Anyone Else But You

21 Hey, Mr Good Looking


Notas iniciais
Gente. Voltei. Chateada. Por quê? 1. Porque a Curdles não deu feliz aniversário para o Kressington dia 18. 2. Porque eu ando absurdamente cheia de coisas para fazer. 3. Por causa do final triste pra C@#%!*& de A Esperança - parte 1. Oh, Peeta... 4. E porque postei uma one-shoot dedicada a vocês mas nem todos apareceram por lá. Sobre esse último: vocês podem resolver o problema clicando aqui http://fanfiction.com.br/historia/563737/Lego_House/ Quanto ao resto: me deem alguns lenços antialérgicos. Aviso: MUDEI MEU USER AQUI NO NYAH. Por favor, não se confundam: a Rainha de Veneza virou a Pamantha Suckett. Se não entendeu, por favor, repense sua vida. (brinks) O que acharam? Capítulo de hoje: Ei, senhor bonitão. ♥

PDV Sam.

– AAAHHHHHHHH! — Gritamos em uníssono ao nos vermos. Eu me levantei da cama em um pulo e ele tentou se curvar para esconder o parte de seu corpo que não estava coberta por nada, da cintura para cima. Oh, meu Deus.

– Que diabos você está fazendo aqui? — Perguntou ainda espantado.

– Pensei que a gente fosse estudar! — Respondi ainda histérica e ofegante por conta do susto.

– Você não disse que iria visitar o John? — Ele respondeu segurando a toalha em sua cintura com uma das mãos.

– Na verdade eu já fui. — Menti.

– Impossível, eu acabei de chegar aqui em casa.

– É que foi bem rápido.

– Não, é impossível. Eu cheguei aqui quase agora. Não daria para você já ter ido lá e vir para cá tão rápido.

– Não importa. Eu já estou aqui, não estou?

– E não esteve lá. — Respondeu ele denunciando o início de um sorriso.

– Porque eu já FUI lá.

– Ok. — Ele deu uma longa pausa e eu já não consegui mais encara-lo, percebendo que ainda ria apenas pelo tom de sua voz. — Por que você preferiu vir pra cá?

– Eu não preferi. — Menti de novo. E menti mesmo. — É que a gente já tinha combinado antes e você ia ficar todo estressado porque eu também não vim ontem.

– Mas ele é seu namorado e está doente. Você tinha que ir ve-lo.

– Se você quer que eu vá embora é só dizer porque eu estou mesmo doida pra isso, ok?

– Não. Agora que já está aqui, fica.

– Se for para ficar só jogando na minha cara...

– Que você preferiu a mim ao invés dele? Não se preocupe, essa foi a última vez.

– Idiota! — Eu gritei e ele riu.

– Vou me trocar lá no banheiro. — Ele se virou, ainda com cinismo, e pegou uma muda de roupas em seu armário. Ao entrar no banheiro, respirei aliviada depois de dois minutos sufocada no constrangimento de ter que vê-lo naquela situação incomum. Inédita, na verdade.

Poxa vida. Coisas inéditas sempre são incríveis.

– Avisei para o John que teria que sair com minha mãe então se ele não melhorar amanhã eu vou lá e não venho aqui. — Falei de modo que ele pudesse me ouvir da onde estava.

– Como quiser.

– O que vamos estudar hoje?

– Não sei porque não sabia que você viria. Mas acho que a gente pode revisar as matérias de hoje. — Ele falou ressurgindo no quarto enquanto esfregava a toalha nos cabelos molhados.

– Oh, ótimo, porque eu dormi a aula toda.

– Se não tivesse dormido a aula toda, não seria você. — Ele disse enquanto enfiava num cesto a roupa que usara mais cedo.

[...]

Tão esquisito pensar na forma com que começamos a estudar por um motivo.

E acabamos com outro tão diferente.

[...]

– Será que o senhor poderia parar de pentear esse cabelo pra gente acabar logo com isso?

– Eu até poderia... — Freddie se virou para trás e me encarou. — Mas não vou.

– Você está fazendo isso de propósito?

– Pode ser. — Falou enquanto continuava a correr o pente entre cada fio de seus cabelos escuros.

– Vai ficar muito tarde, vamos logo!

– Em primeiro lugar, eu nem sabia que você viria, então não exija nada, muito menos me apresse. Em segundo lugar, eu digo quando começamos e quando terminamos. E por último... pare de invejar minhas madeixas.

[...]

