Anyone Else But You
12 I'm Sorry
Notas iniciais
PDV Freddie.
– Bom dia, mãe. — Falei antes de depositar um beijo em sua bochecha rosada enquanto ela ajeitava alguns pães integrais na mesa. Eles são um dos motivos que me fazem preferir comer na Carly.
– Bom dia, filinho. — Ela me olhou sorrindo mas logo o tempo fechou pra mim. — O que houve com a sua camisa nova?
– Eu acabei derrubando um negócio nela que corroeu o tecido. — Falei em tom da lamento, disseminando minha mentira e mais uma vez ajudando a Samantha.
– Que "negócio"? — Ela perguntou autoritária.
– Soda? — Falei sem convicção.
– Freddie, eu sou enfermeira. Se você tivesse derrubado soda não teria mais nem barriga.
– Então, como, enfermeira o que você diria que aconteceu? — Falei sarcástico.
– Como enfermeira e como mãe, eu diria que uma de suas amigas loucas a rasgou.
– Tudo bem. — Admiti derrotado. — A Sam rasgou.
– Por quê? Ela te machucou?
– Não, mãe, relaxa...
– Deixa eu ver isto aqui. — Ela se levantou da cadeira e abriu minha camisa vendo as marcas da unha da Sam. — Oh! Freddward!
– O que foi? — Falei enquanto minha boca fazia um formato de O igual ao dela com um espanto equivalente.
– Você precisa cuidar disso aqui! — Disse ela enquanto ia até sua mala gigantesca de remédios e coisas pra fazer curativos. — Na verdade, EU vou cuidar disto aqui.
Ela voltou e passou na minha barriga algumas pomadas tão boas que pareciam ter funcionando instantaneamente enquanto falava as maiores barbaridades sobre Sam. No final, fez um curativo enorme e super seguro antes que eu saísse para a escola e ela para seu trabalho.
Quando cheguei, Sam e Carly estavam conversando perto dos armários. As duas eram só sorrisos e pareciam radiantes. Tentando esboçar pelo menos um terço do bom humor delas, me aproximei.
O sinal tocou interrompendo as conversas e nos convidando às aulas. John não apareceu o dia inteiro e Sam pareceu preocupada no intervalo por ainda não te-lo visto. As aulas acabaram e Carly saiu apressada sem nos esperar novamente depois de ter falado ao telefone com alguém que mais uma vez a preocupou muito. Insisti firmemente para acompanha-la mas ela relutou alegando que não seria necessário mas estava agradecida com minha preocupação.
– Você sabe o que ela está escondendo? Por que tanta preocupação? — Perguntei à Sam enquanto observava Carly saindo.
– Não, eu encho o saco mas ela também não me diz. Espero que não seja nada grave.
Caminhamos juntos até nossas casas e durante o trajeto as pessoas da escola ao nosso redor pareciam cochichar algo sobre nós. Sam tentou fazer com que aquelas mentiras fossem apaziguadas mas só piorou tudo. Resolvi ignorar os rumores e à ela também. Eu ainda estava chateado com a loira por algumas coisas: ter achado necessário anunciar no iCarly que não estávamos namorando e o fato dela já ter conseguido o que queria que levava à possibilidade de não me ajudar com Carly por isso.
– Benson, você está chateado? — Depois de um bom tempo calados ela fez a pergunta que me soou cínica a princípio mas depois me pareceu sincera.
– Não.
– Está sim.
– Não estou.
– Você está!
– Já disse que não.
– É sobre o negócio que a Carly não quer nos contar?
– Também. — Droga. Admiti que estava chateado e ainda por cima que tinha mais de um motivo.
– E o que mais?
– Mais nada.
– Como "mais nada"?
– Isso é tudo que me preocupa agora.
– Não é não.
– E como você sabe?
– Quando eu perguntei se era o negócio da Carly, você respondeu "também", isso significa que têm mais motivos. — Tentei driblar a loira mas me esqueci de que ela era muito esperta.
– Não é nada.
– Fala logo.
– Não.
– Para de fazer doce. — Ela me deu um empurrão de leve e me encarou na expectativa de que eu dissesse.
– Têm mais alguns motivos sim mas nada que seja da sua conta.
– Já sei o que é.
– E o que é? — Perguntei cruzando os braços diante do peito.
– Você está chateado comigo. — Ela deveria estar mais triste ao dizer isso mas na verdade soou convencida, mais preocupada com o fato de ter adivinhado o que me chateava sem se preocupar QUE de FATO me chateava.
– Como você sabe?
– Você mal falou comigo ontem depois do iCarly, hoje na escola e agora enquanto voltamos pra casa.
– Mas a senhorita ainda não sabe por que estou chateado com você.
– Não sei mesmo, então me diga.
– Sério, Sam? Você realmente não sabe?
– Por favor, me diz! Assim eu vou saber o que te irrita tanto e continuar fazendo. — Ela disse e depois gargalhou com todo o cinismo que podia reunir. Eu não sabia como cabia tanto dentro de uma pessoa tão pequena. — Tá bom, parei. Pode dizer.
Dei um longo suspiro enquanto fitava aqueles grandes olhos azuis e resolvi falar logo.
– Por que você disse no iCarly que não namoramos?
– Porque nós realmente não namoramos?? — Ela disse indignada.
