Anyone Else But You
5 Feeling Satisfied But Guilty As Hell
Notas iniciais
PDV Sam.
– Pode falar. — Respondi me sentando no sofá novamente preocupada com o que quer que eu fosse ouvir em seguida.
Carly se virou para mim, parecia preocupada e isso me preocupou. Comecei a imaginar se ela sabia que eu gostava de John ou que Freddie gostava dela. Ou algo pior. Ou, quem sabe, melhor. Meus neurônios já estavam dando um nó na minha cabeça. A qualquer momento ficaria louca.
– Você se lembra do dia em que a gente conheceu o John?
– Sim, claro. Estávamos na festa de aniversário da Wendy e Freddie nos apresentou a ele. Quer dizer, mais precisamente a você porque... Ele se interessou por você. — Falei dando um sorriso amarelo. Carly balançou a cabeça negativamente, ainda com a mesma expressão de apreensão.
– Eu estava conversando com o John há alguns dias lembrando dessa festa e descobri umas coisas. — Ela respondeu cética, sem vacilar.
– O quê? — Perguntei ansiosa.
– Não era a mim que ele queria conhecer.
– O quê? — Perguntei novamente arregalando os olhos. Todo tipo de sensação dentro de mim só fazia se misturar mais a cada avanço que a conversa dava.
– O Freddie que nos apresentou a ele, certo? Mas o Benson se confundiu e apresentou uma em especial no lugar na outra, mas ele pensou que seria muito inconveniente, depois deu já ter sido apresentada a ele, dizer que, na verdade, ele queria conhecer você. — Carly admitiu com um olhar derrotado e abaixando o tom da voz conforme avançava.
Ouvi. Repeti na minha mente. Repeti de novo e de novo. E de novo.
Mais umas trocentas vezes.
John queria me conhecer.
Um garoto que viu nós duas ao mesmo tempo queria conhecer a mim.
E não a Carly.
Pela primeira vez.
E, quando isso acontece, ele acaba conhecendo quem?
Ela.
É.
Isso aí.
Valeu, mundo.
Valeu, Freddie.
Você me paga.
– Carly, eu...
– Você..?
– Isso é... esquisito?
– Sam, desde o início John queria conhecer você, mas ciente do seu temperamento e por você ser minha amiga, ele esteve receoso em admitir durante esses três meses.
– Mas vocês sempre pareciam tão bem juntos, ele nunca demonstrou nenhum afeto por mim. Em momento algum. — Falei ainda sem acreditar. Eu não culpava minha amiga, jamais, mas as circunstâncias. E o Freddienerd.
– Claro que ele não demonstraria com medo de me magoar. Nós ficamos muito amigos, mesmo... por isso um namoro entre nós não poderia dar certo e, sobretudo, porque até hoje ele quer conhecer você. — Ela disse assumindo uma expressão mais leve e amigável. — De alguma forma, o fato dele ter me dito foi só uma confirmação. Mesmo que ele não tivesse me dito, a gente não daria certo. O chato é que até hoje ele não te disse nada.
– Meu Deus, quando você soube disso? — Perguntei gaguejando.
– Semana passada. Por isso paramos de sair só nós dois.
– Mas, Carls... você gosta dele? — Não soube, naquele instante, se a frase saiu como uma pergunta ou como uma afirmação.
– Não, não gosto! — Carly falou rindo. — Acho que de certa maneira eu consegui não me apaixonar por ele porque meu subconsciente ou seja lá o que for sabia que ele não estava interessado em mim.
– Mas eu...
– Sem "mas", Sam. Presta atenção: — Ela engoliu em seco, se ajeitou no sofá e me olhou no fundo dos olhos. — John não admitiu durante todo esse tempo, mas ele quer você desde que a viu. Estou há uma semana indignada com essa situação na qual sou a pedra no caminho de vocês. Não se preocupe, eu não gosto dele e você não vai me magoar caso saim juntos, quem sabe, esse fim de semana. — Ela completou com um grande sorriso que parecia contente e preocupado ao mesmo tempo, talvez com uma possível rejeição da minha parte.