Depois de discussões, brigas, desentendimentos, tentativas de assassinato culposo, doloso ou seja lá como se chama a situação na qual você quer matar alguém movido apenas pela raiva, começamos a estudar e apenas três horas depois Freddie já esperava que eu tivesse virado o Einstein da nossa geração.

– Muito bem. Hoje a gente viu um pouco de matrizes em matemática, certo?

– Sei lá. — Respondi sem interesse. Lá estava ele escorado na cabeceira da cama rodeado de livros e eu na outra ponta quase dormindo.

– Se você pelo menos soubesse o que estamos vendo, me ajudaria um pouco. — Ele disse autoritário.

– Valeu, agora eu sei.

– Então me diga agora o que aprendeu.

– Várias coisas.

– Certo... me diga todas.

– Ai está o problema... são tantas que eu nem sei por onde começar.

– Me fala pelo menos uma.

– Ok... ér...

Me sentei tentando fazer com que meu cérebro funcionasse pelo menos naquele instante e não permitisse que mais um sermão nerdiano viesse sobre mim como uma avalanche, levando embora todo o meu ânimo e dignidade.

– É sério isso? Você não aprendeu nada?

– Aprendi sim! Só me esqueci.

– Você deve sofrer de algum tipo de amnésia. — Ele respondeu franzindo o cenho.

– Seja mais bonzinho comigo. Você está me devendo uma por causa da Carly, lembra?

– O que não é necessário, você lembra muito bem.

– Vai dizer que não te ajudei?

– Vou. — Ele disse sem hesitar, fechando e recolhendo seus livros de cima da cama.

– Claro que sim! Eu quase implorei para ela aceitar ir com você ao Pini's de novo.

– Não se convença disso, minha cara. Até porque, eu tive que pedir de qualquer forma. E você e seu namoradinho egocêntrico ficaram tão incomodados que tiveram que nos chamar para ir de novo e presenciar o pedido de namoro mais lindo da história. — Continuou ele sarcástico e raivoso.

– O que você tem contra a minha relação com o John?

– Uma vez que eu não tenho nada a favor, você já deve saber a resposta. — Ele se levantou e ficou de um dos lados da cama.

– Então por que está me ajudando com ele? — Me levantei furiosa ficando do outro lado.

– Eu estou fazendo isso pra quebrar seu galho. Além do mais eu sugeri que a gente se ajudasse há um tempo, então... nada mais justo.

O silêncio se instalou, e como de costume algum móvel se fez de abismo entre nós dois. Dessa vez foi a cama. Parecia tão maior com ele estando de um lado e eu do outro. Parecia tão maior depois de uma discussão, mesmo que tão pequena. Depois de alguns segundo apenas calados, imóveis, mal respirando, olhei para ele e o chamei novamente.

– Freddie?

– Sim. — Respondeu me olhando ainda um pouco disperso.

– Você quer continuar, então?

– Vamos lá.

Voltamos a nos sentar em nossos lados da cama e pegamos os livros novamente. Enquanto ele falava, eu me ajeitava nas mais diversas posições possíveis naquela cama maravilhosa. Às vezes ele se irritava pensando que fosse interferir na minha atenção, em outras apenas olhava estranho, ria ou até mesmo interrompia a explicação e perguntava qualquer coisa com curiosidade.

– Não sabia que você era flexível o suficiente pra encostar o joelho na cabeça. — Ele disse quando eu já estava sentada novamente como uma pessoa normal.

– Você não é?

– Acho que não.

– Eu fazia você ser quando te dava umas surras. — Disse fazendo-o rir.

– Você me machucava muito, sabia? — Ele respondeu rapidamente um pouco preocupado embora ainda sorrisse.

– Sabia, e era por isso que eu fazia. — Falei sorrindo.

– Você é tão má.

– Você merecia.

– Não, você merece.

– Acho que você ainda merece mas não vou me arriscar porque acho que alguém anda malhando. — Só notei a idiotice que falei depois de já ter dito.

– Pois é, Samantha. O John pode ter um cérebro como esse mas não tem uma braço desse. — Ele disse apontando para o próprio tríceps.

– E por que vem ao caso comparar vocês dois?

– Porque eu estou dando a ele uma namorada que em breve será tão inteligente quanto ele, mas que é muito mais forte.

– Então quer dizer que ele não é tão forte quanto eu... mas você é?

– Quem sabe. — Ele falou com um sorriso torto enquanto cruzava os braços.

– Vamos ver isso na queda de braço. — Falei me levantando.

– Falou! — Ele se levantou também. Nos deitamos de bruços no chão para apoiar os cotovelos e começamos.

