não para não ficar manjado e alguém perceber.
– Sim, essa semana nós podemos...
– Oi, gente. — Gibby disse saindo do elevador.
– Depois a gente combina. — Sussurrei para ela. — Hey, Gibs.
– Por que me chamaram para participar de dois quadros?
– A gente ainda não tinha nada pronto pro iCarly de hoje então você vai ter que quebrar esse galhão pra gente. — Sam respondeu.
– Eu estava cuidando do Guppy, tive que traze-lo.
– Cadê ele? — Perguntei.
– Feliz aniversário! — Ele disse entrando pela porta com Carly.
– Hey, campeão! — Ele veio até mim e me abraçou.
– Para de bagunçar o menino! — Carly disse rindo.
– Podemos usar ele hoje também! — Sam disse entusiasmada.
– Use essa peste o quanto quiser. — Gibby respondeu dando de ombros.
– Não sabia que você se dava tão bem com crianças. — Carly disse se aproximando de mim e do garotinho com um sorriso discreto.
– Só está se amostrando. — Sam disse despreziva, parando ao lado de Carly.
– Muito obrigada. — Falei pausadamente com um tom e olhar repreensivos para Sam que deveria me ajudar mas parecia estar fazendo o contrário.
– Não, Sam, olha só! O Guppy gosta dele.
– Do nerdão aí? Eu duvido!
– Por quê?
– Ele deve ter coagido a criança para ficar assim todo feliz sempre que o visse.
– Na verdade, eu acho que ele não precisa disso. — Carly respondeu me olhando em seguida.
– Não vai me dizer que está achando isso fofo, está? — Sam perguntou apontando para mim e Guppy.
– Sam! — Falei antes que Carly respondesse e estampei um olhar raivoso para ela.
– Oh! Oh. — Ela disse espantada parecendo ter me compreendido. — É isso aí, Carls, isso é... uau, muito fofo. Que legal, vou pegar um pouco de presunto, tchau. — Arrogante, irritada e apressada saiu antes que pudéssemos responder.
[...]
– E... corta!
– Deu tudo certo! — Carly falou aliviada abraçando Sam.
– Vocês foram demais.
– Valeu, Fredduccinni. — Sam respondeu usando um dos meus apelidos mais leves mas ainda parecendo irritada comigo.
– Vamos beber alguma coisa? — A morena convidou enquanto desmanchava as tranças do último personagem que fizera.
– Se forem comer algo, vão logo porque daqui a pouco a Amy vai chegar e o andar debaixo será só nosso.
– Certo, Spencer. — Sam falou se sentando no chão. — Estou tão cansada que nem vou descer para atrapalhar vocês.
– Se você está pensando que vou trazer comida para você aqui em cima, saiba que eu não vou.
– Ah, Carls...
– "Ah" nada. Se quiser, desça e pegue. Vou ir preparando.
Sam continuou sentada, Carly e Spencer saíram e eu fui arrumar o estúdio.
Empurrei de volta para o canto do cômodo o balcão que usávamos para o quadro "A Fazendeira Idiota, que pensava que o bigode do Cowboy era um esquilo”, desliguei meu computador e peguei meus cabos.
– Por que você não consegue me ajudar nunca? — Falei me virando para Sam.
– Hey! Eu te ajudei sim.
– Queimando o meu filme na frente da Carly? Claro, obrigado mesmo! — Falei fazendo um sinal de positivo com os dedos.
– Vai dizer que você não puxa um saco do garotinho só porque a Carly acha fofo?
– Não! Eu sempre gostei dele, mesmo antes de gostar dela.
– Qual é, você já nasceu gostando dela. A primeira palavra que você disse foi "Carrrrlyyyy." — Disse com deboche.
– Acontece que houve um certo tempo entre o período em que namoramos e esse agora no qual eu descobri que ainda gosto dela. — "Ou pelo menos deveria", pensei comigo mesmo.
– Certo. — Ela assentiu, impassiva.
– Mas de qualquer forma você não me ajudou. A Carly estava toda derretida comigo e você disse aquilo.
– O que eu disse não mudou nada, mudou? Ela não deixou de achar aquela cena "bonitinha" e se eu ficasse concordando, ela desconfiaria.
– Pode ser. — Concordei antes do silêncio reaparecer.
Divaguei um pouco dentro de mim tentando analisar a situação e entender por que Sam havia tomado aquela atitude, até que um pensamento curioso me ocorreu.
– Oh, você estava com ciúmes. — Falei sorrindo, logo de cara, sem hesitar, sem nem pensar direito.
– Ciúmes? Eu?
– Sim. E não sabe nem disfarçar.
– Sei sim.
– Ah, há! Acabou de admitir.
– Não! — Ela insistiu com certo nervosismo.
– Eu disse que você não sabe disfarçar e você disse que sabe sim. Disfarçar o quê? Seus ciúmes.
– Como se eu tivesse algum.
– Sam! Você vem ou não? — Carly gritou da sala, tão alto, mas tão alto, que parecia estar ao nosso lado.
– Já vou! — Gritou a loira de volta. Ela saiu correndo até a porta, mas antes de continuar, se virou e disse. — Você me paga, Freddward.
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