– Sim, eu sei. Mas quando os boatos começaram a rolar você foi a primeira a não se importar em esclarecer nada pra ninguém e do nada, sem nos avisar, resolveu gritar aos quatro ventos.
– Eu só achei necessário que todos soubessem. — Ela falou fugindo olhar mas mesmo que transparecesse a maior convicção do mundo eu não acreditaria. Ela não muda de ideia assim sem nenhum bom motivo.
– Você não achou nada. A troco de que mudou de ideia assim?
– Como assim?
– Vai, pode dizer que, sei lá, o John pediu pra você dizer. — Falei hipoteticamente.
– Como você soube?
– Ele pediu? Ele pediu mesmo? — Não consegui acreditar.
– Pediu. — Ela confirmou com a voz baixa.
– Filho da... — Comecei o xingamento mas o interrompi enquanto a raiva me consumia.
De certa forma John havia manipulado Sam. O quão apaixonada ela estava por ele para abrir mão do direito de pensar com a própria cabeça, ainda mais num relacionamento que nem tinha começado direito? "Calma, Freddie, que drama, não e grande coisa!" Com certeza é sim. A Sam não é do tipo que obedece. É do tipo que manda. E aquele idiota tinha acabado de tirar isso dela.
– Como você espera que eu dê certo com ele se todos pensam que eu namoro você?
– Como você mesma disse, em uma semana, se a gente simplesmente ignorasse o assunto, ele desapareceria. Avisar para uma porrada de gente num webshow ao vivo soou como um ato de desespero para esconder justamente o que estamos negando.
– Então você acha que eu reforcei os boatos?
– Com certeza.
– John achou melhor assim. — Ela respondeu impassiva.
– Já está assim, subordinada? Sujeita às vontades dele? — Falei irritado.
– Não, calma! — Ela disse impressionada. — Eu só atendi a um único desejo dele.
– Só espero que não fique manipulando você. Te ajudei demais com ele pra isso. — Falei expondo minha outra preocupação em relação a ela... uma ajuda que talvez não tivesse recompensa.
– É, vou ter que admitir que você ajudou bastante. — Ela disse com uma voz terna. — E não se preocupe, John não é nenhum ditador de relacionamentos.
– Eu espero que sim. — Estava feliz por saber que ela estava ciente da minha ajuda imprescindível mas algo ainda me incomodava e minha voz não me ajudou a esconder isso.
– Você ainda está chateado. — Ela não perguntou. Ela não deduziu. Ela afirmou e acertou. Eu não entendia de que maneira poderia me decifrar daquele jeito.
– Não é nada com você.
– Fala logo, seu enjoado. — Fiquei bravo pela ofensa mas ela me pareceu interessada então continuei.
– Lembra que há um tempo eu pedi pra você me ajudar com a Carly e ai eu te ajudaria com o John?
– Sim.
– Agora você já conseguiu o que queria sem ao menos tentar enquanto eu ainda estou na mesma. Ainda preciso de uma ajudinha.
– Ah, claro. — Ela falou meio hesitante. — Eu ainda posso te ajudar com a Carls.
– Obrigada. — Falei tentando evitar um sorriso sem sucesso já que no final exibi um tão grande que mal cabia em minha boca.
Fomos conversando sobre o que ela e John discutiram no dia anterior e alguns momentos em que eu tentava insinuar para Carly meu interesse por ela. Finalmente as coisas pareciam estar progredindo e a loira garantiu que me ajudaria no que pudesse.
– E a camisa? Sua mãe jogou fora?
– Claro, você destruiu ela.
– Ah, não! Dava pra fazer um top cropped! — Ela respondeu divertida.
– Como se não bastasse, ainda fez um curativo enorme na minha barriga.
– Curativo? Por quê? Pra quê? — Ela perguntou com espanto.
– Você arranhou minha barriga com suas unhas.
– Deixa eu ver. — Abri os últimos quatro botões da camisa que usava e apontei na altura dos arranhões. A principio ela parecia envergonhada mas um instante depois de encarar meu abdômen, soltou uma risada histérica.
– O que foi? — Perguntei enquanto abotoava a roupa.
– Tudo isso pra só esses arranhõeszinhos?
– Você sabe que minha mãe é muito exagerada.
– Entendo.
Me despedi de Sam e fui até meu apartamento onde almocei e estudei um pouco durante a tarde. Carly e Spencer pareciam não estar em casa provavelmente ocupados com o assunto que os preocupava e não nos contavam e Sam também não deu as caras pelo resto do dia, então, sem nada pra fazer, assisti a alguns filmes sozinho em meu notebook dentro de meu quarto.
Quando desci para comer alguma coisa, me assustei percebendo que a porta estava destrancada então me aproximei com cuidado imaginando que talvez tivéssemos sido assaltados. Olhei ao redor e o cômodo parecia vazio e nada havia saído do lugar, exceto duas coisas: A geladeira aberta e um pacote deixado na mesinha de centro da sala. Era um embrulho muito mal feito que guardava uma camisa idêntica à que Sam rasgara, ainda com aquele cheirinho de nova. Colado à etiqueta, um pedaço de folha com uma caligrafia bem conhecida que dizia apenas "Me desculpe." Fui até a geladeira e a ausência do único pedaço de presunto que eu havia guardado confirmou minhas suspeitas de quem havia feito um arrombamento, uma devolução e um roubo ao mesmo tempo.
Sam.
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