Já havia se passado muito tempo desde a última vez que fizemos aquilo e já dava pra sentir mudanças até em sua mão quando a agarrei. Seu aperto estava mais firme, seu braço flexionado quase me levou a óbito. Tudo indicava que eu iria perder, mas venci depois de CINQUENTA E CINCO SEGUNDOS. Pra quem era derrotado por mim em apenas quatro, isso foi uma evolução absurda e, de certa forma, a minha derrota.

– Oh meu Deus! — Gritei me levantando do chão.

– O quê? — Ele se levantou também assustado.

– Cara, você... seu braço! Droga, cinquenta e cinco segundos? Que infernos você toma?

– Eu não tomo nada. Também não faço nenhuma dieta. Só flexões, abdominais, corridas e um ano treinando com o time da escola.

– Sério? Porque você quase arrancou meu braço!

– O quê? Sam, você venceu mesmo assim!

– Quase morri pra isso. — Respondi massageando meu braço que parecia estar morto.

– Eu machuquei você? — Ele veio até mim apreensivo pegando meu braço e fitando-o.

– Só me cansou. — Respondi me desprendendo dele, orgulhosa.

Ele assentiu, ainda um pouco confuso, enquanto voltávamos a nos sentar na cama. Um minuto depois, o que parecia ser o nosso assunto preferido voltou.

– Notícias do John?

– Não. Por quê? Também está preocupado com ele?

– Só para saber mesmo... mas se ele tiver que ir para o hospital, me avise.

– Por quê?

– Para eu ir lá visitá-lo. E desligar os aparelhos dele, quem sabe.

– Com quem você tem andado para estar tendo essas ideias? — Perguntei espantada.

– Sério? — Retrucou ele me olhando dos pés à cabeça. — Eu tenho andado com você.

– Oh. É mesmo. — Falei espantada. — Por isso você está mais fortinho... mais sem vergonha. Mais perigoso, quem sabe.

– Na verdade, minha arma mais perigosa continua sendo o meu cérebro, Samantha.

– Mais humilde... — Continuei com sarcasmo.

– Mais bonito também. — Ele terminou com um sorriso convencido.

– O quê? — Falei debochada. — Engraçadinho também, não acha?

– Você deveria estar ficando mais inteligente, mas só parece estar mais burra a cada dia.

– Por quê? — Perguntei indignada. — O que foi dessa vez?

– Você não entendeu que eu acabei de te fazer um elogio?

– Elogio? Eu não ouvi. Só ouvi você se vangloriar.

– Oh, meu Deus... se existe alguém pior que você, por favor, não me apresente. — Ele falou apertando os olhos.

– Apenas me explique, por favor.

– Bem, eu disse que estou um pouco mais rebelde porque tenho passado mais tempo com você. Ai eu falei que também estou mais bonito... entendeu?

– Mas isso você já é. — Falei sem pensar, talvez antes mesmo que ele tivesse terminado.

– O quê? — Perguntou espantando, fazendo com que eu me arrependesse um segundo depois.

– Mais rebelde! — Gritei. — Você já é rebelde, violento, perigoso, sabe? Não precisa andar comigo para isso.

– Não foi o que eu entendi. — Falou, já sorrindo, como sempre.

– Foi sim, pode parar com suas gracinhas. — Falei me levantando.

– Ok. — Ele disse tentando conter os dentes dentro da boca. — Você já vai?

– Acho melhor. — Falei eufórica.

Descemos as escadas rapidamente, ele abriu a porta e nos despedimos. Durante meu caminho para casa, me coloquei a pensar por que era um incômodo admitir que eu o achava bonito como havia dito e depois negado mais cedo. E eu já estava descobrindo o motivo: foram anos dizendo o contrário. Anos tirando sarro de tudo o que fosse relacionado à sua aparência, às coisas que gostava, tudo o que ele era... e essa visão que eu tinha sobre ele, só poderia mudar de uma forma: conhecendo-o. E era isso que estava acontecendo a cada tarde que nos juntávamos por um motivo e terminávamos com mais dez. Cada segredo que, indiretamente, nós compartilhávamos um com o outro. E essa visão passou a mudar não apenas no que diz respeito a aparência dele, mas todo o resto. Tudo por fora e, principalmente, por dentro. Tudo o que ele era. Tudo o que ele gostava. Tudo o que ele fazia. Como se comportava.

Ele era lindo. Em tudo. Sobre tudo. De toda e qualquer forma. Ele apenas era.

Notas finais
E entramos na contagem regressiva :)