Eu estava extasiada. Não sabia o que dizer nem sentir ao certo. Fiquei alguns segundos boquiaberta tentando assimilar todas as informações que haviam me atingido de uma só vez. Eu não estava preparada por melhor que tenha sido a notícia. Ainda estava, na verdade, preocupada se Carly realmente não gostava dele depois de tanto tempo que passaram juntos. Queria ter certeza de que ela não sentiria nem um pouco de ciúmes ou de saudades dele e, de certa forma, ainda não conseguia acreditar totalmente.
– Peraí, você já marcou um encontro pra nós ou o quê? Você já... Argh, ele pediu que você me contasse tudo? — Mal consegui proferir as únicas palavras que me ocorriam naquele momento.
– Não, eu mesma decido isso. Se você aceitar, eu digo pra ele te chamar e ai ele mesmo vai poder te contar tudo como deve ser dito.
– Eu não sei, você tem certeza disso, Carls? Não é nenhum tipo de pegadinha? — Falei ainda tropeçando nas palavras.
– Tenho certeza quanto a ele, mas quanto a você... Não sei se gosta dele, mas ao menos dê uma chance para conhecê-lo. Ele é gentil, carinhoso, educado, inteligente e bonito. Agora somos grandes amigos e eu adoraria ver vocês juntos. — Carly disse com um olhar sonhador. Eu conseguia sentir o cheiro da sua sinceridade.
– Eu não sei... somos amigos de escola e eu ainda não criei muita intimidade com ele. — Falei em seguida embora estivesse começando a gostar da ideia.
– Por isso mesmo. Essa é a chance de vocês se aproximarem e quem sabe... — Carly inclinou a cabeça com um olhar e sorriso maliciosos.
– Amiga... eu não sei nem o que dizer. — Falei com um sorriso tão grande que doía minha boca.
– Apenas diga que aceitaria sair com ele e eu faço com que ele te chame ainda esse sábado.
– Você é a melhor. — Respondi ainda sorrindo com meu sorriso dolorido.
– Eu sei! — Ela respondeu e se inclinou para me abraçar. — Então..?
– Tudo bem! — Nos abraçamos novamente ainda mais forte com risadas histéricas.
De certa forma me senti culpada por nunca ter compartilhado com Carly que eu gostava/gosto de John, mesmo tendo escondido isso para nos proteger e não atrapalhar o romance dela. Eu simplesmente não queria interferir na relação, ser a amiga fura-olho, mas é incrível como ela sempre foi sincera comigo e infelizmente não saberia que essa notícia estava sendo mil vezes melhor para mim do que pareceu porque eu já gostava o John. Era melhor que continuasse sem saber, porque dali a algum tempo talvez nos tornássemos um casal e meu amor já não precisaria mais ser um segredo.
– Tem certeza de que não é um problema pra você? — Perguntei para me certificar de uma vez por todas.
– Sam, eu estou ótima com isso.
– Obrigada mesmo. — Falei me levantando. — Agora tenho que ir.
Nos abraçamos uma última vez antes que eu saísse.
O silêncio da rua contrastava com o barulho dentro da minha cabeça. Eu estava satisfeita mas me sentia culpada pra caramba. Estava bem e com medo. Não tinha a mínima ideia do que faria no dia seguinte se John viesse me convidar pra sair ou no mínimo conversar um pouco sabendo como ele se sente em relação a mim. Sim, ainda me custava a acreditar por ser a última coisa que eu esperaria ouvir nos últimos tempos, mas eu confiava na minha amiga o suficiente para saber que ela jamais mentiria para mim sobre algo tão sério. A questão era que, finalmente, as coisas começariam a ser do jeito que deveriam.
Ou que eu achava que deveriam.
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